Milhões podem ter alívio nos gastos com planos de saúde enquanto assistência médica é questionada
O plano de Taiwan de pagar os prêmios do Seguro Nacional de Saúde para cerca de 4,03 milhões de idosos virou motivo de disputa sobre se a ampliação de um benefício poderia enfraquecer outro. O ministro da Saúde e Bem-Estar, Shih Chung-liang, estimou em 27 de outubro de 2026 que cerca de 66 mil idosos poderiam ser afetados pela retirada de dispositivos que garantem apoio para despesas médicas além dos prêmios do seguro.
Conteúdo
- Milhões podem ter alívio nos gastos com planos de saúde enquanto assistência médica é questionada
- O que o governo central pagaria?
- Três despesas médicas estão no centro da discussão
- Quais idosos poderiam ficar sem assistência?
- Dentaduras, lentes e dispositivos cardíacos podem ser afetados?
- Por que os defensores querem um padrão nacional único
- Quem pagaria os NT$ 39 bilhões estimados?
- As famílias mais jovens ganhariam ou pagariam mais?
- Como a disputa chegou a esse ponto?
- As divergências jurídicas e sobre a cobertura podem ser resolvidas?
- Principais pontos
O Legislativo aprovou a emenda ao Artigo 22 da Lei de Bem-Estar dos Idosos em 16 de outubro, por 60 votos a 39. Ela determina que o governo central cubra os prêmios das pessoas elegíveis com 65 anos ou mais. O Partido Popular de Taiwan estima que os gastos anuais sejam de cerca de NT$ 39 bilhões.
O premiê Cho Jung-tai afirma que a emenda tem falhas que podem retirar a assistência de idosos em situação de vulnerabilidade. O presidente do Partido Popular de Taiwan, Huang Kuo-chang, rejeita esse argumento e diz que outras leis e normas dos governos locais permitem a continuidade dos subsídios médicos. Ele quer que o presidente Lai Ching-te e Cho declarem se apoiam um subsídio nacional uniforme para os prêmios, em vez de benefícios que dependem do local onde o idoso mora.
A discussão agora vai além das contas das famílias. Cho questionou se o processo legislativo cumpriu os requisitos constitucionais e orçamentários, enquanto parlamentares da oposição o pressionaram sobre a assinatura de referendo da emenda. O projeto foi enviado ao Gabinete Presidencial para promulgação, a publicação formal de uma lei. Até 28 de outubro, não haviam sido anunciados os desfechos da assinatura e da promulgação, a data de implementação nem os detalhes finais do financiamento.
O que o governo central pagaria?
A emenda abrange idosos cuja renda consolidada apurada no ano mais recente fique abaixo do limite para a declaração de imposto ou cuja alíquota aplicável do imposto de renda seja inferior a 20%. A renda consolidada reúne diferentes categorias de rendimentos para fins de apuração tributária; isenções e deduções ajudam a determinar o valor sujeito a imposto.
A redação é importante para quem está próximo do limite. Descrições detalhadas do dispositivo aprovado especificam uma alíquota inferior a 20%, enquanto algumas declarações políticas usaram o critério de 20% ou menos. Os limites de renda informados também variam conforme o ano fiscal: um cálculo indica renda tributável líquida anual de NT$ 1,38 milhão, enquanto entidades médicas que usaram as faixas de 2025 citaram NT$ 1,33 milhão. A elegibilidade depende da apuração tributária aplicável, e não de um único valor de salário bruto.
A votação de 16 de outubro atribuiu ao governo central a responsabilidade pelos prêmios dos idosos elegíveis. Os defensores dizem que isso substituiria regras locais desiguais por um direito comum. Os prêmios são pagamentos regulares que mantêm a cobertura do seguro. Eles são distintos das cobranças que o paciente pode enfrentar ao receber tratamento.
Três despesas médicas estão no centro da discussão
O Artigo 22 tratava anteriormente de três tipos de despesas para idosos sem condições de pagá-las: prêmios do seguro, copagamentos médicos e custos necessários de tratamentos não cobertos pelo seguro. A emenda mantém o subsídio dos prêmios, mas exclui o trecho que exigia que os governos municipais e distritais ajudassem com as outras duas categorias.
Copagamento é a parcela que cabe ao paciente por um serviço coberto, como uma consulta ou um tratamento hospitalar. Uma despesa não coberta pelo seguro é a cobrança por um tratamento, dispositivo ou serviço que o sistema de seguro não paga. Para uma família com poucos recursos, qualquer uma dessas despesas pode continuar difícil de pagar, mesmo com os prêmios mensais cobertos.
