Tubos de aço revestidos com epóxi apresentam as maiores taxas de detecção
Solventes tóxicos foram detectados em centenas de testes laboratoriais de produtos para abastecimento de água na Coreia do Sul entre 2022 e 2025, revelando uma lacuna nas regras que regem os materiais em contato com a água potável. Entre 45 tubos de aço revestidos com resina epóxi, foi detectado xileno em 44, etilbenzeno em 41 e tolueno em 33. As normas atuais de higiene e segurança para materiais de abastecimento de água não estabelecem limites de migração para esses três compostos químicos.
Conteúdo
- Tubos de aço revestidos com epóxi apresentam as maiores taxas de detecção
- O que revelaram os testes dos 587 produtos
- Como os solventes podem ficar retidos em um revestimento protetor
- Lacuna regulatória apontada em 2022
- O que significariam os limites propostos
- Estudos anteriores sobre epóxi explicam por que a aplicação importa
- Conectores plásticos revelam outra via de contaminação da água
- Por que a lavagem após uma contaminação pode exigir mais trabalho
- Que mudanças poderiam responder aos resultados sul-coreanos
- Pontos principais
Os resultados constam de um estudo final sobre o monitoramento e a gestão de substâncias perigosas não regulamentadas, obtido pelo gabinete do deputado do Partido Democrático Lee Yong-woo. A Korea Conformity Laboratories e outros pesquisadores realizaram o trabalho e entregaram o relatório ao Korea Water Technology Certification Institute em dezembro de 2025.
Entre 587 produtos, foi detectado tolueno em 174, ou 29,6%; etilbenzeno em 102, ou 17,4%; e xileno em 120, ou 20,4%. Os produtos incluíam tubos, válvulas, bombas, revestimentos e torneiras encaminhados a instituições de ensaio para certificação, inspeção ou testes de qualidade.
Os pesquisadores propuseram limites para a quantidade de cada solvente que pode migrar de materiais de resina epóxi para a água de teste. Também recomendaram começar pelos tubos de água revestidos com epóxi que apresentam alta liberação e ajudar os fabricantes a adotar tintas com menos solvente ou sem solvente.
Para as residências, a questão imediata envolve os produtos pelos quais a água passa. As medições sul-coreanas vieram de testes laboratoriais que colocaram os materiais em contato com água em condições determinadas. A exposição doméstica depende das condições do sistema instalado, incluindo o fluxo de água e o tempo que ela permanece em contato com uma superfície. Para medir essas condições, é necessário testar a água em uso real.
O que revelaram os testes dos 587 produtos
O tolueno foi encontrado em várias categorias, e não em apenas um tipo de produto hidráulico. As taxas de detecção chegaram a 46% nos tubos metálicos, 36% nas válvulas, 34% nas bombas e 30% nas tintas e revestimentos. Os pesquisadores também detectaram o composto em 29% dos tubos não metálicos e em 26% das torneiras.
O estudo selecionou produtos com materiais adequados à análise de compostos orgânicos voláteis. São substâncias químicas que passam facilmente para o ar; algumas também podem se dissolver na água. Tolueno, etilbenzeno e xileno são solventes orgânicos usados em processos industriais, inclusive na fabricação e aplicação de revestimentos.
Os 587 produtos passaram por instituições de ensaio; portanto, os percentuais descrevem esse grupo de produtos. Uma pesquisa concebida para representar todos os produtos vendidos ou instalados na Coreia do Sul exigiria outro método de amostragem.
Os tubos de aço revestidos com epóxi se destacaram no grupo testado. As taxas de detecção foram de 73,3% para tolueno, 91,1% para etilbenzeno e 97,8% para xileno. Em comparação com as respectivas taxas entre todos os 587 produtos, esses percentuais foram cerca de 2,5, 5,2 e 4,8 vezes maiores.
A frequência de detecção indica se uma substância química apareceu em um teste. A quantidade liberada é uma medição distinta, necessária para comparar um produto com um limite numérico de segurança. Os pesquisadores citaram tanto as detecções recorrentes quanto as altas liberações de alguns produtos ao recomendar controles na etapa dos materiais.
Como os solventes podem ficar retidos em um revestimento protetor
Revestimentos epóxi protegem tubos de aço contra a corrosão ao criar uma barreira entre o metal e a água. Os pesquisadores sul-coreanos apontaram o solvente residual nessa barreira como provável origem das substâncias encontradas nos testes.
Os solventes usados na fabricação ou aplicação da tinta podem permanecer no revestimento enquanto ele endurece. Se a parte externa endurecer antes da interna, parte do solvente pode ficar retida. Um revestimento espesso ou com tempo de cura insuficiente também pode reter solvente que, mais tarde, migra para a água.
A cura é o processo pelo qual um revestimento desenvolve uma estrutura endurecida e estável. Sua duração importa porque uma superfície que parece dura ainda pode conter material que não terminou de curar em seu interior.
O artigo da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), Permeation and Leaching, descreve pesquisas anteriores que relacionam o desempenho do epóxi ao tempo de cura. Uma cura mais longa produziu revestimentos internos mais estáveis, e o documento recomenda prolongar a cura e deixar os tubos recém-revestidos de molho antes de colocá-los em serviço.
