Timor Gap concorda em comprar participação da Osaka Gas no Greater Sunrise enquanto aumentam as dúvidas sobre o financiamento

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Timor Gap Agrees to Buy Osaka Gas Stake in Greater Sunrise as Financing Questions Grow

Participação maior, preço ainda não divulgado

A Timor Gap assinou um acordo vinculante para adquirir a participação de 10% da Osaka Gas Australia no Greater Sunrise. Com a operação, a fatia da empresa petrolífera estatal de Timor-Leste passaria de 56,56% para 66,56%. O acordo, anunciado em 2 de setembro de 2026, deixaria os 33,44% restantes com a Woodside Energy, mas sua conclusão ainda depende de aprovações governamentais e regulatórias.

Conteúdo
  1. Participação maior, preço ainda não divulgado
  2. O que o acordo abrange
  3. O recurso é grande, mas o desenvolvimento não foi aprovado
  4. Timor Gap quer avançar com o conceito Timor LNG
  5. Preocupações com o financiamento vão além do preço da compra
  6. O empréstimo anterior do Fundo do Petróleo continua entre os riscos financeiros
  7. Conversas anteriores com a China mostram busca por parceiros
  8. Decisões e datas que ainda precisam ser acompanhadas
  9. Principais pontos

O preço da compra não foi divulgado. O presidente e diretor-executivo da Timor Gap, Rui Maria Alves Soares, afirmou que o acordo havia sido submetido à aprovação dos governos da Austrália e de Timor-Leste. Em 24 de setembro, o ministro timorense do Petróleo e Recursos Minerais disse que o preço ainda não podia ser tornado público e reconheceu que a participação maior aumentaria as necessidades de financiamento do Estado.

A aquisição fortalece a posição da Timor Gap em sua busca por levar o gás do Greater Sunrise a Timor-Leste para processamento. Também aumenta a exposição do país aos custos de desenvolvimento de um recurso estimado em 5,13 trilhões de pés cúbicos de gás e 225,9 milhões de barris de condensado.

Essa contrapartida está no centro de um pedido de transparência apresentado pela La'o Hamutuk em 29 de setembro. A organização da sociedade civil quer que o governo e a Timor Gap divulguem o custo da aquisição, os acordos de financiamento e os riscos para os ativos públicos. Sua preocupação é que uma participação maior implique maiores obrigações de gastos antes que qualquer receita do gás chegue ao Estado.

A Osaka Gas está vendendo sua participação ao redirecionar o foco para outras atividades. Sua saída não demonstra que o Greater Sunrise seja comercialmente inviável, assim como a compra pela Timor Gap não comprova que o desenvolvimento gerará retorno financeiro. O acordo muda a estrutura societária. Ainda não define o financiamento do projeto, o local de processamento nem a decisão de investimento.

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O que o acordo abrange

A operação abrange as participações da Osaka Gas Australia em dois contratos de partilha de produção existentes, PSC 03-19 e PSC 03-20, e em duas licenças australianas de retenção, NT/RL2 e NT/RL4. Essas participações aguardam a finalização de um único contrato de partilha de produção no âmbito do Tratado de Fronteiras Marítimas entre Timor-Leste e a Austrália.

Um contrato de partilha de produção estabelece os termos em que empresas petrolíferas desenvolvem recursos e dividem a produção com o governo pertinente. O contrato único planejado é importante porque a aquisição abrange participações regidas por vários instrumentos jurídicos existentes. Comprar a participação e concluir a estrutura contratual do projeto são etapas distintas.

Após a conclusão, a participação precisa da Timor Gap será de 66,56%. Uma reportagem informa 66,5%, mantendo a participação de 33,44% da Woodside. Esses números não totalizam 100%; o percentual de 66,56% divulgado no anúncio, sim. A aquisição acrescenta 10 pontos percentuais à participação da Timor Gap, o equivalente a um aumento de cerca de 17,7% em relação à fatia atual de 56,56%.