Cho apontou a exclusão como uma falha que precisa ser corrigida. Lai Chung-chiang, coordenador do think tank União pela Democracia Econômica de Taiwan, também argumenta que a nova redação elimina a base legal para uma assistência importante. Teng Hsi-hua, porta-voz de uma aliança civil que monitora o Seguro Nacional de Saúde, diz que as consequências são especialmente graves para idosos cuja assistência depende do Artigo 22.
Huang e seu partido argumentam que a Lei de Assistência Pública, a Lei do Seguro Nacional de Saúde e as normas locais de subsídios médicos garantem a continuidade do apoio. Segundo eles, a alteração do Artigo 22 mantém essas outras medidas em vigor. A divergência central, portanto, é sobre quais pessoas são cobertas por essas outras medidas e se os governos locais continuam tendo as mesmas obrigações em relação a elas.
Quais idosos poderiam ficar sem assistência?
A estimativa de Shih, divulgada em 27 de outubro, concentrou-se em cerca de 66 mil pessoas. Ele afirmou que as normas autorizadas pelo antigo Artigo 22 abrangiam famílias de baixa renda, famílias na categoria de assistência à classe média baixa e algumas pessoas cuja renda familiar média ficava entre 1,5 e 2,5 vezes o padrão de despesas mínimas de subsistência.
O padrão de despesas mínimas de subsistência é uma referência usada para avaliar a necessidade financeira. Uma família pode ganhar mais do que o limite de uma categoria específica de assistência e ainda assim ter dificuldade para pagar uma conta médica alta. Shih disse que o apoio médico previsto na Lei de Assistência Pública não cobre algumas pessoas nessa faixa de 1,5 a 2,5 vezes o padrão.
Huang havia contestado anteriormente alertas que falavam em quase 130 mil idosos em situação de vulnerabilidade; a estimativa posterior do ministério foi de cerca de 66 mil pessoas potencialmente afetadas. O número menor identifica o grupo que, segundo o ministério, poderia perder a cobertura prevista pelas normas legais que permanecerem em vigor.
Parlamentares da oposição apresentam uma interpretação mais abrangente dessas proteções. Hung Yu-hsiang, secretário-geral da bancada do Partido Popular de Taiwan, diz que as leis vigentes e os orçamentos locais continuam amparando idosos em situação de vulnerabilidade. Hsu Yu-chen, secretário-geral da bancada do Kuomintang, cita o Artigo 36 da Lei do Seguro Nacional de Saúde, que prevê parcelamento e outras formas de assistência para pessoas sem condições de pagar os prêmios ou despesas médicas.
O parcelamento distribui uma conta em vários pagamentos, enquanto um subsídio cobre parte ou a totalidade do valor. Para um paciente idoso, a questão prática é se um auxílio existente continuará, quem deverá fornecê-lo e quais critérios de elegibilidade serão aplicados.
Dentaduras, lentes e dispositivos cardíacos podem ser afetados?
Chou Tao-chun, diretor-geral da Administração de Assuntos Sociais e Familiares, alertou que subsídios para dentaduras, lentes artificiais usadas em cirurgias de catarata e stents cardíacos podem ser afetados se os governos locais deixarem de prestar assistência. Esses dispositivos podem gerar despesas elevadas para pacientes cujas necessidades excedem a cobertura padrão do seguro.
Huang diz que esses subsídios podem continuar com base nas normas locais e na Lei de Assistência Pública. Em uma reunião do partido em 21 de outubro, ele argumentou que a emenda não reduz a receita do seguro, não corta benefícios médicos nem diminui a remuneração dos profissionais de saúde.
Shih explicou em 27 de outubro que o Artigo 22 não estabelecia uma lista nacional única de itens subsidiados que não fossem cobertos pelo seguro. Os governos locais definiam o escopo de acordo com seus recursos e necessidades. As consequências, portanto, dependem das normas de cada jurisdição e de os programas locais dependerem ou não do dispositivo excluído.
Famílias que recebem ajuda para um dispositivo ou tratamento precisarão de uma resposta concreta da autoridade responsável pelo benefício. A promessa política diz respeito ao pagamento nacional dos prêmios; a assistência em disputa trata de despesas médicas específicas, cobertas por programas diferentes.
Por que os defensores querem um padrão nacional único
O principal argumento de Huang é que pessoas da mesma idade e com condições financeiras semelhantes deveriam receber assistência comparável para os prêmios, independentemente de onde moram. Chen Kuo-liang, professor de finanças públicas da Universidade Nacional Chengchi, apoia a redução das diferenças causadas pelas finanças locais. Ele citou limites de renda para o subsídio dos prêmios de 5% em Taichung e Tainan, em comparação com 20% em Taipei e Taoyuan.
