Uma geração menor enfrenta uma crescente lacuna de reposição
A população de Taiwan com idade entre 15 e 64 anos deve encolher em 4,509 milhões entre 2026 e 2046, segundo o Conselho Nacional de Desenvolvimento. Isso representa uma redução líquida média de cerca de 618 pessoas por dia, à medida que grandes gerações chegam aos 65 anos e gerações muito menores completam 15 anos.
Conteúdo
- Uma geração menor enfrenta uma crescente lacuna de reposição
- O que mudou na projeção populacional?
- Duas grandes gerações se aproximam da aposentadoria
- Os idosos já estão ocupando mais postos de trabalho
- Muitos trabalhadores mais velhos querem continuar empregados
- As necessidades de cuidados aumentam junto com a falta de mão de obra
- Por que aposentadorias e seguro-saúde sofrem pressão
- Como o governo tenta ampliar o recrutamento
- Pontos principais
O desequilíbrio demográfico é acentuado. Taiwan tem 7,292 milhões de pessoas entre 45 e 64 anos, o equivalente a 46,3% da população em idade ativa. Nas próximas duas décadas, esse grupo ultrapassará o limite superior da faixa etária considerada ativa, enquanto apenas 3,095 milhões de jovens devem atingir o limite inferior.
Esses números equivalem a cerca de 2,4 pessoas completando 65 anos para cada pessoa que completa 15. Para os empregadores, a perspectiva é de um grupo menor de potenciais profissionais. Para as famílias e o governo, isso significa sustentar mais idosos com menos pessoas nas faixas etárias que normalmente fornecem a maior parte dos trabalhadores e das contribuições para os seguros sociais.
A projeção mede a passagem entre faixas etárias. Quem completa 15 anos muitas vezes continua estudando, enquanto algumas pessoas que chegam aos 65 seguem trabalhando. O número de 618 por dia descreve a redução líquida projetada da população em idade ativa, e não a quantidade diária de funcionários que se aposentam.
Taiwan já está reagindo com serviços de recrutamento, apoio a funcionários mais velhos e a mulheres que retornam ao mercado de trabalho, além de mudanças nas cotas de trabalhadores migrantes. O número de pessoas empregadas com 65 anos ou mais também já ultrapassou 500 mil, mostrando que o limite usado nas estatísticas populacionais está cada vez menos ligado ao fim da vida profissional.
O que mudou na projeção populacional?
A projeção mais recente estima uma queda de cerca de 4,51 milhões entre 2026 e 2046, em comparação com a previsão anterior de 4,06 milhões entre 2024 e 2044. Hipóteses de fecundidade mais baixa, ou seja, de menos nascimentos esperados, contribuem para a perspectiva mais desfavorável.
Os dois totais diferem em cerca de 449 mil pessoas, embora cubram períodos distintos. A estimativa atualizada também foi descrita como apenas 3 mil acima de um modelo anterior, junto com uma estimativa de cerca de 60 pessoas a menos por dia. Essas descrições não deixam claro o tamanho exato da revisão da projeção: distribuídos por 20 anos, 3 mil corresponderiam a uma média inferior a uma pessoa por dia.
A tendência é consistente entre as projeções. Um cenário médio anterior do Conselho Nacional de Desenvolvimento estimava a população de 15 a 64 anos em 16,17 milhões em 2024 e 11,84 milhões em 2045, uma redução de 4,33 milhões. Todos os cálculos apontam para uma contração expressiva ao longo de cerca de duas décadas.
A queda dos nascimentos afeta a oferta de mão de obra com grande atraso. Uma criança que nasce hoje completa 15 anos daqui a 15 anos e pode começar a trabalhar em tempo integral apenas alguns anos depois. Por isso, medidas para manter os trabalhadores atuais empregados podem afetar o recrutamento mais rapidamente do que mudanças na taxa de natalidade.
Duas grandes gerações se aproximam da aposentadoria
A atual pressão em Taiwan vem após dois períodos de alta natalidade. Dados do Ministério do Interior mencionados em reportagens anteriores registram 3,78 milhões de nascimentos entre 1958 e 1966 e outros 2,89 milhões entre 1976 e 1982. Juntas, essas gerações somam 6,67 milhões de pessoas.
O primeiro grupo começou a atingir as idades típicas de aposentadoria em 2023. O grupo seguinte fará o mesmo no início da década de 2040. Uma reportagem anterior sobre as duas ondas de aposentadoria descreveu como essas grandes gerações são sucedidas por grupos muito menores que ingressam no mercado de trabalho.
- 1958 a 1966: A primeira grande geração nascida nesse período totalizou 3,78 milhões de pessoas.
- 1976 a 1982: Uma segunda grande geração nascida nesse período totalizou 2,89 milhões de pessoas.
- 2023: Pessoas nascidas no fim dos anos 1950 e início dos anos 1960 começaram a atingir as idades de aposentadoria.
- 2037: Projeta-se que as pessoas de 45 a 64 anos ultrapassem metade da população em idade ativa.
- Início dos anos 2040: A segunda grande geração nascida nesse período atinge as idades típicas de aposentadoria.
