Comissão sul-coreana avança projeto ampliado de procurador especial em meio a disputa sobre casos envolvendo Lee

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South Korea Panel Advances Expanded Special Counsel Bill as Dispute Over Lee Cases Deepens

Investigação ampliada supera etapa importante no Parlamento

A Comissão de Legislação e Justiça do Parlamento da Coreia do Sul aprovou, em 4 de novembro de 2026, um projeto de lei que criaria uma equipe de procurador especial com até 309 integrantes e 200 dias para investigar denúncias de investigações e acusações fabricadas durante o governo do ex-presidente Yoon Suk Yeol. A proposta revisada abrange 12 grupos de casos, incluindo processos criminais envolvendo o presidente Lee Jae Myung e novas questões relacionadas ao governo do ex-presidente Moon Jae In.

Conteúdo
  1. Investigação ampliada supera etapa importante no Parlamento
  2. O que mudou nos poderes de acusação?
  3. Por que o alerta jurídico permaneceu após a revisão
  4. Doze grupos de casos e mais denúncias
  5. Quem escolheria o investigador?
  6. Como o projeto avançou no Parlamento
  7. Uma equipe numerosa em meio à falta de pessoal
  8. Independência dos tribunais e investigações sobrepostas
  9. Próxima votação pode atrasar outros projetos
  10. Principais pontos

O governista Partido Democrático aprovou a medida em uma subcomissão, em um painel de resolução de disputas e na comissão plena em uma única tarde. Parlamentares do Partido do Poder Popular deixaram a sessão antes das votações, alegando que a legislação permitiria a Lee escolher um investigador para examinar os promotores responsáveis pelos casos contra ele.

Os democratas retiraram o trecho que permitia ao procurador especial decidir se as ações penais deveriam prosseguir, além de uma disposição que autorizava a exigência de transferência de casos. Ainda assim, um especialista jurídico do Parlamento alertou que outra disposição poderia permitir a retirada de acusações com base no Código de Processo Penal.

O Partido Democrático planejava pedir uma votação no plenário da Assembleia Nacional em 5 de novembro. O Partido do Poder Popular ameaçou fazer uma obstrução parlamentar, um debate prolongado usado para adiar uma votação, e afirmou que poderia estender a resposta a todos os projetos incluídos na pauta daquela sessão.

O que mudou nos poderes de acusação?

A proposta original, apresentada em abril, atribuía ao procurador especial a responsabilidade de investigar os casos, apresentar acusações, conduzir as ações penais e decidir se elas deveriam prosseguir. A revisão da comissão retirou o trecho sobre a decisão final, mas manteve as funções de investigação, acusação e condução das ações penais.

O deputado do Partido Democrático Kim Eui-kyeom afirmou que as mudanças também eliminaram a disposição que permitia ao procurador especial exigir casos de outros promotores. Críticos argumentavam que, juntas, essas prerrogativas poderiam permitir ao novo investigador assumir uma ação penal em curso e depois encerrá-la.

Kim, que presidiu a subcomissão de análise do projeto, descreveu a revisão aos repórteres:

Todas as cláusulas relacionadas ao cancelamento das acusações foram excluídas.

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O líder do Partido Democrático na Assembleia, Han Byung-do, afirmou que o partido retirou tanto as duas disposições sobre o cancelamento de acusações quanto aquelas que poderiam produzir o mesmo efeito. A presidente da comissão, Seo Young-kyo, também rejeitou a descrição da oposição, que chamou a medida de projeto para cancelar as ações penais contra o presidente.

A divergência restante diz respeito aos efeitos jurídicos do texto revisado. Retirar uma acusação significa que o promotor deixa de buscar aquela condenação no tribunal. Para réus cujos casos já estão sob análise de juízes, o poder de tomar essa decisão é central na disputa.

Por que o alerta jurídico permaneceu após a revisão

Choi Gi-do, assessor especialista da comissão de Justiça, identificou outra via pela qual o procurador especial poderia manter o poder de retirar acusações. Sua análise da proposta de abril apontou para uma cláusula que estende ao procurador especial as disposições do Código de Processo Penal aplicáveis aos promotores.

