Oito fábricas inspecionadas, nenhuma estação de tratamento em funcionamento
Um projeto de Tk 6,5 crore para restaurar o rio Haridhoa, em Narsingdi, está avançando enquanto resíduos industriais sem tratamento continuam sendo despejados em suas águas. Durante uma recente visita de reportagem às três upazilas atravessadas pelo rio, foram visitadas oito fábricas equipadas com estações de tratamento de efluentes. Nenhuma delas estava em funcionamento no momento, e resíduos de diversos estabelecimentos industriais eram lançados diretamente no rio.
Conteúdo
- Oito fábricas inspecionadas, nenhuma estação de tratamento em funcionamento
- Equipamento instalado não comprova que o tratamento é feito
- Processo contra a Hajipur Drying
- Moradores relatam doenças, mas faltam dados sobre análises
- Resíduos domésticos se somam aos despejos industriais
- Restauração tem prazo e pausa sazonal
- Operações de desocupação não liberaram as duas margens
- Uma rota comercial por três upazilas
- Promessas de fiscalização enfrentam um teste operacional
- Principais pontos
As constatações expõem a diferença entre instalar equipamentos de controle da poluição e realmente utilizá-los. Md Badrul Huda, vice-diretor do Departamento do Meio Ambiente em Narsingdi, afirmou que 17 dos 18 estabelecimentos industriais ao longo do rio têm estações de tratamento. Ainda assim, a água continua completamente preta e com mau cheiro, mesmo depois que as chuvas de monção devolveram água ao leito.
O Departamento de Desenvolvimento Hídrico iniciou o projeto de restauração em agosto de 2025, com conclusão prevista para junho de 2027. Cerca de 15% das obras foram concluídas, segundo o engenheiro subdivisional interino Humayun Kabir. O projeto inclui escavação, proteção das margens e paisagismo, mas a continuidade do despejo de resíduos ameaça os ganhos ambientais que essas obras pretendem proporcionar.
Para os moradores, os danos já são pessoais. Eles relatam coceira e outros problemas de pele depois de entrar na água. No Hospital Sadar de Narsingdi, a médica responsável Farida Gulshana Kabir afirmou que, em média, de 14 a 16 pacientes por dia recebem tratamento para doenças que ela atribui à poluição do rio. Para os comerciantes do Boro Bazar, a degradação do rio também significou perder uma rota que antes levava mercadorias e clientes ao mercado.
Equipamento instalado não comprova que o tratamento é feito
Uma estação de tratamento de efluentes, ou ETE, trata as águas residuais da produção industrial antes que sejam reutilizadas ou descartadas. A presença de uma estação em uma fábrica não comprova que as águas residuais estejam passando por ela, que o equipamento esteja funcionando corretamente ou que a água descartada atenda aos padrões exigidos.
As normas governamentais exigem que os setores industriais em questão tenham estações de tratamento. Moradores e ativistas ambientais alegam que algumas fábricas as instalaram principalmente para demonstrar conformidade ou evitar punições, mas continuam liberando resíduos sem tratamento. Também há denúncias de que as estações são ligadas durante inspeções oficiais, em vez de funcionar sempre que as águas residuais precisam ser tratadas.
A visita a oito fábricas oferece uma constatação específica: as oito estações de tratamento estavam paradas no momento da inspeção. Isso não permite determinar há quanto tempo cada estação estava desligada, se todas as unidades estavam produzindo ou com que frequência cada fábrica utiliza seus equipamentos. Ainda assim, a constatação independente de que resíduos eram lançados diretamente no rio torna o tratamento efetivo, e não a simples posse do equipamento, uma questão central.
As oito fábricas representam cerca de 47% dos 17 estabelecimentos que, segundo Huda, têm ETEs. É uma parcela considerável das fábricas equipadas, embora a visita não tenha sido apresentada como uma pesquisa representativa. Não foram fornecidos registros de operação, medições dos despejos ou resultados laboratoriais que indiquem quanto cada estabelecimento contribui para a poluição.
Processo contra a Hajipur Drying
Huda identificou a Hajipur Drying como o estabelecimento alvo de um processo por não instalar uma ETE, apesar de repetidos avisos. Segundo ele, a medida legal imediata foi tomada contra a única fábrica que, de acordo com seu relato, não tem o equipamento. Já a fiscalização das fábricas que têm estações, mas não as operam, é uma questão distinta.
Os relatos divergem quanto à dimensão da falta de equipamentos. Algumas descrições afirmam que muitas fábricas às margens do rio não têm ETEs, enquanto a contagem específica de Huda aponta 18 estabelecimentos, dos quais todos, exceto um, estão equipados. Não há um inventário separado das fábricas que permita confirmar qual contagem está correta ou se as descrições se referem aos mesmos estabelecimentos.
