Crise no rio chega a fazendas, casas e hospitais
Moradores da bacia do rio Prachin Buri, na Tailândia, estão reunindo mais de 30 mil assinaturas para exigir a criação de uma zona de controle da poluição após a morte em massa de peixes, resultados anormais em testes de metais e preocupações com resíduos industriais transportados pela água das enchentes. Mais de 100 moradores afetados, criadores de peixes e integrantes da Rede Rak Prachin Buri se reuniram no Wat Hat Sakae, no distrito de Mueang, em 31 de outubro, para organizar a campanha.
Conteúdo
- Crise no rio chega a fazendas, casas e hospitais
- Criadores de peixes perdem a renda de uma temporada
- O que mostram os testes corrigidos da água
- Aterro interditado e resultados divergentes
- Monitoramento da saúde se estenderá por pelo menos dois anos
- Por que ferver água suspeita não basta
- Abastecimento de alimentos e rastreamento de resíduos sob análise
- Inspeções em fábricas se ampliam para cinco províncias
- Próximas decisões aguardadas pelos moradores
- Principais pontos
A rede planeja entregar a reclamação em 4 de novembro ao secretário permanente do Ministério de Recursos Naturais e Meio Ambiente e ao presidente do Conselho Nacional do Meio Ambiente. O grupo quer que as autoridades invoquem a Seção 59 da Lei de Promoção e Conservação da Qualidade Ambiental Nacional B.E. 2535 (1992) para designar a bacia do rio e seus afluentes como zona de controle da poluição.
Produtores relatam prejuízos de centenas de milhões de baht nos distritos de Si Maha Phot, Mueang e Ban Sang após as enchentes e a baixa das águas no fim de setembro. Representantes da rede também citam resultados anormais de metais pesados em 73 moradores de Khok Pip, no distrito de Si Mahosot, onde algumas pessoas relataram aperto no peito e dificuldade para respirar.
As investigações do governo abrangem agora a água do rio, canais, instalações industriais e o abastecimento doméstico de água. O Departamento de Controle de Doenças criou um centro de operações de emergência e prometeu monitorar a saúde das pessoas em risco por pelo menos dois anos.
A principal questão científica continua sem resposta: quais contaminantes vieram de quais locais e o que causou a morte dos peixes. A vice-porta-voz do governo, Lalida Periswiwatana, disse em 25 de outubro de 2026 que os investigadores ainda estavam apurando a origem do alumínio no rio e sua possível relação com as mortes.
Criadores de peixes perdem a renda de uma temporada
Pharadon Phasit, produtor do distrito de Mueang conhecido como Beer Pla Krachang, disse que tilápias-vermelhas e tilápias-do-nilo em quatro gaiolas morreram antes da venda planejada para o Ano-Novo. Ele estimou os prejuízos em mais de 500 mil baht. Para um produtor que depende dessa colheita, o dano elimina a renda que seria usada para pagar as despesas com ração e outros custos de produção.
O representante dos produtores, Montee Khamrot, disse que os atingidos já tinham dívidas elevadas e receberam apenas 390 baht por metro quadrado em compensação por desastre. Segundo ele, os prejuízos reais podem chegar a centenas de milhares de baht em uma única gaiola de peixes.
O valor da compensação é calculado pela área afetada, enquanto os produtores descrevem seus prejuízos em termos de peixes, equipamentos e dinheiro investido antes da venda. Sem as dimensões de cada gaiola e os detalhes dos pagamentos individuais, não é possível calcular com precisão a diferença entre a compensação e os prejuízos. A reclamação deles é que os pagamentos não cobrem boa parte do investimento.
Pharadon atribuiu o problema à fiscalização insuficiente das fábricas a montante, nos distritos de Kabin Buri e Si Maha Phot. Busabong Chawankanha, representante da rede, disse que a crise havia ultrapassado a capacidade de gestão das autoridades locais e exigia ações em toda a bacia. A petição reúne assinaturas pela internet e presencialmente de pessoas afetadas em cinco distritos.
O que mostram os testes corrigidos da água
O Departamento de Controle da Poluição corrigiu os resultados publicados em 24 de outubro, após os valores de amônia e alumínio terem sido trocados por engano. As concentrações corretas eram de 0,22 a 0,48 miligrama por litro para amônia e de 0,559 a 3,547 miligramas por litro para alumínio. O departamento pediu desculpas e disse que reforçaria a conferência dos resultados com os registros originais do laboratório antes de divulgar novos dados.