O artigo 255 desse código trata da retirada de acusações. Na avaliação de Choi, poderia ser interpretado que o procurador especial tem esse poder por meio da cláusula de aplicação geral, mesmo sem uma disposição específica que o conceda. A cláusula permaneceu no projeto revisado pela comissão.

Choi recomendou discutir uma exclusão explícita desse poder caso os parlamentares considerassem injusto que um procurador especial nomeado pelo presidente pudesse retirar acusações em um caso no qual o próprio presidente é réu.

A escolha prática é entre excluir uma redação que concede expressamente um poder e incluir outra que o proíba de forma explícita. Os democratas afirmaram que as exclusões resolveram a preocupação. A análise de Choi apontou um motivo pelo qual a discussão jurídica poderia continuar mesmo após as mudanças. A comissão aprovou o projeto sem resolver essa interpretação.

Doze grupos de casos e mais denúncias

O projeto revisado mantém 12 categorias de casos, mas amplia o número de denúncias abrangidas. Os parlamentares reuniram vários casos de desenvolvimento urbano e corrupção envolvendo Lee e acrescentaram investigações relacionadas ao governo de Moon. O caso do disparo contra um funcionário sul-coreano no Mar Amarelo já constava da proposta anterior; a revisão o agrupou com a repatriação forçada de pescadores norte-coreanos.

O mandato ampliado abrange a forma como promotores e outros órgãos do Estado investigaram ou processaram os seguintes casos:

  • Suposta quebra de confiança nos projetos de desenvolvimento de Daejang-dong, Wirye e Baekhyeon-dong, com denúncias relacionadas ao ex-vice-diretor do Instituto de Pesquisa Democrática Kim Yong agrupadas nessa categoria.
  • Supostas violações da lei eleitoral relacionadas aos empreendimentos de Daejang-dong e Baekhyeon-dong.
  • Denúncias de que Kim Jin-seong teria sido induzido a prestar falso testemunho.
  • Supostos pagamentos à Coreia do Norte por meio do grupo Ssangbangwool.
  • Suposto suborno relacionado ao patrocínio do Seongnam FC.
  • Suposto uso indevido de cartões corporativos e quebra de confiança durante o período em que Lee foi governador de Gyeonggi.
  • Supostos relatos falsos destinados a difamar Yoon.
  • Suposta manipulação de estatísticas durante o governo Moon.
  • O disparo contra um funcionário sul-coreano no Mar Amarelo e a repatriação forçada de pescadores norte-coreanos.
  • Denúncias de suborno relacionadas ao emprego obtido pelo ex-genro de Moon.
  • Supostos vazamentos de informações confidenciais sobre o sistema de defesa antimísseis THAAD.
  • Suposta manipulação da avaliação econômica do reator nuclear nº 1 de Wolsong.
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A repatriação dos pescadores, o caso de emprego envolvendo a família de Moon, as denúncias sobre o THAAD e a avaliação de Wolsong foram acrescentados durante a revisão da comissão. O THAAD é um sistema projetado para interceptar mísseis em aproximação. O caso de Wolsong diz respeito à avaliação sobre a viabilidade econômica de manter o reator em operação.

O projeto investigaria denúncias de irregularidades cometidas pelo Serviço de Promotoria, pelo Serviço Nacional de Inteligência, pelo Conselho de Auditoria e Inspeção e por outros órgãos do Estado durante o governo Yoon. O foco é a maneira como essas instituições conduziram os casos listados, incluindo alegações de investigações direcionadas, provas distorcidas e acusações fabricadas.

Quem escolheria o investigador?

O procedimento de nomeação permaneceu inalterado. O Partido Democrático, o Partido do Poder Popular e o Partido da Reconstrução da Coreia indicariam, cada um, um candidato. Lee escolheria então um dos três para ocupar o cargo de procurador especial.

O deputado do Partido do Poder Popular Yoon Sang-hyun argumentou que esse arranjo criava um conflito, já que Lee é réu em casos cuja condução seria investigada. Na reunião da comissão plena, Yoon acusou a Comissão de Legislação e Justiça de ter se tornado um escritório jurídico do presidente e descreveu o processo de nomeação como uso privado do poder público.

