Sete países, três diplomatas e um esforço por negociações
A China enviará três representantes diplomáticos de alto escalão a sete países do Oriente Médio, da região do Mar Vermelho e do Chifre da África no início e em meados de novembro, ampliando uma iniciativa de paz que combina conversas com o Irã e países do Golfo a visitas a capitais africanas.
Conteúdo
- Sete países, três diplomatas e um esforço por negociações
- Como as visitas de novembro estão organizadas
- Pequim recebe autoridades do Irã, de Omã e da Arábia Saudita
- Wang defende uma solução política com o Irã
- Conversas com a Arábia Saudita ligam paz à segurança marítima
- Visita histórica de Omã resulta em 14 acordos
- Por que Ormuz é central nas conversas
- Visitas à África ampliam os esforços diplomáticos
- Principais pontos
Zhai Jun, enviado especial do governo chinês para a questão do Oriente Médio, visitará Irã, Omã e Arábia Saudita. Liu Xianfa, representante especial para assuntos africanos, viajará à Etiópia, ao Djibuti e ao Egito. Hu Changchun, enviado especial do Ministério das Relações Exteriores para assuntos do Chifre da África, visitará a Eritreia.
O anúncio de 2 de novembro foi feito em meio a reuniões em Pequim com a participação do presidente Xi Jinping, do ministro das Relações Exteriores Wang Yi e de autoridades de alto escalão de Omã, do Irã e da Arábia Saudita. Em conjunto, as visitas e reuniões colocam as negociações políticas, o abastecimento de energia e a segurança das rotas marítimas no centro dos esforços diplomáticos da China.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, afirmou que os representantes viajariam no mesmo período para incentivar as negociações e reduzir as tensões. Em uma coletiva de imprensa em Pequim, ela explicou o objetivo das visitas:
Essas visitas de diplomacia itinerante dos enviados especiais e do representante especial da China neste período têm como objetivo promover conversas de paz, aliviar as tensões e desempenhar um papel construtivo na preservação da paz e da estabilidade regionais,
Diplomacia itinerante é quando diplomatas circulam entre países para discutir posições e transmitir mensagens. Isso permite que governos explorem possíveis acordos por meio de um intermediário, mantendo conversas separadas entre si.
Como as visitas de novembro estão organizadas
A China dividiu as viagens entre autoridades com diferentes responsabilidades regionais. O roteiro de Zhai se concentra no Irã e em dois países vizinhos do Golfo. O trajeto de Liu inclui países do Chifre da África e o Egito, enquanto Hu fará uma visita específica à Eritreia.
O cronograma anunciado prevê períodos de viagem sobrepostos, e não uma única excursão de uma delegação:
- 2 de novembro: a China anunciou as visitas diplomáticas previstas.
- Início de novembro: Hu Changchun tem visita prevista à Eritreia.
- Início e meados de novembro: Zhai Jun tem visitas previstas ao Irã, a Omã e à Arábia Saudita.
- Início e meados de novembro: Liu Xianfa tem visitas previstas à Etiópia, ao Djibuti e ao Egito.
Mao afirmou que as missões colocariam em prática as iniciativas e propostas de Xi para a paz e a segurança no Oriente Médio, além dos quatro princípios de Pequim para uma participação construtiva na resolução de questões urgentes na África.
O anúncio não informou as datas exatas de chegada, não identificou as autoridades que receberiam os enviados, não explicou os quatro princípios nem marcou uma data para negociações conjuntas de paz. O compromisso imediato é enviar representantes para conversas nos sete países.
Pequim recebe autoridades do Irã, de Omã e da Arábia Saudita
Xi e Wang realizaram reuniões separadas com representantes de Omã, do Irã e da Arábia Saudita em Pequim na segunda-feira, levando os mesmos três países que estão no roteiro de Zhai a conversas de alto nível antes da viagem prevista do enviado.
Xi se reuniu com o sultão de Omã, Haitham bin Tariq. Wang se reuniu com Ali Bagheri Kani, vice-secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, e com Musaad bin Mohammad al-Aiban, conselheiro de Segurança Nacional da Arábia Saudita.
As reuniões deram à China a oportunidade de discutir o conflito com um representante iraniano da área de segurança, um conselheiro saudita de alto escalão e o chefe de Estado de Omã. Cada conversa teve um foco diferente, mas as mensagens públicas compartilhavam um objetivo central: retomar as negociações políticas.
A visita de Bagheri Kani não havia sido anunciada previamente pelo Ministério das Relações Exteriores da China. O encontro dele com Wang colocou a soberania e a segurança do Irã ao lado do esforço mais amplo para evitar uma nova rodada de combates.
Wang defende uma solução política com o Irã
Segundo um comunicado chinês sobre a reunião, Wang disse a Bagheri Kani que a China apoiava Teerã na defesa de sua soberania e segurança. Ele também pediu às partes que optassem por uma solução política em vez de retomar as ações militares.
A China é um importante parceiro econômico do Irã e compra petróleo bruto iraniano. Essa relação dá a Pequim um interesse comercial direto na redução das interrupções, além do objetivo diplomático declarado de promover a estabilidade regional.
Wang, ministro das Relações Exteriores da China, fez o seguinte apelo à autoridade iraniana:
Todas as partes devem… com espírito de razão e pragmatismo, concentrar-se em uma solução política, em vez de recorrer novamente a um conflito armado,
As conversas ocorreram em meio a novas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mais de oito meses após o início de um conflito desencadeado por ataques dos EUA e de Israel contra o Irã. Os combates já se estenderam, em alguns momentos, a países vizinhos e perturbaram o transporte marítimo internacional.
