Calor extremo atinge a Península Coreana
Temperaturas recordes têm afetado o cotidiano em toda a Península Coreana. A Coreia do Sul registrou a máxima histórica de 42,5 graus Celsius em Yangsan. A Coreia do Norte teve vários dias com temperaturas acima de 40 graus Celsius, e Pyongyang registrou noites tropicais consecutivas, com mínimas acima de 25 graus Celsius, desde o fim de julho. Meteorologistas preveem que as máximas permaneçam entre 35 e 40 graus Celsius nas regiões central e sul.
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Os dois países emitiram alertas de calor. Autoridades sul-coreanas divulgaram a fórmula água-sombra-descanso e pediram aos moradores que suspendam o trabalho ao ar livre entre 14h e 17h. Já a mídia estatal norte-coreana se concentrou em recomendações alimentares.
Mídia estatal publica orientações de saúde para o verão
O Rodong Sinmun, jornal oficial do Partido dos Trabalhadores, publicou uma entrevista com um médico sênior do Hospital Geral de Pyongyang. O médico observou que doenças cardiovasculares, diabetes e hipertireoidismo podem se agravar durante a exaustão pelo calor e a insolação. O artigo listou alimentos refrescantes, como melancia, feijão-mungo e pepino. Também destacou opções ricas em proteínas, incluindo mingau de peixe, mingau de feijão-vermelho e sopa de carne de cachorro.
As orientações fazem parte de um esforço anual para apresentar alimentos tradicionais como recursos para enfrentar o verão.
Promoção de longa data da sopa de carne de cachorro
A sopa de carne de cachorro, conhecida localmente como dangogi guk ou sopa de carne doce, tem há décadas a reputação de tônico para aumentar a resistência na Coreia do Norte. Restaurantes às margens do rio Taedong são especializados no prato. Receitas regionais foram incluídas na lista nacional de patrimônio cultural imaterial. Concursos culinários organizados pelo governo, incluindo um realizado em 2020, apresentam seu preparo como uma atividade patriótica.
Alguns moradores associam animais de pelagem mais escura a um maior valor nutricional. Relatos indicam que comerciantes tingiram de preto animais mais claros para atender à demanda e cobrar preços mais altos.
Acesso continua limitado para a maioria dos cidadãos
O ex-diplomata Ri Chol afirmou que o prato continua caro e fora do alcance das famílias comuns. O Programa Mundial de Alimentos estima que 10,7 milhões de norte-coreanos enfrentem desnutrição. A escassez crônica na agricultura agrava a dificuldade de obter fontes de proteína em qualquer época do ano.
A falta de energia limita o uso de ar-condicionado. Famílias mais abastadas recorreram a geradores particulares, enquanto áreas rurais continuam dependendo de métodos tradicionais.
Diferenças nas políticas entre Norte e Sul
A Coreia do Sul aplicará, a partir de fevereiro de 2027, uma proibição nacional da criação, do abate, da venda e da distribuição de cães para consumo. Os infratores podem pegar até três anos de prisão ou pagar multas de até 30 milhões de won. Até maio deste ano, 82% das fazendas que atuavam nesse ramo já haviam fechado.
A opinião pública no Sul mudou após anos de campanhas de proteção animal. A Coreia do Norte continua apresentando o prato como parte de sua resposta cultural ao calor sazonal.
Contexto histórico e cultural
O consumo de carne de cachorro nos dias mais quentes do calendário lunar, conhecidos como sambok, baseia-se na crença de que refeições quentes e nutritivas ajudam o corpo a lidar com temperaturas extremas. Esse costume já foi praticado nos dois lados da península. A mudança de atitudes no Sul reduziu sua prevalência no país, enquanto os canais oficiais do Norte continuam apoiando a tradição.
As receitas costumam combinar carne de cachorro com legumes e ervas, como alho-poró, cebola, folhas de perila e pimenta-vermelha. A carne é cozida duas vezes e servida morna.
Principais pontos
- A mídia estatal norte-coreana recomendou sopa de carne de cachorro, além de melancia e feijão-mungo, para enfrentar o calor.
- As temperaturas passaram de 40 graus Celsius em algumas áreas das duas Coreias, levando à emissão de alertas de saúde.
- O prato continua caro e inacessível para muitos cidadãos, apesar do apoio oficial.
- A Coreia do Sul implementará uma proibição total do comércio de carne de cachorro até fevereiro de 2027.
- A instabilidade no fornecimento de energia e a desnutrição agravam as dificuldades durante a atual onda de calor.






