Falta de recursos deixa comunidades remotas ainda mais distantes do atendimento
Unidades de saúde em todo o Afeganistão estão reduzindo os serviços ou fechando as portas porque os recursos estão acabando, alertou em 1º de novembro de 2026 o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA). Com apenas cerca de 33% de um apelo humanitário de US$ 1,71 bilhão financiado, organizações de ajuda enfrentam pressão crescente para manter o atendimento médico ao alcance de comunidades que já têm dificuldade para suprir necessidades básicas.
Conteúdo
- Falta de recursos deixa comunidades remotas ainda mais distantes do atendimento
- O que os números do financiamento significam
- Fechamentos anteriores mostram a dimensão da perda de acesso
- Por que a localização importa para os pacientes
- Mães e crianças enfrentam riscos simultâneos
- Dados sobre sarampo revelam falhas na proteção
- Como os alertas se desenvolveram
- O que o apoio contínuo protegeria
- Principais pontos
Olga Cherevko, representante do OCHA no Afeganistão, descreveu as consequências durante uma visita a um hospital em Badakhshan, província no nordeste do país onde chegar a um local de atendimento pode exigir uma viagem longa e perigosa. Ela disse que a falta de recursos está obrigando unidades de saúde em todo o país a reduzir os serviços ou interromper as atividades.
Cherevko explicou como esses fechamentos afetam quem vive longe de uma clínica em funcionamento:
"Em áreas remotas do Afeganistão, chegar a uma unidade de saúde às vezes significa que a viagem será longa e perigosa", disse ela.
Segundo o OCHA, parceiros humanitários estão trabalhando para oferecer atendimento em locais mais acessíveis. Esses esforços, porém, ainda são insuficientes, e a agência afirma que é preciso contar com financiamento regular e previsível para manter serviços essenciais, proteger as mães e melhorar a saúde das crianças. O atendimento de emergência, alertou, não pode esperar pela próxima rodada de financiamento.
O alerta mais recente vem após fechamentos documentados em 2025, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) registrou o encerramento de 167 unidades em 25 províncias. A pressão financeira contínua agora se soma ao fechamento de centros de nutrição e a um alerta do OCHA de que mais de quatro milhões de bebês e crianças menores de seis anos precisarão de tratamento para desnutrição aguda em 2027.
Para as famílias, o problema imediato é prático: quando os serviços próximos desaparecem, obter atendimento significa chegar a outra unidade, muitas vezes enfrentando as mesmas dificuldades que tornavam essencial a clínica local.
O que os números do financiamento significam
A ONU estima que quase 22 milhões de pessoas no Afeganistão, quase metade da população, precisarão de assistência humanitária em 2026. O apelo de US$ 1,71 bilhão abrange uma resposta ampla à emergência, incluindo saúde, alimentos, apoio nutricional e abrigo.
Com aproximadamente 33% do financiamento garantido, o apelo recebeu cerca de US$ 564 milhões, e ainda faltam aproximadamente US$ 1,15 bilhão. Os valores são aproximados porque o percentual de financiamento divulgado foi arredondado. Em termos simples, foi garantido cerca de um dólar para cada três dólares solicitados.
O OCHA também informou que o objetivo de seu apelo é ajudar 17,5 milhões de pessoas vulneráveis. Essa meta é cerca de 4,5 milhões menor que os quase 22 milhões de pessoas estimadas como necessitadas de ajuda. O primeiro número descreve o alcance previsto da resposta; o maior indica a dimensão das necessidades humanitárias.
Assim, os prestadores de serviços de saúde enfrentam pressão financeira em meio a uma emergência muito mais ampla. Dificuldades econômicas, desastres naturais recorrentes, restrições impostas pelo Talibã a mulheres e meninas, queda da assistência internacional e retorno de afegãos de países vizinhos contribuem para a demanda por apoio.
Fechamentos anteriores mostram a dimensão da perda de acesso
Comunicado de março de 2025 da OMS fornece uma medida detalhada dos danos registrados anteriormente. Até 4 de março daquele ano, a falta de recursos havia levado ao fechamento de 167 unidades de saúde, interrompendo o acesso de 1,6 milhão de pessoas a atendimento médico que salva vidas em 25 províncias.