A Timor Gap passaria, portanto, a deter aproximadamente dois terços do empreendimento. A Woodside, operadora designada, continuaria como parceira relevante. Uma participação maior, por si só, não resolve as escolhas técnicas e comerciais necessárias para desenvolver os campos.

O recurso é grande, mas o desenvolvimento não foi aprovado

O Greater Sunrise é formado pelos campos de gás e condensado Sunrise e Troubadour, descobertos em 1974. Reportagens situam os campos a cerca de 450 quilômetros a noroeste de Darwin. Sua posição em relação a Timor-Leste é descrita de maneiras diferentes: aproximadamente 140 quilômetros ao sul, segundo uma fonte, e 150 quilômetros a sudeste, segundo outra.

A estimativa do recurso de gás é consistentemente indicada em 5,13 trilhões de pés cúbicos. As estimativas de condensado são de 225,9 milhões de barris no anúncio da aquisição e de 226 milhões de barris em outra fonte, uma diferença de arredondamento. O condensado é um hidrocarboneto líquido recuperado junto com o gás natural e pode gerar uma fonte adicional de receita com vendas.

Essas quantidades são descritas como recursos contingentes. Isso significa que são recursos descobertos cujo desenvolvimento comercial ainda depende do cumprimento de determinadas condições. Não devem ser interpretadas como garantia de produção ou de ganhos futuros.

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Uma reportagem de setembro de 2026 aponta uma janela de produção prevista entre 2028 e 2030. O acordo vinculante de compra, porém, continua sujeito a aprovações, e os parceiros ainda trabalham para definir um conceito de desenvolvimento e chegar a uma decisão final de investimento. Portanto, essa janela é uma expectativa, não uma data de início confirmada.

A decisão final de investimento é o momento em que os participantes do projeto se comprometem formalmente a realizar os gastos necessários para o desenvolvimento. No caso do Greater Sunrise, a operação societária é uma etapa rumo a essa decisão, e não a decisão em si.

Timor Gap quer avançar com o conceito Timor LNG

A Timor Gap afirma que a aquisição deve ajudar a avançar os trabalhos pendentes para a escolha do conceito de desenvolvimento Timor LNG. O objetivo do governo é levar o gás por gasoduto a Timor-Leste, onde uma nova unidade de gás natural liquefeito o processaria para exportação. O GNL é o gás natural resfriado até se tornar líquido para que possa ser transportado por navio.

Soares, diretor-executivo da Timor Gap, também disse que a compra poderia melhorar a cooperação entre os parceiros restantes. Ao descrever o efeito esperado sobre a joint venture Sunrise, afirmou:

Também esperamos que esta aquisição melhore o alinhamento dentro da joint venture Sunrise, permitindo que os parceiros trabalhem juntos de maneira mais eficaz rumo a uma decisão final de investimento que libere o valor do recurso Greater Sunrise em benefício da população de Timor-Leste, dos integrantes da joint venture Sunrise e de todas as demais partes interessadas.

A declaração expressa a expectativa da Timor Gap, não um compromisso de todas as partes com uma rota específica de processamento. A principal divergência sobre o desenvolvimento é se será construída uma nova unidade de GNL em Timor-Leste ou se o gás será enviado ao centro de GNL já existente em Darwin.

A Wood Australia, parte do grupo britânico de engenharia Wood, foi contratada em abril de 2024 para realizar um estudo conceitual dos campos. A Wood Australia é diferente da Woodside Energy, operadora do projeto e parceira remanescente na participação societária. As informações sobre a aquisição não demonstram que um conceito final de desenvolvimento tenha sido escolhido desde então.

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Preocupações com o financiamento vão além do preço da compra

O pedido de divulgação da La'o Hamutuk vai além do pagamento não informado à Osaka Gas. A organização quer saber de onde virá o dinheiro da aquisição, como será estruturado o financiamento, quais obrigações de investimento futuro surgirão e quem arcará com os riscos caso os custos de desenvolvimento aumentem.

