Tajiquistão pode receber US$ 1,8 bilhão em plano do Banco Mundial condicionado a reformas econômicas

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Tajikistan Could Receive $1.8 Billion Under World Bank Plan Tied to Economic Reforms

Sete anos de financiamento, com condições

O Tajiquistão pode receber até US$ 1,8 bilhão em financiamento no âmbito do marco de parceria do Grupo Banco Mundial para os exercícios fiscais de 2026 a 2032. O acesso aos recursos está condicionado a reformas econômicas, à disponibilidade de fundos e à capacidade do país de atrair investidores privados. Uma mudança importante começa no exercício fiscal de 2027, quando se espera que o Tajiquistão passe de doações para empréstimos da Associação Internacional de Desenvolvimento (AID).

Conteúdo
  1. Sete anos de financiamento, com condições
  2. Como os US$ 1,8 bilhão poderiam ser reunidos
  3. Por que a mudança de doações para empréstimos é importante
  4. As reformas precisam viabilizar os investimentos
  5. Energia, qualificação e empregos são prioridades da estratégia
  6. A pobreza caiu, mas a exposição a choques continua
  7. Banco avalia como alto o risco de implementação
  8. Projetos em andamento mostram o que o apoio pode viabilizar
  9. Datas importantes e ciclo de revisão anual
  10. Principais pontos

O Marco de Parceria com o País do Grupo Banco Mundial, relatório CPF0000019, prevê uma mudança de foco para empregos criados por empresas privadas, melhoria da educação e da saúde e maior proteção contra choques econômicos e desastres naturais. As estimativas de financiamento são indicativas, ou seja, descrevem recursos potenciais, e não uma alocação fixa.

Entre US$ 1 bilhão e US$ 1,2 bilhão poderiam vir da AID ao longo de sete anos. Outros US$ 600 milhões em potencial envolveriam a Corporação Financeira Internacional (IFC), que apoia empresas privadas, e a Agência Multilateral de Garantia de Investimentos (MIGA), que oferece garantias de investimento.

O pacote é importante porque o Banco Mundial respondeu por 38% do financiamento de doadores internacionais ao Tajiquistão em 2024 e continuou sendo seu maior doador. As mudanças na forma de conceder apoio, portanto, têm impacto sobre investimentos públicos, endividamento do governo e serviços utilizados pelas famílias.

O marco coloca energia, qualificação profissional e investimento privado no centro de uma transição econômica mais ampla. O Tajiquistão reduziu a pobreza de forma expressiva, mas sua dependência das remessas enviadas por migrantes deixa as famílias e a economia expostas a mudanças fora das fronteiras do país. O Banco quer que uma parcela maior do crescimento venha de empresas e empregos dentro do Tajiquistão.

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Como os US$ 1,8 bilhão poderiam ser reunidos

A AID, braço do Grupo Banco Mundial que apoia países mais pobres, forneceria a maior parte do pacote potencial. Sua contribuição esperada, de US$ 1 bilhão a US$ 1,2 bilhão, depende dos recursos disponíveis, das condições econômicas globais e de cada projeto atender aos critérios de elegibilidade.

A IFC poderia apoiar até US$ 500 milhões em investimentos. Isso inclui até US$ 200 milhões da própria IFC e até US$ 300 milhões mobilizados junto a investidores privados. A participação potencial da MIGA é estimada em mais US$ 100 milhões, vinculados a oportunidades de investimento, inclusive parcerias entre governo e empresas.

No limite superior, a conta é de US$ 1,2 bilhão da AID mais US$ 600 milhões associados à IFC e à MIGA, totalizando os US$ 1,8 bilhão anunciados. A parcela de investimento privado corresponderia a um terço desse máximo. Cada componente depende de decisões próprias de financiamento e das condições dos projetos.

O papel da MIGA também difere do de um credor. Uma garantia de investimento protege investidores contra riscos específicos e ajuda a tornar um projeto mais atraente para financiamento. O pacote proposto, portanto, combina diversas ferramentas financeiras, em vez de oferecer ao governo uma única reserva de recursos.

Por que a mudança de doações para empréstimos é importante

Espera-se que o Tajiquistão passe das doações da AID para empréstimos a partir do exercício fiscal de 2027, porque a renda per capita superou o nível associado aos acordos anteriores de financiamento por doações. As doações não precisam ser devolvidas; os empréstimos criam obrigações de pagamento, mesmo quando têm condições mais favoráveis do que o crédito comercial.

A mudança torna especialmente importante a capacidade do governo de administrar a dívida. O Banco vincula seu apoio ao fortalecimento das contas públicas, à sustentabilidade do endividamento e a uma gestão econômica melhor. Os projetos financiados por empréstimos precisarão gerar benefícios enquanto o Estado se prepara para os pagamentos futuros.

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O marco aponta alto risco de sobre-endividamento e riscos orçamentários associados à usina hidrelétrica de Rogun. Sobre-endividamento significa que um país enfrenta sérias dificuldades para honrar seus pagamentos de dívida. Para o Tajiquistão, a transição do financiamento torna a qualidade e o momento dos gastos tão importantes quanto o volume de recursos disponíveis.

