Quatro indicadores de poluição excedem os limites perto do Sangu
A água que escoava da usina de 100 MW de Dohazari Kaliaish, em Bangladesh, para o canal Moillya continha óleo e graxa em concentração 3,1 vezes superior ao limite permitido, sólidos em suspensão em concentração 4,4 vezes acima do limite e demanda química de oxigênio 3,9 vezes superior ao padrão, segundo testes do Departamento do Meio Ambiente. O pH da água também estava abaixo da faixa permitida.
Conteúdo
- Quatro indicadores de poluição excedem os limites perto do Sangu
- O que o teste da água comprova
- Um canal que liga resíduos, lavouras e o rio
- Agricultores relatam perda de água para irrigação e danos às plantações
- As enchentes expuseram o armazenamento de lodo da usina
- Por que autoridades de pesca alertam para os riscos ao oxigênio e à alimentação
- Das enchentes de julho aos resultados dos testes em outubro
- Números da limpeza se referem a volumes diferentes
- Medidas legais e prevenção ainda estão pendentes
- Principais pontos
O canal percorre cerca de três quilômetros até o rio Sangu, em Chagachar, na vila de Maleyabad. Os resultados vão além das queixas sobre água escura e mau cheiro: uma inspeção ambiental constatou que os quatro indicadores analisados estavam fora dos limites permitidos no ponto de lançamento da amostra.
O Departamento do Meio Ambiente, ou DoE, afirma que emitiu uma notificação e instruiu a usina do Conselho de Desenvolvimento de Energia de Bangladesh, em Satkania, Chattogram, a impedir que água poluída saia de suas instalações. Autoridades e a administração da usina dizem que o canal de escoamento foi fechado desde então. A adoção de novas medidas legais ficará a cargo do escritório regional do departamento.
O caso envolve vários problemas distintos: o escape de lodo durante as enchentes de julho, relatos posteriores de água oleosa entrando no canal, danos alegados por agricultores e pescadores e um grande volume de resíduos ainda armazenado dentro da usina. Fechar a saída resolve o problema do canal de escoamento, mas não comprova que a contaminação já presente no canal ou no rio tenha sido removida.
O que o teste da água comprova
O inspetor do DoE Moinuddin Faisal vistoriou a usina em 16 de setembro. Ele disse que foi coletada uma amostra de água escurecida que escoava por um dreno de dentro da usina para o canal Moillya, perto da rodovia entre Chattogram e Cox's Bazar. Os inspetores também foram ao ponto de encontro do canal com o Sangu e observaram água escurecida se espalhando pelo local.
Os três resultados numéricos medem diferentes aspectos da poluição. Óleo e graxa indicam contaminação oleosa. Sólidos em suspensão são partículas transportadas pela água, que podem reduzir a transparência e afetar animais aquáticos. A demanda química de oxigênio mede a quantidade de oxigênio necessária para decompor quimicamente as substâncias presentes em uma amostra. Um resultado elevado indica uma carga de poluentes maior, mas não mede, por si só, a quantidade de oxigênio disponível para os peixes.
O resultado do pH mostra que a amostra era mais ácida do que a faixa permitida. Os relatos sobre os resultados não divulgaram o valor exato do pH, as concentrações dos poluentes nem os limites numéricos previstos na regulamentação. Assim, os múltiplos informados mostram a dimensão das violações, mas não permitem reconstituir em detalhes os resultados laboratoriais.
A amostra comprova poluição no ponto de lançamento. Ela não comprova que as mesmas concentrações estavam presentes em todo o Sangu nem quantifica quanto lodo chegou ao rio. Essas distinções são importantes para avaliar a extensão da contaminação e decidir onde são necessários novos testes.
Um canal que liga resíduos, lavouras e o rio
O canal Moillya começa perto do reservatório de Moillyar Deba, em North Kaliaish, cerca de 300 metros a leste da usina. Ele passa pelo lado sul da usina antes de desaguar no Sangu, aproximadamente três quilômetros a oeste, em Chagachar.
Observações relatadas em 29 de setembro e no início de outubro descreveram material oleoso e escuro no canal, resíduos na vegetação das margens e mau cheiro. Moradores dizem que a água da chuva e as marés levam os resíduos para além do ponto imediato de lançamento.
Os moradores também afirmam que a contaminação pode se espalhar por cursos d'água interligados, incluindo os canais Dolu e Hangar. Essa propagação mais ampla não foi comprovada pelo teste laboratorial relatado. A inspeção e a coleta documentadas dizem respeito ao trajeto de drenagem da usina até o canal Moillya e ao deslocamento observado de água escurecida em direção ao Sangu.
Essa geografia liga a queixa de poluição tanto à agricultura quanto à pesca. O canal é usado para irrigar as terras ao longo de suas margens e deságua em um rio que sustenta um habitat aquático muito mais amplo.
Agricultores relatam perda de água para irrigação e danos às plantações
Informações de moradores e do escritório de agricultura do upazila indicam que mais de 100 agricultores usavam o canal Moillya para cultivar cerca de 30 hectares ao longo de seu trajeto de aproximadamente três quilômetros. Moradores dizem que a água já não pode ser usada na agricultura e que o cultivo diminuiu por causa da poluição e de outros fatores.
