1.027 cilindros rastreados até três lojas em Taichung
Promotores taiwaneses denunciaram fornecedores de gás acusados de vender 1.027 cilindros de dióxido de carbono industrial como gás próprio para alimentos a duas lojas da Costco e a uma loja da IKEA em Taichung. As entregas, feitas entre julho de 2022 e fevereiro de 2024, geraram pagamentos de NT$ 928.212, segundo o Ministério Público do Distrito de Taichung.
Conteúdo
- 1.027 cilindros rastreados até três lojas em Taichung
- Como o dióxido de carbono industrial entrou na cadeia alimentar
- Um segundo esquema envolvendo dióxido de carbono
- O que significa gás próprio para alimentos
- Médicos descrevem possíveis riscos à saúde
- De onde vem a estimativa de 1,54 milhão de bebidas
- Oxigênio medicinal fornecido após o cancelamento de uma licença
- O que disseram os varejistas
- Acusações, penas solicitadas e cronologia
- Principais pontos
A investigação também revelou um suposto esquema envolvendo oxigênio medicinal e cinco instituições médicas e de cuidados de longa duração. Segundo os promotores, 871 recipientes de oxigênio líquido industrial foram apresentados como oxigênio medicinal em um total de 2.944 recipientes entregues.
O Ministério Público anunciou as denúncias em 23 de outubro de 2026, por supostas violações da Lei de Assuntos Farmacêuticos, da Lei que Rege a Segurança e a Higiene Alimentar e das disposições penais sobre fraude. Os promotores identificaram 17 denunciados e quatro empresas, embora outros totais publicados apontem 21 pessoas denunciadas.
O caso conecta duas cadeias de fornecimento que clientes e pacientes raramente veem: o gás usado para criar bolhas em bebidas e o oxigênio fornecido para tratamento médico. Os promotores alegam que os fornecedores usaram rótulos, cilindros e embalagens associados a produtos aprovados para vender gás envasado sem os controles exigidos.
Como o dióxido de carbono industrial entrou na cadeia alimentar
Os promotores alegam que a Yuanji, empresa de gás que opera no distrito de Dali, em Taichung, trabalhou com a Sanying Technology, empresa de Nova Taipé, para fornecer o dióxido de carbono rotulado falsamente. A Yuanji teria enchido os cilindros apesar de não ter licença para aditivos alimentares.
A Sanying teria fornecido cilindros com o nome de uma empresa de gás, rótulos de lote e película de vedação. Depois do envase, os cilindros recebiam rótulos e lacres de produto próprio para alimentos antes de serem entregues conforme as instruções da empresa de tecnologia. As acusações também apontam o gerente da Sanying, de sobrenome Cho, e seus dois filhos como participantes do fornecimento dos rótulos e lacres.
Os destinos indicados foram as lojas da Costco em Nantun e Beitun e a loja da IKEA em Taichung. Os promotores descrevem os varejistas como compradores enganados pela rotulagem dos fornecedores.
Os números de lote normalmente ajudam o comprador a rastrear um produto até seus registros de produção. Neste caso, os promotores alegam que os rótulos e lacres fizeram o gás industrial parecer ter passado por um processo autorizado de produção de alimentos. Portanto, a suposta substituição envolveu tanto o gás dentro dos cilindros quanto os registros apresentados aos compradores.
Um segundo esquema envolvendo dióxido de carbono
Os investigadores identificaram outro suposto esquema envolvendo dióxido de carbono originalmente produzido como gás próprio para alimentos por outros fabricantes. Uma empresa de gás teria reenvasado o produto fora das condições de sua licença e usado indevidamente rótulos de produto próprio para alimentos.
Segundo os promotores, essas entregas geraram mais de NT$ 580 mil em pagamentos de varejistas atacadistas. A acusação diz respeito à forma como o gás foi reenvasado e apresentado aos clientes, enquanto os 1.027 cilindros do principal esquema de dióxido de carbono supostamente continham gás industrial.
Os promotores afirmam que as empresas buscavam reduzir custos. Em conjunto, os dois esquemas mostram por que os controles de compra precisam abranger tanto a empresa que realmente enche o cilindro quanto o fabricante ou a marca indicados no rótulo. O gás pode passar por várias empresas antes de chegar ao equipamento de bebidas de um restaurante.