As empresas estatais representam outra possível demanda por recursos públicos. O marco destaca seus passivos contingentes, ou seja, obrigações que podem se transformar em despesas do governo caso ocorram determinados eventos, como uma empresa não conseguir pagar uma dívida garantida. Acompanhar esses compromissos ajuda o governo a identificar custos que podem surgir no futuro.

As reformas precisam viabilizar os investimentos

O Banco Mundial espera reformas que melhorem a transparência, a administração pública e as condições para empresas privadas. Também defende o fortalecimento das compras públicas e o aumento da capacidade dos órgãos governamentais de preparar, gerir e supervisionar projetos.

Compras públicas são o processo pelo qual órgãos governamentais adquirem bens, obras de construção e serviços. Um processo melhor pode ajudar a garantir que o dinheiro público financie o trabalho previsto a um custo razoável. Órgãos mais capacitados são necessários para elaborar contratos, supervisionar a execução e agir quando os projetos atrasam.

O investimento privado dependerá da redução de riscos e de tornar o Tajiquistão um lugar mais atraente para fazer negócios. O marco aponta um ambiente empresarial fraco e transparência e prestação de contas institucionais limitadas entre os problemas que precisam ser enfrentados.

Aeroportos, abastecimento de água e irrigação estão entre as áreas de infraestrutura identificadas para parcerias entre os setores público e privado. Nesses acordos, governo e empresas dividem responsabilidades pela oferta de infraestrutura ou serviços. Os contratos determinam quem financia o trabalho, quem o opera e como os custos são recuperados.

Esses acordos ligam diretamente a agenda de reformas à meta de financiamento. O Banco espera que uma parcela substancial do capital privado venha de parcerias em infraestrutura, o que torna a capacidade do governo de preparar projetos confiáveis e gerir contratos essencial para atrair investimentos.

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Energia, qualificação e empregos são prioridades da estratégia

O anúncio de parceria do Grupo Banco Mundial aponta três prioridades: energia segura, acessível e limpa; uma força de trabalho com melhores qualificações e saúde; e investimentos privados que criem mais empregos e de melhor qualidade. A proteção contra choques econômicos, climáticos e de outros tipos perpassa as três prioridades.

Gael Raballand, gerente do Grupo Banco Mundial para o Tajiquistão, descreveu o objetivo da parceria renovada:

O Tajiquistão fez progressos importantes nas últimas duas décadas. Para preservar e ampliar essas conquistas, nossa parceria renovada busca ajudar o país a fazer a transição para um modelo econômico mais sustentável, impulsionado por energia limpa, capital humano mais forte e aumento do investimento privado, para criar mais empregos e de melhor qualidade para a população.

A estratégia está alinhada à Estratégia Nacional de Desenvolvimento 2030 do Tajiquistão. Ela se baseia no Diagnóstico Simplificado do País do Banco, em pesquisas de opinião sobre o país e em consultas com o governo, parceiros de desenvolvimento, empresas, sociedade civil e instituições acadêmicas.

As ações na área de energia incluem apoio às usinas hidrelétricas de Rogun e Nurek, à eletrificação rural e ao comércio regional de eletricidade. Educação, formação profissional, saúde, água e saneamento devem ajudar as pessoas a aprender, trabalhar e manter a saúde. Capital humano, termo usado na estratégia, significa o conjunto de conhecimentos, habilidades e condições de saúde de que as pessoas dispõem ao longo da vida.

A pobreza caiu, mas a exposição a choques continua

A taxa nacional de pobreza do Tajiquistão caiu de 56% em 2010 para menos de 20% nos últimos anos, segundo o Banco. Isso representa uma redução de mais de 36 pontos percentuais, uma melhora expressiva na proporção de pessoas que vivem abaixo da linha nacional de pobreza.

O dinheiro enviado por migrantes continua sendo uma importante fonte de apoio econômico. As famílias podem usar essas remessas para alimentação, educação, moradia e outras necessidades, mas mudanças no emprego ou nas condições econômicas no exterior podem afetar a renda que chega ao país. O marco busca um modelo de crescimento com uma base doméstica mais forte de empresas e empregos.

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A agenda de projetos também abrange reformas tributárias e do setor financeiro, infraestrutura digital e modernização do sistema nacional de estatísticas. Dados confiáveis ajudam as autoridades a avaliar as condições e planejar os gastos, enquanto os sistemas financeiro e tributário influenciam o funcionamento das empresas e a arrecadação do Estado.

A agricultura, a irrigação, a preparação para desastres e a proteção social também fazem parte do marco. Para as famílias, essas prioridades ligam a política econômica a necessidades concretas: água confiável, propriedades rurais mais preparadas para desastres naturais e apoio quando a renda ou as condições de vida pioram.

