Quatro décadas em uma caverna em Java: a vida tranquila de Sudarmaji

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Quatro décadas em uma caverna em Java: a vida tranquila de Sudarmaji

Por dentro de uma vida solitária nas terras altas de Java

Aos 70 anos, Sudarmaji fez de uma caverna na montanha seu lar há mais de quatro décadas, em meio às florestas acima do vilarejo de Sumberjo, perto da cidade de Mojokerto, na província de Java Oriental, na Indonésia. Ele vive sem eletricidade ou internet, depende da água da chuva para beber e passa a maior parte dos dias sozinho em uma câmara natural com vista para um riacho que nasce no pico de Anjasmoro. O interesse por sua vida tranquila aumentou depois que um vídeo da caverna circulou na internet, provocando uma mistura de admiração e preocupação com o homem idoso que vive em tamanho isolamento.

Conteúdo
  1. Por dentro de uma vida solitária nas terras altas de Java
  2. Quão isolada é a caverna de Sudarmaji?
  3. Um lugar moldado pela geografia
  4. O cotidiano, da água da chuva à meditação
  5. Alimentos e mantimentos
  6. Por que escolher o isolamento? Indícios culturais em Java
  7. Solidão ou isolamento
  8. Saúde e segurança em uma caverna aos 70 anos
  9. Riscos das monções e deslizamentos de terra em Java
  10. O que dizem as autoridades locais e os vizinhos
  11. A fama viral atrai atenção e levanta questões éticas
  12. O que saber

Chegar à sua moradia exige disposição. Os visitantes percorrem de moto uma trilha de terra estreita, íngreme e muitas vezes escorregadia por cerca de 35 minutos e, em seguida, descem a pé uma encosta de 50 metros. Alguns optam por um trajeto mais longo: uma caminhada de quase duas horas pela floresta. A caverna fica no alto de um desfiladeiro, escavada na encosta da montanha, com água correndo abaixo. O terreno funciona como uma barreira que mantém o mundo moderno à distância.

O salão principal tem cerca de 35 metros quadrados. Um colchão fino e envelhecido serve de cama, e uma esteira trançada fica reservada para visitantes ocasionais. Um pequeno fogão a lenha escurece a rocha perto da área de preparo de alimentos. Uma passagem estreita leva a um recanto mais profundo, usado para momentos de reflexão silenciosa, onde duas estátuas e oferendas simples sugerem uma prática pessoal. Para obter água, ele coloca baldes sob goteiras constantes ao longo das paredes da caverna e recolhe o que precisa. Cria algumas galinhas, colhe plantas comestíveis e, quando necessário, vai de moto antiga até o vilarejo para comprar itens básicos. Tarmidi, funcionário local da área florestal, disse que Sudarmaji começou a morar ali por volta de 1983, enquanto um chefe do vilarejo acredita que a permanência pode chegar a 50 ou até 60 anos. Uma mulher do vilarejo o ajudava, mas, depois que ela morreu, ele permaneceu onde estava.

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Quão isolada é a caverna de Sudarmaji?

Neste caso, o isolamento não se resume à distância no mapa. A geografia é o que o mantém afastado. A abertura da caverna dá para um vale estreito, alimentado por riachos que descem da cordilheira de Anjasmoro. As encostas são íngremes e cobertas por vegetação densa, o que dificulta levar mantimentos, consertar uma trilha ou fazer uma evacuação em caso de emergência. Um passeio simples se transforma em expedição, sobretudo durante chuvas fortes, quando as trilhas ficam escorregadias e a encosta pode se tornar traiçoeira.

O cenário explica por que os visitantes dizem sentir que o tempo passa mais devagar. Não há fios, bombas ou tubulações chegando a esse trecho da floresta. Os únicos sons são os da água, dos insetos e, de vez em quando, de uma moto que não consegue avançar muito além da crista da montanha. Na prática, o isolamento garante privacidade, mas aumenta os riscos relacionados à saúde e à segurança. Se ele se ferisse ou adoecesse, a ajuda demoraria a chegar.

