Condenação eleitoral de Yoon é mantida, e Partido do Poder Popular pode ter de devolver 39,7 bilhões de wons

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Yoon Election Conviction Upheld, Putting People Power Party at Risk of 39.7 Billion Won Repayment

Duas negativas durante a campanha trazem consequências jurídicas e financeiras duradouras

Em 4 de novembro de 2026, o Tribunal Superior de Seul manteve a condenação do ex-presidente sul-coreano Yoon Suk Yeol por fazer declarações falsas durante sua campanha para a eleição presidencial de 2022. A decisão deixa o Partido do Poder Popular sujeito à possível devolução de cerca de 39,7 bilhões de wons em recursos públicos eleitorais, aproximadamente um terço de seu patrimônio.

Conteúdo
  1. Duas negativas durante a campanha trazem consequências jurídicas e financeiras duradouras
  2. Por que a apresentação do advogado foi relevante
  3. Tribunal situou relação com o xamã em 2013
  4. O que um eleitor comum teria entendido
  5. Duas decisões sobre Lee Jae-myung influenciaram o argumento
  6. Por que a pena suspensa ainda importa
  7. Devolução pode chegar a quase um terço do patrimônio do partido
  8. Como o caso chegou até aqui
  9. Recurso à Suprema Corte é o próximo passo
  10. Principais pontos

O tribunal manteve a pena de 18 meses de prisão, suspensa por três anos, por duas violações da Lei Eleitoral dos Funcionários Públicos. Uma delas dizia respeito à negativa de Yoon de que havia apresentado um advogado a um ex-funcionário fiscal. A outra envolvia seu relato sobre a relação com o xamã Jeon Seong-bae, incluindo se os dois haviam se encontrado com a esposa de Yoon, Kim Keon-hee.

A 2ª-1ª Câmara Criminal, presidida pelo juiz Baek Seung-yeop, rejeitou o recurso de Yoon no processo 2026No1944. Seus advogados disseram que recorreriam à Suprema Corte. Se a condenação que se enquadra nos critérios legais se tornar definitiva, a vitória de Yoon na eleição de 2022 será anulada, e o partido terá de devolver os recursos eleitorais.

Yoon já havia deixado o cargo em abril de 2025, quando o Tribunal Constitucional confirmou seu impeachment após a declaração de lei marcial em dezembro de 2024. O processo eleitoral agora traz uma consequência distinta: uma obrigação financeira potencialmente substancial para o partido que o indicou.

O tribunal de apelação afirmou que Yoon, como candidato à Presidência, tinha o dever de fornecer informações precisas aos eleitores. Ao explicar os danos causados pelas declarações, o tribunal afirmou:

O direito dos eleitores de fazer uma escolha informada foi violado, e a lisura da eleição e a legalidade de seus procedimentos foram comprometidas.

Por que a apresentação do advogado foi relevante

A primeira condenação de Yoon dizia respeito a declarações feitas em um evento do Clube Kwanhun, em 14 de dezembro de 2021. Ele negou ter apresentado um advogado a Yoon Woo-jin, ex-chefe da Agência Fiscal de Yongsan que havia sido alvo de uma investigação criminal. O ex-funcionário fiscal é irmão mais velho de Yoon Dae-jin, ex-promotor sênior e próximo aliado do ex-presidente.

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A defesa de Yoon Suk Yeol se apoiou, em parte, no significado de apresentar um advogado. Seus advogados alegaram que ele havia negado ter organizado um contrato formal de representação jurídica, e não simplesmente colocado duas pessoas em contato. Yoon Dae-jin também testemunhou que foi ele, e não o ex-presidente, quem fez a apresentação.

O tribunal rejeitou essa interpretação restrita. Concluiu que um eleitor comum entenderia a resposta de campanha de Yoon como uma negativa de que ele tivesse colocado o ex-funcionário fiscal em contato com o advogado. Os juízes consideraram as perguntas e respostas ao redor da declaração, em vez de tratar a expressão como um termo jurídico técnico.