Essas evidências apontam um caminho concreto de intervenção para os fabricantes: a formulação, a espessura e a cura do revestimento podem afetar o que posteriormente chega à água. A proposta sul-coreana combina o controle do produto acabado com apoio à mudança das tintas usadas em sua fabricação.
Lacuna regulatória apontada em 2022
O Conselho de Auditoria e Inspeção da Coreia do Sul apontou em 2022 a necessidade de estabelecer normas para os três solventes. O Ministério do Meio Ambiente, hoje Ministério do Clima, Energia e Meio Ambiente, reconheceu a ausência desses limites em seu plano de implementação da gestão de desempenho para 2025.
O ministério afirmou que, desde fevereiro de 2024, vinha trabalhando em uma alteração do decreto de execução da Lei de Abastecimento de Água em resposta às conclusões da auditoria. A sequência situa a pesquisa mais recente em um processo regulatório que já estava em curso havia vários anos.
- 2022: O Conselho de Auditoria e Inspeção apontou a necessidade de normas para os três solventes.
- 2022 a 2025: Pesquisadores examinaram 587 produtos de abastecimento de água encaminhados a instituições de ensaio.
- Fevereiro de 2024: O ministério começou a trabalhar em uma alteração do decreto de execução da Lei de Abastecimento de Água.
- 2025: O plano de gestão de desempenho do ministério reconheceu que as normas de segurança dos materiais não estabeleciam limites para as substâncias químicas.
- Dezembro de 2025: O relatório final de monitoramento foi entregue ao Korea Water Technology Certification Institute.
Lee, integrante da Comissão de Clima, Energia, Meio Ambiente e Trabalho da Assembleia Nacional, pediu uma investigação sobre as causas das detecções. Também instou o ministério a incluir as substâncias nas normas de higiene e segurança e a estabelecer prontamente os métodos oficiais de teste correspondentes.
Não foi informada uma data para a adoção dos limites propostos nem para a conclusão dos métodos de teste. Ambos são importantes para a fiscalização: um teto numérico informa aos fabricantes o que é permitido, enquanto um método comum indica aos laboratórios como fazer a medição.
O que significariam os limites propostos
Os pesquisadores sul-coreanos propuseram três limites de migração para materiais de abastecimento de água feitos com resina epóxi: 0,07 miligrama por litro para tolueno, 0,03 miligrama por litro para etilbenzeno e 0,05 miligrama por litro para xileno.
Cada limite proposto corresponde a um décimo do padrão de qualidade da água potável para a substância. Em unidades menores, os limites são 70 microgramas por litro para tolueno, 30 para etilbenzeno e 50 para xileno. Um micrograma equivale a um milésimo de miligrama.
Um limite de migração para produtos controla a contribuição de um material testado em condições definidas. Um padrão de água potável se aplica à própria água. Estabelecer um limite mais baixo para o produto deixa margem para contribuições de outros componentes e fontes ao longo do percurso de abastecimento.
O artigo da EPA descreve uma abordagem semelhante na versão da norma ANSI/NSF 61 que analisa. Em geral, a concentração permitida para um produto é um décimo do limite regulatório ou orientativo aplicável. A norma estabelece requisitos mínimos de saúde para contaminantes que passam para a água potável a partir de componentes, materiais e produtos.
A certificação envolve mais do que colocar um tubo na água e coletar uma amostra. O documento da EPA descreve a análise das formulações químicas, da capacidade do produto e da temperatura máxima de operação prevista. As condições de teste podem variar conforme a área da superfície em contato com a água, o tempo de exposição, a limpeza, a imersão e o cronograma de amostragem.
Esses detalhes são especialmente relevantes para revestimentos epóxi, pois o contato com a água e a cura afetam a liberação de substâncias químicas. Uma norma sul-coreana aplicável precisaria combinar as concentrações propostas com condições de teste reproduzíveis.
Estudos anteriores sobre epóxi explicam por que a aplicação importa
O artigo da EPA analisa experimentos com placas de aço revestidas com epóxi nos quais os solventes representaram 51% do material liberado pelo revestimento. Entre os solventes identificados estavam a metil isobutil cetona e diferentes formas de xileno.
Com base nos resultados de experimentos laboratoriais de 30 dias, os pesquisadores estimaram taxas iniciais de liberação de solventes de 40 a 187 microgramas por litro por dia em tanques de armazenamento. Após 30 dias, as taxas estimadas caíram para 8 a 37 microgramas por litro por dia. Os números descrevem taxas de liberação ao longo do tempo.
Observações em campo corroboraram a preocupação com os solventes residuais: metil isobutil cetona e xilenos foram detectados na água que saía de dois dos três tanques de armazenamento monitorados um mês depois da aplicação do epóxi.
Experimentos da cidade de Calgary também revelaram grandes diferenças entre produtos de epóxi. A água mantida por 72 horas em contato com cinco resinas epóxi apresentou concentrações combinadas de BTEX entre 0,2 e 48,0 miligramas por litro. BTEX é o nome coletivo de benzeno, tolueno, etilbenzeno e xilenos.
