Temperaturas recordes superam marcas históricas
A Coreia do Sul enfrenta uma onda de calor sem precedentes, que elevou as temperaturas a níveis nunca vistos em mais de um século de registros. A cidade de Yangsan, no sudeste do país, chegou a 42,5 graus Celsius no domingo, a temperatura mais alta em 122 anos de observações da Administração Meteorológica da Coreia. Outros locais, como Goryeong, registraram 41,2 graus Celsius, enquanto um distrito de Seul chegou a 39 graus Celsius. Os meteorologistas relacionam as condições extremas à combinação de sistemas de alta pressão e ao efeito föhn, que aquece o ar ao descer pelas montanhas.
Conteúdo
- Temperaturas recordes superam marcas históricas
- Presidente Lee Jae Myung determina resposta nacional
- Seul emite alerta de nível máximo
- Comunidades vulneráveis enfrentam dificuldades extremas
- Onda de calor regional se estende pela Ásia Oriental
- Redes elétricas e infraestrutura sob pressão
- Padrões climáticos mudam as condições habituais do verão
- Principais pontos
A Administração Meteorológica da Coreia emitiu na terça-feira seu primeiro alerta de onda de calor severa para toda Seul, após ampliar os avisos para distritos do sul e do oeste. O alerta é acionado quando a temperatura aparente supera 38 graus Celsius ou a máxima real ultrapassa 39 graus Celsius. Os moradores foram orientados a interromper atividades ao ar livre, incluindo agricultura, esportes e obras.
Presidente Lee Jae Myung determina resposta nacional
O presidente Lee Jae Myung falou em uma reunião de gabinete na terça-feira e instruiu as autoridades a tratar a situação como um desastre nacional. Ele orientou os funcionários a proteger grupos vulneráveis, inspecionar as redes elétricas diante do aumento da demanda por ar-condicionado e reformular o sistema de resposta a desastres. Lee observou que os padrões climáticos anormais tornam mais provável a ocorrência de períodos extremos prolongados nos próximos anos.
A Agência de Controle e Prevenção de Doenças da Coreia informou 19 mortes relacionadas ao calor, das quais 13 vítimas tinham 80 anos ou mais. Desde 15 de maio, pelo menos 2.025 pessoas em todo o país receberam atendimento por doenças relacionadas ao calor. Dois idosos morreram no domingo enquanto trabalhavam ao ar livre: um em uma estufa perto de Seul e outro em Busan.
Seul emite alerta de nível máximo
As autoridades ampliaram o alerta de nível máximo para toda a capital na manhã de terça-feira. A medida exige a suspensão imediata de trabalhos não essenciais ao ar livre. Funcionários municipais realizaram reuniões de emergência e mobilizaram enfermeiros para acompanhar 63 mil moradores em situação de risco, incluindo idosos que vivem sozinhos e pessoas com doenças crônicas. Uma frota de 200 caminhões joga água em quase 2 mil quilômetros de vias até seis vezes por dia, enquanto sistemas de nebulização funcionam continuamente.
Duas partidas profissionais de beisebol programadas em Seul e Gwangju foram canceladas por questões de segurança. Autoridades da província de Gyeongsang do Norte usam drones equipados com alto-falantes e câmeras térmicas para monitorar locais ao ar livre populares e emitir alertas.
Comunidades vulneráveis enfrentam dificuldades extremas
Moradores de vilas de jjokbang, formadas por casas de um único cômodo sem ar-condicionado, descrevem condições que nunca haviam enfrentado. Cho Sang-yeon, que mora há quase 20 anos no distrito de Yeongdeungpo, na zona oeste de Seul, disse que o calor atual supera tudo o que já sentiu. Alguns moradores se mudaram para abrigos temporários do governo com ar-condicionado, enquanto bombeiros jogam água nas ruas e monitoram pessoas em situação de rua.
O presidente Lee ressaltou que os direitos dos trabalhadores de interromper as atividades durante períodos de calor extremo devem ser respeitados e pediu fiscalização mais rigorosa de locais de trabalho ao ar livre e fechados. As medidas de apoio são destinadas a idosos que vivem sozinhos e pessoas em moradias apertadas.
Onda de calor regional se estende pela Ásia Oriental
A crise se estende para além da Coreia do Sul. No Japão, quase 18.600 pessoas precisaram de atendimento hospitalar por insolação entre 20 e 26 de julho, e 45 chegaram mortas aos hospitais. Três leões do Parque Zoológico de Tama, em Tóquio, morreram com suspeita de insolação, apesar das medidas de prevenção. Uma porta-voz do zoológico observou que a alta umidade diferencia os verões japoneses das condições mais secas da África. A Coreia do Norte manteve alertas de calor em todo o país, enquanto parques aquáticos em Pyongyang atraíram multidões.
Cientistas atribuem o aumento da frequência e da intensidade das ondas de calor às mudanças climáticas causadas pela atividade humana. A agência meteorológica das Nações Unidas alertou para o fortalecimento do El Niño, que provavelmente elevará as temperaturas globais e alterará os padrões de chuva.
Redes elétricas e infraestrutura sob pressão
As autoridades monitoram as redes elétricas enquanto a demanda por ar-condicionado atinge novos picos. O presidente Lee ordenou inspeções para evitar interrupções no fornecimento, que poderiam colocar os moradores em risco durante os períodos mais quentes do dia. O número de dias por ano com temperaturas de pelo menos 33 graus Celsius mais que dobrou nos últimos cinco anos em comparação com a década de 1970.
Padrões climáticos mudam as condições habituais do verão
A Administração Meteorológica da Coreia atribui o calor prolongado à formação mais antecipada e intensa de um sistema de alta pressão no Pacífico Norte, além do aquecimento da superfície do mar. Esses fatores mantêm a umidade e provocam noites tropicais mais frequentes. As ondas de calor agora começam mais cedo e duram mais do que nas décadas anteriores.
O tufão Dolphin, que se aproxima pelo leste, pode aumentar a umidade ou trazer alívio temporário, dependendo de sua trajetória. Os meteorologistas esperam que a tempestade perca força antes de chegar ao continente, como um sistema de categoria 1 ou 2.
Principais pontos
- O presidente Lee Jae Myung declarou a onda de calor um desastre nacional e ordenou uma reformulação dos sistemas de resposta a crises.
- Yangsan registrou 42,5 graus Celsius, a temperatura mais alta em 122 anos de observações.
- 19 pessoas morreram por causas relacionadas ao calor, 13 delas com 80 anos ou mais, e mais de 2 mil receberam atendimento desde maio.
- Seul recebeu seu primeiro alerta de calor severo, válido para toda a capital.
- Três leões morreram com suspeita de insolação em um zoológico de Tóquio durante a onda de calor regional.
- As mudanças climáticas e o El Niño contribuem para eventos climáticos extremos mais frequentes e intensos.