Trump disse no sábado que os Estados Unidos haviam destruído boa parte das forças militares do Irã, mas ainda tinham um ou dois alvos a atingir. Teerã advertiu que retaliaria caso fosse atacado. A ameaça de novos ataques dá urgência às visitas diplomáticas: abrir conversas enquanto as partes ainda ameaçam recorrer a mais força.
Conversas com a Arábia Saudita ligam paz à segurança marítima
A reunião de Wang com al-Aiban relacionou uma solução política a duas preocupações práticas: garantir o abastecimento de energia e a passagem segura de navios. Essas prioridades também ajudam a explicar por que a iniciativa chinesa vai além do Irã e inclui outros países do Golfo.
Ao conversar com o conselheiro de Segurança Nacional saudita, Wang pediu diálogo para encerrar o conflito e proteger esses interesses:
ao mesmo tempo que se protege a segurança energética regional e a segurança das rotas marítimas
Segurança energética significa conseguir obter combustível suficiente de forma confiável. Rotas marítimas seguras são necessárias para que navios transportem esse combustível e outros produtos entre os portos. Quando os combates interrompem essas viagens, fornecedores, empresas de navegação e clientes ficam sem saber quando as cargas chegarão.
O Irã e a Arábia Saudita estão no roteiro de Zhai, dando ao enviado a oportunidade de ouvir separadamente as preocupações de segurança dos dois países. Omã oferece um terceiro canal diplomático, e a segurança do Estreito de Ormuz também está entre os temas de suas conversas com a China.
Visita histórica de Omã resulta em 14 acordos
O encontro do sultão Haitham com Xi foi a primeira visita de um chefe de Estado omanense à China desde que os dois países estabeleceram relações diplomáticas, em 1978, uma relação que já dura 48 anos.
China e Omã assinaram 14 acordos de cooperação durante a visita. Os temas incluíram inteligência artificial, energia verde, cadeias de suprimentos e câmbio, colocando a cooperação econômica ao lado das conversas sobre o conflito regional.
Cadeias de suprimentos são as etapas interligadas pelas quais materiais e produtos chegam aos consumidores, passando por produtores, fábricas, portos e lojas. A inclusão do tema nos acordos vincula os planos comerciais dos dois países à preocupação mais ampla com a confiabilidade do transporte.
Xi, presidente da China, disse ao sultão Haitham que Pequim estava pronta para apoiar a segurança e o desenvolvimento regionais:
contribuir para a paz, a estabilidade e a prosperidade na região
A visita de Omã resultou, portanto, tanto em acordos comerciais quanto em uma mensagem diplomática conjunta. Um comunicado conjunto pediu a retomada segura do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz e a retomada das negociações entre os Estados Unidos e o Irã.
Por que Ormuz é central nas conversas
Omã fica de frente para o Irã, do outro lado do Estreito de Ormuz, passagem marítima estreita que liga o Golfo a águas que levam ao Oceano Índico. A localização deixa o país próximo de uma das rotas centrais da crise do transporte marítimo.
O apelo por uma passagem segura, feito no comunicado conjunto entre China e Omã, dá um objetivo concreto à iniciativa de paz. Os governos buscam criar condições para que os navios retomem as viagens com segurança, junto com a retomada das negociações entre Washington e Teerã.
A China, um dos maiores importadores de energia do mundo, tem interesse direto nessas viagens. Suas conversas com o Irã trataram de soberania e segurança; as discussões com a Arábia Saudita abordaram energia e transporte marítimo; e o comunicado com Omã pediu navegação segura por uma via aquática específica.
Esses três eixos conectam as reuniões separadas. Pequim busca discutir o conflito militar e, ao mesmo tempo, abordar o transporte de combustíveis e mercadorias dos quais dependem as economias da região e os consumidores de outros países.
Visitas à África ampliam os esforços diplomáticos
As visitas de Liu à Etiópia, ao Djibuti e ao Egito, junto com a viagem de Hu à Eritreia, estendem a iniciativa para além do Golfo, até o Chifre da África e a região do Mar Vermelho. Quatro dos sete destinos ficam na África.
Djibuti, Eritreia e Egito estão ao longo do corredor marítimo mais amplo entre o Oceano Índico, o Mar Vermelho e o Mediterrâneo. A Etiópia acrescenta um destino no interior do Chifre da África a um programa que inclui vários países banhados por mares com rotas importantes.
Mao apresentou as missões simultâneas como um esforço para incentivar a reconciliação e o diálogo entre as regiões. A designação de representantes distintos permite que as conversas nas capitais africanas ocorram no mesmo período que as reuniões de Zhai no Irã, em Omã e na Arábia Saudita.
O programa conjunto reúne dois níveis da diplomacia chinesa: líderes de alto escalão recebendo visitantes em Pequim e especialistas regionais viajando ao exterior. Os objetivos anunciados são promover conversas de paz, reduzir as tensões e garantir a estabilidade regional, com o abastecimento de energia e o transporte marítimo entre as questões práticas já abordadas nas reuniões em Pequim.
Principais pontos
- A China planeja enviar três representantes diplomáticos a sete países no início e em meados de novembro.
- Zhai Jun visitará Irã, Omã e Arábia Saudita; Liu Xianfa visitará Etiópia, Djibuti e Egito; Hu Changchun visitará Eritreia.
- Xi Jinping e Wang Yi realizaram reuniões separadas em Pequim com autoridades de alto escalão de Omã, do Irã e da Arábia Saudita.
- Wang defendeu uma solução política e pediu a proteção do abastecimento de energia e das rotas marítimas regionais.
- A visita histórica do sultão Haitham resultou em 14 acordos de cooperação entre China e Omã.
- China e Omã pediram a retomada segura do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz e a retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã.






