Disputa por mais espaço para pesquisa, com alerta sobre os custos
A Universidade Chinesa de Hong Kong (CUHK) vai disputar um dos três primeiros terrenos da cidade universitária em Hung Shui Kiu, afirmou o vice-reitor, professor Dennis Lo. Ele alertou, porém, que a verba de HK$ 10 bilhões em empréstimos do governo poderia custear apenas cerca de cinco edifícios, considerando o custo ilustrativo de construção de HK$ 2 bilhões por unidade.
Conteúdo
- Disputa por mais espaço para pesquisa, com alerta sobre os custos
- Por que Lo quer uma área maior
- Institutos de pesquisa e parceiros estrangeiros
- Por que licitações separadas dificultam o planejamento
- O que dizem os planos oficiais para os terrenos
- Um cronograma que se estende pela próxima década
- Até onde vão HK$ 10 bilhões?
- A CUHK precisa equilibrar a expansão com compromissos existentes
- O plano de Lee aproxima universidades e empresas
- Principais pontos
Os terrenos estão abertos para licitação, com propostas previstas para o fim do ano. Lo vê a Cidade Universitária da Metrópole do Norte como uma oportunidade para as oito universidades de Hong Kong financiadas com recursos públicos ampliarem sua capacidade de pesquisa. Sua preocupação é como as instituições podem planejar essa expansão quando terrenos em Hung Shui Kiu, San Tin e Ta Kwu Ling são oferecidos em momentos diferentes.
A CUHK considera instalar institutos de pesquisa, em vez de construir um campus completo em Hung Shui Kiu, devido à limitação de espaço. A universidade também explora parcerias com instituições e empresas estrangeiras, mas Lo não revelou detalhes enquanto a disputa pelo terreno está em andamento.
O chefe do Executivo, John Lee, apresentou uma ambição mais ampla: criar distritos universitários que combinem campi, instalações tecnológicas, empresas e comunidades residenciais. O desafio imediato é transformar essa ambição em projetos que as universidades possam financiar e coordenar.
Por que Lo quer uma área maior
Lo comparou as universidades de Hong Kong a hotéis-boutique: prestigiadas e muito bem classificadas, mas relativamente pequenas. Mesmo a CUHK, que tem um campus comparativamente grande em Hong Kong, dispõe de menos espaço do que as principais universidades no exterior, afirmou.
A pesquisa precisa de pessoas e espaços de trabalho. Lo relacionou a dimensão do campus ao número de pesquisadores que uma universidade pode acomodar, o que, por sua vez, afeta sua capacidade de produzir artigos científicos, patentes e descobertas. Uma patente concede ao inventor direitos legais sobre uma invenção e ajuda a levar a pesquisa a aplicações práticas.
Para a CUHK, portanto, estar presente na Metrópole do Norte significaria mais do que ter um endereço adicional. Institutos dedicados poderiam oferecer espaço para equipes de pesquisa e equipamentos, além de permitir que a universidade estreitasse relações com empresas e instituições próximas.
A preferência de Lo também dá uma ideia mais concreta do que a cidade universitária poderá se tornar. Várias universidades poderiam operar institutos especializados no mesmo distrito, em vez de cada uma reproduzir um campus completo, com toda a estrutura de ensino, moradia e administração.
Institutos de pesquisa e parceiros estrangeiros
A CUHK inaugurou em março seu InnoHub para Novas Indústrias de Qualidade em Qianhai. Lo apontou a proximidade de Qianhai com Hung Shui Kiu como um motivo pelo qual as duas localidades poderiam complementar o trabalho uma da outra.
Um instituto em Hung Shui Kiu acrescentaria mais uma unidade à rede de pesquisa da CUHK. Lo já havia manifestado interesse nas três áreas da cidade universitária, além de ocupar espaço no edifício de pesquisa e atividades acadêmicas de Hetao, conhecido como Hetao Academic and Research Building No. 1, cuja conclusão era esperada para o fim do ano.
A participação estrangeira faz parte dos planos da CUHK, mas Lo espera que poucas instituições de outros países instalem campi na cidade universitária, talvez uma ou duas. Essa é a avaliação dele sobre o espaço disponível, não um limite estabelecido pelo governo.
Lo defendeu equilibrar a participação internacional com as necessidades das universidades já existentes em Hong Kong. Para ele, a chegada de parceiros estrangeiros deve vir acompanhada de espaço suficiente para as instituições locais crescerem.
Por que licitações separadas dificultam o planejamento
A abordagem do governo exige que as universidades decidam sobre oportunidades específicas antes que todos os terrenos sejam oferecidos. Lo disse que isso dificulta a cooperação, pois uma instituição pode sentir que não pode deixar passar uma licitação antecipada enquanto espera por uma localização que talvez seja mais adequada.
Simon Ho, presidente emérito da Universidade Hang Seng de Hong Kong, que conduziu a entrevista, questionou se um sistema de licitação competitiva seria a melhor forma de incentivar as universidades a trabalhar juntas. A licitação seleciona os candidatos vencedores, enquanto a política mais ampla do governo também pede que as instituições cooperem.
