Turmas menores pressionam mais jardins de infância
O perfil mais recente dos jardins de infância de Hong Kong lista cerca de 930 escolas, ante aproximadamente 970 na edição anterior e cerca de 1.050 em 2021, enquanto a redução da população de crianças pequenas aumenta a pressão financeira sobre as pré-escolas. O número de instituições listadas caiu por cinco anos consecutivos.
Conteúdo
- Turmas menores pressionam mais jardins de infância
- Onde a queda é mais acentuada
- Uma tendência que vai além de quatro distritos
- Como a rede escolar encolheu
- Por que menos nascimentos chegam às salas de aula anos depois
- Quando uma turma menor ameaça a sobrevivência da escola
- Mudança de endereço e mais flexibilidade nos gastos
- Professores enfrentam um mercado de trabalho incerto
- O que as famílias podem avaliar além da mensalidade
- Recém-chegados aumentam a demanda em outras áreas
- Principais pontos
A pressão é especialmente disseminada em Tsuen Wan e Wong Tai Sin. Entre os jardins de infância participantes do Esquema de Educação Infantil do governo, 86,2% dos avaliados em Tsuen Wan tinham menos crianças no primeiro ano do jardim de infância, ou K1, do que no segundo ano, ou K2. Em Wong Tai Sin, a proporção foi de 73,7%.
A comparação usa dados de matrículas registrados em setembro de 2025. K1 é o primeiro ano do jardim de infância, enquanto K2 é o segundo. A comparação entre os dois grupos mostra se a turma mais nova é menor do que a turma mais velha que avança na mesma escola.
Uma análise de 134 jardins de infância participantes em Tsuen Wan, Wong Tai Sin, no distrito Leste e no distrito das Ilhas constatou turmas de ingresso menores em grande parte do setor. Em Tsuen Wan, 25 das 29 escolas avaliadas tinham menos alunos no K1 do que no K2. Em uma delas, a diferença chegou a 42 crianças.
Para as famílias, os números retratam uma rede de pré-escolas em transformação. Em alguns bairros, há menos crianças pequenas para ocupar as salas de aula existentes, enquanto as escolas precisam continuar pagando professores, aluguel e outras despesas operacionais. Como o apoio do governo está vinculado ao número de alunos, uma turma menor representa um problema financeiro, além de educacional.
Onde a queda é mais acentuada
Dados de um documento do Conselho Legislativo mostram que a população de alunos de jardins de infância caiu em todos os distritos de Hong Kong no ano letivo anterior. Quatro distritos registraram quedas superiores a 10%, com Tsuen Wan na liderança.
Tsuen Wan perdeu 235 alunos, chegando a um total de 1.267, uma queda de 15,6%. Wong Tai Sin registrou redução de 15,2%, seguido pelo distrito Leste, com 12,3%, e pelo distrito das Ilhas, com 11,4%. Sai Kung teve a menor queda: perdeu nove alunos e chegou a 2.114, uma redução de 0,4%.
Os números por escola mostram como a pressão está disseminada nesses distritos. Além de Tsuen Wan e Wong Tai Sin, 62,8% dos jardins de infância participantes avaliados no distrito Leste tinham turmas de K1 menores do que as de K2. No distrito das Ilhas, a proporção foi de 66,7%.
Essas porcentagens contam escolas, enquanto os números da população distrital contam crianças. Juntos, eles mostram tanto a dimensão da queda populacional quanto quantas escolas enfrentam turmas de ingresso menores. Tsuen Wan se destaca nos dois indicadores.
Uma tendência que vai além de quatro distritos
Kwai Tsing e Kwun Tong já haviam apresentado pressão semelhante em uma análise anterior das matrículas que acompanhou o Perfil dos Jardins de Infância de 2025/26. A análise abrangeu 186 escolas participantes do Esquema de Educação Infantil em quatro distritos com quedas expressivas na população de alunos pequenos.
