Custos de reconstrução vão muito além dos danos iniciais
O Nepal estima que precisa de US$ 4,78 bilhões para se recuperar das enchentes de 26 de agosto de 2026 no Himalaia, sendo que quase todo esse valor será necessário para a reconstrução após os primeiros seis meses. O governo encerrou sua principal operação de busca e salvamento em 5 de outubro, com 1.455 mortos confirmados, 5.285 pessoas ainda desaparecidas e 13.795 resgatadas. Resgates emergenciais essenciais continuarão quando necessário.
Conteúdo
- Custos de reconstrução vão muito além dos danos iniciais
- O que aconteceu e quando a resposta mudou
- Por que as estimativas financeiras divergem
- A avaliação oficial revela uma área afetada mais ampla
- Desaparecidos deixam famílias sem segurança jurídica
- Energia e transporte concentram os esforços de reconstrução
- Perdas agrícolas, escolas e lojas prolongam o deslocamento
- Impactos econômicos vão além dos vales inundados
- Financiamento climático cobre apenas uma fração da conta
- Incerteza científica e riscos persistentes de enchentes
- Principais pontos
O desafio financeiro é maior do que substituir prédios destruídos. Estradas, pontes, redes elétricas, terras agrícolas e rotas comerciais foram destruídas ou interrompidas ao mesmo tempo, impedindo que as comunidades voltem à normalidade mesmo onde as casas individuais resistiram. As estimativas de reconstrução equivalem a cerca de um décimo do produto interno bruto do Nepal.
Inicialmente, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lok Bahadur Chhetri, calculou em US$ 57,67 milhões as necessidades de recuperação para os primeiros seis meses e em aproximadamente US$ 4,71 bilhões as necessidades de reconstrução de longo prazo. O total de US$ 4,78 bilhões também foi apresentado como aproximadamente A$ 6,67 bilhões. Esses valores são conversões cambiais, não estimativas distintas.
Posteriormente, o governo recomendou NPR 559,17 bilhões para 504 planos de reconstrução e reabilitação. Essa recomendação não significa que o custo total da recuperação esteja financiado. São esperadas dotações adicionais para projetos cujos custos ou prioridades ainda não foram definidos.
Enquanto isso, as famílias enfrentam um obstáculo mais imediato: milhares de pessoas desaparecidas ainda não foram declaradas mortas legalmente. Sem certidões de óbito, os parentes podem ter dificuldade para obter indenização, acionar seguros ou transferir propriedades. O desastre criou, portanto, duas tarefas de recuperação interligadas: financiar a reconstrução e garantir que a assistência chegue a quem tem direito a ela.
O que aconteceu e quando a resposta mudou
A enchente começou na manhã de 26 de agosto, quando o colapso de gelo glacial e rochas lançou água, sedimentos e detritos pelos vales fluviais do Himalaia, perto da fronteira entre o Nepal e o Tibete. Foram afetados os sistemas dos rios Bhote Koshi, Upper Trishuli e Narayani–Gandak. Comunidades, instalações fronteiriças e infraestrutura rio abaixo foram atingidas.
Os relatos sobre o gatilho imediato divergem. Alguns apontam uma avalanche de rochas e gelo no Langtang Lirung, que bloqueou brevemente um rio antes de a barreira ceder. Outros descrevem a avalanche como tendo se transformado diretamente em uma onda destrutiva. A sequência exata e a contribuição do aquecimento global exigem avaliação científica.
A resposta passou por várias etapas distintas:
- 26 de agosto: A principal enchente atingiu comunidades próximas à fronteira e corredores fluviais rio abaixo.
- 28 de agosto: Um rompimento, segundo relatos, de uma barreira temporária de detritos interrompeu os trabalhos de resgate.
- 13 de setembro: O Nepal divulgou sua Avaliação Rápida de Danos e Necessidades, com números preliminares sobre danos, perdas e recuperação.
- 17 de setembro: O tráfego foi retomado nos dois sentidos em uma rota substituta em Krishnabhir, restabelecendo uma ligação importante, embora ainda haja risco de novos fechamentos.
- 5 de outubro: Após cerca de 40 dias, o governo encerrou a principal operação de busca e salvamento e passou à reabilitação.
- 9 de outubro: O UNICEF descreveu o isolamento persistente, o trauma e as necessidades urgentes seis semanas após o desastre.
Phanindra Paudel, chefe do Centro Nacional de Operações de Emergência, explicou a mudança nas operações:
Estamos passando da fase de busca e salvamento para a fase de busca e reabilitação.