- 2046: Termina o período da projeção mais recente, com a população em idade ativa cerca de 4,51 milhões menor do que em 2026.
O cálculo anterior das ondas de aposentadoria comparava 6,67 milhões de pessoas com cerca de 1,6 milhão de jovens ingressando na população. A projeção mais recente compara 7,292 milhões de pessoas entre 45 e 64 anos com 3,095 milhões que completam 15 durante o período previsto. Para entender esses totais, é preciso considerar as faixas etárias e as datas, pois eles descrevem populações diferentes.
Os idosos já estão ocupando mais postos de trabalho
As estatísticas de emprego mostram que uma mudança expressiva já está em curso. A Direção-Geral de Orçamento, Contabilidade e Estatística registrou mais de 500 mil pessoas empregadas com 65 anos ou mais em março, quando a taxa de participação na força de trabalho dessa faixa etária era de 10,8%.
A comparação anual da agência mostrou que o número de pessoas empregadas com 65 anos ou mais passou de 250 mil em 2015 para 460 mil no dado anual mais recente, um aumento de 84%. No mesmo período, o emprego entre pessoas de 25 a 44 anos caiu de 5,99 milhões para 5,67 milhões, uma redução de 320 mil, ou cerca de 5,3%.
Tan Wen-ling, vice-diretora do Departamento de Censos da agência, atribuiu o aumento de trabalhadores mais velhos, em parte, à maior expectativa de vida saudável e à persistente falta de funcionários. Ela explicou por que as empresas têm incentivo para manter profissionais experientes:
"Os empregadores também relatam falta de mão de obra. Se conseguirem fazer com que pessoas mais velhas continuem trabalhando, isso será útil para as empresas", disse.
Dados do Ministério do Interior indicam que a população com 65 anos ou mais chegou a 4,67 milhões, ou 20,06% dos residentes, nos dados anuais que acompanharam a comparação de emprego. Taiwan, portanto, ultrapassou o limite geralmente usado para caracterizar uma sociedade superenvelhecida, em que pelo menos uma em cada cinco pessoas tem 65 anos ou mais.
O envelhecimento está mudando tanto a composição quanto o tamanho da força de trabalho potencial. As pessoas de 45 a 64 anos representam atualmente 46,3% da população em idade ativa. As projeções do Conselho indicam que essa proporção passará da metade a partir de 2037, enquanto o cenário anterior para 2045 estimava 53,3%.
Muitos trabalhadores mais velhos querem continuar empregados
A procura por trabalho entre pessoas mais velhas também está aumentando. Um relatório do 104 Job Bank constatou que as candidaturas de pessoas de meia-idade e mais velhas cresceram 34,4% em três anos, chegando a uma média de 82 mil por mês no ano mais recente abrangido pelo levantamento.
Mais de 80% dos trabalhadores entrevistados disseram que esperam continuar trabalhando depois dos 60 anos, citando preocupações com a poupança para a aposentadoria e o aumento do custo de vida. Para esses trabalhadores, continuar empregados significa tanto manter a renda quanto fazer a poupança durar mais durante uma aposentadoria prolongada.
Chan Wan-jung, gerente do 104 Job Bank, disse que algumas empresas ainda temem que funcionários mais velhos custem mais ou desestimulem candidatos mais jovens. A pesquisa da plataforma constatou que 93,7% dos trabalhadores com menos de 40 anos tinham uma opinião neutra ou positiva sobre locais de trabalho que acomodam funcionários mais velhos.
O Ministério do Trabalho criou subsídios para manter trabalhadores mais velhos, incentivos para ajustar a jornada e programas de reformulação de cargos e melhoria dos ambientes de trabalho. Essas medidas respondem a um problema prático: uma pessoa pode estar disposta a trabalhar, mas precisar de horários ou atribuições diferentes dos oferecidos em uma vaga existente.
As necessidades de cuidados aumentam junto com a falta de mão de obra
Espera-se que o grupo de residentes mais idosos de Taiwan cresça muito. A projeção média de 2024 do Conselho Nacional de Desenvolvimento estimava que a população com 85 anos ou mais passaria de cerca de 470 mil para 1,39 milhão até 2045, quase triplicando.
Dados do Ministério da Saúde e estudos relacionados apontam para uma taxa de deficiência de cerca de 15% entre pessoas com 65 anos ou mais. Depois dos 85 anos, a média sobe para aproximadamente 50%, com diferenças entre homens e mulheres. Aplicada à população projetada nessa faixa etária, essa estimativa sugere que cerca de 700 mil pessoas com mais de 85 anos poderiam precisar de ajuda nas atividades diárias ou de cuidados médicos.
A força de trabalho atual na área de cuidados é bem menor. Estatísticas do Ministério da Saúde e Bem-Estar sobre o programa de cuidados de longa duração 2.0 indicam que há cerca de 97 mil a 100 mil cuidadores locais licenciados. Aproximadamente 70 mil fazem atendimento domiciliar, ajudando com banho, refeições e consultas médicas, enquanto cerca de 30 mil trabalham em centros de cuidados, casas de repouso ou hospitais.