Em Kwai Tsing, 81,5% dos jardins de infância avaliados registraram menos matrículas no K1. Em Kwun Tong, a proporção correspondente foi de 76,1%. Os dados anteriores e os números mais recentes mostram que vários distritos urbanos tradicionais enfrentam uma pressão contínua nas admissões.
Um diretor de escola de Kwai Tsing atribuiu parte da dificuldade à localização dos novos conjuntos habitacionais. Segundo ele, as novas moradias se concentraram em outros distritos, afastando a população dos bairros mais antigos e aumentando a concorrência pelas crianças que permaneceram.
Hong Kong enfrenta, portanto, dois problemas interligados: há menos crianças pequenas em toda a cidade e as famílias estão distribuídas de forma desigual entre os bairros. Uma escola em um distrito envelhecido pode ter dificuldade para atrair alunos mesmo quando outra área precisa de vagas em pré-escolas.
Como a rede escolar encolheu
O Perfil dos Jardins de Infância registra uma redução constante no número de escolas listadas. O total mais recente, de cerca de 930, é aproximadamente 120 menor do que as cerca de 1.050 listadas em 2021, uma queda de cerca de 11%. São contagens aproximadas publicadas em edições sucessivas.
A cronologia mostra como essa retração se desenvolveu:
- 2021: O Perfil dos Jardins de Infância listava cerca de 1.050 instituições.
- 14 de outubro de 2024: A edição recém-publicada listava cerca de 990, aproximadamente 20 a menos do que na edição anterior.
- Edição de 2025/26: Cerca de 970 jardins de infância estavam listados.
- Edição mais recente: Cerca de 930 estavam listados, com informações de matrículas referentes a setembro de 2025.
As estimativas orçamentárias do governo também registraram uma retração: o número de jardins de infância caiu de 1.009 para 980, com 29 fechamentos antes do ano letivo de 2024/25. Oito dessas escolas participavam do esquema de subsídios; as outras 21 eram jardins de infância particulares locais ou escolas que ofereciam um currículo de fora de Hong Kong.
A contagem orçamentária de 980 e a contagem de cerca de 970 do perfil apareceram em publicações diferentes do governo. A série orçamentária apontou um pico de 1.049 escolas em 2019, seguido por uma redução líquida de 69 ao longo de cinco anos. Os 29 fechamentos representaram a maior queda anual da série desde que os dados começaram a ser divulgados, em 2013.
Por que menos nascimentos chegam às salas de aula anos depois
Hong Kong registrou 32.500 nascimentos em 2022, o menor número da história até então. Crianças podem ingressar no K1 a partir dos dois anos e oito meses, então essa pequena geração começou a atingir a idade de entrada no jardim de infância em 2025.
A queda já vinha se acumulando. Os nascimentos em 2020 diminuíram 19% em relação ao ano anterior, seguidos por uma nova queda de 14% em 2021. Cada grupo menor avançou depois em direção à idade pré-escolar, reduzindo o número de possíveis candidatos alguns anos após os nascimentos.
Os nascimentos aumentaram para cerca de 33.200 em 2023. Outros 33.500 foram registrados nos primeiros 11 meses de 2024. As escolas ainda precisavam atender às gerações menores que já se aproximavam da idade de ingresso, enquanto os nascimentos em 2022 e 2023 ficaram cerca de 40% abaixo dos níveis anteriores aos distúrbios sociais e à pandemia.
As estimativas orçamentárias projetavam uma queda nas matrículas em jardins de infância, de 125.400 em 2024/25 para 115.100 em setembro de 2025. Isso significaria 10.300 alunos a menos, uma redução de cerca de 8%. As mesmas estimativas projetavam quedas de aproximadamente 1% nas matrículas do ensino fundamental e médio, concentrando a pressão imediata mais intensa nas pré-escolas.
Quando uma turma menor ameaça a sobrevivência da escola
Nancy Lam Chui-ling, diretora de um jardim de infância e vice-presidente da Federação dos Trabalhadores da Educação de Hong Kong, alertou durante o ano letivo de 2024/25 que cerca de 40 jardins de infância poderiam fechar até o fim do período. A avaliação do Departamento de Educação, feita em dezembro de 2024, identificou 10 fechamentos previstos durante aquele ano letivo ou até o seu encerramento e um pedido de registro de jardim de infância. Não foi divulgado um total final.