Kim Eui-kyeom respondeu que ampliar a investigação e excluir as disposições relacionadas ao cancelamento de ações penais havia reduzido boa parte do conflito associado ao papel do presidente na nomeação. Segundo ele, o objetivo era apurar investigações coercitivas, direcionadas e políticas durante o governo Yoon.

O próprio Lee havia pedido mudanças em uma entrevista coletiva em setembro. Ele solicitou aos parlamentares que retirassem as disposições sobre transferência ou destinação de casos e se concentrassem em esclarecer os fatos. O pedido antecedeu a revisão da comissão em novembro, mas a autoridade do presidente para fazer a nomeação final foi mantida.

A disputa ocorre após a vitória de Lee na eleição antecipada de junho de 2025, que veio depois da destituição de Yoon, na sequência da crise da lei marcial. Lee assumiu o cargo com processos criminais pendentes, tornando contínua a discussão política sobre a relação entre o poder presidencial e essas ações penais.

Como o projeto avançou no Parlamento

O deputado do Partido Democrático Cheon Jun-ho apresentou a proposta em abril. Mais tarde, em uma reunião de parlamentares do partido em 3 de novembro, a legenda formalizou a aprovação do projeto como sua posição oficial e, no dia seguinte, concluiu as etapas na comissão.

As principais etapas foram:

  • Abril de 2026: Cheon apresentou o projeto de lei do procurador especial.
  • Setembro de 2026: Lee pediu a retirada das disposições sobre transferência e destinação de casos e a concentração na apuração dos fatos.
  • 3 de novembro de 2026: Parlamentares do Partido Democrático aprovaram o projeto como posição oficial do partido.
  • 4 de novembro de 2026: O projeto foi aprovado pela subcomissão de análise, pelo painel de resolução de disputas e pela comissão plena de Justiça.
  • 5 de novembro de 2026: Os democratas planejavam pedir uma votação no plenário da Assembleia Nacional.
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O Partido do Poder Popular pediu a convocação do painel de resolução de disputas, que pode analisar um projeto controverso por até 90 dias. Esse prazo é o limite máximo, não um período de espera obrigatório. Quatro dos seis integrantes podem aprovar o retorno do projeto à comissão permanente para uma decisão imediata.

O painel era formado por três democratas, dois parlamentares do Partido do Poder Popular e um parlamentar do Partido Progressista. Os democratas e o integrante do Partido Progressista apoiaram a medida após cerca de uma hora de discussão. Em seguida, o texto revisado pela subcomissão voltou à comissão plena e foi aprovado.

Uma equipe numerosa em meio à falta de pessoal

O projeto permite uma equipe de até 309 pessoas, incluindo 20 promotores cedidos, até 70 investigadores especiais e até 210 outros funcionários públicos cedidos. Prevê 20 dias para preparação e 180 dias para a investigação, totalizando até 200 dias.

Em comparação com a proposta inicial, o número de promotores caiu de 30 para 20, e o limite de investigadores especiais diminuiu de 150 para 70. Já o contingente de outros funcionários públicos subiu de 170 para 210. As mudanças reduzem dois grupos especializados e aumentam o número de pessoas provenientes de outros órgãos do governo.

Lee Jin-soo, vice-ministro da Justiça que atua como ministro interino, pediu uma redução adicional do número de promotores, para menos de 20, durante a discussão na subcomissão. Sua recomendação não foi incluída na revisão. Ele também pediu melhorias nas disposições que permitem apresentar objeções quando o procurador especial age fora das atribuições designadas.

A discussão sobre o tamanho da equipe ocorre em meio ao acúmulo de casos ordinários. No fim de setembro de 2026, os escritórios de promotoria de todo o país tinham 186.207 casos pendentes, ante 164.822 no mês anterior. O aumento foi de 21.385 casos, ou cerca de 13% em um mês.

A Agência de Investigação de Crimes Graves começou a operar com cerca de 1.900 funcionários, de um quadro autorizado de 2.874, deixando 974 vagas abertas. Outra equipe de procuradores especiais, que investiga a administração eleitoral, recebeu 18 dos 20 promotores previstos. O recrutamento para uma nova investigação criaria mais uma demanda para instituições que já operam abaixo da capacidade planejada.