Dharam Raj Uprety, chefe da Autoridade Nacional de Redução e Gestão do Risco de Desastres, afirmou que as buscas ativas por corpos seriam interrompidas, mas que restos mortais e pertences encontrados durante a reabilitação ainda seriam recuperados. A decisão não significa que todas as pessoas desaparecidas tenham sido identificadas ou oficialmente registradas como mortas.
Por que as estimativas financeiras divergem
A avaliação rápida do governo estima em NPR 408,29 bilhões os efeitos totais do desastre, o equivalente a aproximadamente US$ 2,70 bilhões. Esse valor inclui NPR 274,48 bilhões em danos físicos e NPR 133,81 bilhões em perdas, como interrupções nas atividades comerciais e na renda. As necessidades de recuperação são maiores: NPR 723,32 bilhões, ou aproximadamente US$ 4,775 bilhões.
As conversões para dólar usam a taxa de câmbio do Nepal Rastra Bank de NPR 151,48 por dólar em 9 de setembro. A avaliação destina NPR 8,73 bilhões à recuperação inicial e NPR 714,58 bilhões à reconstrução de longo prazo. O arredondamento pode gerar pequenas diferenças na soma dos componentes.
A Estimativa Rápida Global de Danos Pós-Desastre do Banco Mundial, incluída em sua Atualização sobre o Desenvolvimento do Nepal, calcula em US$ 1,66 bilhão os danos físicos diretos. A avaliação preliminar do Nepal estima em US$ 1,81 bilhão o valor comparável. Nenhum dos dois números inclui o custo total de reconstruir serviços com maior proteção contra riscos futuros.
As necessidades de recuperação equivalem a aproximadamente 1,8 vez a estimativa governamental de US$ 2,70 bilhões em danos e perdas. Isso não significa que todos os bens destruídos custem 80% a mais para serem substituídos. O cálculo da recuperação inclui o restabelecimento de serviços, o reforço da proteção e o atendimento a necessidades que vão além do valor dos bens perdidos.
Um comitê liderado por Gunakhar Bhatta, vice-presidente da Comissão Nacional de Planejamento, recebeu seis semanas para elaborar uma Avaliação das Necessidades Pós-Desastre mais completa. Depois desse trabalho, está prevista uma conferência de doadores. A avaliação rápida inicial se baseou em registros existentes, mapeamento remoto e imagens de satélite, e não em pesquisas domiciliares ou inspeções detalhadas de engenharia. Seus números continuam sendo estimativas de trabalho, não um orçamento final de reconstrução.
A avaliação oficial revela uma área afetada mais ampla
A avaliação das enchentes no Nepal do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento registra uma estimativa aprovada pelo governo de 84.270 pessoas afetadas em 17 municípios de seis distritos: Rasuwa, Nuwakot, Dhading, Chitawan, Gorkha e Tanahu.
Esse número é maior do que as estimativas preliminares de aproximadamente 33 mil pessoas associadas a danos em moradias. Os relatos descrevem esse grupo menor, de formas variadas, como pessoas afetadas, deslocadas ou que perderam suas casas. Essas categorias não devem ser tratadas como equivalentes. A avaliação rápida também abrangeu menos municípios e distritos do que a estimativa populacional do PNUD.
O PNUD estima em US$ 158,6 milhões os possíveis danos a edifícios, com margem de incerteza de mais ou menos 30%. Isso corresponde a uma faixa aproximada de US$ 111 milhões a US$ 206 milhões. O cálculo não inclui a totalidade dos danos à infraestrutura, às terras agrícolas e à atividade econômica, nem as necessidades humanitárias.
A agência ressalta que seus números são resultados preliminares de modelagem que precisam ser validados em campo. Eles não confirmam danos, deslocamentos ou interrupções de serviços. Uma estimativa separada, de aproximadamente US$ 170 milhões para edifícios residenciais e comerciais ao longo dos vales de Rasuwa e Nuwakot, também não deve ser confundida com o total nacional de perdas.
O PNUD estima em 556.200 toneladas os detritos associados aos edifícios avaliados e aponta um total indicativo mais amplo de 2,2 milhões de toneladas, incluindo pertences, vegetação, rochas e sedimentos. A remoção desse material é necessária para que terras, estradas e bairros possam voltar a ser usados.
Segundo um índice baseado no censo do Nepal de 2021, cerca de 76% dos moradores dos municípios afetados vivem em localidades cuja vulnerabilidade já era superior à média nacional antes da enchente. O desastre, portanto, atingiu muitas comunidades que já enfrentavam desvantagens.
