Dois milhões de pacientes impulsionam a aposta da Indonésia na saúde
A Indonésia pretende economizar Rp 150 trilhões em divisas ao convencer pacientes a receber tratamento no país, além de obter Rp 200 trilhões em receitas de pacientes internacionais, enquanto desenvolve zonas econômicas especiais de saúde em Sanur, Bali, e Batam.
Conteúdo
- Dois milhões de pacientes impulsionam a aposta da Indonésia na saúde
- Como os cálculos das metas financeiras se compõem
- O plano de Sanur começou com projeções menores de pacientes
- O que os pacientes encontram em Sanur
- Médicos e licenças são centrais para a estratégia
- Por que os pacientes escolhem tratamentos no exterior
- Os investimentos vão além das zonas turísticas
- Pacientes estrangeiros e empregos moldam a próxima etapa
- Principais pontos
O ministro coordenador de Assuntos Econômicos, Airlangga Hartarto, apresentou essas ambições em uma reunião nacional sobre zonas econômicas especiais, realizada no Gedung A.A. Maramis, no centro de Jacarta, em 21 de outubro de 2026. Ele afirmou que cerca de 2 milhões de indonésios gastam aproximadamente Rp 200 trilhões em tratamentos no exterior, inclusive em Singapura e Penang, na Malásia.
Os cálculos do governo consideram gastos de Rp 75 milhões por cada paciente indonésio que passe a receber atendimento no país e de Rp 160 milhões por cada um dos 1,25 milhão de pacientes internacionais que a Indonésia pretende atrair. Não foi estabelecido prazo para alcançar essas novas metas.
Sanur oferece o exemplo mais claro de como a estratégia funcionaria. O desenvolvimento reúne o Bali International Hospital, clínicas especializadas, hotéis e outras instalações em uma área de cerca de 41 hectares. Batam também aparece nos planos de expansão, embora Airlangga tenha fornecido menos detalhes sobre as instalações médicas da região.
A Indonésia quer mudar tanto o local onde seus cidadãos recebem atendimento quanto o destino dos gastos de pacientes estrangeiros. O sucesso depende de mais do que inaugurar edifícios: os pacientes precisam encontrar os especialistas, as opções de tratamento e o atendimento que hoje procuram no exterior.
Como os cálculos das metas financeiras se compõem
O cálculo de economia apresentado por Airlangga abrange um grande número de pacientes. Com Rp 75 milhões por pessoa, alcançar Rp 150 trilhões exigiria redirecionar 2 milhões de pacientes, o equivalente a todo o grupo que ele citou como viajante ao exterior. Atrair 1,25 milhão de pacientes internacionais que gastem Rp 160 milhões cada gera a meta separada de Rp 200 trilhões em receitas.
Economizar divisas significa manter na economia nacional o dinheiro que os indonésios gastariam no exterior. As receitas em divisas vêm dos pagamentos feitos por pacientes estrangeiros por serviços na Indonésia. Hospitais, laboratórios e fornecedores de hospedagem podem receber esses gastos em diferentes etapas da visita de um paciente.
As estimativas do governo para a saída atual de recursos variam. Airlangga calculou o valor em cerca de Rp 200 trilhões, enquanto o ministro das Empresas Estatais, Erick Thohir, citou quase Rp 150 trilhões no lançamento de Sanur, em 25 de junho de 2025. Um estudo acadêmico descreve transações superiores a Rp 180 trilhões e mais de 1 milhão de indonésios viajando ao exterior por ano.
Dados do projeto atribuem a Singapura e à Malásia 74% dos viajantes indonésios em busca de tratamento médico. Aplicada a uma população de 2 milhões, essa proporção representaria cerca de 1,48 milhão de pessoas. Esses destinos são, portanto, tanto os principais concorrentes dos prestadores indonésios quanto os lugares de onde o governo mais deseja reter pacientes.