Os relatos detalhados da declaração de Huda descrevem consistentemente o processo contra a Hajipur Drying como relacionado à falta de instalação de uma estação. Não foram informados a data de abertura, o número do processo, a data da audiência nem uma decisão judicial. Portanto, o caso não deve ser tratado como uma condenação nem como prova de que o problema mais amplo dos despejos sem tratamento foi resolvido.
Moradores relatam doenças, mas faltam dados sobre análises
Os moradores Rafiqul Islam e Saiful Rahman atribuem a situação do rio tanto aos resíduos industriais quanto ao lixo doméstico. Eles dizem que as pessoas que entram na água desenvolvem coceira e problemas de pele semelhantes à sarna. Esses relatos descrevem sintomas e uma exposição suspeita, não diagnósticos confirmados para todas as pessoas afetadas.
Almas Mia, morador da margem do rio na região de Putia Bazar, relembrou a época em que as famílias tomavam banho no Haridhoa, usavam sua água para cozinhar e comiam peixes pescados ali. Ao descrever as condições atuais, ele afirmou:
Agora é impossível até ficar ao lado deste rio por causa do cheiro.
A estimativa de Farida Gulshana Kabir, de 14 a 16 pacientes por dia, dá uma dimensão dos casos atendidos no Hospital Sadar de Narsingdi. No entanto, não foram informados o período a que essa média se refere, a discriminação dos diagnósticos ou como os casos foram relacionados à exposição ao rio. Esse número não deve ser convertido em um total anual nem considerado uma contagem de todas as pessoas afetadas no distrito.
A água preta e o cheiro forte são sinais visíveis de degradação, mas não identificam substâncias químicas específicas nem suas concentrações. Não foram apresentados resultados de análises da água nos trechos afetados. Isso limita as conclusões sobre contaminantes específicos, embora os relatos dos moradores e a avaliação da médica do hospital apontem para um grave problema de saúde pública.
Resíduos domésticos se somam aos despejos industriais
As águas residuais industriais não são a única fonte de poluição do rio. Lixo doméstico, água suja de povoados próximos e resíduos dos mercados também chegam ao Haridhoa. Plástico se acumula nas margens e no leito, junto com aguapés e camadas de lodo em decomposição.
Huda afirmou que os resíduos das atividades cotidianas das pessoas contribuem para a poluição. Ariful Islam, comerciante do Boro Bazar, também descreveu uma combinação de despejos sem tratamento de fábricas de tingimento, têxteis e outros setores, além de águas residuais de casas e mercados.
Essa combinação é importante para a restauração. Interromper os despejos das fábricas enfrentaria uma das principais fontes de contaminação relatadas, mas não impediria que moradores e mercados continuassem descartando resíduos. A escavação pode remover o material acumulado e melhorar o leito, mas novos resíduos podem chegar aos mesmos trechos se as práticas de descarte não mudarem.
Os moradores também dizem que não há mais peixes no rio. Trata-se de uma observação local, não do resultado de um levantamento publicado sobre a população de peixes. Não há contagem de espécies nem avaliação ecológica que determine a dimensão da perda, mas a afirmação acrescenta outra dimensão à degradação de um rio antes usado tanto para obter alimento quanto para transporte.
Restauração tem prazo e pausa sazonal
O orçamento de Tk 6,5 crore equivale a Tk 65 milhões. O Departamento de Desenvolvimento Hídrico afirma que o projeto pretende melhorar o meio ambiente com a retomada da escavação, a proteção das margens e o paisagismo. Kabir disse que a iniciativa faz parte dos esforços para enfrentar as mudanças climáticas.
Com cerca de 15% concluídos, aproximadamente 85% das obras ainda estão por fazer. Kabir afirmou que o trabalho restante começará quando o nível da água do rio começar a baixar e demonstrou confiança de que será concluído dentro do prazo previsto. Não foi informada uma data exata para a retomada.
As principais datas e etapas relatadas são:
- 2024 a 2026: Cerca de 60 estruturas foram removidas em 10 operações de desocupação, segundo o Departamento de Desenvolvimento Hídrico.
- Agosto de 2025: Começaram as obras do projeto de restauração do rio, orçado em Tk 6,5 crore.
- Progresso mais recente informado: Cerca de 15% das obras do projeto estavam concluídas; a continuidade depende da baixa do nível da água.
- Junho de 2027: Prazo previsto para a conclusão do projeto.
O percentual de avanço, por si só, não comprova que o projeto esteja atrasado. A escavação pode depender das condições do rio, e não foram fornecidos um cronograma detalhado das obras nem uma discriminação dos gastos. O dado, porém, mostra quanto ainda precisa ser concluído antes do prazo.
O escopo descrito para o projeto se concentra no leito e nas margens do rio. Não há informação de que o orçamento também cubra a operação das estações de tratamento das fábricas, a coleta de resíduos domésticos ou um programa contínuo de análise da água. Esses são aspectos distintos do problema, embora todos influenciem a recuperação do rio.