Entre as provas estavam uma entrevista concedida por Yoon em 2012, na qual ele reconheceu ter feito a apresentação, além de registros de ligações e mensagens de texto envolvendo o ex-funcionário fiscal. O tribunal concluiu que a negativa feita durante a campanha contradizia esses fatos.

Os juízes afirmaram que o caso era relevante para avaliar a integridade e a imparcialidade de Yoon como funcionário público. Para eleitores que avaliavam um ex-promotor, saber se ele havia ajudado alguém sob investigação a conseguir um advogado poderia influenciar a avaliação sobre sua conduta e suas relações profissionais.

Tribunal situou relação com o xamã em 2013

A segunda condenação de Yoon dizia respeito a uma entrevista após o lançamento do Fórum de Líderes Budistas, em 17 de janeiro de 2022. Questionado se ele e Kim haviam se encontrado com Jeon Seong-bae juntos, Yoon, então candidato presidencial do Partido do Poder Popular, respondeu:

Não, não foi isso que aconteceu.

Yoon também disse que um dirigente do partido havia apresentado Jeon como um budista que apoiava sua candidatura. Jeon também é conhecido como Geomjinbeopsa.

O tribunal concluiu que Yoon conheceu Jeon por meio de Kim em dezembro de 2013 e que, posteriormente, o casal se encontrou com ele várias vezes. Também concluiu que Yoon recebeu conselhos de Jeon sobre questões políticas enquanto atuava como promotor.

Yoon argumentou que havia entendido que a pergunta se referia a uma ocasião específica, e não a se o casal já havia se encontrado com Jeon. A defesa afirmou que a resposta se referia a um evento de Ano-Novo do partido, em 1º de janeiro, ao qual Kim não compareceu.

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Os juízes concluíram que a entrevista transmitiu uma negativa mais ampla: a de que Yoon havia conhecido Jeon por meio de atividades do partido e nunca havia se encontrado com ele junto com a esposa. Eles consideraram que Yoon sabia como a relação começou e de quais encontros participou, pois eram situações que havia vivenciado pessoalmente.

O que um eleitor comum teria entendido

O Tribunal Superior de Seul avaliou as duas declarações perguntando que impressão as palavras e o contexto deixariam em um eleitor comum. Em termos simples, os juízes consideraram o que uma pessoa que ouvisse a resposta entenderia razoavelmente.

Essa abordagem foi central para a rejeição das explicações de Yoon. Uma distinção técnica entre colocar alguém em contato com um advogado e organizar um contrato de representação teve pouco peso quando a resposta pública soava como uma negativa de qualquer apresentação. Da mesma forma, o tribunal interpretou a entrevista sobre Jeon levando em conta suas palavras e o contexto.

Os juízes também consideraram por que as informações eram relevantes. A acusação sobre o advogado dizia respeito à conduta de Yoon como promotor. A acusação sobre Jeon dizia respeito à possibilidade de uma pessoa fora das estruturas formais do governo influenciar alguém que buscava a Presidência.

O tribunal observou que Yoon e Lee Jae-myung, candidato do Partido Democrático, estavam dentro da margem de erro das pesquisas de opinião quando as declarações foram feitas. Isso significa que o apoio medido a ambos era suficientemente próximo para que a incerteza normal das pesquisas pudesse alterar quem aparecia na frente.

A equipe do procurador especial Min Joong-ki argumentou que as negativas ajudaram a abafar acusações e a preservar a posição de Yoon como principal candidato. O tribunal considerou que o possível alcance delas foi substancial naquela disputa acirrada, que Yoon acabou vencendo.

Duas decisões sobre Lee Jae-myung influenciaram o argumento

Os advogados de Yoon pediram sua absolvição com base no raciocínio de uma decisão da Suprema Corte emitida em julho de 2020, em outro processo eleitoral envolvendo Lee Jae-myung. O caso dizia respeito a declarações de Lee durante um debate televisivo entre candidatos nas eleições locais de 2018, sobre tentativas de internar o irmão em um hospital psiquiátrico.