Trabalhadores migrantes prestam boa parte dos cuidados que exigem morar na casa da pessoa atendida. Dados do Ministério do Trabalho contabilizam cerca de 225 mil trabalhadores migrantes na área de assistência social, mais de 92% deles atuando como cuidadores domiciliares. Dados detalhados apontam cerca de 209 mil em cuidados domiciliares e 16.354 em instituições.
A demanda por cuidados e o número de profissionais são medidos de formas diferentes: uma pessoa que recebe algumas horas de ajuda por semana precisa de um serviço diferente daquele de alguém que necessita de assistência constante. Ampliar os serviços de cuidados também é importante para o emprego, pois familiares que prestam assistência em casa podem ter menos tempo disponível para o trabalho remunerado.
Por que aposentadorias e seguro-saúde sofrem pressão
Um porta-voz do Conselho Nacional de Desenvolvimento alertou que a ampliação da lacuna de reposição pressionaria os fundos de aposentadoria dos trabalhadores, os fundos de aposentadoria dos servidores públicos e o Seguro Nacional de Saúde. O aumento do número de idosos pode elevar os gastos com benefícios de aposentadoria e assistência médica, enquanto uma população empregada menor pode limitar as contribuições e a arrecadação de impostos.
Os seguros sociais reúnem recursos arrecadados por meio de contribuições e de financiamento público para pagar benefícios ou cobrir serviços. Quando o número de pessoas que precisam de apoio cresce mais rápido do que o de contribuintes, fica mais difícil manter esse suporte.
Por isso, o emprego é central para o desafio financeiro. Quem continua em um trabalho remunerado pode seguir recebendo renda e contribuindo, mesmo depois de ultrapassar o limite estatístico de 65 anos. Por outro lado, alguém entre 15 e 64 anos que esteja estudando, cuidando de familiares ou sem conseguir encontrar trabalho pode contribuir pouco por meio do emprego.
O porta-voz do Conselho defendeu o aumento da idade de aposentadoria, uma participação e retenção maiores de mulheres e pessoas mais velhas no mercado de trabalho e mais imigração. As propostas descrevem diferentes formas de ampliar o número de contribuintes. Não foi informada uma data para o aumento da idade de aposentadoria.
Como o governo tenta ampliar o recrutamento
O Ministério do Trabalho afirma que centros públicos de emprego aproximam candidatos e empregadores, organizam eventos de recrutamento e entram em contato com potenciais candidatos para marcar entrevistas. O apoio a mulheres desempregadas e a pessoas mais velhas inclui mudanças na jornada e nas atribuições, além de incentivos para manter funcionários.
A política para a indústria também vincula o acesso a trabalhadores migrantes adicionais a aumentos salariais para funcionários locais. Pelo programa do ministério, o empregador pode obter uma cota adicional de um trabalhador migrante para cada aumento de NT$ 2.000 concedido a um funcionário local.
A cota adicional é limitada a 10% da força de trabalho do empregador coberta pelo seguro trabalhista. Quando combinada com outros programas para trabalhadores migrantes, a cota permitida pode chegar a até 45% dos trabalhadores segurados.
O ministério afirma que a política busca ajudar os setores a preencher vagas e, ao mesmo tempo, melhorar salários e condições de trabalho dos funcionários locais. O princípio declarado é evitar prejuízos ao emprego local à medida que se amplia o acesso a trabalhadores migrantes.
O recrutamento internacional pode complementar a força de trabalho doméstica cada vez menor de Taiwan, enquanto a reformulação de cargos e os horários flexíveis podem ajudar quem já vive no país a continuar empregado. Os dados sobre cuidados mostram por que as duas abordagens são importantes: as empresas precisam de trabalhadores ao mesmo tempo que as famílias envelhecidas precisam de mais assistência.
O desafio imediato vai além de substituir cada funcionário que sai por um jovem recrutado. Taiwan precisa permitir que mais pessoas da população atual possam trabalhar, que os empregadores ofereçam vagas adequadas e que haja serviços de cuidados para ajudar as famílias a conciliar o emprego com o apoio a parentes mais velhos. A projeção demográfica dimensiona o problema e estabelece um prazo para essas decisões.
Pontos principais
- A população de Taiwan com idade entre 15 e 64 anos deve cair 4,509 milhões entre 2026 e 2046, uma média de cerca de 618 pessoas por dia.
- As faixas etárias envolvidas indicam que cerca de 2,4 pessoas completarão 65 anos para cada pessoa que completar 15.
- O número de pessoas empregadas com 65 anos ou mais ultrapassou 500 mil em março, com taxa de participação na força de trabalho de 10,8%.
- Projeta-se que as pessoas de 45 a 64 anos ultrapassem metade da população em idade ativa a partir de 2037.
- A população com 85 anos ou mais pode chegar a 1,39 milhão até 2045, aumentando a demanda por cuidados.
- As medidas do governo incluem apoio à permanência de trabalhadores mais velhos, horários flexíveis, reformulação de cargos e cotas de trabalhadores migrantes vinculadas a aumentos salariais para funcionários locais.