Operações de desocupação não liberaram as duas margens
Kabir afirmou que cerca de 60 estruturas foram removidas em 10 operações entre 2024 e 2026. Apesar dessas ações, ainda há construções ilegais nas duas margens. Não foi informado o número total de estruturas restantes nem um cronograma para novas remoções.
As remoções mostram que houve fiscalização, mas a quantidade de estruturas retiradas não permite determinar quanto terreno às margens do rio foi recuperado. Não há medições da área liberada, das ocupações restantes ou da largura do leito antes e depois das operações.
Haldhar Das, secretário-geral da organização Shushashoner Jonno Nagorik em Narsingdi, defendeu a operação efetiva das ETEs e a remoção das ocupações irregulares. Seu argumento relaciona duas pressões distintas: a poluição que chega à água e as estruturas que ocupam espaços pertencentes ao rio.
Uma rota comercial por três upazilas
O Haridhoa se estende por cerca de 40 quilômetros, desde Alipura Bazar, em Shibpur, passa por Palash e Narsingdi Sadar e deságua no Meghna, perto do antigo atracadouro da delegacia no Boro Bazar. Seu percurso antes conectava povoados e comerciantes a um dos mercados mais movimentados do distrito.
Barcos à vela e embarcações maiores levavam mercadorias ao mercado, enquanto compradores também viajavam pelo rio. Tausif Ahmed, que afirma trabalhar no Boro Bazar desde a independência de Bangladesh, relembrou como pessoas vinham de lugares distantes com mercadorias e voltavam de barco depois das compras.
Os relatos descrevem o transporte fluvial como interrompido ou quase interrompido. Alguns apontam especificamente a estação seca como o período em que o comércio pela água para. O que eles têm em comum é a constatação de que a poluição e a perda de navegabilidade privaram o rio de seu antigo papel como rota de transporte barata e conveniente.
Navegabilidade é a possibilidade de embarcações percorrerem um curso d'água com profundidade e acesso suficientes. Na estação seca, trechos do leito do Haridhoa ficam expostos como bancos de areia, enquanto outros conservam lodo fétido e plástico. O retorno da água após as chuvas de monção não restabelece, por si só, uma rota navegável nem limpa o rio.
Não foram informados volumes de carga, comparações de custos de transporte ou dados de renda dos mercados. Portanto, não é possível expressar a perda econômica em um valor monetário confiável. Ainda assim, os depoimentos dos comerciantes documentam o desaparecimento de um serviço em torno do qual o comércio local antes se desenvolveu.
Promessas de fiscalização enfrentam um teste operacional
A comissária adjunta de Narsingdi, Israt Jahan Keya, afirmou que a administração está trabalhando com as partes interessadas para proteger os rios do distrito. Segundo ela, autoridades se reúnem regularmente com representantes da indústria, pedem que tratem as águas residuais antes do despejo e monitoram se as ETEs continuam funcionando.
Huda também afirmou que o Departamento do Meio Ambiente está atento à entrada de resíduos industriais sem tratamento no rio. Essas garantias coexistem com a constatação de que nenhuma das estações de tratamento das oito fábricas visitadas estava funcionando. Não foram informadas a frequência exata das inspeções oficiais nem seus resultados.
Várias decisões continuam pendentes: o desfecho do processo contra a Hajipur Drying, o calendário de novas operações de desocupação e a data de retomada da escavação. Junho de 2027 é o prazo definido para a conclusão do projeto de restauração. Não há um prazo separado para pôr fim aos despejos sem tratamento.
A distinção central está entre restaurar o leito físico do rio e impedir que novas fontes de poluição cheguem a ele. Escavação, proteção das margens e paisagismo enfrentam parte da degradação. A recuperação de águas utilizáveis e de uma rota de transporte funcional no Haridhoa também depende de as fábricas tratarem suas águas residuais e de as comunidades próximas deixarem de usar o rio como local de descarte de resíduos.
Principais pontos
- Foram visitadas oito fábricas com ETEs; nenhuma das estações estava funcionando no momento.
- O Departamento do Meio Ambiente afirma que 17 dos 18 estabelecimentos industriais ao longo do rio têm estações de tratamento.
- A Hajipur Drying responde a um processo por não instalar uma ETE, apesar de repetidos avisos.
- O projeto de restauração, orçado em Tk 6,5 crore, está cerca de 15% concluído e tem conclusão prevista para junho de 2027.
- Cerca de 60 estruturas foram removidas em 10 operações de desocupação entre 2024 e 2026, mas as ocupações irregulares continuam.
- Uma médica do hospital relata atender, em média, de 14 a 16 pacientes por dia por doenças atribuídas à poluição.
- Resíduos industriais, lixo doméstico, plástico e a perda de navegabilidade ameaçam a recuperação do rio.