Lam descreveu escolas que receberam apenas algumas inscrições para a próxima turma do K1. Ela disse:
Alguns jardins de infância que receberam de quatro a cinco inscrições me disseram que terão de consumir suas reservas e fechar as portas.
O Departamento de Educação afirmou que todos os jardins de infância de Hong Kong eram operados por entidades privadas e que registros e fechamentos poderiam refletir fatores como lucratividade e condições de locação. Os subsídios do governo apoiam as escolas participantes, mas os operadores continuam responsáveis por mantê-las em funcionamento.
A estrutura dos subsídios torna o número de matrículas especialmente decisivo. Em 2024/25, os repasses anuais por aluno eram de HK$39.200 para períodos de meio dia, HK$50.960 para o dia inteiro e HK$62.720 para períodos prolongados de dia inteiro. Menos alunos significam menos receita de subsídios, enquanto custos como o aluguel não necessariamente caem no mesmo ritmo.
O financiamento governamental projetado para a educação pré-escolar em 2025/26 foi de HK$4,9 bilhões, uma queda de 7%. As estimativas orçamentárias associaram parte dessa redução à diminuição do número de alunos.
Mudança de endereço e mais flexibilidade nos gastos
A secretária de Educação, Christine Choi Yuk-lin, apontou a mudança de endereço como uma das respostas ao descompasso entre a localização das escolas e a demanda. Em 2022, o governo dobrou o auxílio para mudança para HK$3 milhões, a fim de ajudar os jardins de infância a se instalarem em novos endereços.
Choi argumentou que apenas o financiamento não seria suficiente para preencher salas de aula em bairros com poucas crianças. Ao explicar por que prefere que as escolas se mudem para perto da demanda, ela disse:
Mesmo que eu desse às [escolas] três vezes mais subsídios por aluno, elas dificilmente conseguiriam matricular alunos, porque não há crianças nas áreas envelhecidas. Por isso, é melhor que se mudem para novos locais onde haja demanda por pré-escolas.
Lam propôs outra forma de ajuda financeira: permitir que as escolas tenham mais flexibilidade para usar o dinheiro mantido em contas destinadas a diferentes tipos de período escolar. Ela disse que as contas dos períodos de meio dia costumavam ter superávit, enquanto as destinadas ao dia inteiro apresentavam déficit.
A mudança de endereço resolve a questão de onde as crianças vivem. Mais flexibilidade nos gastos ajudaria a resolver como uma escola já em funcionamento usa seus recursos. Para as famílias que precisam de períodos mais longos, a saúde financeira desse serviço importa porque ele oferece atendimento durante uma parte maior do dia de trabalho.
Professores enfrentam um mercado de trabalho incerto
Lam disse que a queda nas matrículas também desestimulava as pessoas a ingressar na educação pré-escolar. Uma rede escolar menor oferece menos possíveis empregadores, enquanto turmas cada vez menores podem deixar os postos de trabalho existentes menos seguros.
Como diretora e líder sindical, ela descreveu o efeito sobre a contratação:
Ninguém quer entrar na nossa área, que não tem futuro. Preferem trabalhar em outros setores, que podem oferecer empregos estáveis e aumentos salariais. O cerne da questão é o número insuficiente de bebês em Hong Kong.
A concorrência por alunos também varia entre as escolas. Lam disse que algumas pré-escolas independentes ou internacionais de destaque continuavam atraindo muitas inscrições e mantendo longas listas de espera. Segundo ela, parte do apelo se devia a opções curriculares que os pais associavam ao ingresso em escolas particulares ou subsidiadas concorridas.
Os jardins de infância que oferecem educação subsidiada pelo governo seguem o guia curricular oficial. Lam defendeu mais liberdade na elaboração dos cursos, enquanto os números gerais de matrículas mostram que as escolas disputam uma população de crianças que diminuiu consideravelmente.