A decisão de 2020 admitiu a possibilidade de formulações imperfeitas, que podem surgir quando candidatos trocam perguntas, respostas e réplicas sob limites de tempo apertados. A defesa de Yoon argumentou que esse raciocínio deveria se aplicar às explicações dadas durante sua campanha.

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O tribunal de apelação considerou que as situações eram diferentes. Embora o encontro do Clube Kwanhun fosse chamado de debate, Yoon era o único candidato convidado e respondeu a perguntas de um painel de jornalistas sem restrições especiais de tempo ou formato. As declarações de Yoon no Fórum de Líderes Budistas também foram dadas durante uma entrevista com jornalistas.

Em vez disso, os juízes mantiveram o uso, pelo tribunal de primeira instância, do raciocínio de uma decisão da Suprema Corte de maio de 2025 em outro processo eleitoral envolvendo Lee, sobre declarações dele a respeito de Kim Moon-gi. Essa decisão reafirmou que os tribunais devem examinar a impressão geral deixada nos eleitores comuns, incluindo o contexto, o conteúdo objetivo, o significado habitual das palavras e a forma como as expressões se relacionam.

Assim, os casos de Lee apareceram nos dois lados do recurso de Yoon. A questão jurídica era qual precedente se ajustava às circunstâncias em que Yoon falou. O tribunal de apelação escolheu a abordagem centrada em como os eleitores entenderiam uma entrevista pública.

Por que a pena suspensa ainda importa

A pena de 18 meses de prisão foi suspensa por três anos. Uma pena suspensa significa que o tribunal impôs uma pena de prisão, mas adiou sua execução, sujeita a condições legais. Ainda assim, a condenação e a pena têm consequências previstas na legislação eleitoral.

A Lei Eleitoral dos Funcionários Públicos prevê a anulação da eleição de um candidato quando uma condenação por infração eleitoral pertinente se torna definitiva e resulta em prisão ou multa de pelo menos 1 milhão de wons. A pena de Yoon atinge esse limite apesar de ter sido suspensa.

Os advogados de Yoon pediram ao tribunal de apelação que reduzisse a pena, alegando que as consequências incluíam tanto a anulação de sua eleição quanto uma grande obrigação de devolução de recursos para o Partido do Poder Popular.

O tribunal rejeitou o pedido. Afirmou que cabe aos legisladores definir as consequências vinculadas às infrações eleitorais. Dar peso excessivo a essas consequências ao decidir sobre a culpa ou a pena poderia distorcer o julgamento do tribunal.

O juiz Baek também criticou a reação de Yoon à acusação. Ao descrever sua conduta desde a investigação até o julgamento, o juiz que presidia o caso afirmou:

Desde a fase de investigação até o julgamento, o réu recorreu sistematicamente a desculpas.

Devolução pode chegar a quase um terço do patrimônio do partido

O Partido do Poder Popular poderá ter de devolver cerca de 39,7 bilhões de wons à Comissão Eleitoral Nacional se a condenação se tornar definitiva. O valor inclui despesas de campanha reembolsadas e a devolução de um depósito eleitoral.

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A Coreia do Sul reembolsa integralmente as despesas eleitorais presidenciais elegíveis quando um candidato vence ou recebe pelo menos 15% dos votos. Esse mecanismo ajuda candidatos e partidos a cobrir os custos eleitorais. Uma condenação definitiva que se enquadre nos critérios legais aciona a obrigação de devolução, pela qual o partido que indicou o candidato é responsável em uma eleição presidencial.

A possível obrigação equivale a cerca de um terço do patrimônio do Partido do Poder Popular, segundo declarações apresentadas à comissão eleitoral. Essa comparação mostra a dimensão do impacto potencial nas finanças do partido, além das consequências jurídicas para seu ex-candidato.