O agricultor Abdus Sattar, que cultiva bananas perto do canal, a leste da rodovia, disse que a água da enchente, carregada de lodo escuro, invadiu suas terras e matou a maioria das bananeiras. Ele também relatou que uma camada de lodo permaneceu em partes do terreno. São alegações de danos à lavoura, e não conclusões de uma avaliação agrícola publicada.
Pescadores locais relatam que há menos peixes desde que o material oleoso se espalhou pela água. Eles dizem que o óleo gruda nas mãos e nos pés quando recolhem as redes. Não foram divulgados levantamentos de captura, avaliações quantificadas das perdas agrícolas nem valores de indenização.
Abdul Gafur, membro do conselho da união de Kaliaish, disse que o uso agrícola do canal torna essencial interromper o lançamento. Ele descreveu a reivindicação que apresentou à administração:
As pessoas usam a água para a agricultura. A usina precisa parar definitivamente de despejar seus resíduos no canal. Informei a administração para que sejam tomadas medidas.
As enchentes expuseram o armazenamento de lodo da usina
A usina do Conselho de Desenvolvimento de Energia de Bangladesh ocupa seis acres na união de Kaliaish e começou a operar em 2011. Ela queima óleo combustível para gerar eletricidade e produz lodo, um resíduo oleoso que, segundo a administração, é armazenado em um tanque antes de ser vendido por meio de licitação.
O gerente da usina e engenheiro-superintendente do Conselho de Desenvolvimento de Energia de Bangladesh, Md Abdul Mannan, associou o vazamento ocorrido em julho à inundação desse tanque de armazenamento. Ao explicar como os resíduos escaparam, ele disse:
Armazenamos o lodo em um tanque por vários meses e depois o vendemos por meio de licitação. Durante as enchentes em Satkania, em julho, o tanque dentro da usina ficou submerso. O lodo se misturou à água da enchente e se espalhou pelo canal e pelas áreas próximas.
Mannan disse que a usina soube do problema por meio de agricultores locais em setembro. Ele descreveu o vazamento como um acidente não intencional, causado pela chuva forte e pelo transbordamento, e afirmou que a remoção dos resíduos e as medidas preventivas estavam em andamento.
Moradores apresentam um relato mais abrangente e alegam que lodo escuro entra no canal desde o início das operações da usina. Essa alegação e a explicação da administração, que atribui o problema a um acidente relacionado às enchentes, indicam durações possíveis distintas. A inspeção e o teste comprovam o vazamento recente, mas não determinam há quanto tempo ocorre a contaminação nem confirmam cada episódio anterior relatado pelos moradores.
Por que autoridades de pesca alertam para os riscos ao oxigênio e à alimentação
Salma Begum, responsável distrital pela pesca em Chattogram, alertou que o excesso de óleo e graxa pode ameaçar animais aquáticos ao dificultar sua obtenção de oxigênio. Ao descrever as possíveis consequências, ela disse:
Se o nível de óleo e graxa estiver alto, os animais aquáticos podem ter dificuldade para respirar e morrer por falta de oxigênio.
Begum também alertou para os riscos das partículas em suspensão e para a possível exposição por meio do consumo de peixes contaminados:
Níveis elevados de sólidos em suspensão também podem prejudicar os animais aquáticos. Se os poluentes se acumularem nos peixes, podem entrar no corpo humano quando as pessoas os consomem, o que pode ser prejudicial à saúde.
O pesquisador de rios Md Manjurul Kibria, da BGC Trust University Bangladesh, disse que o óleo combustível pode formar uma camada que restringe a troca de oxigênio e a entrada de luz solar, afetando o plâncton, as plantas aquáticas, os peixes e outros animais. Ele também descreveu a chuva e as correntes de maré como caminhos pelos quais o lodo chega ao Sangu.
A preocupação ecológica vai além do trecho visivelmente escuro do canal. Um estudo publicado em julho identificou 75 espécies de peixes no Sangu, que percorre cerca de 294 quilômetros desde as colinas de Arakan, em Mianmar, atravessando Bandarban e Chattogram até a Baía de Bengala. Cerca de 170 quilômetros do rio ficam em Bangladesh.
Esses alertas descrevem riscos, e não casos confirmados de intoxicação humana nem contaminação medida em peixes. Não foram divulgados resultados de análises de tecidos de peixes, casos documentados de doenças nem um número verificado de mortes de animais aquáticos relacionadas ao incidente.
Das enchentes de julho aos resultados dos testes em outubro
A cronologia mostra o intervalo entre o vazamento durante as enchentes descrito pela administração, os protestos públicos e a investigação ambiental. Também explica por que relatos anteriores diziam que os resultados laboratoriais estavam pendentes, enquanto um relato posterior divulgou os índices de poluição.
- Julho de 2026: As enchentes submergiram o tanque de lodo da usina, segundo a administração. Moradores dizem que resíduos oleosos se espalharam por áreas agrícolas e residenciais.