Esses estudos anteriores envolveram seus próprios revestimentos, métodos de preparação e condições de contato com a água. Em conjunto, eles explicam por que os órgãos reguladores avaliam tanto a composição do material quanto a forma de aplicação do revestimento interno. A análise da EPA concluiu que a liberação de aditivos orgânicos geralmente diminuiu com o tempo, o que torna a preparação antes do uso uma etapa importante para controlar as liberações iniciais.
Conectores plásticos revelam outra via de contaminação da água
Um estudo separado, publicado em 1º de agosto de 2024, examinou sete conectores plásticos para abastecimento de água, incluindo produtos usados em torneiras, eletrodomésticos e máquinas de lavar. Os autores, Kristofer P. Isaacson, Halley Le, Akshat Verma, Jeffrey P. Youngblood, Amisha D. Shah e Andrew J. Whelton, estudaram tanto a liberação de substâncias químicas por produtos novos quanto o que acontecia após a exposição à água contaminada.
O estudo sobre conectores de água constatou que tubos novos de PVC liberaram fenol em concentrações de 1,3 a 6,4 miligramas por litro. Durante o primeiro período de exposição, o PVC transparente ultrapassou o limite de orientação de saúde da EPA dos EUA, de 6 miligramas por litro para exposição de um dia.
Os conectores foram descritos como certificados segundo a norma NSF/ANSI 61. Os pesquisadores também mencionaram estudos anteriores que identificaram tolueno, etilbenzeno e xilenos entre as substâncias químicas liberadas por tubos plásticos.
Conectores flexíveis ficam perto dos pontos de uso da água, como embaixo de uma torneira de cozinha ou ao lado de uma geladeira. Sua composição é diferente da dos tubos rígidos; por isso, examinar apenas o tubo principal deixa sem análise parte do percurso até a torneira.
Por que a lavagem após uma contaminação pode exigir mais trabalho
O estudo de 2024 sobre conectores também examinou outra situação: contaminantes que entram no encanamento pela água afetada por hidrocarbonetos. Os pesquisadores expuseram os conectores por 24 horas a água contaminada com tolueno a 6.620 microgramas por litro, etilbenzeno a 292 e xilenos totais a 2.513.
Os materiais absorveram mais de 90% dos contaminantes de hidrocarbonetos durante a exposição inicial. Em seguida, os pesquisadores drenaram e enxaguaram os conectores e os encheram com água de teste limpa por três períodos consecutivos de 72 horas. As substâncias químicas voltaram a migrar dos plásticos para a água, às vezes em concentrações acima dos limites de saúde.
Isaacson e os demais pesquisadores descreveram o resultado no resumo do estudo:
A maior parte da massa sorvida permaneceu nos plásticos ao fim do processo de descontaminação, indicando que os produtos continuavam apresentando riscos de liberação.
Nesse contexto, sorção significa que um material absorve substâncias químicas da água com a qual está em contato. Depois, a água limpa pode retirar parte dessas substâncias do material. Essa constatação é relevante para a recuperação após incidentes como derramamentos de produtos químicos ou incêndios florestais, quando a substituição da água contaminada pode deixar substâncias químicas retidas nos materiais do encanamento.
Que mudanças poderiam responder aos resultados sul-coreanos
Os pesquisadores sul-coreanos recomendaram iniciar controles por etapas pelos tubos de água revestidos com epóxi que apresentam altos níveis de migração. Também defenderam apoio para ajudar os fabricantes a adotar revestimentos que usem menos solvente ou nenhum.
Os pesquisadores citaram avaliações toxicológicas realizadas no exterior que descrevem possíveis efeitos no fígado, nos rins e no sistema nervoso, dependendo da via e da quantidade de exposição. Para os fornecedores de água e os órgãos reguladores, a tarefa prática é medir a liberação de substâncias químicas de modo consistente e controlar os produtos antes que eles entrem no sistema de abastecimento.
O monitoramento sul-coreano, a análise da EPA e os experimentos com conectores identificam diferentes etapas desse processo: substâncias químicas residuais da fabricação, aplicação e cura dos revestimentos, e substâncias absorvidas durante um episódio de contaminação. Todas exigem atenção ao material em contato com a água, além de testes da água que chega aos consumidores.
Pontos principais
- Testes de 587 produtos para abastecimento de água na Coreia do Sul detectaram tolueno em 174, etilbenzeno em 102 e xileno em 120.
- Entre 45 tubos de aço revestidos com epóxi, o xileno foi encontrado em 44 e o etilbenzeno em 41.
- As normas atuais de higiene e segurança dos materiais não estabelecem limites de migração para os três solventes.
- Os pesquisadores propuseram limites equivalentes a um décimo dos padrões correspondentes para água potável e recomendaram começar os controles pelos tubos revestidos com epóxi que apresentam altas liberações.
- Os resultados sul-coreanos vieram de testes laboratoriais de produtos. Para avaliar a exposição doméstica, são necessárias medições que reflitam o uso real da água.
- Pesquisas separadas destacam a importância de curar adequadamente os revestimentos e avaliar os conectores plásticos após uma contaminação química.






