Primeiro-ministro orienta Rajuk a rejeitar projetos que aterrem corpos d’água em Dhaka, diz ministro do Meio Ambiente

10 min de leitura
PM Tells Rajuk to Reject Projects That Fill Dhaka Water Bodies, Environment Minister Says

Corpos d’água de Dhaka enfrentam nova restrição de aprovação

O primeiro-ministro Tarique Rahman instruiu a Rajdhani Unnayan Kartripakkha (Rajuk), autoridade de desenvolvimento urbano de Dhaka, a não aprovar projetos que envolvam o aterramento de corpos d’água na capital, informou em 3 de outubro de 2026 o ministro de Estado do Meio Ambiente, Florestas e Mudanças Climáticas, Sheikh Faridul Islam.

Conteúdo
  1. Corpos d’água de Dhaka enfrentam nova restrição de aprovação
  2. O que a instrução significa para o desenvolvimento
  3. Decisões de julho estabelecem prazo separado para combater a poluição
  4. Fotografias relacionam rios a habitats de aves
  5. Registrando danos e tradições que desaparecem
  6. Conscientização pública passa a fazer parte da resposta
  7. Faltam detalhes sobre a implementação
  8. Principais pontos

O anúncio foi feito no Museu Nacional de Bangladesh durante a abertura de uma exposição fotográfica de quatro dias sobre rios e aves. Ele ocorre após uma reunião do governo em 12 de julho, que atribuiu à Rajuk a responsabilidade por melhorias no lago Gulshan e estabeleceu o prazo de seis meses para fechar ligações ilegais de despejo de resíduos nos lagos Gulshan e Baridhara.

Juntos, os dois anúncios tratam de diferentes pressões sobre as águas de Dhaka: a perda de corpos d’água devido ao desenvolvimento urbano e a contaminação daqueles que restam. A instrução mais recente diz respeito à aprovação de projetos, enquanto as decisões de julho tratavam de recuperação, limpeza e gestão de esgoto.

Faridul disse que o governo estava tomando medidas para enfrentar alagamentos, enchentes e poluição. Ele também anunciou a proibição de plásticos descartáveis e polietileno nos Sundarbans, a maior floresta de mangue de Bangladesh.

O ministro descreveu a proteção dos rios como parte de um esforço mais amplo para preservar a natureza para as futuras gerações:

Fico triste ao ver tantos rios que antes corriam com força agora lutando para seguir seu curso. Estamos trabalhando para recuperar seu fluxo natural, proteger os corpos d’água, conter a poluição por plástico e proteger rios, aves e o meio ambiente para as futuras gerações.

O anúncio estabelece uma diretriz declarada para as decisões de aprovação da Rajuk. Os relatos não divulgaram detalhes sobre como a instrução será aplicada, inclusive como serão tratados os projetos já aprovados.

Publicidade

O que a instrução significa para o desenvolvimento

O papel da Rajuk coloca a diretriz em uma etapa decisiva do desenvolvimento urbano: a decisão sobre se um projeto pode ou não seguir adiante. A descrição de Faridul foi específica para projetos que envolvam o aterramento de corpos d’água em Dhaka. Ele não anunciou a suspensão de toda construção ou desenvolvimento perto da água.

O aterramento de um corpo d’água substitui por terra firme um espaço que pode armazenar ou conduzir água. Em uma cidade que enfrenta alagamentos e enchentes, manter esse espaço é importante porque a água da chuva precisa de um local para se acumular e de um caminho para escoar. Proteger os corpos d’água pode, assim, contribuir para a drenagem e preservar habitats.

Essa relação ajuda a explicar por que o ministro falou sobre aprovação de projetos junto com a recuperação do fluxo natural dos rios. Impedir novos aterramentos protege os espaços aquáticos existentes; recuperar o fluxo trata da circulação da água por eles. Nenhuma dessas medidas, isoladamente, demonstra que a poluição ou as enchentes tenham sido resolvidas.

O anúncio não identificou projetos de desenvolvimento, incorporadores ou locais específicos afetados pela instrução. Também não apresentou um procedimento de revisão das aprovações, penalidades por descumprimento ou um cronograma de fiscalização. Esses detalhes determinarão como a restrição declarada será aplicada na prática.

Decisões de julho estabelecem prazo separado para combater a poluição

A instrução sobre aprovações vem após uma reunião na Divisão do Gabinete da Secretaria de Bangladesh, em 12 de julho de 2026. Na ocasião, Rahman pediu medidas coordenadas para proteger o meio ambiente e os corpos d’água de Dhaka, além da execução dentro do prazo dos projetos pertinentes.

