Banco do Japão mantém taxa em 1,25% enquanto avaliação da inflação muda e vendas de ETFs aceleram

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Bank of Japan Holds Rate at 1.25% as Inflation Assessment Shifts and ETF Sales Accelerate

Uma pausa nos juros, uma mudança de prioridades

O Banco do Japão votou, por 8 a 1, em 30 de outubro de 2026, pela manutenção de sua taxa básica de juros em cerca de 1,25%, ao mesmo tempo que avaliou que a inflação subjacente havia atingido um nível amplamente compatível com sua meta de 2%. Também aprovou por unanimidade a aceleração das vendas de seus fundos negociados em bolsa (ETFs), elevando o ritmo anual de 330 bilhões de ienes para 860 bilhões de ienes a partir de janeiro de 2027.

Conteúdo
  1. Uma pausa nos juros, uma mudança de prioridades
  2. O que significa chegar a 2%
  3. Por que Takata queria um aumento mais rápido
  4. Projeções de inflação mais altas, crescimento modesto
  5. Petróleo, iene e IA pressionam os preços
  6. Vendas de ETFs sobem para 2,6 vezes o ritmo anterior
  7. Vendas também podem aumentar repasses ao Tesouro
  8. Preocupações com IA impulsionam recuo da bolsa
  9. Dezembro está no radar, sem compromisso
  10. Pontos principais

O presidente do banco, Kazuo Ueda, descreveu uma mudança na tarefa do banco central: depois de anos tentando elevar a inflação, os formuladores de políticas agora precisam evitar que os preços e as expectativas de aumentos futuros avancem demais. Ainda assim, ele não chegou a declarar que o Japão havia alcançado uma inflação de 2% de forma duradoura e estável.

O membro do conselho Hajime Takata defendeu um aumento imediato para 1,5%. Os outros oito membros preferiram esperar, após a alta de 18 de setembro, de 1% para 1,25%, e avaliar como os custos mais altos de empréstimos afetavam famílias, empresas e as condições financeiras.

A decisão reuniu duas partes do afastamento do Japão do apoio monetário extraordinário. Os juros permaneceram inalterados por enquanto, mas o banco reforçou sua avaliação da inflação e reduziu de cerca de 112 anos para 43 anos o prazo estimado para vender suas participações em ETFs.

Naquele dia, os mercados financeiros se concentraram mais em outra preocupação: se os enormes gastos com inteligência artificial gerariam lucro suficiente. O índice Nikkei fechou em queda de 2,1%, aos 63.290,11 pontos, enquanto o iene se valorizou e chegou a ser negociado a 157,06 por dólar, alta de cerca de 0,4%.

O que significa chegar a 2%

O relatório de outubro do BOJ, Perspectivas para a Atividade Econômica e os Preços, mudou a descrição da inflação subjacente: de próxima da meta para amplamente compatível com ela. A mudança ocorreu mais de 13 anos depois de o banco e o governo do então primeiro-ministro Shinzo Abe adotarem a meta de 2%, em janeiro de 2013.

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Inflação subjacente é o movimento mais persistente dos preços, descontadas influências temporárias, como oscilações nos preços do petróleo ou subsídios governamentais. O BOJ a avalia por meio de diversos indicadores, incluindo salários, preços praticados pelas empresas e expectativas de inflação futura, em vez de se basear em uma única leitura mensal.

A disseminação dos aumentos salariais pela economia e o repasse de custos mais altos pelas empresas aos preços dos serviços sustentaram a nova avaliação. O banco também considerou que as expectativas de inflação no médio e longo prazo estavam em torno de 2%.

Ueda disse que todos os membros do conselho compartilhavam a avaliação de que a inflação subjacente estava amplamente no nível da meta. A divergência dizia respeito à velocidade do ajuste da política monetária. Ele ainda queria confirmar que os aumentos salariais e a definição de preços sustentariam esse nível, inclusive se as negociações salariais anuais passariam a incorporar regularmente uma expectativa de inflação de 2%.

O objetivo prático é manter uma relação estável entre salários e preços: os trabalhadores recebem salários mais altos, as empresas conseguem cobrir custos crescentes e o poder de compra das famílias acompanha essa evolução. Ueda afirmou que o banco precisava de mais evidências de que esse padrão permaneceria firmemente estabelecido antes de declarar formalmente um sucesso duradouro.