Independência dos tribunais e investigações sobrepostas

A investigação proposta seria a sétima operação de procurador especial durante o governo Lee, caso o projeto vire lei. Também seria a primeira criada depois de reformas que substituíram o antigo Serviço de Promotoria por um órgão concentrado na acusação, enquanto as investigações foram atribuídas a outras instituições.

Lee Jin-soo relacionou suas preocupações com a falta de pessoal a essa separação. Segundo ele, enviar promotores para a investigação do procurador especial poderia gerar dúvidas sobre a imparcialidade e contrariar o objetivo de manter investigação e acusação separadas. O procurador especial proposto exerceria as duas funções.

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Cha Jin-a, professora de direito da Universidade da Coreia, criticou o projeto, afirmando que ele ameaça a democracia e o Estado de Direito. Nos círculos jurídicos, a preocupação é que uma nova investigação poderosa sobre a condução de casos que já estão nos tribunais possa pressionar promotores e juízes enquanto os processos continuam. Cabe aos juízes decidir sobre a culpa e sobre a legalidade da obtenção das provas.

O mandato do procurador especial também se sobrepõe ao da comissão de direitos humanos e reformas futuras da promotoria. Ambos examinariam questões envolvendo pagamentos do grupo Ssangbangwool à Coreia do Norte, os projetos de Daejang-dong, Wirye e Baekhyeon-dong, o uso de cartões corporativos e o patrocínio do Seongnam FC.

A comissão talvez precise reduzir ou suspender o trabalho em casos sobrepostos, ou considerar recomendações depois que o procurador especial divulgar suas conclusões. Não foi anunciada nenhuma decisão sobre como os dois órgãos dividirão o trabalho. Na prática, será preciso distribuir a responsabilidade por investigações dos mesmos casos e administrar o quadro limitado de funcionários.

Próxima votação pode atrasar outros projetos

O líder do Partido do Poder Popular na Assembleia, Jeong Jeom-sik, afirmou que seu partido não participaria da sessão plenária de 5 de novembro caso o projeto do procurador especial estivesse na pauta. O partido também anunciou planos de fazer obstruções parlamentares contra todos os projetos apresentados naquela sessão.

A obstrução parlamentar usa debates prolongados para adiar decisões do Parlamento. Ao estender essa resposta para além da proposta do procurador especial, a oposição poderia atrapalhar outras medidas que os democratas esperavam aprovar, incluindo projetos sobre o reconhecimento de ativistas pela democracia, a revitalização urbana e o Parque de Yongsan.

O confronto também coincide com o escrutínio da proposta orçamentária do governo, de 820,9 trilhões de won para o ano seguinte. Os democratas apoiaram a manutenção da proposta, enquanto o Partido do Poder Popular pediu cortes substanciais. A disputa sobre o procurador especial acrescenta, portanto, mais um ponto de conflito em um período já marcado por divergências sobre a pauta legislativa e o orçamento.

A decisão imediata é se a Assembleia plena aprovará o projeto revisado pela comissão. A principal questão jurídica ainda em aberto é se a exclusão das disposições explícitas sobre a retirada de acusações mantém esse poder disponível por meio do artigo 255. A principal questão política é quem deve escolher um investigador para examinar como foram iniciados os processos contra o presidente em exercício.

Principais pontos

  • A Comissão de Legislação e Justiça aprovou o projeto ampliado do procurador especial em 4 de novembro de 2026, e os democratas pretendiam pedir uma votação na Assembleia plena em 5 de novembro.
  • O projeto mantém 12 grupos de casos e acrescenta denúncias relacionadas ao governo Moon, a informações sobre o THAAD e ao reator nº 1 de Wolsong.
  • Os democratas retiraram as disposições explícitas sobre decisões de prosseguir com ações penais e exigências de transferência de casos.
  • Um especialista jurídico da comissão alertou que o artigo 255 ainda poderia fundamentar a retirada de acusações.
  • Três partidos indicariam um candidato cada, e o presidente Lee faria a nomeação.
  • A equipe proposta poderia ter até 309 integrantes e atuar por até 200 dias, incluindo a preparação.
  • O Partido do Poder Popular ameaçou fazer obstruções parlamentares e boicotar a sessão plenária.
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