Desaparecidos deixam famílias sem segurança jurídica
Os números mudaram ao longo da resposta. Dados anteriores registravam 1.385 corpos recuperados e aproximadamente 5.130 desaparecidos no Nepal. Uma atualização de 23 de setembro listou 1.451 corpos recuperados e mais de 6.000 desaparecidos, enquanto o balanço de 5 de outubro informou 1.455 mortos e 5.285 desaparecidos. Esses registros provisórios precisam ser conciliados, não somados.
Na atualização de 9 de outubro, o UNICEF usou números arredondados: pelo menos 1.400 mortos, incluindo 84 crianças, e quase 5.300 desaparecidos. O balanço divulgado para o Tibete foi separado: 43 mortos e 519 desaparecidos. Relatos anteriores apontaram cerca de 800 estrangeiros desaparecidos na área atingida, enquanto outra contagem preliminar mencionou aproximadamente 600 pessoas de 35 países. Números posteriores por nacionalidade incluíram 33 britânicos, 80 americanos e mais de 50 ucranianos. Um balanço australiano anterior indicava que 35 pessoas continuavam sem paradeiro conhecido depois que oito foram encontradas.
A identificação tem sido lenta. Um relato registrou que 112 corpos foram entregues às famílias após testes de DNA, de um total de 1.445 recuperados, enquanto 1.333 foram enterrados temporariamente à espera de identificação. Esse número difere do total de mortos confirmados divulgado posteriormente e corresponde a outra etapa da resposta.
Em geral, o artigo 40 do Código Civil do Nepal presume que uma pessoa desaparecida morreu após 12 anos. Embora haja exceções, as informações sobre a lei não identificam nenhuma regra específica para um desastre desse tipo. As famílias dizem que a incerteza resultante impede o acesso a certidões de óbito e apoio financeiro.
A assistência disponível inclui até NPR 25.000 para despesas funerárias, aproximadamente NPR 200.000 pela primeira morte na família e NPR 100.000 por cada morte adicional. O pagamento depende da documentação. O gabinete do primeiro-ministro reconheceu dificuldades em circunstâncias excepcionais, e o Ministério do Interior afirma estar disposto a alterar a lei se necessário. Não foi anunciada nenhuma alteração concluída nem uma data definida para resolver a questão.
Energia e transporte concentram os esforços de reconstrução
A infraestrutura representa US$ 1,38 bilhão, ou 83%, da estimativa de danos físicos do Banco Mundial. Os edifícios residenciais correspondem a US$ 185 milhões, e os demais edifícios, a US$ 101 milhões. Rasuwa concentra aproximadamente US$ 1,07 bilhão em danos, seguido por Nuwakot, com US$ 551 milhões, e Dhading, com cerca de US$ 39 milhões.
Os números do setor de energia variam conforme os projetos e as categorias de capacidade contabilizados. Relatos iniciais mencionavam 12 projetos hidrelétricos destruídos ou afetados. A avaliação rápida registra 13 projetos afetados e capacidade de 759 megawatts, enquanto outro balanço preliminar do governo informa 783 megawatts.
A discriminação do Banco Mundial identifica sete projetos hidrelétricos em operação, com 256 megawatts, cinco projetos em construção, com aproximadamente 395 megawatts, e uma usina solar de 25 megawatts. Danos à transmissão interromperam outros 149,6 megawatts. O total de aproximadamente 430,7 megawatts se refere à geração e à transmissão em operação afetadas, não à soma que inclui toda a capacidade ainda em construção.
Em 23 de setembro, o ministro da Energia, Biraj Bhakta Shrestha, disse ao Parlamento que mais de 800 trabalhadores em locais de projetos hidrelétricos continuavam desaparecidos. A avaliação rápida calcula em NPR 390,62 bilhões as necessidades de recuperação do setor de energia, cerca de 54% da estimativa nacional de recuperação.
Mais de 55 quilômetros do corredor comercial de 82 quilômetros entre Galchhi e Rasuwagadhi foram danificados, incluindo 40 quilômetros levados pela água. Isso significa que mais de dois terços da rota foram afetados e quase metade, destruída. Em toda a área atingida, 37 pontes para veículos e 68 pontes suspensas sofreram danos. Restabelecer essas ligações é necessário tanto para a entrega de ajuda quanto para a recuperação econômica.