Por que Takata queria um aumento mais rápido

Takata argumentou que alcançar a meta de inflação colocava a política monetária em uma nova fase. Ele queria que o banco avançasse mais rapidamente em direção a uma taxa de juros neutra, nível que não estimula nem desacelera a atividade econômica, dando aos formuladores de políticas maior flexibilidade para reagir a mudanças futuras.

Ueda também afirmou que os juros deveriam avançar gradualmente em direção ao nível neutro, mas ressaltou que seu valor exato é incerto. O BOJ precisaria observar como a economia reagiria à alta dos custos dos empréstimos, inclusive se empresas menores enfrentariam mais dificuldade para obter crédito ou administrar seu caixa.

Aumentos anteriores podem levar tempo para afetar o financiamento das empresas, os investimentos e os gastos das famílias. Por isso, Ueda rejeitou um calendário fixo para novas altas. Questionado sobre o ritmo dos aumentos, o presidente do BOJ disse:

Não posso afirmar antecipadamente que haverá um aumento a cada poucos meses.

O BOJ continuou a descrever as condições financeiras como acomodatícias, ou seja, ainda favoráveis aos gastos e à tomada de empréstimos. Se a atividade econômica e os preços evoluíssem como esperado, o banco pretendia continuar elevando os juros e reduzir esse estímulo.

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Projeções de inflação mais altas, crescimento modesto

O BOJ elevou de 2,4%, em julho, para 2,6% sua projeção mediana para a inflação ao consumidor, excluindo alimentos frescos, no ano fiscal de 2027. As projeções permaneceram em 2,5% para o ano fiscal de 2026 e em 2% para o de 2028. O ano fiscal do Japão vai de abril a março.

A projeção para o indicador que exclui alimentos frescos e energia foi de 2,4% no ano fiscal de 2026, 2,7% no de 2027 e 2,3% no de 2028. Em comparação com julho, a primeira projeção caiu 0,1 ponto percentual, enquanto as duas seguintes subiram 0,1 ponto percentual cada.

As projeções de crescimento mudaram pouco. A projeção mediana para o produto interno bruto real, que mede a produção econômica com ajuste pela inflação, subiu de 0,6% para 0,7% no ano fiscal de 2026. A projeção para o ano fiscal de 2027 caiu de 0,8% para 0,7%, enquanto a do ano fiscal de 2028 permaneceu em 0,8%.

O banco descreveu uma recuperação moderada, com pontos de fraqueza, parcialmente ligados aos acontecimentos no Oriente Médio. O crescimento dos salários e a demanda relacionada à IA sustentaram a atividade, mas o aumento do custo de vida pesou sobre as famílias. O consumo privado se recuperava gradualmente, e os investimentos empresariais haviam enfraquecido recentemente.

A inflação ao consumidor em setembro, excluindo alimentos frescos, foi de 2,1% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Os salários reais, ajustados pela inflação, subiram 1,5% em agosto, registrando o oitavo aumento mensal consecutivo na comparação anual. Em conjunto, esses números mostraram melhora na remuneração, ao mesmo tempo que os orçamentos familiares continuavam sob pressão.

Petróleo, iene e IA pressionam os preços

Os preços do petróleo, as taxas de câmbio e os investimentos globais em IA foram fatores centrais na avaliação do BOJ de que os riscos para a inflação eram predominantemente de alta. O Japão depende fortemente da importação de energia, sobretudo do Oriente Médio, o que torna os custos dos combustíveis um fator importante tanto para as despesas das empresas quanto para os gastos das famílias.

Um iene mais fraco encarece no Japão os produtos cotados em moedas estrangeiras. Ueda disse que as empresas estavam mais dispostas do que no passado a repassar custos maiores aos preços de venda, o que poderia intensificar o efeito da desvalorização da moeda sobre a inflação ao consumidor.

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Os investimentos em IA atuam por diversos canais ao mesmo tempo. Encomendas de máquinas japonesas e equipamentos para semicondutores sustentam as exportações, os lucros das empresas e os investimentos. A demanda forte também pode elevar os preços de semicondutores, equipamentos e matérias-primas, aumentando os custos em outras áreas da economia.