A diretora-executiva da InJourney, Maya Watono, descreveu uma meta gradual para o desenvolvimento de Sanur: conter Rp 50 trilhões em saídas de recursos no primeiro ano e, depois, chegar a cerca de Rp 200 trilhões em três anos, combinando a retenção de pacientes indonésios com a atração de pacientes estrangeiros. Isso reúne dois benefícios financeiros que as metas mais recentes de Airlangga apresentam separadamente.
O plano de Sanur começou com projeções menores de pacientes
O Conselho Nacional de Zonas Econômicas Especiais aprovou a proposta de Sanur em 22 de julho de 2022, durante uma reunião presidida por Airlangga. O comunicado de aprovação de Sanur projetava que, até 2030, entre 123 mil e 240 mil indonésios que antes buscavam atendimento no exterior passariam a receber tratamento na zona.
O conselho descreveu esse intervalo como 4% a 8% dos indonésios que antes viajavam ao exterior para receber tratamento. Até 2045, projetou uma economia acumulada de Rp 86 trilhões em divisas e receitas adicionais de Rp 19,6 trilhões. Esses números se referem a Sanur em períodos determinados, enquanto o anúncio mais recente abrange uma estratégia mais ampla de zonas de saúde.
Os principais marcos mostram como o projeto passou da aprovação à operação e a ambições de política pública mais abrangentes:
- 22 de julho de 2022: O conselho nacional de Zonas Econômicas Especiais aprovou a proposta de Sanur e recomendou sua criação por meio de um regulamento governamental.
- 25 de junho de 2025: Thohir discursou no lançamento oficial das instalações de Sanur e do Bali International Hospital.
- Julho de 2026: O Ministério da Saúde apresentou um programa mais amplo de investimentos em tecnologia e hospitais para reduzir a procura por tratamentos no exterior.
- 21 de outubro de 2026: Airlangga apresentou as metas mais recentes de economia e de pacientes internacionais, mencionando Sanur e Batam.
- 2030 e 2045: O plano original de Sanur estabelece metas de redirecionamento de pacientes e projeções financeiras acumuladas para esses anos.
O que os pacientes encontram em Sanur
O Bali International Hospital é o único hospital dentro da zona de Sanur. Ele ocupa mais de 67 mil metros quadrados e oferece seis especialidades: cardiologia, oncologia, neurologia, gastroenterologia, hepatologia e ortopedia. Essas áreas abrangem o coração, o câncer, o sistema nervoso, o sistema digestivo, o fígado e os ossos e articulações.
Os serviços do hospital contam com o apoio de parcerias com instituições da Austrália, do Japão e de Singapura. O plano governamental de 2022 também registrou o compromisso da PT Pertamina Bina Medika, conhecida como IHC, de construir um hospital internacional em cooperação com a Mayo Clinic.
O projeto mais amplo de Sanur pretende reunir atendimento médico, hospedagem para recuperação e turismo. Entre os serviços planejados estão tratamentos de fertilidade, oftalmologia, atendimento a idosos, cirurgia estética e instalações para terapia com células-tronco. O plano original também incluía um jardim botânico dedicado a plantas medicinais, um centro comercial e espaços para reuniões, conferências e exposições.
Dois hotéis integram a estrutura de hospedagem: o Bali Beach Hotel, inaugurado em 1966, e o Meru Sanur Hotel. Para pacientes que viajam com familiares ou ficam na região durante a recuperação, a hospedagem passa a fazer parte do custo e da organização prática do tratamento.
A diretora-executiva da InJourney Hospitality, Christine Hutabarat, afirmou que a empresa passou cerca de três anos avaliando mais de 300 clínicas antes de escolher parceiros. O processo incluiu reuniões com médicos e análises de suas competências, colocando a seleção de prestadores de serviços médicos, ao lado da construção, entre as principais etapas do projeto.
Médicos e licenças são centrais para a estratégia
A Indonésia enfrenta uma falta de cerca de 70 mil médicos especialistas. As zonas de saúde pretendem recorrer a profissionais estrangeiros e a indonésios formados no exterior, além de permitir que médicos do país trabalhem com colegas internacionais.
Médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde estrangeiros já podem obter licenças para trabalhar em Sanur, com autorização restrita à zona, conforme os acordos descritos para o projeto. No anúncio de outubro, Airlangga defendeu a simplificação das licenças profissionais para trabalhadores da saúde indonésios e estrangeiros nas zonas econômicas especiais de saúde.
Noel Yeo, diretor comercial e operacional do Bali International Hospital, explicou por que o acesso a profissionais internacionais é importante para os pacientes que o hospital pretende atender:
Muitos indonésios que viajam ao exterior para buscar atendimento médico saem do país justamente para ter acesso a profissionais como estes,
Rio Marnoto, cirurgião vascular indonésio do hospital que se formou na Alemanha, descreveu as dificuldades enfrentadas anteriormente por médicos formados no exterior que tentavam trabalhar na Indonésia. Segundo ele, profissionais que voltam ao país podem ajudar a incorporar sistemas internacionais ao atendimento nacional.
Airlangga também pediu apoio regulatório para centros de diagnóstico e pesquisas com células-tronco e instou o Ministério da Saúde a acelerar as revisões relativas a instalações e incentivos nas zonas econômicas especiais de saúde. Os centros de diagnóstico realizam exames que ajudam os médicos a identificar doenças e escolher tratamentos. A pesquisa com células-tronco estuda células capazes de se desenvolver em tipos especializados, e cada aplicação exige avaliação científica e regulatória própria.
Por que os pacientes escolhem tratamentos no exterior
A confiança dos pacientes é um dos principais desafios do programa de investimentos. Um estudo qualitativo publicado na plataforma acadêmica da Universitas Indonesia, Por que os indonésios viajam ao exterior, entrevistou 18 pessoas ligadas a Makassar, Surabaya e Batam, entre elas pacientes que recebiam atendimento em Singapura e na Malásia.
Os pesquisadores identificaram cinco fatores que influenciam a decisão de viajar: recomendações de outras pessoas, insatisfação com os serviços médicos nacionais, experiências anteriores de tratamento no exterior, influência da família e encaminhamentos médicos. Nas entrevistas, a desconfiança nos serviços de saúde da Indonésia foi o fator de maior influência.
Os participantes relataram insatisfação com os planos de tratamento, a interação entre médicos e pacientes e o sistema de saúde. Experiências negativas no país, somadas a experiências positivas no exterior, incentivavam os pacientes a voltar a buscar atendimento fora e a recomendar esses serviços a outras pessoas.
O estudo usou entrevistas detalhadas para compreender decisões pessoais, e os autores afirmaram que não foi possível estabelecer de forma definitiva a saturação completa dos dados. Em termos simples, eles não tinham certeza de que novas entrevistas deixariam de revelar temas inéditos. A recomendação foi melhorar a experiência dos pacientes.
Para um hospital que pretende manter pacientes indonésios no país, isso significa que a consulta é tão importante quanto os equipamentos. O paciente precisa entender o diagnóstico, o tratamento proposto e o que acontecerá em seguida. Familiares e pacientes atendidos anteriormente também influenciam a sensação de segurança ao escolher um prestador nacional.
Os investimentos vão além das zonas turísticas
O programa mais amplo do Ministério da Saúde prevê investimentos em hospitais e tecnologias em toda a Indonésia. A diretora-geral de Produtos Farmacêuticos e Dispositivos Médicos, Rizka Andalucia, descreveu planos para modernizar hospitais em 66 distritos e cidades que não contam com um hospital do tipo C, ou de nível intermediário, e equipar hospitais de referência com tecnologias mais avançadas.
As quatro áreas prioritárias são câncer, doenças cardíacas, acidente vascular cerebral e urologia e nefrologia, que abrangem o sistema urinário e os rins. O ministério as identifica como motivos importantes para os indonésios buscarem tratamento no exterior. Entre as tecnologias planejadas estão cirurgia robótica, inteligência artificial, genômica e terapia de prótons.
A cirurgia robótica permite que cirurgiões controlem instrumentos especializados durante uma operação. A genômica analisa informações genéticas que podem ajudar a orientar diagnósticos ou tratamentos. A terapia de prótons usa feixes de prótons para direcionar a radiação contra o câncer; ao apresentar o programa, o ministério afirmou que esse serviço ainda não estava disponível na Indonésia.