Perdas agrícolas, escolas e lojas prolongam o deslocamento
A avaliação rápida registra 7.570 edifícios privados afetados e estima 8.317 famílias atingidas. Outros relatos apresentam números de moradias bem diferentes, incluindo aproximadamente 7.500 casas destruídas e 20 mil danificadas. Não é possível conciliar esses dados simplesmente tratando cada número como uma contagem dos mesmos edifícios.
A avaliação identifica danos a 48 instalações públicas, 18 escolas e sete unidades de saúde. Nas escolas, 308 salas foram afetadas, sendo 156 completamente danificadas. O financiamento da recuperação inclui espaços temporários de aprendizagem, materiais e apoio psicológico, além da reconstrução permanente.
Os danos à agricultura abrangem 1.806 hectares: 1.669 hectares de arrozais e 137 hectares de plantações de hortaliças. A agricultora Nanimaya Senchuri perdeu dois terrenos, sua plantação de arroz e um bananal quase pronto para a colheita. Sua propriedade fornecia alimento e renda. Ela descreveu a dimensão da enchente:
"Em toda a minha vida, nunca tinha visto uma enchente como essa", disse.
A atualização humanitária de outubro do UNICEF descreve o trauma persistente e as dificuldades de acesso em Rasuwa, onde comunidades isoladas ainda dependem de ajuda transportada por via aérea. Caroline Holt, diretora de desastres, clima e crises da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, disse que a recuperação exige mais do que a sobrevivência imediata:
"As pessoas precisam de mais do que assistência para sobreviver: precisam confiar no futuro, saber onde vão morar, como vão ganhar a vida e quando seus filhos poderão voltar à escola", disse.
As pesquisadoras Sara Shneiderman e Amy Leigh Johnson defendem que a reconstrução leve em conta os meios de subsistência, as decisões locais e os direitos indígenas. As nacionalidades indígenas representam aproximadamente 38% a 90% dos moradores em nove dos 15 municípios abrangidos pela avaliação rápida. A realocação pode reduzir a exposição às enchentes, mas também afastar as famílias de terras agrícolas, do trabalho e de territórios ancestrais.
Impactos econômicos vão além dos vales inundados
O Banco Mundial projeta crescimento de 3,7% no ano fiscal encerrado em meados de julho de 2027, com possível recuperação para 5,2% no ano seguinte. A previsão do Banco Asiático de Desenvolvimento é de 4,1%, após uma redução de 0,4 ponto percentual. Ambas estão abaixo da meta de 6% do governo.
Os principais canais de impacto são energia, transporte, comércio e turismo. A passagem de Rasuwagadhi responde por 10,8% das importações de mercadorias do Nepal provenientes da China e por 47,3% das exportações de mercadorias do Nepal para a China. Os danos afetam, portanto, empresas além da zona diretamente atingida pelas enchentes.
Mais de 200 hotéis e restaurantes foram danificados, e o acesso a Langtang, Gosaikunda e ao corredor Kailash Mansarovar foi interrompido antes da temporada turística, de setembro a novembro. As exportações de eletricidade também estão sob pressão devido à perda de aproximadamente 60 megawatts de capacidade hidrelétrica voltada à exportação.
A reconstrução aumentará a demanda por máquinas, equipamentos e materiais importados. O Banco Mundial espera que as remessas ajudem a sustentar as reservas cambiais, mas a interrupção dos mercados locais, as perdas de safras e o encarecimento do transporte ainda podem elevar os custos das famílias, mesmo que a inflação nacional permaneça controlada.
Financiamento climático cobre apenas uma fração da conta
O Nepal responde por aproximadamente 0,1% das emissões globais de gases de efeito estufa. O governo argumenta que os países responsáveis por emissões muito maiores devem compartilhar os custos da recuperação. O UNICEF afirma que o Himalaia está aquecendo cerca de duas vezes mais rápido do que a média global.
Na Assembleia Geral da ONU, o primeiro-ministro Balendra Shah pediu doações em vez de novos empréstimos. Ele disse aos líderes mundiais:
"Quando um desastre impulsionado pelo clima destrói a infraestrutura de um país pobre, a resposta não pode ser simplesmente outro empréstimo gigantesco ou uma colcha de retalhos de pequenas doações", disse.
A análise de financiamento climático do Chatham House registra o pedido de US$ 20 milhões feito pelo Nepal ao Fundo da ONU para Responder a Perdas e Danos, o valor máximo por projeto. Isso cobriria apenas cerca de 0,42% da estimativa de recuperação de US$ 4,78 bilhões.
