Presídio de Keelung admite uso excessivo da força após morte de detento menos de dois dias depois de chegar

11 min de leitura
Keelung Prison Admits Excessive Force After Inmate Dies Within Two Days of Arrival

Presídio admite que guardas excederam os limites no uso da força

O Presídio de Keelung, em Taiwan, admitiu que dois guardas usaram força excessiva contra um detento de 55 anos que morreu menos de dois dias depois de entrar sob custódia. Os guardas, identificados pelos sobrenomes Yu e Yang, foram remanejados, e promotores investigam suspeita de lesão seguida de morte.

Conteúdo
  1. Presídio admite que guardas excederam os limites no uso da força
  2. O que diz o presídio sobre o ocorrido
  3. Família relata golpes repetidos e água do vaso sanitário
  4. Chen estava resistindo ou já estava inconsciente?
  5. Cronologia com divergências sobre os horários de entrada e descoberta
  6. Autópsia deve determinar a causa da morte
  7. Remanejamento e investigação administrativa
  8. O que está estabelecido e o que ainda não foi decidido
  9. Principais pontos

O secretário do presídio, Chu Chih-cheng, confirmou em 13 de outubro que uma análise das imagens de vigilância mostrou que os guardas excederam o princípio da proporcionalidade ao conter o detento, identificado pelo sobrenome Chen, em 7 de outubro. Esse princípio exige que a força usada seja proporcional à situação enfrentada pelos agentes. A admissão do presídio confirma que a instituição constatou uma conduta inadequada, mas a causa médica da morte de Chen e qualquer responsabilidade criminal ainda estão sob investigação.

A família de Chen descreve um confronto muito mais violento do que o relato inicial do presídio sobre a contenção. O irmão mais velho diz que as gravações de vigilância mostraram socos repetidos, uma colisão contra a parede e um guarda jogando água do vaso sanitário em Chen. Os parentes também contestam se Chen estava consciente e tinha condições de resistir quando os guardas intervieram.

Após o exame do corpo em 9 de outubro, os promotores consideraram os dois guardas fortemente suspeitos de lesão seguida de morte. Eles foram liberados mediante fiança de NT$ 200 mil e NT$ 150 mil, respectivamente. Uma autópsia foi realizada em 12 de outubro por médicos legistas do Instituto de Medicina Legal para determinar a causa da morte.

O caso agora envolve dois procedimentos distintos: uma investigação criminal sobre as ações dos guardas e sua possível relação com a morte, e uma investigação administrativa sobre violações dos deveres funcionais no presídio. Nem as decisões sobre fiança nem a admissão do presídio equivalem a uma condenação criminal.

Publicidade

O que diz o presídio sobre o ocorrido

Segundo Chu, o confronto começou na manhã de 7 de outubro. O presídio afirma que Chen desobedeceu a instruções, discutiu com outros detentos na cela e provocou os funcionários, perturbando a ordem. Yu e Yang então o contiveram e o retiraram da cela compartilhada.

Um relato anterior dizia que Chen estava deitado em uma cama e se recusava a se levantar durante os procedimentos de admissão. Inicialmente, o presídio afirmou que ele não havia seguido as instruções e parecia resistir, mas prometeu verificar se a resposta dos guardas respeitou as normas funcionais.

Em 13 de outubro, a posição do presídio ficou mais definida. Após analisar as gravações da cela e das câmeras de vigilância, a instituição admitiu que as ações dos guardas ultrapassaram os limites permitidos para a contenção. Essa conclusão não esclarece todos os detalhes contestados, incluindo a condição de Chen no início do confronto ou a sequência dos golpes alegados.

Essa distinção é importante porque a justificativa de um agente para intervir e a quantidade de força usada em seguida são questões distintas. Mesmo segundo a versão do presídio, de que Chen perturbou a ordem, a própria análise da instituição concluiu que a resposta foi excessiva.

Família relata golpes repetidos e água do vaso sanitário

O irmão mais velho de Chen diz que assistiu às imagens de vigilância na tarde de 8 de outubro. Ele descreveu uma cela de triagem com oito detentos e disse que o irmão parecia estar encolhido, possivelmente depois de tomar medicamentos. Essa explicação sobre a condição de Chen é a interpretação do irmão, não uma constatação médica estabelecida.