O BOJ esperava que a inflação ao consumidor, excluindo alimentos frescos, ficasse claramente acima de 2% antes de recuar em direção à meta mais adiante no período de projeção. Ueda também observou que medidas governamentais para reduzir o custo de vida poderiam deixar a inflação do ano-calendário ligeiramente abaixo de 2%, algo que ele acompanharia pelos efeitos sobre as próximas negociações salariais.

Essas diferentes leituras importam para trabalhadores e empresas. Subsídios podem reduzir o índice de inflação usado como referência nas negociações salariais, mesmo enquanto empresas e famílias continuam enfrentando pressões persistentes de custos.

Vendas de ETFs sobem para 2,6 vezes o ritmo anterior

O BOJ aumentará as vendas anuais de ETFs em 530 bilhões de ienes, com base no valor contábil, passando de 330 bilhões de ienes para 860 bilhões de ienes. O novo ritmo é cerca de 2,6 vezes o anterior, um aumento de aproximadamente 161%.

ETFs são fundos de investimento negociados em bolsa, que geralmente detêm cestas de ações. O valor contábil registra o valor dos ativos nas contas do banco. O valor de mercado reflete quanto esses ativos valem aos preços atuais. Com base nas avaliações recentes, o novo ritmo anual de vendas corresponde a cerca de 2,46 trilhões de ienes em valor de mercado.

O banco começou a vender ETFs em janeiro de 2026. Segundo o BOJ, as operações transcorreram sem problemas e sem grandes perturbações no mercado, enquanto as negociações na bolsa se expandiram. Pelo novo plano, as vendas representariam cerca de 0,1% do valor negociado no mercado, ante aproximadamente 0,05% no modelo anterior.

Ueda disse que as vendas seriam distribuídas ao longo do tempo, e o BOJ manteve a possibilidade de ajustá-las ou suspendê-las temporariamente conforme as condições do mercado. As vendas anuais de fundos japoneses de investimento imobiliário, conhecidos como J-REITs, permanecerão em cerca de 5 bilhões de ienes.

As participações do BOJ em ETFs somavam 36,9557 trilhões de ienes em valor contábil no fim de setembro de 2026. Dividir esse saldo pelas vendas anuais de 860 bilhões de ienes resulta em cerca de 43 anos, ante 112 anos no ritmo anterior. Portanto, a conclusão ainda levará décadas, mesmo com a aceleração.

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Vendas também podem aumentar repasses ao Tesouro

A diferença entre o valor de mercado estimado de 2,46 trilhões de ienes das vendas anuais de ETFs e seu valor contábil de 860 bilhões de ienes é de cerca de 1,6 trilhão de ienes. Com essas avaliações, as alienações gerariam ganhos desse valor aproximado.

Juros básicos mais altos também elevam os juros que o BOJ paga sobre os saldos elegíveis mantidos por instituições financeiras no banco central. Os ganhos com ETFs poderiam ajudar a compensar essa despesa e contribuir para o superávit transferido pelo banco ao Tesouro Nacional.

A ministra das Finanças, Satsuki Katayama, disse que o superávit adicional e seu uso seriam considerados durante a preparação do orçamento. O valor que acabaria disponível para o governo dependeria das receitas e despesas do BOJ, assim como dos preços obtidos na venda dos ativos.

Os motivos declarados pelo BOJ para acelerar as vendas foram o bom andamento do programa existente e a maior capacidade de negociação do mercado. O possível benefício fiscal acrescenta outra consequência à decisão, enquanto o Japão se afasta das políticas usadas para combater a inflação baixa.

Preocupações com IA impulsionam recuo da bolsa

As ações de Tóquio reagiram pouco de imediato tanto à manutenção dos juros quanto ao plano de acelerar a venda de ETFs. Em vez disso, as ações de tecnologia acompanharam as perdas em Wall Street, enquanto investidores questionavam a rentabilidade dos grandes programas de investimento em IA.

Maki Sawada, estrategista de ações da Nomura Securities, associou a pressão vendedora às dúvidas sobre os retornos dos investimentos em IA:

Isso pode ser visto como um sinal de que aumentam as preocupações com a rentabilidade dos investimentos em IA, o que está pressionando os preços das ações.

A Advantest caiu 5,9%, e a Tokyo Electron perdeu 5,2%. A Ibiden recuou 15,2%, a Lasertec caiu 8,8% e o SoftBank Group perdeu 6%. O Nikkei chegou a cair 3% durante o pregão, antes de fechar em baixa de 2,1%.