A agência alertou que mais de 220 outras unidades poderiam fechar até junho de 2025, deixando potencialmente mais 1,8 milhão de pessoas sem atenção primária à saúde. Esse tipo de atendimento é aquele que as pessoas geralmente procuram primeiro no dia a dia, incluindo tratamentos básicos, vacinação e serviços para mães e crianças.
Somadas, as pessoas já afetadas e aquelas sob risco de perder o acesso chegavam a 3,4 milhões. A OMS também alertou que 80% dos serviços essenciais de saúde que recebiam seu apoio estavam ameaçados. O alerta se referia aos serviços apoiados pela OMS, uma parte específica do sistema de saúde do Afeganistão.
O alerta de novembro de 2026 não apresenta um novo total nacional de fechamentos nem informa o que aconteceu com as unidades ameaçadas em 2025. Os 167 fechamentos continuam sendo um número referente àquele período, enquanto os fechamentos adicionais eram uma previsão baseada nos recursos disponíveis na época.
Por que a localização importa para os pacientes
As regiões Norte, Oeste e Nordeste do Afeganistão foram as mais afetadas na avaliação da OMS de março de 2025. Mais de um terço dos centros de saúde dessas áreas havia fechado. Badakhshan, onde Cherevko fez o alerta mais recente, fica no nordeste.
O relato do OCHA relaciona o problema do financiamento à distância. Um serviço pode continuar funcionando em outro local, mas a família ainda precisa chegar até ele. Para quem vive em uma comunidade remota, perder a unidade mais próxima pode transformar a busca por tratamento em uma viagem longa e perigosa.
Parceiros humanitários estão tentando manter o atendimento disponível em locais de acesso mais fácil. O OCHA afirma que é essencial contar com financiamento contínuo para manter esses serviços perto de onde as pessoas vivem. Isso é particularmente importante quando uma doença ou um parto exige atenção urgente.
Os efeitos vão além da emergência médica imediata. Quando os serviços locais diminuem, consultas de rotina e cuidados preventivos também ficam mais difíceis de obter. O alerta anterior da OMS apontou especificamente a falta de vacinação e os partos sem condições seguras entre as consequências dos fechamentos.
Mães e crianças enfrentam riscos simultâneos
Dr. Edwin Ceniza Salvador, representante da OMS e chefe da missão no Afeganistão, descreveu o custo humano no comunicado de março de 2025:
Esses fechamentos não são apenas números em um relatório: representam mães que não conseguem dar à luz com segurança, crianças que deixam de receber vacinas que salvam vidas e comunidades inteiras sem proteção contra surtos de doenças mortais", disse o Dr. Salvador. "As consequências serão medidas em vidas perdidas.
O alerta do OCHA de novembro de 2026 volta às mesmas prioridades: proteger as mães e proporcionar às crianças um começo de vida mais saudável. O financiamento previsível permite que os prestadores mantenham os serviços ao longo do tempo, incluindo o atendimento necessário antes que uma emergência se agrave.
Os serviços de nutrição também estão diminuindo. Segundo o OCHA, um terço dos centros de nutrição do Afeganistão fechou por falta de recursos, ao mesmo tempo que aumentam as preocupações com a insegurança alimentar e a desnutrição.
A agência prevê que mais de quatro milhões de bebês e crianças menores de seis anos precisarão de tratamento para desnutrição aguda em 2027. Desnutrição aguda significa que a criança ficou perigosamente magra ou desenvolveu inchaço associado à privação nutricional grave. Isso pode deixá-la mais fraca e vulnerável a doenças, tornando especialmente urgente o acesso ao tratamento.
Para uma criança que precisa tanto de tratamento nutricional quanto de atendimento médico, perder qualquer um desses serviços cria mais um obstáculo. A pressão simultânea sobre unidades de saúde e centros de nutrição torna essencial manter o atendimento acessível.
Dados sobre sarampo revelam falhas na proteção
O Afeganistão já enfrentava vários surtos de doenças quando a OMS emitiu seu alerta de março de 2025. A agência citou sarampo, malária, dengue, poliomielite e febre hemorrágica da Crimeia-Congo entre as emergências de saúde que desafiavam o país.
Mais de 16 mil casos suspeitos de sarampo e 111 mortes foram registrados nos dois primeiros meses de 2025. A OMS identificou o sistema nacional de vigilância de doenças como fonte desses números.