Lo reconheceu que a concorrência pode incentivar as universidades a apresentar suas melhores propostas. Sua objeção diz respeito ao cronograma: se as diferentes áreas fossem oferecidas ao mesmo tempo, as instituições poderiam compará-las e discutir qual universidade ou parceria seria mais adequada para cada uma.
Por exemplo, a escolha de uma instituição pode depender das atividades de pesquisa nas proximidades ou de parceiros industriais. Decidir sobre um terreno antes de conhecer as condições de outro dificulta reunir essas relações em um único plano de desenvolvimento.
O que dizem os planos oficiais para os terrenos
Descrições recentes indicam que as três áreas da cidade universitária somam cerca de 300 hectares, distribuídos entre Hung Shui Kiu, San Tin e Ta Kwu Ling. Declarações do governo publicadas em 2025 descreviam uma reserva menor, de cerca de 90 hectares, nas áreas de planejamento chamadas Hung Shui Kiu/Ha Tsuen, Ngau Tam Mei e New Territories North New Town.
A resposta ao Conselho Legislativo da secretária de Educação, Christine Choi, em 7 de maio de 2025, detalhou cerca de cinco hectares em Hung Shui Kiu/Ha Tsuen, 46 hectares em Ngau Tam Mei e 40 hectares em New Territories North New Town. O governo descreveu a reserva total como de aproximadamente 90 hectares, acima dos 60 hectares iniciais, um aumento de cerca de 50%.
A resposta de maio destinou o terreno de Hung Shui Kiu/Ha Tsuen a novos campi de instituições que operam com autofinanciamento. Ela informou que as instituições elegíveis seriam convidadas a apresentar manifestações de interesse conforme o planejamento avançasse. A proposta de licitação da CUHK surge em meio à descrição mais recente de três terrenos em Hung Shui Kiu oferecidos em licitação.
Os comunicados e detalhes da entrevista aqui discutidos não especificaram a data exata de encerramento, as áreas dos três terrenos em licitação nem a relação entre os 300 hectares mencionados e a reserva anterior de 90 hectares. Esses detalhes são importantes porque a quantidade de terreno disponível determinará quanto as universidades poderão oferecer em ensino, pesquisa e moradia.
Um cronograma que se estende pela próxima década
O cronograma do governo para 2025 ajuda a explicar por que as universidades precisam tomar decisões ao longo de vários anos. Preparar o terreno significa deixá-lo pronto para a construção; depois, as universidades ainda precisam construir e equipar suas instalações.
- 2020: Começaram as obras da primeira fase da Nova Área de Desenvolvimento de Hung Shui Kiu/Ha Tsuen.
- Primeiro semestre de 2024: Começou, em etapas, a segunda fase, que inclui o terreno da cidade universitária.
- 7 de maio de 2025: O Departamento de Educação informou que o terreno universitário de Hung Shui Kiu poderia ficar pronto para obras de construção já em 2026. O órgão planejava publicar um esboço conceitual de desenvolvimento no primeiro semestre de 2026.
- 30 de setembro de 2025: A Força-Tarefa de Planejamento e Desenvolvimento da Cidade Universitária realizou sua primeira reunião, presidida pelo secretário-chefe Eric Chan.
- 2026, 2028 e 2030: O comunicado da força-tarefa indicou esses anos como as datas mais próximas em que os lotes de Hung Shui Kiu, Ngau Tam Mei e New Territories North poderiam, respectivamente, ficar disponíveis.
- Fim do ano: O prazo para as propostas dos três primeiros terrenos de Hung Shui Kiu.
O comunicado da força-tarefa apresentou um cronograma geral de disponibilidade mais antecipado do que a resposta de maio para as duas últimas áreas. Em maio, o departamento estimava que a preparação dos primeiros terrenos de Ngau Tam Mei seria concluída em 2029, no mínimo, e a de New Territories North, em 2030/31.
A força-tarefa de Eric Chan é responsável por elaborar recomendações sobre o esboço conceitual, o modelo de desenvolvimento e a construção. Na primeira reunião, discutiu como Hung Shui Kiu poderia se conectar aos serviços profissionais e à formação profissional da região, dando à área uma função que vai além do ensino universitário convencional.
Até onde vão HK$ 10 bilhões?
Lo disse que a CUHK administraria suas finanças com prudência e se desenvolveria dentro de suas possibilidades. A verba de HK$ 10 bilhões do governo é destinada a empréstimos para apoiar o desenvolvimento de campi na cidade universitária. Portanto, as instituições tomariam dinheiro emprestado e teriam de devolvê-lo, em vez de receber um valor equivalente em subsídios.
Os custos de construção são centrais em seu alerta. Lo disse que até um edifício relativamente pequeno poderia custar várias centenas de milhões de dólares de Hong Kong, enquanto construções mais caras poderiam ultrapassar HK$ 2 bilhões ou chegar a cerca de HK$ 3 bilhões. Usando HK$ 2 bilhões como exemplo, calculou que HK$ 10 bilhões seriam suficientes para cinco edifícios.
Esse cálculo explica por que ele pede um orçamento maior. Cinco edifícios para um programa que pretende abrigar várias universidades, instalações de pesquisa e parceiros internacionais obrigariam as instituições a tomar decisões difíceis sobre o que construir primeiro.