A discussão abrangeu a recuperação e o desenvolvimento dos lagos Dhanmondi e Gulshan, iniciativas de limpeza em andamento e a instalação de estações de tratamento de esgoto em estabelecimentos residenciais e comerciais. As estações de tratamento processam águas residuais para reduzir os poluentes antes do descarte.

As autoridades decidiram tomar medidas para fechar, em seis meses, todas as ligações ilegais de despejo de resíduos nos lagos Gulshan e Baridhara. Contado a partir de 12 de julho, o prazo vai até janeiro de 2027. Não foi informada uma data de conclusão mais precisa.

Publicidade

A Rajuk recebeu a tarefa de liderar as atividades de limpeza, embelezamento e melhoria ambiental no lago Gulshan. O primeiro-ministro também recebeu informes sobre os projetos de recuperação e reurbanização do lago Dhanmondi, conduzidos pela Corporação Municipal de Dhaka Sul, a construção do Nazrul Sarobar e a instalação de sistemas de tratamento de esgoto vinculada à modernização da rede de saneamento da cidade.

As decisões atribuem à Rajuk duas responsabilidades distintas: melhorar um lago existente e, de acordo com a nova instrução anunciada, não aprovar projetos que aterrem corpos d’água. Um lago mais limpo ainda pode ser ameaçado pela ocupação irregular, enquanto um lago protegido ainda pode receber águas residuais poluídas. As duas medidas enfrentam riscos distintos.

A sequência dos anúncios é a seguinte:

  • 12 de julho de 2026: Rahman analisa iniciativas de recuperação de lagos e tratamento de esgoto, e atribui à Rajuk a liderança das melhorias no lago Gulshan.
  • 12 de julho de 2026: As autoridades estabelecem um prazo de seis meses para fechar ligações ilegais de despejo de resíduos nos lagos Gulshan e Baridhara.
  • 3 de outubro de 2026: Faridul anuncia a instrução do primeiro-ministro para não aprovar projetos que aterrem corpos d’água de Dhaka.
  • De 3 a 6 de outubro de 2026: A exposição River and Birds está prevista para o Museu Nacional de Bangladesh.
  • Janeiro de 2027: Termina o prazo de seis meses estabelecido em julho.

Fotografias relacionam rios a habitats de aves

A exposição, intitulada River and Birds, foi organizada pela Dhoritri Rokhhay Amra (DHORA). A inauguração ocorreu no Auditório Kabi Sufia Kamal do museu, e as fotografias ficaram expostas na Galeria Nalini Kanta Bhattashali de 3 a 6 de outubro.

Fotografias de rios feitas pelo fotojornalista e educador de fotografia Abir Abdullah foram exibidas ao lado de imagens de aves do fotógrafo de vida selvagem Ansar Uddin Khan Pathan. A combinação relacionou a situação dos rios e áreas úmidas de Bangladesh à vida selvagem que esses ambientes sustentam.

Pathan disse que rios e áreas úmidas saudáveis ajudam a proteger os habitats e as fontes de alimento das aves. Ele explicou a relação prática entre conservar as aves e preservar os lugares onde vivem:

Por isso, proteger as aves exige proteger os rios, as áreas úmidas e o ambiente natural ao redor deles.

Ele também descreveu a situação das aves como um indicador da saúde dos rios, das áreas úmidas e do meio ambiente em geral. Essa observação amplia a discussão para além da aparência ou da limpeza de um corpo d’água e considera se ele continua sustentando ecossistemas vivos.

Publicidade

Registrando danos e tradições que desaparecem

O Dr. Mujibur Rahman Howlader, ex-presidente da Comissão Nacional de Conservação dos Rios e integrante do comitê consultivo da DHORA, disse que documentar a ocupação irregular, a poluição e a degradação ambiental poderia ampliar a conscientização pública e tornar mais eficazes os esforços de proteção dos rios.

Seus comentários apontaram um propósito prático para a fotografia ambiental: mostrar os danos de uma forma que as pessoas possam reconhecer. A exposição foi apresentada como uma maneira de levar essas realidades ao público, embora não tenha sido anunciado nenhum processo formal para usar as fotografias em ações de fiscalização ou na análise de projetos.