Dois dos cinco pontos de coleta foram selecionados para investigação complementar. A concentração de alumínio foi de 3,547 miligramas por litro na ponte Pak Nam Ban Nong Hoi e de 0,874 miligrama por litro na ponte sobre o rio Prachin Buri, no subdistrito de Kabin Buri.
O alumínio ocorre naturalmente no solo e nas rochas, e o escoamento pode levá-lo para cursos d'água. Efluentes industriais também podem introduzi-lo. Por isso, os investigadores precisam analisar o fluxo da água, as atividades próximas e as condições químicas de cada ponto de coleta para identificar sua origem.
Os efeitos do alumínio nos peixes variam conforme a acidez e a dureza da água, a quantidade de matéria orgânica dissolvida e a forma química do metal. O tempo de exposição também é importante. A acidez costuma ser expressa pelo pH, enquanto a dureza indica a concentração de minerais dissolvidos na água. Essas condições ajudam a determinar a facilidade com que uma substância pode afetar os animais aquáticos.
O departamento planeja coletar sedimentos do rio e dos afluentes quando as condições das enchentes voltarem ao normal, inclusive nas proximidades das duas pontes. Sedimento é o material depositado no leito do rio, onde poluentes podem se acumular. Analisá-lo ajudará os investigadores a verificar uma contaminação que talvez não apareça em uma amostra de água corrente.
Aterro interditado e resultados divergentes
O Departamento de Obras Industriais suspendeu temporariamente as operações da Green Environment Technology Co., Ltd. por meio de uma ordem baseada na Seção 39, depois que a água da enchente transbordou do aterro de resíduos industriais da empresa em Hua Wa, no distrito de Si Maha Phot. O transbordamento deixou uma película oleosa na água.
A Rede Rak Prachin Buri citou uma medição de hidrocarbonetos de petróleo de 114.860 miligramas por litro associada ao incidente no aterro de Hua Wa. O ministro da Indústria, Varawut Silpa-archa, porém, disse que as inspeções iniciais encontraram uma mancha de óleo, mas não detectaram substâncias tóxicas. Não foram informados detalhes sobre as datas e os locais de coleta nem sobre os métodos laboratoriais usados nesses resultados, o que impede esclarecer a relação entre eles.
Hidrocarbonetos de petróleo são um amplo grupo de substâncias associadas a óleo e combustíveis. Para avaliar os riscos e rastrear a origem, os investigadores precisam conhecer a composição da amostra, além da concentração.
O Escritório Regional de Meio Ambiente 7 também analisou a água a montante da comporta de Khlong Phet Oem. Os fiscais encontraram água marrom-escura com odor leve e mediram compostos orgânicos voláteis em 0,8 parte por milhão em um dos cinco pontos de coleta. São substâncias químicas que podem passar facilmente para o ar. O Departamento de Controle da Poluição avaliou que o nível medido não representa risco significativo à saúde.
A comporta ainda não havia sido aberta para liberar a água do canal no rio Prachin Buri no momento da inspeção. Mapear essas conexões faz parte do trabalho para determinar como a contaminação poderia se deslocar entre áreas industriais, canais, sistemas de abastecimento das vilas e o rio principal.
Monitoramento da saúde se estenderá por pelo menos dois anos
O diretor-geral do Departamento de Controle de Doenças, Dr. Montien Kanasawat, anunciou em 27 de outubro a criação de um centro de operações de emergência para lidar com as enchentes e a infiltração de água do aterro de resíduos industriais. O trabalho inclui preparação médica, diagnóstico, encaminhamentos hospitalares e monitoramento contínuo com os serviços locais de saúde.
Equipes fizeram exames em moradores que vivem a uma distância de dois a sete quilômetros das possíveis fontes de contaminação, entre 6 e 16 de outubro, e coletaram amostras de sangue e urina. Das 613 pessoas examinadas, 497 não relataram sintomas e 116 relataram sintomas, principalmente problemas de pele, como coceira, manchas vermelhas e bolhas. Isso corresponde a cerca de 19% com sintomas, com base nos dados do departamento.
O número de 73 moradores com resultados anormais para metais pesados, citado pela rede, refere-se a exames de urina em Khok Pip. Uma resposta do governo em 28 de outubro também mencionou níveis elevados de metais no sangue de moradores da região. Não foram divulgados quais metais foram identificados, as concentrações individuais nem a sobreposição entre esses grupos.