A estimativa da organização é que a participação adicional possa elevar as obrigações de investimento de capital da Timor Gap no Greater Sunrise de cerca de US$ 7,4 bilhões para US$ 8,7 bilhões. Isso representa um aumento de US$ 1,3 bilhão, ou aproximadamente 17,6%. O percentual é próximo ao aumento relativo de 17,7% na participação da Timor Gap.

Esses números são estimativas da La'o Hamutuk, não um orçamento divulgado para o projeto nem um pacote de financiamento aprovado. Eles dizem respeito a possíveis gastos de desenvolvimento, que são distintos do preço da compra. Sem a divulgação dos termos da operação e das premissas usadas para estimar os custos de desenvolvimento, não é possível determinar o compromisso financeiro adicional total.

Em 24 de setembro, o ministro do Petróleo e Recursos Minerais reconheceu que o aumento da participação do Estado elevaria suas necessidades de financiamento. Na declaração, não foi divulgado nenhum valor ou fonte de financiamento.

A La'o Hamutuk também argumenta que o dinheiro e a capacidade institucional destinados ao Greater Sunrise devem ser avaliados em relação a outras prioridades públicas. A organização cita agricultura, pesca, indústria local, produção de alimentos, energia renovável, infraestrutura, educação, saúde e emprego para jovens. Trata-se de uma questão de usos concorrentes dos recursos públicos, não de uma evidência de que algum programa específico já tenha perdido financiamento por causa da aquisição.

O empréstimo anterior do Fundo do Petróleo continua entre os riscos financeiros

A nova compra ocorre após a aquisição, pela Timor Gap, de participações no Greater Sunrise pertencentes à Shell e à ConocoPhillips, financiada por um empréstimo de US$ 650 milhões do Fundo do Petróleo em 2018. A La'o Hamutuk cita esse empréstimo como motivo para analisar a operação mais recente junto com as obrigações existentes, e não isoladamente.

Segundo a organização, o acordo original do empréstimo exige que a Timor Gap comece a pagar mais de US$ 120 milhões por ano em 2028. Uma proposta adiaria o primeiro pagamento para 2033 e estenderia o vencimento final do empréstimo de 2037 para 2042. As mudanças divulgadas são uma proposta, não uma revisão confirmada.

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O adiamento proposto deslocaria ambas as datas em cinco anos. Também alteraria a relação entre o pagamento da dívida e a janela de produção indicada, de 2028 a 2030. A possibilidade de a receita do projeto cobrir os pagamentos dependeria do início efetivo da produção, dos custos de desenvolvimento, dos acordos de venda e dos termos do financiamento.

A La'o Hamutuk afirma que a Timor Gap e a Woodside reduziram a zero o valor contábil do investimento, enquanto o Banco Central de Timor-Leste registrou uma redução de 39%. São tratamentos contábeis diferentes, segundo os relatos. Não é possível combiná-los em uma única avaliação sem saber o que cada instituição analisou e quais premissas utilizou.

Uma redução contábil diminui o valor de um ativo registrado na contabilidade. Por si só, não prova que o recurso não tenha nenhum valor futuro possível. Ainda assim, torna especialmente relevante conhecer a justificativa para novos gastos públicos: a decisão de comprar mais participação precisa ser avaliada separadamente das despesas e expectativas anteriores.

Conversas anteriores com a China mostram busca por parceiros

O acordo de participação ocorre depois de Timor-Leste ter explorado outras possíveis parcerias para o desenvolvimento. Em outubro de 2024, o presidente Jose Ramos-Horta disse que o país havia mantido conversas com entidades privadas e estatais chinesas. Alguns representantes haviam feito uma visita como parte de uma delegação empresarial chinesa.

Questionado sobre a Sinopec, empresa chinesa do setor de energia, Ramos-Horta afirmou:

A Sinopec entrou em contato.

A Sinopec não comentou as conversas. Ramos-Horta também disse que Timor-Leste poderia procurar parceiros chineses ou kuwaitianos caso não chegasse a um acordo com a Austrália. Essas declarações mencionavam possíveis parcerias, não um investimento concluído ou um papel confirmado no Greater Sunrise.