A análise afirma que 27 países haviam prometido US$ 822,06 milhões ao fundo até março de 2026, com aproximadamente metade recebida. Na primeira rodada de financiamento, foram oferecidos US$ 342 milhões diante de pedidos que se aproximavam de US$ 2,8 bilhões. Esses são números do fundo global, não dotações para o Nepal. Um relato separado sobre mais de US$ 820 milhões prometidos especificamente para a recuperação das enchentes até 7 de setembro não deve ser confundido com esse total global; os relatos não confirmam um registro financeiro comum nem os valores efetivamente desembolsados.
A China manifestou disposição para ajudar o Nepal dentro de sua capacidade. Shah também propôs um Mecanismo de Resiliência Climática do Himalaia, envolvendo Nepal, Índia e China, para compartilhar informações sobre lagos glaciais e reforçar os alertas.
Incerteza científica e riscos persistentes de enchentes
As evidências que relacionam o aquecimento global ao recuo das geleiras do Himalaia, por si só, não estabelecem a causa exata desse colapso. Relatos anteriores dizem que investigadores não conseguiram chegar ao local devido à falta de recursos. Uma análise posterior de financiamento climático menciona um estudo que atribui o desastre a vários fatores climáticos em cascata. Essa evolução não estabelece uma explicação final consensual.
As estimativas da velocidade da onda também divergem: um relato aponta aproximadamente 150 quilômetros por hora em alguns locais, enquanto o Chatham House menciona quase 188 quilômetros por hora. Nenhuma das duas deve ser apresentada como uma medição definitiva.
O Chatham House aborda o parecer consultivo da Corte Internacional de Justiça sobre o clima, de julho de 2025, e a exigência de uma conexão causal "suficientemente direta e certa". O parecer oferece contexto jurídico, mas não representa uma indenização concedida ao Nepal nem uma determinação de responsabilidade por esta enchente.
O Nepal planeja estudos detalhados de quatro lagos glaciais, Thulagi, Lower Barun, Lumding Tsho e Hongu II, antes de realizar o escoamento controlado por canais e estruturas com comportas. O programa pode levar até seis anos e inclui sensores, previsão, sistemas de alerta e preparação das comunidades. São projetos preventivos, não uma confirmação de que um desses lagos causou o desastre de agosto.
Um estudo de C. Scott Watson e colegas constatou que as áreas construídas potencialmente expostas a inundações cresceram 46% entre 2016 e 2023. Estima-se que quase 300 mil pessoas vivam em áreas expostas no Himalaia nepalês, incluindo mais de 100 mil rio abaixo de lagos glaciais. O método da altura acima da drenagem mais próxima seleciona edifícios com base em sua elevação em relação aos rios; não substitui o mapeamento detalhado de riscos.
Outra enchente, posterior e separada, no rio Budhi Gandaki, em Gorkha, deixou quatro pessoas desaparecidas e, segundo relatos, arrastou 35 casas e três pontes. Pelo menos 18 trabalhadores de um acampamento hidrelétrico escaparam, e o Exército transportou seis pessoas de Jagat por via aérea. As autoridades suspeitaram de um bloqueio causado por um deslizamento de terra, mas ainda não haviam confirmado a causa exata.
O próximo marco internacional indicado é a COP31, prevista para 9 a 20 de novembro, em Antalya. As tarefas imediatas ainda pendentes no Nepal são a avaliação detalhada das necessidades, as decisões de financiamento, o reconhecimento legal das pessoas desaparecidas e escolhas de reconstrução mais seguras. Nenhum anúncio estabeleceu uma data para concluir essas tarefas.
Principais pontos
- O Nepal estima em US$ 4,78 bilhões as necessidades de recuperação e reconstrução após as enchentes, principalmente para obras posteriores aos primeiros seis meses.
- O balanço de 5 de outubro registrou 1.455 mortos, 5.285 desaparecidos e 13.795 pessoas resgatadas.
- O PNUD registra uma estimativa de 84.270 pessoas afetadas em 17 municípios de seis distritos.
- O Banco Mundial estima em US$ 1,66 bilhão os danos físicos, dos quais 83% correspondem à infraestrutura.
- A falta de certidões de óbito de pessoas desaparecidas atrasa processos de indenização, seguros e herança para as famílias.
- O pedido de US$ 20 milhões do Nepal ao fundo climático cobriria aproximadamente 0,42% das necessidades de recuperação estimadas.
- Avaliações detalhadas, financiamento e planos para reduzir a exposição a futuras enchentes continuam pendentes.