O que significa gás próprio para alimentos
O dióxido de carbono dá às águas com gás e aos refrigerantes suas bolhas. Hung Tung-jung, diretor do centro de pesquisa e desenvolvimento em toxicologia do pronto-socorro do Tungs' Taichung MetroHarbor Hospital, explicou que a Administração de Alimentos e Medicamentos de Taiwan o regulamenta como aditivo alimentar. O uso em alimentos exige pureza e produção higiênica.
A tabela de pureza do dióxido de carbono da empresa de monitoramento de gases CO2Meter indica pureza de 99,9% para os graus alimentício e de bebidas e de 99,5% para o grau industrial. A orientação explica que os graus diferem tanto na quantidade quanto nos tipos de impurezas permitidas. Esta é uma referência técnica comercial; as exigências de licenciamento e segurança alimentar de Taiwan regem as infrações alegadas neste caso.
Os valores da tabela deixam 0,1% para outras substâncias no gás alimentício e para bebidas, em comparação com 0,5% no gás industrial. Com base nesses valores, a categoria industrial permite uma proporção cinco vezes maior de outras substâncias. A natureza dessas substâncias também importa: a CO2Meter lista amônia, benzeno, oxigênio e monóxido de carbono entre as possíveis impurezas consideradas nas especificações do gás.
Portanto, gás próprio para alimentos significa mais do que um cilindro contendo principalmente dióxido de carbono. Os compradores também precisam ter garantias de que as substâncias indesejadas estejam dentro dos limites pertinentes e de que o envase e o manuseio atendam às exigências para uso em alimentos.
Médicos descrevem possíveis riscos à saúde
Hung alertou que o dióxido de carbono industrial pode conter impurezas prejudiciais à saúde e talvez tenha sido produzido sem os controles sanitários exigidos para aplicações alimentícias. Ele apontou a contaminação e a possível proliferação de germes como preocupações quando faltam controles de higiene.
Yen Tsung-hai, diretor do centro de toxicologia clínica do Linkou Chang Gung Memorial Hospital, também alertou para a possível presença de metais pesados e outras impurezas nocivas no dióxido de carbono industrial. Segundo ele, a exposição prolongada a esses contaminantes pode prejudicar a saúde.
O risco à saúde depende de quais contaminantes estavam presentes, de suas concentrações e da quantidade consumida. As autoridades não divulgaram publicamente resultados de testes do gás neste caso, um número confirmado de pessoas expostas nem doenças atribuídas às entregas.
Para os clientes que compraram bebidas nas três lojas, a questão imediata é rastrear quais cilindros abasteceram os equipamentos de distribuição e quando foram usados. Para os pacientes, a tarefa correspondente é identificar as instituições e os períodos de tratamento relacionados ao oxigênio supostamente substituído.
De onde vem a estimativa de 1,54 milhão de bebidas
Uma estimativa amplamente divulgada aponta que o volume potencial de bebidas seria de cerca de 1,54 milhão de porções. O cálculo pressupõe que um cilindro com 7,5 quilos de dióxido de carbono pode gaseificar 1.500 bebidas, cada uma com 500 mililitros.
Multiplicar 1.027 cilindros por 1.500 porções resulta em 1.540.500 porções. Isso explica a escala por trás da estimativa, mas o consumo real é desconhecido. Para determiná-lo, seriam necessárias informações sobre o peso do gás nos cilindros, quanto foi usado, as condições de distribuição e as bebidas vendidas.
Os refis ilimitados também fazem com que o número de clientes seja diferente do número de porções. Um cliente pode consumir vários copos, enquanto parte do gás pode se perder ou não ser usada. A quantidade concreta identificada pelos promotores é o envio de 1.027 cilindros às três lojas.
Oxigênio medicinal fornecido após o cancelamento de uma licença
As acusações sobre o oxigênio remontam a um período anterior. Segundo os promotores, a licença da empresa para fabricar oxigênio medicinal foi cancelada em março de 2020, encerrando sua autorização para fabricar o produto. Entre março de 2021 e setembro de 2024, os denunciados teriam enchido recipientes vazios de oxigênio medicinal com oxigênio líquido industrial na unidade de Dali.
Esses recipientes teriam sido misturados a recipientes de oxigênio medicinal fornecidos legalmente antes da entrega a cinco instituições médicas e de cuidados de longa duração. Os promotores identificaram 871 recipientes de oxigênio industrial entre os 2.944 entregues, cerca de 29,6% do total. O valor obtido com a suposta prática ultrapassou NT$ 1,87 milhão, e cada recipiente era vendido por aproximadamente NT$ 2.150.