O que as famílias podem avaliar além da mensalidade
O Perfil dos Jardins de Infância fornece aos pais informações sobre as mensalidades aprovadas, diretores, número de professores e alunos, proporção entre funcionários e estudantes, currículos e apoio oferecido pelas escolas. Os jardins de infância participantes precisam passar por avaliações de qualidade, e o perfil registra se as escolas avaliadas atingiram o padrão exigido, além de dar acesso à avaliação mais recente.
As cobranças adicionais podem fazer uma diferença significativa nos gastos das famílias. A edição publicada em outubro de 2024 incluiu dados do ano letivo anterior que mostram cobranças anuais diversas de até HK$8.187 em um berçário batista subsidiado em Sha Tin. As taxas de lanches eram de HK$3.780, enquanto livros, cadernos de exercícios e materiais relacionados custavam entre HK$2.294 e HK$3.383.
No Jardim de Infância Happy Creative, em Kwun Tong, as cobranças anuais diversas chegavam a HK$7.582. Os lanches custavam entre HK$1.800 e HK$2.800, e os livros e materiais relacionados custavam HK$2.726. No Jardim de Infância Alice's English, em Tuen Mun, o total anual era de HK$6.837, incluindo HK$2.274 em lanches e HK$3.602 em livros e materiais relacionados.
Esses dados históricos mostram por que a mensalidade é apenas uma parte do custo de frequentar a escola. Ao comparar instituições, as famílias também podem consultar informações publicadas sobre funcionários, apoio, avaliações de qualidade e cobranças adicionais, além do tamanho da turma de ingresso.
Recém-chegados aumentam a demanda em outras áreas
Os programas educacionais para crianças mais velhas registraram crescimento enquanto o número de jardins de infância diminuía. As matrículas em programas de integração para alunos recém-chegados de seis a 18 anos aumentaram de 1.040 em 2023/24 para 1.500 em 2024/25, uma alta de cerca de 42%. O Departamento de Educação esperava outros 1.500 participantes em 2025/26.
O departamento atribuiu o aumento à entrada de mais estudantes recém-chegados durante os primeiros seis meses de 2024/25. Esses programas atendem crianças vindas da China continental e de outras origens, ajudando-as a se adaptar ao ensino em Hong Kong.
Também cresceu a participação nos programas de verão de adaptação, destinados a aprimorar a alfabetização em chinês de alunos que não são chineses. O número de participantes subiu de 1.363 para 1.630, cerca de 20%, e a projeção era de um novo aumento de 3%. O departamento atribuiu a alta à ampliação da cobertura e à participação de mais escolas.
Consequentemente, o sistema educacional de Hong Kong administra demandas diferentes em cada faixa etária. Os jardins de infância estão se ajustando a gerações menores, enquanto os programas voltados a recém-chegados mais velhos precisaram oferecer mais vagas. Para os operadores de pré-escolas, o desafio imediato continua sendo ajustar salas de aula, equipes e gastos às crianças que chegam à idade de ingresso em cada bairro.
Principais pontos
- O Perfil dos Jardins de Infância mais recente lista cerca de 930 escolas, ante aproximadamente 1.050 em 2021, após cinco quedas anuais consecutivas.
- Em Tsuen Wan, 25 dos 29 jardins de infância participantes avaliados tinham menos alunos no K1 do que no K2 em setembro de 2025.
- A população de alunos de jardins de infância caiu em todos os distritos, e Tsuen Wan registrou a maior queda, de 15,6%.
- As estimativas orçamentárias projetavam uma queda nas matrículas da educação pré-escolar, de 125.400 para 115.100 em setembro de 2025.
- As escolas recebem subsídios vinculados ao número de alunos, o que torna as turmas menores uma preocupação financeira direta.
- Auxílios para mudança, flexibilidade nos gastos, quadro de funcionários e cobranças adicionais às famílias são questões centrais em meio à retração do setor.