Lo disse que também há um limite para o valor que cada instituição pode tomar emprestado. Assim, o orçamento efetivo de uma universidade depende tanto do total disponível para empréstimos quanto do valor que ela tem autorização para captar. Empréstimos maiores implicariam compromissos maiores de pagamento, fazendo dos custos operacionais dos novos institutos outro fator a considerar.
A CUHK precisa equilibrar a expansão com compromissos existentes
As finanças da CUHK já incluem obrigações substanciais. Lo disse que resolver as dívidas do Centro Médico da CUHK foi a primeira prioridade que mencionou ao ser perguntado, durante a entrevista de seleção para o cargo de vice-reitor, sobre o que faria ao assumir.
A universidade também terá de devolver ao governo HK$ 1,041 bilhão em fundos excedentes referentes ao exercício financeiro de 2025/26, o maior valor entre as oito universidades financiadas com recursos públicos. Lo reconheceu a pressão sobre as finanças públicas, mas disse que as universidades precisam de investimentos para continuar se desenvolvendo. Ele manifestou a esperança de que essa devolução de recursos aconteça apenas uma vez.
O valor a devolver equivale a pouco mais da metade do custo ilustrativo de HK$ 2 bilhões por edifício usado no cálculo de Lo para a cidade universitária. Trata-se de uma obrigação financeira já existente, além da expansão proposta, enquanto o programa de empréstimos para a cidade universitária criaria um compromisso de endividamento separado.
A CUHK também planeja obras em seu campus atual. Sua nova estratégia inclui uma faculdade de pós-graduação na Área 39, perto da estação planejada de Pak Shek Kok. Lo descreveu a faculdade como um projeto urgente, que permitiria aos alunos de pós-graduação vivenciar o sistema de colleges da CUHK.
Um plano diretor do campus está avaliando edifícios antigos que talvez precisem ser reconstruídos e terrenos disponíveis para uso futuro. A Área 39 está sendo considerada para uma faculdade, institutos de pesquisa e um edifício médico, enquanto outro lote ainda está em análise. Hung Shui Kiu seria, portanto, uma parte de um programa de expansão mais amplo.
O plano de Lee aproxima universidades e empresas
O chefe do Executivo, John Lee, apresentou as cidades universitárias como parte do papel central da Metrópole do Norte no futuro de Hong Kong e de seu primeiro plano quinquenal. Ao discursar na Cúpula Global de Reitores e Líderes Universitários, em Wan Chai, na terça-feira, convidou líderes de universidades internacionais a participar.
Lee disse que cada uma das três cidades universitárias teria um foco distinto. Descreveu distritos que combinariam áreas de campus, tecnologia, indústria e comunidades residenciais, com o objetivo de atrair pesquisadores e estudantes de destaque do mundo todo.
Ao explicar a função comercial dos distritos planejados, Lee disse:
"As cidades também foram projetadas para fortalecer a indústria", afirmou.
O governo quer que universidades e outras instituições criem instalações de pesquisa básica e plataformas compartilhadas, incluindo centros de computação com sistemas potentes, laboratórios conjuntos e centros de pesquisa que reúnam diferentes áreas acadêmicas. Instalações compartilhadas permitiriam que várias equipes utilizassem equipamentos ou infraestrutura de grande porte.
Lee também explicou como as pessoas poderiam atuar tanto nas universidades quanto nas empresas:
Vamos incentivar funcionários das universidades a realizar pesquisas nas empresas. Vamos incentivar profissionais da indústria a contribuir para o ensino e a pesquisa nas universidades.
Hong Kong já tem cinco universidades entre as 100 melhores do mundo, disse Lee, com estudantes de mais de 100 países e regiões e cerca de 70% do corpo docente vindo de fora de Hong Kong. A cúpula reuniu mais de 50 líderes universitários de mais de 20 países e regiões.
Os institutos de pesquisa propostos pela CUHK se alinham ao interesse do governo em estreitar os vínculos entre pesquisa e indústria. Os alertas de Lo colocam em evidência as decisões práticas: quais terrenos as universidades conseguirão garantir, com quais parceiros poderão trabalhar e quanto poderão gastar com construção e empréstimos.
Principais pontos
- A CUHK vai disputar um dos três primeiros terrenos da cidade universitária em Hung Shui Kiu, com propostas previstas para o fim do ano.
- Dennis Lo considera os institutos de pesquisa mais viáveis do que um campus completo da CUHK, devido à limitação de espaço.
- Lo afirma que oferecer terrenos em momentos diferentes dificulta o planejamento e a cooperação entre as universidades.
- Ele quer mais apoio financeiro e estima que HK$ 10 bilhões custeariam cinco edifícios de HK$ 2 bilhões cada.
- As declarações do governo de 2025 reservaram cerca de 90 hectares; descrições mais recentes indicam que as três áreas da cidade universitária somam cerca de 300 hectares.
- John Lee quer que os distritos combinem ensino, pesquisa, indústria e comunidades residenciais, com instalações compartilhadas e participação internacional.