Banco avalia como alto o risco de implementação

O marco classifica cinco de suas nove categorias de risco como altas, uma como substancial e três como moderadas. As categorias de alto risco abrangem questões políticas e de governança, condições macroeconômicas, capacidade institucional, gestão e uso adequado dos recursos e conflitos.

Rogun ilustra o equilíbrio que o governo precisa administrar. A usina hidrelétrica faz parte da agenda de desenvolvimento energético, mas os compromissos de gastos associados a ela também são apontados como fonte de risco orçamentário. O financiamento de infraestrutura energética exige, portanto, atenção tanto ao desenvolvimento da eletricidade quanto às contas públicas.

O Banco planeja revisar o plano de negócios do marco todos os anos e ajustar o apoio de acordo com as prioridades do Tajiquistão e o progresso das reformas. Essas revisões oferecem oportunidades periódicas para reavaliar a combinação de projetos conforme mudem o financiamento, as oportunidades de investimento e as condições de implementação.

As perspectivas de financiamento dependem, portanto, de vários fatores em constante mudança: os recursos disponíveis da AID, as reformas do governo, o grau de preparação de cada projeto e a disposição dos investidores privados de participar. O marco reúne essas decisões em uma única estratégia.

Projetos em andamento mostram o que o apoio pode viabilizar

A AID está financiando atualmente 25 projetos no Tajiquistão, no valor de US$ 1,93 bilhão, segundo o anúncio de parceria do Banco. A carteira da IFC soma US$ 69 milhões e apoia sete clientes do setor privado. Esses compromissos existentes servem de ponto de partida para a nova estratégia, cuja agenda prevista também abrange cerca de 25 projetos em vários setores.

Um financiamento adicional anunciado em 10 de outubro ilustra o trabalho prático envolvido. Os acordos assinados pelo ministro das Finanças, Faiziddin Qahhorzoda, e por Raballand abrangem resiliência agrícola e desenvolvimento na primeira infância, com valor combinado informado superior a 420 milhões de somonis.

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O componente agrícola inclui US$ 7,5 milhões da AID para concluir a construção de um centro de logística agrícola em Danghara, equipar um centro em Dushanbe para processar e embalar produtos agrícolas e apoiar operações sustentáveis nas duas instalações. Centros desse tipo podem ajudar agricultores a preparar produtos para venda e alcançar mais compradores.

O componente de desenvolvimento infantil inclui 30 milhões de euros da AID e US$ 4,5 milhões do Mecanismo Global de Financiamento para Mulheres, Crianças e Adolescentes. Os planos incluem 300 salas de educação pré-escolar e melhorias nos serviços de saúde e desenvolvimento infantil. O Ministério das Finanças identificou os US$ 4,5 milhões como uma doação; as condições dos demais valores e o ano do anúncio de outubro não foram especificados no relato desses acordos.

Outros financiamentos mencionados junto desses acordos incluíram doações aprovadas em julho: US$ 75 milhões para abastecimento de água e modernização da irrigação e US$ 100 milhões para reformas econômicas nas áreas de serviços digitais, aviação e energia. Em conjunto, essas iniciativas mostram a variedade de serviços e instituições envolvidos na parceria.

Datas importantes e ciclo de revisão anual

O documento do marco e o anúncio do Banco apresentam datas diferentes para a discussão no Conselho. O registro do documento indica 2 de junho de 2026 como data de divulgação e reunião do Conselho, enquanto o anúncio do Banco afirma que os diretores discutiram o marco em 3 de junho de 2026.

  • 11 de maio de 2026: data da versão final do Marco de Parceria com o País, relatório CPF0000019.
  • 2 de junho de 2026: data de divulgação e reunião do Conselho indicada no registro do documento.
  • 3 de junho de 2026: data da discussão no Conselho informada no anúncio de parceria do Banco.
  • Exercício fiscal de 2027: início previsto da transição do Tajiquistão das doações da AID para empréstimos.
  • Exercícios fiscais de 2026 a 2032: período abrangido pelo marco de parceria.

As revisões anuais do plano de negócios vão orientar a evolução da estratégia nesse período. Para o governo, a tarefa central é transformar reformas e preparação de projetos em financiamentos que possam ser usados com eficácia. Para as famílias, os resultados esperados são serviços mais confiáveis, melhorias na aprendizagem e na saúde e mais oportunidades de sustento dentro do Tajiquistão.

Principais pontos

  • O Tajiquistão pode receber até US$ 1,8 bilhão ao longo de sete anos, sujeito a reformas, disponibilidade de recursos e condições dos projetos.
  • A AID poderia fornecer de US$ 1 bilhão a US$ 1,2 bilhão, com até US$ 600 milhões associados à IFC e à MIGA.
  • A transição esperada das doações da AID para empréstimos começa no exercício fiscal de 2027.
  • Energia, qualificação profissional, saúde e investimento privado são as principais prioridades da estratégia.
  • O Banco classifica como alto o risco de implementação e planeja revisões anuais do plano de negócios.
  • O financiamento atual da AID abrange 25 projetos, totalizando US$ 1,93 bilhão.
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