Hospitais privados também estão investindo em cirurgia robótica e medicina nuclear, que usa substâncias radioativas para diagnóstico ou tratamento. O ministério quer simplificar as regras de investimento e promover joint ventures e transferência de tecnologia para apoiar a expansão. Uma parceria entre a Kalbe Farma e a GE HealthCare já produz tomógrafos na Indonésia.
Os dados da Conta Nacional de Saúde apontam gastos com saúde de Rp 613 trilhões em 2023, Rp 630 trilhões em 2024 e uma estimativa de Rp 660 trilhões em 2025. O aumento entre 2023 e a estimativa para 2025 é de Rp 47 trilhões, ou cerca de 7,7%. Assim, os investimentos em turismo médico avançam paralelamente ao aumento mais amplo dos gastos nacionais com saúde e aos esforços para suprir carências básicas no acesso a hospitais.
Pacientes estrangeiros e empregos moldam a próxima etapa
Sanur mira pacientes da Austrália, Singapura, Malásia, Coreia do Sul, Japão, Europa, América do Norte, outros países da ASEAN e do Oriente Médio. Representantes do projeto afirmam que 40% dos pacientes cadastrados no Bali International Hospital são indonésios e 60% são estrangeiros, de mais de 30 nacionalidades.
A parcela internacional oferece ao hospital uma base já existente para crescer, enquanto a Indonésia busca espaço no mercado de turismo médico do Sudeste Asiático. Esse mercado foi avaliado em mais de US$ 48 bilhões, com previsão de crescimento anual superior a 12%. A combinação de serviços médicos e hospedagem em Sanur coloca a região na disputa tanto pelos gastos com tratamentos quanto pelas estadias mais longas que podem acompanhá-los.
As projeções de emprego também variam conforme a escala considerada. A proposta de 2022 do conselho nacional de Zonas Econômicas Especiais previa investimentos de Rp 10,2 trilhões e a criação de 43.647 empregos. Mais tarde, representantes do projeto estimaram a geração de 12 mil empregos em três anos, com a expansão dos serviços médicos e de hospedagem.
No lançamento de junho de 2025, Thohir afirmou que o governo pretendia reproduzir o modelo de Sanur em outras regiões. Ele também defendeu a cooperação com o diretor-executivo da Danantara, Rosan Perkasa Roeslani, para apoiar investimentos de longo prazo, com o órgão estatal de investimentos voltado às operações e a investimentos sustentáveis.
A tarefa imediata de Sanur é transformar suas instalações, mudanças nas licenças e parcerias em serviços que os pacientes escolham repetidamente. A inclusão de Batam amplia a ambição do governo, enquanto a modernização de hospitais em outras regiões atende a necessidades que vão além do turismo médico. Em conjunto, essas iniciativas associam o esforço para manter os gastos no país à questão prática que cada paciente enfrenta: onde conseguir o atendimento de que precisa.
Principais pontos
- Airlangga pretende economizar Rp 150 trilhões mantendo pacientes indonésios no país e obter Rp 200 trilhões em receitas de pacientes internacionais.
- O cálculo da economia considera 2 milhões de pacientes que gastariam Rp 75 milhões cada; a meta de receitas prevê 1,25 milhão de visitantes que gastariam Rp 160 milhões cada.
- Sanur reúne o Bali International Hospital, serviços especializados e hospedagem; Batam também faz parte da estratégia de zonas de saúde.
- A simplificação das licenças pretende atrair profissionais de saúde indonésios e estrangeiros em meio à falta de cerca de 70 mil especialistas.
- Um estudo sobre as experiências dos pacientes identificou desconfiança, insatisfação com os serviços e recomendações pessoais como fatores importantes na busca por tratamento no exterior.
- O plano original de Sanur estabelece metas para 2030 e 2045. As metas financeiras nacionais mais recentes não têm prazo anunciado.