A história de Taichung mostra como as prioridades locais podem mudar bastante. Em seu comunicado sobre o bem-estar dos idosos, de 4 de janeiro de 2017, a prefeitura informou que restringiria o subsídio dos prêmios a cerca de 12 mil idosos com recursos limitados, em comparação com aproximadamente 180 mil beneficiários entre os 290 mil moradores idosos anteriormente.
Esses números representaram uma redução de cerca de 93% no total de beneficiários. A cidade esperava economizar NT$ 1,23 bilhão e redirecionar o dinheiro para serviços como refeições, atendimento domiciliar, educação e dentaduras. O orçamento anunciado para benefícios aos idosos em 2017 foi de NT$ 3,66832 bilhões, NT$ 120 milhões a mais do que em 2016.
Taichung também informou que quase metade dos beneficiários anteriores tinha imóveis avaliados em mais de NT$ 7,5 milhões e renda anual de juros superior a NT$ 50 mil. O argumento da cidade era que os recursos limitados deveriam priorizar a necessidade financeira e os serviços práticos. A emenda atual segue uma abordagem diferente: um amplo benefício nacional para os prêmios, custeado pelo governo central.
Quem pagaria os NT$ 39 bilhões estimados?
Vicky Chen, diretora da bancada do Partido Popular de Taiwan, estimou o novo gasto anual em cerca de NT$ 39 bilhões, considerando um subsídio mensal de NT$ 826 por idoso. Hung citou uma projeção de NT$ 38,8 bilhões e disse que o dinheiro viria do orçamento anual de assistência social do governo central, separado do fundo do Seguro Nacional de Saúde.
Com NT$ 826 por mês, o subsídio ilustrativo equivale a NT$ 9.912 por ano por pessoa. Aplicado aos 4,03 milhões de beneficiários estimados, o valor chega a cerca de NT$ 39,9 bilhões por ano, próximo da ordem de grandeza informada pelo partido. O gasto efetivo dependerá do número de pessoas elegíveis e dos prêmios pagos em nome delas.
Chen diz que o pagamento pelo governo central poderia liberar pelo menos NT$ 20 bilhões atualmente comprometidos pelos governos locais, abrindo espaço para ampliar a assistência. Isso representaria uma transferência de responsabilidade pelos gastos: as autoridades locais teriam mais flexibilidade, enquanto o governo central assumiria uma obrigação recorrente.
Huang argumenta que o orçamento nacional pode comportar esse gasto. Em 21 de outubro, ele citou um aumento de NT$ 700,4 bilhões na arrecadação tributária nacional nos três primeiros trimestres, em comparação com o ano anterior, e uma proposta de orçamento central de NT$ 3,9 trilhões para o ano seguinte. A alocação anual de cerca de NT$ 40 bilhões que ele propõe equivaleria a aproximadamente 1% desse orçamento.
A preocupação de Shih é o custo contínuo diante do envelhecimento da população e das escolhas que isso exigirá em relação aos serviços públicos. Hung diz que o fundo do seguro tem cerca de NT$ 200 bilhões e permanece acima do limite legal que acionaria um aumento dos prêmios. A disputa imediata sobre o financiamento é se os impostos podem cobrir o novo compromisso sem comprometer outros gastos com saúde e assistência social.
As famílias mais jovens ganhariam ou pagariam mais?
Hung diz que muitos adultos que trabalham já pagam os prêmios dos pais enquanto sustentam os próprios filhos. Ele estimou uma economia anual de cerca de NT$ 14 mil em um exemplo envolvendo um trabalhador que ganha NT$ 40 mil por mês. O benefício para cada família depende da categoria do seguro e de quem ela sustenta atualmente.
Teng descreve uma situação familiar diferente: um trabalhador que ganha NT$ 40 mil por mês, sustenta o cônjuge e dois filhos e paga mais de NT$ 2 mil mensais em prêmios para a família. Um subsídio para idosos não alteraria esses prêmios específicos, enquanto parte dos impostos pagos pela família ajudaria a financiar o novo benefício.
Shih alertou que, em um cenário no qual a despesa fosse transferida para os contribuintes mais jovens, cada pessoa poderia arcar com um custo adicional superior a NT$ 3 mil por ano. O Partido Popular de Taiwan contesta a necessidade desse aumento porque sua proposta prevê o uso de recursos orçamentários do governo.
O ministro da Saúde também diz que pessoas com 65 anos ou mais representam um quinto da população, mas respondem por mais de 42% dos gastos do seguro. O financiamento de cuidados de longo prazo passou de menos de NT$ 5 bilhões em 2015 para mais de NT$ 110 bilhões em 2026.