- 12 de setembro: Moradores de Maleyabad, Rasulabad e New Chagachar fizeram uma corrente humana em frente à usina. Depois, apresentaram uma reclamação por escrito à administração.
- 16 de setembro: O inspetor do DoE Moinuddin Faisal vistoriou a usina e coletou uma amostra de água.
- 29 de setembro: Relatos descreveram material oleoso entrando no canal Moillya por um dreno ao sul da usina.
- 4 de outubro: Relatos sobre a inspeção ainda informavam que os resultados laboratoriais estavam pendentes. Moradores disseram que a remoção do lodo havia começado cerca de 10 dias antes.
- Até 5 de outubro: Os resultados dos testes mostraram que os quatro parâmetros medidos estavam fora dos limites permitidos.
Uma atualização separada sobre a fiscalização informa que foi emitida uma notificação e que o canal de escoamento foi fechado, mas não indica a data exata do fechamento. Portanto, não é possível determinar precisamente como essa medida se relaciona com os relatos de resíduos escoando no fim de setembro e no início de outubro.
Números da limpeza se referem a volumes diferentes
Mannan disse que trabalhadores temporários haviam recolhido cerca de 150 litros de lodo e continuavam retirando o restante. Outros relatos descrevem trabalhadores e uma escavadeira removendo resíduos oleosos do canal, e moradores dizem ter observado alguma redução do lodo visível.
Separadamente, a administração informou que cerca de 400.000 litros de lodo continuavam armazenados dentro da usina e que estava tomando medidas para removê-los por meio de um leilão em até um mês. Essa remoção planejada diz respeito aos resíduos armazenados, e não a um volume medido que tenha sido lançado no meio ambiente.
Os dois números não devem ser tratados como um percentual de limpeza. Os 150 litros se referem ao volume que, segundo relatos, foi recolhido; os 400.000 litros correspondem ao material armazenado na usina. Não foram determinados o volume total que escapou, a quantidade que ainda está nos sedimentos do canal ou nas terras agrícolas nem o volume que chegou ao Sangu.
Mannan também disse que o canal que levava água da estação de tratamento de efluentes oleosos até o canal foi fechado. O professor da Universidade de Chittagong Mohammad Mosharraf Hossain elogiou a remoção dos resíduos, mas pediu medidas para impedir o lançamento de efluentes não tratados em canais, rios e terras agrícolas.
Medidas legais e prevenção ainda estão pendentes
O vice-diretor do DoE Md Mozahidur Rahman disse que o departamento ordenou a interrupção do lançamento e emitiu uma notificação. Ao descrever a medida de fiscalização imediata, ele afirmou:
Instruímos as autoridades a impedir que a água poluída saia da usina, e elas cumpriram a determinação. Também foi emitida uma notificação.
Mozahidur disse que novas medidas legais serão tomadas pelo escritório regional. Zamir Uddin, diretor do escritório regional do DoE em Chattogram, também afirmou que serão tomadas medidas legais contra o estabelecimento responsável.
A Lei de Conservação Ambiental de Bangladesh exige medidas para controlar o lançamento de águas residuais ou resíduos que contenham poluentes acima dos limites permitidos e prevê punições para infrações. Não foram anunciadas acusações específicas, multas, datas de audiência nem uma decisão final de fiscalização.
A próxima meta operacional anunciada é remover o lodo armazenado por meio de leilão em até um mês, contado a partir da declaração da administração. Não foram divulgados um prazo definido no calendário, uma data confirmada para a conclusão nem detalhes sobre a proteção permanente do armazenamento. Também não foi anunciado um novo teste da água que demonstre as condições após o fechamento da saída.
A principal questão ainda sem resposta é se a usina conseguirá impedir outro vazamento quando voltarem as chuvas fortes ou as enchentes. A remoção dos resíduos, o armazenamento seguro e o controle comprovado do lançamento resolvem diferentes aspectos do problema. A limpeza anunciada e o fechamento da saída são medidas nesse sentido, mas ainda não comprovam que o canal, as terras agrícolas ou o rio tenham se recuperado.
Principais pontos
- Testes do DoE encontraram óleo e graxa em níveis 3,1 vezes superiores ao limite, sólidos em suspensão em níveis 4,4 vezes acima e demanda química de oxigênio 3,9 vezes maior. O pH estava abaixo da faixa permitida.
- O canal Moillya leva água da região da usina até o rio Sangu, a cerca de três quilômetros de distância.
- Mais de 100 agricultores usavam o canal para irrigar cerca de 30 hectares. Moradores alegam danos às lavouras e redução da pesca.
- O DoE afirma que emitiu uma notificação e fechou o canal de escoamento. Novas medidas legais estão pendentes.
- A administração informou que cerca de 150 litros foram recolhidos e que aproximadamente 400.000 litros permanecem armazenados na usina. O volume lançado no meio ambiente é desconhecido.
- Não foram anunciadas uma penalidade definitiva, uma avaliação verificada da recuperação nem os resultados de novos testes.