Um lugar moldado pela geografia

Cavernas em regiões tropicais costumam se formar onde a água aproveita fraturas na rocha e, aos poucos, escava uma cavidade que pode permanecer mais fresca do que o ar externo. A umidade se condensa e escorre, produzindo as goteiras que enchem os baldes na casa de Sudarmaji. Essa umidade constante influencia o cotidiano, do preparo das refeições e da secagem das roupas à conservação da roupa de cama. Também explica por que sua fonte de água é confiável, mas exige cuidados.

O cotidiano, da água da chuva à meditação

Os relatos dos visitantes descrevem uma rotina baseada na simplicidade. O fogão queima lenha recolhida nas proximidades. As refeições são básicas e seguem a luz do dia. O espaço de meditação fica afastado da entrada, onde a luz é suave e o ar permanece parado. Estátuas e oferendas são comuns nas práticas espirituais javanesas: simbolizam respeito em locais onde as pessoas rezam ou refletem.

A caverna não é um mundo fechado. De vez em quando, pessoas descem até lá para cumprimentá-lo, levar arroz ou verduras, ou perguntar como ele está. Essas breves interações ajudam a manter o vínculo com o vilarejo e, na prática, complementam o que ele consegue colher e cultivar.

Alimentos e mantimentos

As galinhas fornecem ovos e, às vezes, carne. Verduras silvestres podem ser colhidas na floresta. A água da chuva é abundante nos meses chuvosos e, nos períodos mais secos, ainda escorre pelas paredes. Para conseguir o que não encontra na floresta, ele usa uma moto antiga para comprar itens essenciais. Como o trajeto é difícil, é provável que planeje as viagens de acordo com o clima e sua saúde.

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Por que escolher o isolamento? Indícios culturais em Java

Sudarmaji preferiu não explicar o que o levou a adotar esse estilo de vida, e essa escolha merece respeito. Cavernas e cabanas na floresta fazem parte há muito tempo da paisagem espiritual de Java, onde as pessoas buscam tranquilidade para meditar ou cumprir votos pessoais. A existência de um espaço de meditação e de oferendas sugere uma dimensão espiritual, embora só ele conheça suas intenções.

Na tradição javanesa, existe o conceito de retiro para contemplação, muitas vezes ligado a ideias de paciência, disciplina e conexão com a natureza. Essas práticas não são exclusivas de Java. Elas encontram paralelos em toda a Ásia e além, de eremitérios nas montanhas a retiros no deserto. Quem escolhe a solidão costuma falar, quando decide falar, sobre clareza e simplicidade. O silêncio passa a fazer parte da rotina.

Solidão ou isolamento

A solidão escolhida pode fazer bem. Pesquisadores constataram que passar um tempo sozinho pode reduzir o estresse e melhorar a concentração quando a pessoa está segura e conta com apoio. Os riscos aumentam quando o isolamento é indesejado ou quando necessidades básicas são difíceis de atender. A idade é outro fator, pois uma doença ou um ferimento podem rapidamente se tornar perigosos quando a ajuda está longe. Nesse sentido, as visitas ocasionais e as idas periódicas ao vilarejo são importantes.

Saúde e segurança em uma caverna aos 70 anos

A água é a primeira prioridade em qualquer lugar remoto. A água da chuva que atravessa o solo e a rocha pode carregar micróbios de fezes de animais ou de áreas contaminadas. Fervê-la é a maneira mais simples de torná-la mais segura para beber, e o fogão a lenha permite fazer isso. Em cavernas tropicais, também existe a possibilidade de contaminação por roedores ou insetos. O armazenamento cuidadoso, o uso de baldes limpos e a fervura podem reduzir esses riscos.

A variedade de alimentos é outra preocupação. Ovos, verduras e a compra ocasional de arroz ou outros itens básicos podem atender às necessidades essenciais, mas, com o tempo, uma dieta limitada pode não fornecer minerais como iodo ou vitaminas suficientes, caso faltem verduras na estação seca. Viver em um local remoto também amplia os riscos do dia a dia. Uma torção no tornozelo em uma encosta molhada, um corte que infeccione ou a inalação de fumaça do fogão podem se agravar sem acesso rápido a atendimento médico.