Segundo o irmão, dois funcionários levantaram Chen, um de cada lado, e cada um lhe deu pelo menos 20 socos. Ele disse que continuaram a bater em Chen enquanto o mantinham no chão, depois o arrastaram até uma cela individual e o empurraram contra a parede quando a porta se abriu.

O irmão também alegou que, depois de retirarem as algemas, um dos guardas usou uma bacia de plástico para pegar água do vaso sanitário e jogá-la em Chen antes de sair. Outros relatos das imagens também mencionam o uso de algemas, golpes no chão e uma colisão contra a parede.

São acusações graves que precisam ser examinadas à luz das gravações completas e de outras provas. O presídio admitiu o uso excessivo da força, mas não confirmou publicamente todas as ações descritas pela família. A instituição afirma que entregou todo o material relevante, inclusive as imagens de vigilância, à Promotoria Distrital de Keelung.

Publicidade

Chen estava resistindo ou já estava inconsciente?

A principal divergência factual diz respeito à capacidade de Chen de reagir quando a força foi usada. O presídio fala em desobediência e possível resistência. Familiares dizem que as imagens mostravam Chen já inconsciente, o que tornaria desnecessária a contenção.

Essas versões não podem ser tratadas como equivalentes. Os investigadores precisam determinar a condição de Chen em cada etapa: na cela compartilhada, durante a contenção, enquanto era levado e depois de ser colocado na cela individual. Uma gravação pode mostrar movimentos e ações dos funcionários, mas também são necessárias provas médicas para avaliar o nível de consciência e o sofrimento físico.

O irmão de Chen diz que ele passou mal no fim daquela noite, com vômitos e incontinência, antes de deixar de apresentar sinais vitais por volta das 5h. Esses detalhes são alegações da família sobre o período posterior ao confronto. Nenhuma conclusão pericial definitiva foi anunciada para determinar o que causou esses sintomas.

A família também afirma que, inicialmente, viu apenas imagens das tentativas de reanimação e só descobriu a suposta agressão depois de pedir acesso às gravações anteriores. A declaração do presídio de que entregou todo o material aos promotores diz respeito ao acesso da investigação às provas, mas não esclarece as preocupações da família sobre o que lhe foi mostrado primeiro.

Cronologia com divergências sobre os horários de entrada e descoberta

A sequência dos acontecimentos vai de 6 a 13 de outubro, mas os relatos divergem sobre alguns horários. A versão posterior do presídio situa a entrada de Chen no local por volta das 21h de 6 de outubro. Seu irmão fala em aproximadamente 22h daquela noite. Outro relato situa a entrada no presídio por volta das 7h de 7 de outubro, após a polícia detê-lo na tarde anterior.

  • 6 de outubro: Segundo relatos, a polícia deteve Chen por volta das 17h e o levou aos promotores. O presídio afirma que ele entrou sob custódia por volta das 21h; o irmão diz que foi por volta das 22h.
  • 7 de outubro: Um relato distinto situa a entrada no presídio por volta das 7h. O confronto com os dois guardas ocorreu naquela manhã.
  • 8 de outubro: Chen foi encontrado sem resposta em uma cela individual. Os relatos indicam aproximadamente 5h ou 7h. Foi informado que ele morreu apesar do atendimento de emergência.
  • 9 de outubro: Um promotor e um médico legista examinaram o corpo. Posteriormente, os dois guardas foram liberados mediante fiança.
  • 12 de outubro: Médicos legistas realizaram uma autópsia para investigar a causa da morte.
  • 13 de outubro: Chu confirmou publicamente que o presídio havia constatado o uso excessivo da força e remanejado os guardas.

Considerando o horário de entrada às 21h informado pelo presídio e a descoberta às 5h, o intervalo é de aproximadamente 32 horas. Usando os horários alternativos de entrada às 7h e descoberta às 7h, o intervalo é de aproximadamente 24 horas. Ambas as versões situam a morte em menos de dois dias após a entrada, mas os registros de custódia e médicos são necessários para esclarecer a cronologia exata.

Publicidade

Autópsia deve determinar a causa da morte

A autópsia de 12 de outubro é fundamental para determinar se os ferimentos sofridos no confronto causaram ou contribuíram para a morte de Chen. O exame de 9 de outubro foi conduzido pelo promotor Chen Yi-yin com um médico legista. A autópsia posterior contou com médicos do Instituto de Medicina Legal.