O número de 2.944 corresponde ao volume total de entregas descrito pelos promotores. O detalhamento deles identifica 871 recipientes como parte da suposta substituição por produto industrial. Essa distinção oferece a pacientes e instituições uma visão mais precisa da dimensão investigada.
Hung alertou que pacientes que recebem oxigênio podem já estar clinicamente instáveis e que a contaminação poderia expô-los a danos adicionais, inclusive infecções. Uma instituição médica afetada afirmou ter trocado de fornecedor após o caso passar a ser investigado judicialmente e ter mantido medidas para proteger a segurança do atendimento.
O que disseram os varejistas
A IKEA afirmou que trocou de fornecedor rapidamente após tomar conhecimento do problema. A Costco disse ter entrado em contato com os fornecedores pertinentes para determinar a origem e o percurso dos produtos e cilindros e que cooperaria com as investigações judiciais e regulatórias.
As respostas descrevem duas medidas práticas para o acompanhamento: garantir fontes alternativas de abastecimento e reconstruir o histórico de entregas. A troca de fornecedores trata das compras atuais, enquanto os registros de entrega ajudam a identificar quais unidades receberam determinados lotes.
As orientações de compra da CO2Meter recomendam obter um certificado de análise junto com as entregas. Esse certificado registra se um lote específico atende aos requisitos de pureza estabelecidos. A empresa também recomenda verificações periódicas do sistema de gestão da qualidade dos fornecedores e a confirmação por um laboratório independente.
O suposto uso de rótulos falsos torna essa documentação de apoio especialmente relevante. O varejista precisa de uma ligação rastreável entre o cilindro, a empresa responsável pelo envase, os registros do lote e os resultados dos testes do gás entregue.
Acusações, penas solicitadas e cronologia
Lee Chun-yi, vice-chefe dos promotores, detalhou as penas solicitadas pelo Ministério Público do Distrito de Taichung. Os promotores pediram penas de prisão de pelo menos sete anos para três dos principais denunciados, acusados de fabricar medicamentos falsificados, e de pelo menos cinco anos para oito dos principais denunciados, acusados de fraude em coautoria. Também pediram multas de NT$ 20 milhões para cada empresa envolvida.
Esses são pedidos da acusação; as sentenças e os veredictos serão decididos pelo tribunal. O anúncio não especificou a data de uma audiência.
A investigação abrange vários anos de suposta atividade antes do anúncio das denúncias:
- Março de 2020: A licença da empresa para fabricar oxigênio medicinal foi cancelada.
- Março de 2021 a setembro de 2024: A suposta substituição por oxigênio industrial ocorreu em entregas a cinco instituições médicas e de cuidados.
- Julho de 2022 a fevereiro de 2024: Fornecedores teriam entregado 1.027 cilindros de dióxido de carbono com rótulos falsos às três lojas de Taichung.
- Julho de 2026: A unidade de Taichung do Departamento de Investigação encaminhou o caso aos promotores, que formaram uma equipe de investigação.
- 23 de outubro de 2026: Os promotores anunciaram denúncias contra pessoas e empresas e pediram penas de prisão e multas corporativas.
Para as lojas e instituições de cuidados, o caso agora se concentra no rastreamento das entregas e na manutenção de um abastecimento verificado. Para os promotores, a próxima etapa é apresentar as acusações e as provas correspondentes ao tribunal.
Principais pontos
- Os promotores alegam que 1.027 cilindros de dióxido de carbono industrial foram vendidos como gás próprio para alimentos às lojas da Costco em Nantun e Beitun e à IKEA de Taichung.
- As entregas de dióxido de carbono ocorreram de julho de 2022 a fevereiro de 2024 e geraram pagamentos de NT$ 928.212.
- A investigação sobre o oxigênio identificou 871 recipientes supostamente substituídos entre os 2.944 entregues a cinco instituições médicas e de cuidados.
- Os promotores anunciaram denúncias contra 17 pessoas e quatro empresas; outros totais publicados apontam 21 pessoas.
- A IKEA afirmou que trocou de fornecedores. A Costco disse que estava rastreando o abastecimento e cooperando com os investigadores.
- Os promotores pedem penas de prisão de pelo menos sete anos para os principais denunciados nas acusações de fabricação de medicamentos falsificados. O tribunal decidirá o desfecho.