Segundo a reportagem de outubro de 2024, a pressão para desenvolver outra fonte de renda petrolífera havia aumentado depois que o Bayu Undan encerrou as exportações de gás em 2023. A reportagem também citou uma estimativa de receita de US$ 65 bilhões para o Greater Sunrise, feita em 2018. Trata-se de uma estimativa histórica, não de uma avaliação atual nem de uma promessa de recursos disponíveis para o governo.

A distinção é importante porque recurso estimado, receita projetada e renda pública são medidas diferentes. O desenvolvimento exige infraestrutura e financiamento antes que o gás possa ser vendido. O valor que o Estado receberá dependerá dos custos, dos acordos comerciais e dos contratos aplicáveis.

Decisões e datas que ainda precisam ser acompanhadas

A próxima etapa confirmada da operação com a Osaka Gas é obter as aprovações governamentais e regulatórias necessárias e cumprir as demais condições para sua conclusão. Não foi informada uma data-limite para as aprovações nem uma data para a conclusão da operação. O preço da compra e os acordos de financiamento também continuam sem divulgação.

A sequência mais ampla do projeto inclui várias decisões distintas: finalizar o contrato único de partilha de produção, escolher um conceito de desenvolvimento, obter financiamento e chegar a uma decisão final de investimento. O anúncio da aquisição não demonstra que essas etapas tenham sido concluídas.

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As principais datas mostram como o novo acordo se relaciona com o empréstimo anterior, as discussões sobre o desenvolvimento e as obrigações futuras:

  • 2018: A Timor Gap usou um empréstimo de US$ 650 milhões do Fundo do Petróleo para adquirir participações da Shell e da ConocoPhillips.
  • Abril de 2024: A Wood Australia foi contratada para realizar um estudo conceitual do Greater Sunrise.
  • Outubro de 2024: Ramos-Horta descreveu conversas com empresas chinesas e possíveis abordagens a outros parceiros.
  • 2 de setembro de 2026: A Timor Gap anunciou o acordo vinculante para comprar a participação de 10% da Osaka Gas Australia.
  • 24 de setembro de 2026: O ministro do Petróleo disse que o preço ainda não podia ser divulgado e que as necessidades de financiamento do Estado aumentariam.
  • 29 de setembro de 2026: A La'o Hamutuk pediu a divulgação e o escrutínio da operação.
  • 2028: Está previsto o início dos pagamentos do empréstimo anterior segundo o acordo original.
  • 2028 a 2030: Uma reportagem indica essa janela de produção esperada, sem compromisso confirmado de desenvolvimento.

A La'o Hamutuk pediu ao Parlamento e às instituições de fiscalização que examinem o preço da compra, a estrutura de financiamento, as obrigações de investimento futuro e a avaliação econômica. Também pediu a publicação dos documentos cuja divulgação seja legalmente permitida. Enquanto esses detalhes não estiverem disponíveis, é possível medir o aumento da participação, mas não conhecer seu custo total nem o possível retorno público.

Principais pontos

  • A Timor Gap concordou em comprar a participação de 10% da Osaka Gas Australia no Greater Sunrise, sujeita a aprovações e às demais condições para a conclusão da operação.
  • Sua participação passaria de 56,56% para 66,56%, enquanto a Woodside manteria 33,44%.
  • O preço da compra e os acordos de financiamento não foram divulgados.
  • O Greater Sunrise contém recursos contingentes estimados em 5,13 trilhões de pés cúbicos de gás e 225,9 milhões de barris de condensado.
  • A Timor Gap espera que a aquisição ajude na escolha do conceito Timor LNG, mas a decisão final de investimento ainda está pendente.
  • A La'o Hamutuk estima que as possíveis obrigações de investimento de capital possam aumentar de cerca de US$ 7,4 bilhões para US$ 8,7 bilhões.
  • Os pagamentos do empréstimo anterior de US$ 650 milhões do Fundo do Petróleo estão previstos para começar em 2028; uma proposta de adiamento não foi confirmada.
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