O índice mais amplo Topix recuou 1%. Apesar das perdas de sexta-feira, o Nikkei avançou 1% na semana, enquanto o Topix encerrou o período estável. Resultados corporativos impulsionaram ganhos em outras empresas: a Konami subiu 15%, e a Oriental Land, operadora do Tokyo Disney Resort, avançou 8,5%.

Assim, a IA colocou o BOJ diante de um desafio visível tanto em suas projeções quanto nos preços de mercado. Os gastos elevados sustentaram as exportações japonesas e aumentaram alguns custos de produção, enquanto dúvidas sobre os lucros futuros pressionaram as ações. Ueda manteve o rumo de elevação dos juros, mas deixou o momento em aberto.

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Dezembro está no radar, sem compromisso

A próxima reunião de política monetária do BOJ está marcada para 17 e 18 de dezembro. Ueda não descartou um aumento, mas não se comprometeu com essa possibilidade, afirmando que as decisões dependeriam, em cada reunião, das perspectivas econômicas, dos salários, do comportamento dos preços, das condições financeiras e dos riscos.

As gestoras e instituições financeiras apresentaram calendários diferentes. O BlackRock Investment Institute esperava outro aumento antes do fim de 2026. Tai Hui, estrategista-chefe de mercado para a Ásia-Pacífico da J.P. Morgan Asset Management, projetou aumentos de 25 pontos-base em dezembro de 2026 e março de 2027, levando a taxa a 1,75%. Um ponto-base corresponde a um centésimo de ponto percentual.

Kazuo Momma, economista executivo do Mizuho Research Institute e ex-alto funcionário do BOJ, também esperava aumentos em dezembro e março. Hirofumi Suzuki, estrategista-chefe de câmbio do Sumitomo Mitsui Banking Corporation, considerava janeiro uma possibilidade caso o banco adotasse uma postura de espera mais explícita.

Tai Hui esperava um ritmo menos previsível depois de março, à medida que os aumentos anteriores repercutissem na economia e a contribuição dos preços da energia diminuísse. Sua projeção apontava para juros próximos de 1,75% daí em diante, com novos aumentos possíveis caso as tensões no Oriente Médio se intensificassem ou o iene permanecesse fraco.

As principais datas de política monetária e publicação mostram como a próxima avaliação será desenvolvida:

  • 18 de setembro de 2026: O BOJ elevou sua taxa básica de cerca de 1% para 1,25%.
  • 29 e 30 de outubro: Os formuladores de políticas se reuniram, mantiveram os juros e aprovaram a aceleração das vendas de ETFs.
  • 2 de novembro: A publicação do relatório completo de Perspectivas de outubro estava prevista.
  • 10 de novembro: A divulgação do Resumo das Opiniões da reunião estava prevista.
  • 17 e 18 de dezembro: A próxima reunião de política monetária está marcada.
  • 23 de dezembro: A publicação da ata da reunião de outubro está prevista.
  • Janeiro de 2027: Começa o ritmo mais acelerado de vendas de ETFs.

Para as famílias e as empresas menores, o resultado imediato é tempo para se ajustar ao aumento de setembro. A próxima decisão dependerá de o crescimento dos salários conseguir sustentar os gastos enquanto a inflação permanece perto de 2%, e de quanto mais os custos dos empréstimos precisam subir para manter esse equilíbrio.

Pontos principais

  • O BOJ manteve sua taxa básica em cerca de 1,25%, por 8 votos a 1; Hajime Takata preferia 1,5%.
  • A inflação subjacente foi considerada amplamente compatível com 2%, enquanto Ueda pediu mais evidências de que permaneceria estável.
  • A projeção de inflação para o ano fiscal de 2027, excluindo alimentos frescos, subiu de 2,4% para 2,6%.
  • As vendas anuais de ETFs passarão de 330 bilhões de ienes para 860 bilhões de ienes em valor contábil a partir de janeiro de 2027.
  • O novo ritmo de vendas levaria cerca de 43 anos para liquidar as participações em ETFs registradas em setembro.
  • A próxima reunião de política monetária será em 17 e 18 de dezembro, sem compromisso de um aumento.
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