A cobertura vacinal também era baixa. Com base na Pesquisa por Conglomerados de Indicadores Múltiplos do Afeganistão de 2022/2023, a OMS informou que a cobertura da vacina contra o sarampo era de 51% para a primeira dose e 37% para a segunda. O índice da segunda dose era 14 pontos percentuais inferior ao da primeira.
O sarampo se espalha facilmente, e a vacinação ajuda a proteger as crianças antes que entrem em contato com o vírus. A segunda dose oferece uma nova oportunidade de proteção às crianças que não desenvolveram imunidade após a primeira. Manter os serviços de vacinação, portanto, faz parte da prevenção de futuras emergências médicas.
A OMS alertou que o fechamento de unidades dificulta o controle de surtos. A agência também afirmou que interrupções em seu trabalho de coordenação impediam os parceiros de saúde de monitorar doenças, direcionar recursos e oferecer serviços essenciais. Manter as clínicas abertas e preservar a vigilância de doenças são partes interligadas da resposta.
Como os alertas se desenvolveram
Os dados com datas mostram uma emergência que atravessa mais de um ciclo de financiamento. O número de fechamentos registrado inicialmente pela OMS, a previsão de novas perdas e o alerta mais recente do OCHA descrevem etapas sucessivas da pressão sobre os serviços.
- Janeiro e fevereiro de 2025: o Afeganistão registrou mais de 16 mil casos suspeitos de sarampo e 111 mortes.
- 4 de março de 2025: a OMS registrou o fechamento de 167 unidades, afetando 1,6 milhão de pessoas em 25 províncias.
- 17 de março de 2025: a OMS alertou que mais de 220 outras unidades poderiam fechar até junho, colocando em risco o atendimento de mais 1,8 milhão de pessoas.
- 1º de novembro de 2026: o OCHA alertou que a falta de recursos continuava forçando reduções e fechamentos, com cerca de 33% do apelo humanitário financiado.
- 2027: o OCHA prevê que mais de quatro milhões de bebês e crianças menores de seis anos precisarão de tratamento para desnutrição aguda.
O comunicado da OMS, também publicado pela ONU no Afeganistão, alertou que a redução do financiamento dos doadores ameaçava anos de trabalho para fortalecer os serviços de saúde. O apelo posterior do OCHA enfatiza a continuidade: manter o atendimento essencial disponível, em vez de permitir que as necessidades urgentes se acumulem entre as rodadas de financiamento.
O que o apoio contínuo protegeria
O OCHA pede financiamento suficiente e previsível. Essa diferença é importante para serviços que precisam estar disponíveis todos os dias. Uma mãe que necessita de atendimento urgente durante o parto ou uma criança que precisa de tratamento não pode marcar essa necessidade para quando chegar uma verba.
A OMS disse que alguns doadores continuaram apoiando o setor de saúde do Afeganistão em 2025, mas a assistência diminuiu à medida que as prioridades da ajuda ao desenvolvimento mudaram. Seu alerta abrangia tanto o sofrimento imediato quanto os danos duradouros à infraestrutura de saúde.
As prioridades concretas destacadas pelos alertas da ONU são consistentes: manter o atendimento médico básico ao alcance das pessoas, preservar os serviços de saúde materna e infantil, manter a vacinação e o tratamento nutricional e sustentar a capacidade de detectar surtos de doenças. Com cerca de dois terços do apelo de 2026 ainda sem financiamento, as agências enfrentam dificuldades para manter esses serviços enquanto as necessidades humanitárias continuam extensas.
Principais pontos
- Em 1º de novembro de 2026, o OCHA alertou que a falta de recursos estava obrigando unidades de saúde afegãs a reduzir os serviços ou fechar.
- Cerca de 33% do apelo humanitário de US$ 1,71 bilhão da ONU havia sido financiado, e ainda faltavam aproximadamente US$ 1,15 bilhão.
- Até 4 de março de 2025, a OMS havia registrado o fechamento de 167 unidades, afetando 1,6 milhão de pessoas.
- Quando os serviços de saúde próximos desaparecem, moradores de comunidades remotas enfrentam viagens longas e perigosas.
- Segundo o OCHA, um terço dos centros de nutrição fechou, enquanto a previsão é que mais de quatro milhões de crianças pequenas precisem de tratamento para desnutrição aguda em 2027.
- As agências da ONU afirmam que é necessário financiamento contínuo para proteger o atendimento urgente e os serviços de saúde materna, vacinação e nutrição.