As equipes de saúde acompanharão as pessoas em risco por pelo menos dois anos por meio dos serviços de atenção primária e dos hospitais de Si Mahosot, Si Maha Phot e Chao Phraya Abhaibhubejhr. O acompanhamento contínuo permite que os médicos monitorem sintomas e resultados de exames depois do fim imediato das enchentes.
O ministro de Recursos Naturais e Meio Ambiente, Suchart Chomklin, determinou novas verificações ambientais em 28 de outubro. O diretor-geral do Departamento de Controle da Poluição, Surin Worakijthamrong, encarregou o Escritório Regional de Meio Ambiente 7, em Saraburi, de coletar amostras nos canais de Khok Pip e Khu Lam Phan, incluindo água não tratada usada na produção de água encanada para as vilas.
Por que ferver água suspeita não basta
O Departamento de Serviços Médicos e o Hospital Nopparat Rajathanee alertaram os moradores que ferver a água não remove o alumínio dissolvido nem outros metais pesados. O aquecimento pode eliminar muitos microrganismos, mas os metais dissolvidos permanecem na água.
O diretor-geral dos Serviços Médicos, Dr. Weerawut Imsamran, aconselhou as pessoas a evitar usar água suspeita de contaminação para beber, cozinhar, lavar frutas e verduras ou escovar os dentes até que as autoridades locais confirmem que ela é segura. Moradores já relataram água encanada descolorida e com mau cheiro, além do custo adicional de comprar água potável.
O diretor do Hospital Nopparat Rajathanee, Dr. Piyawat Laohathai, explicou que o organismo absorve apenas uma pequena parte do alumínio ingerido e elimina o alumínio absorvido pelos rins. Pessoas com doença renal precisam de atenção especial, pois sua capacidade de eliminá-lo pode estar reduzida. A exposição prolongada a grandes quantidades pode afetar o sistema nervoso, os ossos e os músculos.
As autoridades de saúde aconselharam os moradores a evitar água e sedimentos suspeitos, usar botas e proteção adequada quando o contato for inevitável, cobrir ferimentos e se lavar com água limpa depois. Quem tiver náuseas, vômitos, dor de estômago, diarreia ou irritação na pele deve procurar avaliação médica e informar como ocorreu a exposição. Dificuldade para respirar, convulsões ou confusão mental exigem atendimento hospitalar urgente.
O especialista em meio ambiente Sonthi Kotchawat pediu a distribuição de água limpa, a análise tanto da água não tratada na origem quanto da água encanada pronta para consumo, equipes médicas móveis e a divulgação dos resultados laboratoriais. Ele também recomendou restringir o uso da água dos canais afetados e o consumo de animais aquáticos enquanto as investigações continuam. Essas restrições foram recomendações dele.
Abastecimento de alimentos e rastreamento de resíduos sob análise
O Escritório Provincial de Pesca de Prachin Buri divulgou, em 21 de outubro, resultados de nove amostras de animais aquáticos coletadas em quatro distritos. Em todas as nove amostras, os níveis de mercúrio, cádmio e chumbo estavam dentro dos padrões usados na avaliação. Os testes não incluíram alumínio.
O Departamento de Controle de Doenças aconselhou as pessoas a evitar o consumo de animais aquáticos e produtos agrícolas de áreas potencialmente contaminadas até que os órgãos competentes confirmem que são seguros. A rede também manifestou preocupação com a chegada da contaminação à cadeia alimentar e a plantações como as de durião de Prachin Buri. Nos relatos da investigação, não foram divulgados resultados de testes de produtos agrícolas.
Sumet Rianphongnam, defensor de direitos comunitários ambientais do grupo Khon Rak Krok Sombun, descreveu recipientes descartados de solventes, eletrônicos e garrafas em terrenos de Krok Sombun. Segundo ele, o escoamento de áreas de descarte poderia atingir o abastecimento de água das vilas, campos de arroz, canais de irrigação e rios.
Sumet pediu um rastreamento mais rigoroso dos resíduos industriais, desde a origem até o destino final:
Todos os lotes de resíduos devem poder ser rastreados,
A exigência relaciona a limpeza imediata a um problema mais amplo de fiscalização: as autoridades precisam identificar quem produziu os resíduos, quem os transportou e para onde deveriam ser levados. A rede também alegou que projetos de usinas de energia a partir de resíduos industriais em Lat Takhian foram divididos em projetos menores para evitar as exigências de avaliação de impacto ambiental.