Shih, que falou antes de um evento no Hospital Memorial Mackay no dia da aprovação, apresentou sua preocupação como uma questão de sustentabilidade do sistema de seguro:
"Uma eleição é temporária, mas o sistema do Seguro Nacional de Saúde é algo de que as pessoas dependem e precisa ser estável e sustentável",
Lien Hsien-ming, professor da Universidade Nacional Chengchi, questiona se a situação no imposto de renda reflete adequadamente os recursos de uma pessoa idosa. Chen Kuo-liang concorda que a renda tributável, por si só, pode não captar as diferenças na capacidade econômica, embora apoie um padrão nacional único para o subsídio.
Como a disputa chegou a esse ponto?
A proposta foi elaborada ao longo de mais de dois anos de trabalho legislativo. Versões anteriores consideravam transferir ao governo central a responsabilidade pela assistência médica, além dos prêmios. Teng diz que sua aliança calculou que ampliar os subsídios de copagamento em uma versão anterior custaria mais de NT$ 50 bilhões por ano.
As principais etapas foram:
- Maio de 2024: Propostas foram encaminhadas à Comissão de Bem-Estar Social e Higiene Ambiental do Legislativo.
- 13 de junho de 2024: A análise inicial na comissão terminou sem acordo entre os partidos.
- 31 de dezembro de 2024: A ação legislativa prevista foi adiada enquanto as negociações prosseguiam.
- 16 de outubro de 2026: O Kuomintang e o Partido Popular de Taiwan aprovaram o projeto por 60 votos a 39.
- 21 de outubro: Huang defendeu o financiamento central e afirmou que a assistência médica separada continuaria.
- 27 de outubro: Shih estimou que cerca de 66 mil pessoas poderiam ser afetadas, enquanto Cho questionou o processo legislativo.
- 28 de outubro: Shih reiterou suas preocupações antes de apresentar aos parlamentares a proposta de orçamento do ministério para 2027.
Huang relaciona a emenda à promessa de subsídio dos prêmios feita durante a campanha presidencial de 2024 por Ko Wen-je, presidente fundador do partido. Entidades médicas argumentam que uma política com consequências financeiras tão abrangentes exigia mais debate público antes da aprovação.
As divergências jurídicas e sobre a cobertura podem ser resolvidas?
Cho invocou o Artigo 70 da Constituição e o Artigo 91 da Lei Orçamentária ao questionar o processo usado para criar novos gastos do governo. Ele diz que o Legislativo precisa consultar o Yuan Executivo ao aumentar despesas. Chang Chih-lun, parlamentar do Kuomintang, o pressionou repetidamente sobre a assinatura de referendo e pediu que o governo evitasse colocar as gerações umas contra as outras.
Entidades médicas pediram ao Yuan Executivo que solicite uma reconsideração, processo formal que pede ao Legislativo que reveja sua decisão. Cho também sugeriu que os governos central e locais discutam princípios para os subsídios e um mecanismo de equalização para jurisdições com diferentes capacidades financeiras.
Teng propõe outras duas medidas direcionadas: adotar normas que concentrem a assistência para os prêmios em idosos sem apoio familiar e criar leis locais que preservem a assistência médica afetada pela exclusão do dispositivo. A prioridade que ela sugere inclui pessoas elegíveis seguradas por conta própria, e não por meio dos filhos.
Hsu e outros parlamentares da oposição afirmam que as leis de assistência existentes já garantem proteção contínua. O alerta de Shih se concentra nas pessoas que não se enquadram nos critérios de elegibilidade dessas leis. Para resolver a divergência, é preciso identificar as famílias cobertas por cada programa e manter um caminho claro para que recebam assistência quando não puderem pagar pelo tratamento.
Para as famílias, o resultado tem duas partes distintas: se o governo central começará a pagar o prêmio de um familiar idoso e se esse familiar ainda poderá obter ajuda para pagar uma conta hospitalar ou um dispositivo necessário. Um subsídio uniforme para os prêmios resolveria nacionalmente a primeira questão. A segunda ainda depende das proteções legais e dos programas locais que permanecerem em vigor.
Principais pontos
- O Legislativo aprovou a emenda ao subsídio dos prêmios para idosos em 16 de outubro de 2026, por 60 votos a 39.
- Cerca de 4,03 milhões de pessoas com 65 anos ou mais poderiam ser elegíveis, conforme as condições relativas ao imposto de renda.
- O Partido Popular de Taiwan estima um gasto anual de cerca de NT$ 39 bilhões por parte do governo central.
- O Ministério da Saúde estima que cerca de 66 mil idosos poderiam ser afetados pela exclusão de dispositivos relativos a outras despesas médicas.
- Parlamentares da oposição dizem que leis nacionais específicas e normas locais preservam a assistência médica.
- O premiê Cho questionou o processo legislativo; a implementação e os detalhes finais do financiamento ainda não foram definidos.