O porta-voz do Partido Democrático Park Sung-joon instou o partido de oposição a assumir a responsabilidade por ter indicado Yoon. Em uma declaração de boas-vindas à decisão, Park afirmou:

Chegou a hora de o PPP assumir a responsabilidade. O partido indicou um candidato que distorceu as escolhas dos eleitores com mentiras.

O líder do Partido do Poder Popular na Assembleia, Jeong Jeom-sig, ressaltou que o processo de apelação não havia terminado. Questionado sobre a decisão, ele a chamou de:

apenas uma decisão de segunda instância.

Como o caso chegou até aqui

O caso liga declarações feitas antes da eleição de Yoon a processos que continuaram após sua saída do cargo. As principais datas são:

  • 14 de dezembro de 2021: Yoon negou ter apresentado o advogado no evento do Clube Kwanhun.
  • 17 de janeiro de 2022: Ele fez as declarações contestadas sobre Jeon após o lançamento do Fórum de Líderes Budistas.
  • 2022: Yoon derrotou Lee Jae-myung na eleição presidencial.
  • 3 de dezembro de 2024: Yoon declarou lei marcial.
  • Abril de 2025: O Tribunal Constitucional confirmou seu impeachment e o afastou do cargo.
  • 27 de julho de 2026: O Tribunal Distrital Central de Seul impôs a pena de prisão suspensa no processo eleitoral.
  • 13 de outubro de 2026: Na audiência final de apelação, a equipe do procurador especial pediu ao tribunal que mantivesse a pena.
  • 4 de novembro de 2026: O Tribunal Superior de Seul rejeitou o recurso de Yoon.

Lee venceu a eleição presidencial seguinte, após a saída de Yoon. A condenação eleitoral diz respeito à legalidade da vitória anterior de Yoon, enquanto a decisão de impeachment já havia encerrado sua Presidência.

Recurso à Suprema Corte é o próximo passo

A equipe jurídica de Yoon disse que recorreria, classificando a decisão como injusta e argumentando que o tribunal não considerou suficientemente o contexto de suas respostas e provas importantes. A equipe do procurador especial comemorou o resultado, afirmando que era uma decisão que o público poderia compreender.

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A lei do procurador especial prevê que a Suprema Corte se pronuncie em até três meses após a decisão do tribunal imediatamente inferior. Essa disposição não garante o prazo efetivo, e não foi anunciada nenhuma data para audiência ou decisão da Suprema Corte.

Se a condenação se tornar definitiva, a anulação da eleição de Yoon entrará em vigor nesse momento. A interpretação jurídica predominante é que os atos praticados por ele enquanto presidente, incluindo nomeações, manterão seus efeitos jurídicos.

Yoon também responde a processos distintos decorrentes de sua declaração de lei marcial. Em fevereiro de 2026, ele foi condenado à prisão perpétua por liderar uma insurreição; essa decisão também está em recurso. O processo eleitoral acrescenta uma questão específica para a Suprema Corte: se as declarações de campanha justificam a condenação e as consequências eleitorais vinculadas a ela.

Principais pontos

  • O Tribunal Superior de Seul manteve, em 4 de novembro de 2026, a pena de 18 meses de prisão de Yoon, suspensa por três anos.
  • As duas condenações dizem respeito a declarações falsas de campanha sobre a apresentação de um advogado e a relação de Yoon com o xamã Jeon Seong-bae.
  • Os advogados de Yoon disseram que recorreriam à Suprema Corte.
  • Uma condenação definitiva que se enquadre nos critérios legais anularia a vitória de Yoon na eleição de 2022.
  • O Partido do Poder Popular teria de devolver cerca de 39,7 bilhões de wons, aproximadamente um terço de seu patrimônio.
  • A lei do procurador especial prevê uma decisão da Suprema Corte em até três meses, mas nenhuma data foi anunciada.
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