Para Abdullah, a câmera também preserva a memória e a história. Ele disse que as fotografias contavam histórias de erosão fluvial, enchentes, resiliência humana e tradições que estão desaparecendo. A cultura das embarcações à vela e das corridas de barco estava se perdendo, acrescentou, alertando que seu desaparecimento significaria perder parte da identidade de Bangladesh.

Esses relatos colocam lado a lado dois tipos de mudança. A poluição e a ocupação irregular afetam as condições físicas dos rios, enquanto o desaparecimento de embarcações e tradições afeta a vida cultural construída em torno deles. Os comentários de Abdullah mostram por que preservar um rio pode ser importante para as comunidades por motivos que vão além da drenagem ou da qualidade da água.

O codiretor da DHORA, M. S. Siddiqui, que presidiu o evento, pediu mais profissionalismo, trabalho e pesquisa em fotografia. Ele disse que fotografar envolve respeito pelas pessoas, originalidade e responsabilidade, além de registrar cenas.

Conscientização pública passa a fazer parte da resposta

Mahbuba Farjana, secretária do Ministério da Informação e Radiodifusão, descreveu os rios e as aves como parte da natureza, cultura, herança e identidade de Bangladesh. Ela disse que os rios estavam secando e encolhendo, enquanto o canto dos pássaros se tornava cada vez mais raro.

Farjana relacionou a ação do governo à responsabilidade pública e ofereceu o apoio do ministério a iniciativas de conscientização:

Proteger o meio ambiente e os rios não é responsabilidade apenas do governo; cada cidadão precisa fazer a sua parte. O Ministério da Informação e Radiodifusão está pronto para apoiar iniciativas de conscientização pública.

Enam Ul Haque, fundador do Bangladesh Bird Club e ornitólogo, disse que fotografar rios e aves pode aprofundar o conhecimento e o interesse das pessoas por sua conservação. Sharif Jamil, secretário-geral da DHORA, também descreveu a exposição como uma iniciativa para incentivar o apreço pela natureza e ações de proteção dos rios, das áreas úmidas e dos habitats de aves.

Publicidade

Ativistas ambientais, jornalistas, fotógrafos, autoridades governamentais, representantes da sociedade civil e diplomatas participaram da inauguração. Foysal Ahmed, editor do River Bangla e integrante da DHORA, fez o discurso de boas-vindas, enquanto Jabbar Hossain, também integrante da DHORA, mediou o evento.

Faltam detalhes sobre a implementação

O próximo marco concreto é o fim do prazo de seis meses para fechar as ligações ilegais de despejo nos lagos Gulshan e Baridhara. O anúncio de outubro não informou quantas ligações foram fechadas, quantas ainda restavam ou se o trabalho estava dentro do cronograma.

Quanto à restrição para aprovação de projetos, os relatos trazem a declaração do ministro sobre a instrução do primeiro-ministro, mas não apresentam o texto de uma circular ou ordem por escrito da Rajuk. Não especificam a data em que a Rajuk recebeu a instrução, como os corpos d’água afetados serão identificados nem como serão tratados pedidos de aprovação contestados.

O anúncio sobre plásticos nos Sundarbans também não informa a data de início da proibição, as exceções, os mecanismos de fiscalização ou as penalidades. A medida deve ser entendida como uma iniciativa separada anunciada pelo ministro, e não como prova de uma proibição nacional que abranja todos os usos de plástico.

É importante distinguir uma instrução anunciada de resultados comprovados. O governo descreveu medidas contra o aterramento de corpos d’água, as águas residuais e a poluição por plástico. Seus efeitos dependerão das decisões de aprovação, do fechamento das ligações de despejo e da fiscalização da restrição nos Sundarbans.

Principais pontos

  • Faridul disse que Rahman instruiu a Rajuk a não aprovar projetos que aterrem corpos d’água em Dhaka.
  • Uma reunião de 12 de julho atribuiu à Rajuk a liderança das melhorias no lago Gulshan.
  • As autoridades estabeleceram um prazo de seis meses, até janeiro de 2027, para fechar ligações ilegais de despejo de resíduos nos lagos Gulshan e Baridhara.
  • O ministro também anunciou a proibição de plásticos descartáveis e polietileno nos Sundarbans.
  • A exposição River and Birds estava prevista para ocorrer de 3 a 6 de outubro no Museu Nacional de Bangladesh, com fotografias de Abir Abdullah e Ansar Uddin Khan Pathan.
  • Não foram anunciados detalhes sobre os procedimentos da restrição de aprovação nem sobre o andamento do cumprimento do prazo para as águas residuais.
Compartilhar esta matéria

Você também pode gostar