A família diz que funcionários do presídio sugeriram inicialmente a possibilidade de um ataque cardíaco. O irmão de Chen também afirma que um responsável pela administração do presídio mencionou um registro de uso de medicamentos para o coração. Nem o histórico de medicação nem uma hipótese inicial determinam a causa da morte.

Um relato anterior também mencionou o uso de heroína no passado como uma possível consideração médica. Nenhuma conclusão pericial anunciada relaciona o uso de drogas a essa morte. Essas possibilidades devem permanecer distintas das conclusões baseadas no exame do corpo, nos registros médicos e em outras provas.

Algumas reportagens afirmaram que os promotores haviam concluído que os guardas espancaram Chen até a morte. Isso vai além do que os fatos processuais estabelecem: os promotores trataram os guardas como suspeitos graves, concederam fiança e providenciaram uma autópsia para esclarecer a relação entre as agressões e a morte. A suspeita de lesão seguida de morte não é uma conclusão médica definitiva nem uma sentença judicial.

Remanejamento e investigação administrativa

O presídio afirma que os guardas têm, respectivamente, três e quatro anos de serviço e que não foram identificadas violações anteriores de seus deveres funcionais. Também diz que sua investigação não encontrou desavença pessoal entre nenhum dos guardas e Chen, em resposta à preocupação da família de que uma queixa anterior pudesse explicar a suposta violência.

Segundo Chu, os dois guardas demonstraram arrependimento e pediram desculpas à instituição pelos problemas causados por terem perdido o controle das emoções. O pedido de desculpas relatado foi dirigido à instituição; não foi mencionado nenhum pedido de desculpas à família de Chen.

O presídio afirma que considerou os guardas inaptos a continuar atuando na unidade original e concluiu o remanejamento de suas funções. O remanejamento não equivale a demissão nem a uma sanção disciplinar definitiva. Nenhuma punição administrativa concluída foi anunciada.

Chu também prometeu cooperar com a investigação judicial. O procedimento administrativo pode apurar se os funcionários violaram normas funcionais, enquanto os promotores investigam se as provas justificam uma acusação criminal e se a conduta alegada causou a morte. As duas investigações tratam de responsabilidades relacionadas, mas distintas.

Publicidade

O que está estabelecido e o que ainda não foi decidido

Segundo relatos, Chen entrou no presídio para cumprir uma pena de um ano por um atropelamento seguido de fuga. A polícia o havia detido em conexão com casos pendentes envolvendo drogas, fuga do local de uma colisão de trânsito e direção perigosa. Esses detalhes explicam como ele foi levado sob custódia, mas não determinam se a conduta dos guardas foi legal.

Declarações de um ex-detento e de um ex-funcionário do sistema prisional, nenhum deles ligado a este caso, descreveram a comunicação verbal, as contenções e as pontuações disciplinares como métodos usados para manter a ordem. Essas observações oferecem contexto limitado; não são provas do que aconteceu na cela de Chen nem conclusões sobre as regras aplicáveis ao confronto.

O fato mais sólido até agora é a admissão do próprio presídio de que a resposta excedeu o princípio da proporcionalidade. Entre as questões ainda pendentes estão a sequência completa das ações dos funcionários, o nível de consciência de Chen, o atendimento à indisposição relatada durante a noite e a relação médica entre eventuais ferimentos e sua morte.

Nenhum resultado da autópsia, decisão sobre acusações, desfecho disciplinar ou data de audiência judicial foi anunciado nos relatos do caso. Os próximos avanços substanciais dependerão dos resultados periciais e das conclusões das investigações criminal e administrativa.

Principais pontos

  • O Presídio de Keelung admitiu o uso excessivo da força durante a contenção de Chen em 7 de outubro.
  • O detento de 55 anos morreu em menos de dois dias após entrar no presídio, embora os relatos divirjam sobre os horários exatos de entrada e descoberta.
  • A família alega que ele recebeu socos repetidos, bateu contra uma parede e teve água do vaso sanitário jogada sobre si.
  • Dois guardas foram remanejados e liberados mediante fiança de NT$ 200 mil e NT$ 150 mil.
  • Uma autópsia foi realizada em 12 de outubro; nenhuma causa definitiva da morte foi anunciada.
  • A responsabilidade criminal e as sanções administrativas ainda não foram decididas.
Compartilhar esta matéria

Você também pode gostar