Riscos das monções e deslizamentos de terra em Java

A estação chuvosa em Java começa por volta de setembro, e as chuvas podem se estender até abril. Temporais provocam deslizamentos, sobretudo em distritos com terreno íngreme e solo instável. Nos últimos dias, deslizamentos em Java Central deixaram 30 mortos e muitos desaparecidos em Banjarnegara e Cilacap, segundo autoridades indonésias responsáveis por desastres. Equipes de busca relataram que a chuva continuava, que havia acúmulos de detritos e que existia risco de novos deslizamentos enquanto trabalhavam. Esses episódios ocorreram longe de Mojokerto, mas mostram como uma encosta pode mudar rapidamente quando a chuva se intensifica. Uma caverna em um desfiladeiro, com um riacho abaixo, precisa ser monitorada com atenção durante as tempestades.

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O que dizem as autoridades locais e os vizinhos

Os funcionários da área florestal e os líderes do vilarejo conhecem há anos o morador da caverna. Tarmidi, funcionário da área florestal, disse que a mudança para a caverna ocorreu por volta de 1983. Um chefe do vilarejo acredita que a permanência pode ser ainda mais longa, talvez de 50 a 60 anos. Moradores de comunidades próximas às vezes levam comida e demonstram preocupação com a saúde dele, especialmente porque a trilha é difícil para qualquer visitante.

Segundo o funcionário da área florestal, uma mulher do vilarejo o ajudava. Depois que ela morreu, ele permaneceu na caverna. Essa história ajuda a explicar como alguém que vive sozinho ainda mantém um vínculo com outras pessoas.

A fama viral atrai atenção e levanta questões éticas

Um vídeo curto de Sudarmaji e de sua caverna se espalhou pelas redes sociais, alcançando muitas visualizações e provocando uma enxurrada de comentários sobre segurança, dignidade e a sabedoria de viver longe da rede elétrica. A curiosidade do público pode atrair atenção útil. Também pode levar visitantes despreparados a uma trilha íngreme e escorregadia, aumentando os riscos para o homem que vive ali e para quem tenta fazer o percurso.

Se o interesse continuar, será importante agir com respeito. Os visitantes que decidirem ir a um lugar remoto devem tomar cuidado para não perturbar o local, pedir autorização antes de filmar ou publicar imagens e evitar deixar comida ou lixo que possa atrair animais. As autoridades locais também podem considerar como controlar o fluxo de pessoas na trilha para que a atenção não destrua a tranquilidade que o morador tenta preservar.

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O que saber

  • Sudarmaji, de 70 anos, vive há mais de 40 anos em uma caverna perto do vilarejo de Sumberjo, nos arredores da cidade de Mojokerto, em Java Oriental.
  • Ele vive sem eletricidade ou internet e depende da água da chuva que escorre pelas paredes da caverna para beber e para o uso diário.
  • É possível chegar à caverna após 35 minutos de moto por uma trilha íngreme e escorregadia e uma descida de 50 metros, ou por uma caminhada de quase duas horas pela floresta.
  • O salão principal tem cerca de 35 metros quadrados, com um colchão simples, uma esteira para visitantes e um pequeno fogão a lenha para cozinhar.
  • Uma passagem estreita leva a um espaço de meditação com duas estátuas e oferendas, indicando uma prática pessoal.
  • Ele cria galinhas, colhe verduras silvestres e, de vez em quando, vai de moto ao vilarejo comprar itens essenciais. Às vezes, visitantes levam comida.
  • Um funcionário da área florestal situa a mudança para a caverna por volta de 1983. Um chefe do vilarejo acredita que ele possa estar lá há 50 a 60 anos, e uma mulher do vilarejo já o ajudou.
  • O interesse aumentou depois que um vídeo da caverna viralizou, gerando preocupação pública com a saúde e a segurança dele nessa idade.
  • A estação chuvosa em Java aumenta o risco de deslizamentos e enxurradas. Deslizamentos recentes em Java Central mataram 30 pessoas, ressaltando os perigos em terrenos íngremes.
  • O local continua sendo de difícil acesso e apresenta riscos durante a chuva, por isso a atenção das autoridades locais e as visitas respeitosas são importantes.
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