Inspeções em fábricas se ampliam para cinco províncias
Varawut disse que o Ministério da Indústria iniciaria uma operação de fiscalização em 1º de novembro, voltada a fábricas das categorias 105 e 106, que abrangem atividades de tratamento, descarte e reciclagem de resíduos. A Tailândia tem 3.049 fábricas desse tipo, mais de 1.500 delas nas províncias de Chon Buri, Rayong, Chachoengsao, Prachin Buri e Samut Prakan, quase metade do total nacional.
As equipes de fiscalização incluirão o Departamento de Obras Industriais, escritórios provinciais da indústria e do meio ambiente, autoridades administrativas locais, militares e policiais. A prioridade será dada a locais considerados de alto risco, instalações alvo de reclamações públicas e fábricas que não concluíram as correções exigidas anteriormente. O ministério pretende divulgar um relatório de progresso em até uma semana após o início da operação.
Varawut disse que as fábricas que não cumprirem as exigências de correção poderão ser fechadas e que os fiscais investigarão possíveis arranjos com representantes, nos quais outra pessoa é usada para manter uma participação ou cargo e evitar exigências legais.
O ministério também prepara alterações à Lei das Fábricas e planeja trabalhar com o Escritório de Combate à Lavagem de Dinheiro para incluir crimes ambientais entre os crimes antecedentes previstos na legislação contra lavagem de dinheiro. A mudança proposta daria às autoridades outra forma de investigar recursos e bens relacionados a crimes ambientais.
Próximas decisões aguardadas pelos moradores
A campanha dos moradores busca mais do que inspeções individuais em fábricas. Busabong pediu a criação de uma força-tarefa especial para rastrear as fontes de poluição, avaliar quanto de poluição a região pode suportar e aplicar o princípio do poluidor-pagador. Segundo esse princípio, os responsáveis pela contaminação pagariam pela recuperação ambiental.
As datas anunciadas até agora mostram como a resposta se ampliou dos danos causados pelas enchentes para o monitoramento da saúde, as análises laboratoriais e as ações de fiscalização planejadas:
- Fim de setembro: Enchentes e baixa das águas foram acompanhadas pela morte em massa de peixes na bacia do rio.
- De 6 a 16 de outubro: Equipes de saúde examinaram moradores perto de possíveis fontes de contaminação.
- 24 de outubro: O Departamento de Controle da Poluição corrigiu os valores de amônia e alumínio.
- De 27 a 28 de outubro: As autoridades anunciaram o monitoramento prolongado da saúde e novas coletas de água.
- 31 de outubro: Moradores se reuniram no Wat Hat Sakae e lançaram a campanha de coleta de assinaturas.
- 1º de novembro: O Ministério da Indústria planeja iniciar inspeções em cinco províncias, com divulgação do andamento prevista para uma semana depois.
- 4 de novembro: Os organizadores planejam entregar a reclamação pela criação da zona de controle da poluição.
Nenhuma data foi anunciada para uma decisão sobre a designação solicitada, e a coleta de sedimentos depende da normalização das condições das enchentes. Para os produtores, as necessidades imediatas são a compensação e uma base confiável para decidir quando repor os peixes. Para as famílias, são água segura e informações claras sobre a exposição.
Siri Phon, moradora de Hat Sakae de 77 anos, disse que enchentes anuais anteriores nunca haviam causado efeitos tão graves. Ela pediu às autoridades que recuperem o ecossistema antes que os danos se tornem irreversíveis. Sua preocupação resume a exigência por trás da petição: a recuperação precisa alcançar o rio, as fazendas e os sistemas de abastecimento de água das vilas, além das fábricas investigadas.
Principais pontos
- Moradores buscam mais de 30 mil assinaturas para criar uma zona de controle da poluição na bacia do rio Prachin Buri.
- Uma reclamação com base na Seção 59 da lei ambiental de 1992 deve ser entregue em 4 de novembro.
- Testes corrigidos da água do rio registraram alumínio entre 0,559 e 3,547 miligramas por litro; a origem e a relação com a morte dos peixes ainda estão sob investigação.
- Equipes de saúde examinaram 613 pessoas, das quais 116 apresentavam sintomas, e planejam monitorar a população por pelo menos dois anos.
- Autoridades médicas alertam que ferver a água não remove alumínio dissolvido nem metais pesados.
- As inspeções em fábricas de cinco províncias devem começar em 1º de novembro.






