Estão previstos uma doação de US$ 200 milhões e um empréstimo de US$ 300 milhões
O Banco Asiático de Desenvolvimento (ADB) planeja destinar US$ 500 milhões à usina hidrelétrica de Rogun, no Tajiquistão, divididos entre uma doação de US$ 200 milhões e um empréstimo concessional de US$ 300 milhões, segundo o Ministério das Finanças do país. O pacote proposto ajudaria a financiar um projeto que ainda precisa de bilhões de dólares e cuja construção deve se estender até 2035.
Conteúdo
- Estão previstos uma doação de US$ 200 milhões e um empréstimo de US$ 300 milhões
- Por que os bancos querem um conjunto único de procedimentos
- Como a proposta do ADB evoluiu
- De quanto dinheiro Rogun ainda precisa?
- Acordos assinados e recursos liberados em etapas
- Uma usina maior, com obras que vão além da instalação de novas turbinas
- Mais eletricidade no inverno e para os países vizinhos
- Orçamento e dívida também arcam com parte do custo
- Segurança e uma parceria mais ampla orientam as próximas etapas
- Principais pontos
O ministro das Finanças, Faiziddin Sattor Qahhorzoda, discutiu o financiamento durante duas rodadas de conversas em Bangcoc com Antonella Bassani, vice-presidente do Banco Mundial para Europa e Ásia Central, e Wempi Saputra, vice-presidente do ADB para setores e temas. Representantes dos dois bancos também participaram.
As discussões se concentraram em como as duas instituições poderiam financiar Rogun em conjunto, adotando procedimentos comuns para avaliar o projeto, adjudicar contratos e acompanhar a construção. O Ministério das Finanças do Tajiquistão descreveu a abordagem proposta como Full Mutual Reliance Framework.
O ministério apresentou a divisão entre doação e empréstimo como um plano. No relato das conversas em Bangcoc, não foi indicada uma aprovação final nem uma data para o desembolso. Negociações anteriores haviam considerado um empréstimo de US$ 250 milhões a US$ 300 milhões, com o restante do pacote de US$ 500 milhões fornecido como doação.
Para o Tajiquistão, essa diferença importa. Uma doação não precisa ser devolvida, enquanto um empréstimo concessional deve ser pago em condições mais favoráveis que as de um empréstimo comercial comum. Na divisão proposta, 40% da contribuição do ADB seria uma doação e 60% aumentaria o endividamento.
Rogun deve reduzir os recorrentes cortes de eletricidade no inverno e abastecer países vizinhos. A construção também representa uma grande demanda para o orçamento nacional, o que torna o momento e as condições do apoio internacional fundamentais para o avanço do projeto.
Por que os bancos querem um conjunto único de procedimentos
O Banco Mundial e o ADB discutem requisitos comuns para avaliação, contratação e supervisão do projeto. Contratação é o processo de escolha de empresas para fornecer equipamentos ou executar obras.
Quando vários bancos financiam um mesmo projeto, cada um pode exigir suas próprias verificações, documentos e relatórios. As conversas em Bangcoc examinaram como reduzir a repetição de procedimentos para que o Tajiquistão e os credores gastem menos tempo processando exigências semelhantes.
O Full Mutual Reliance Framework permitiria às instituições coordenar o trabalho por meio de um conjunto de regras acordado. O objetivo prático é agilizar o financiamento e a execução, mantendo a supervisão sobre o uso do dinheiro e o andamento das obras.
Os arranjos de financiamento de Rogun tornam essa coordenação especialmente relevante. Os credores internacionais liberam os recursos em etapas, e os pagamentos podem depender da conclusão de obras, da produção de equipamentos, do envio de relatórios e da confirmação de que os requisitos acordados foram cumpridos.
Como a proposta do ADB evoluiu
A contribuição proposta pelo ADB vem após negociações que remontam pelo menos a fevereiro de 2025, quando o Tajiquistão pediu US$ 500 milhões ao banco e o convidou a integrar um consórcio de instituições financeiras internacionais que apoia Rogun.
Ko Sakamoto, representante do ADB no Tajiquistão, descreveu a posição do banco em 25 de fevereiro de 2025, enquanto continuavam as discussões sobre a aprovação e o formato da assistência.
"O ADB continuará apoiando o projeto e divulgará atualizações à medida que as negociações avançarem", disse Sakamoto.
Os principais marcos mostram como o pedido evoluiu em paralelo à construção e aos esforços mais amplos de financiamento:
- 16 de novembro de 2018: A primeira unidade geradora de Rogun entrou em operação.
- 9 de setembro de 2019: A segunda unidade geradora entrou em operação.
- 25 de fevereiro de 2025: Sakamoto discutiu o pedido de US$ 500 milhões do Tajiquistão e a análise do ADB.
- Maio de 2025: O presidente do ADB, Masato Kanda, reafirmou a disposição do banco de fornecer US$ 500 milhões durante conversas com o primeiro vice-primeiro-ministro Hokim Kholiqzoda, por ocasião da reunião anual do ADB em Milão.
- 30 de junho de 2026: O Banco Mundial aprovou uma nova doação de US$ 300 milhões, elevando para US$ 650 milhões o apoio a Rogun.
- Terceiro trimestre de 2027: A próxima unidade geradora deve entrar em operação.
- 2035: A S&P Global Ratings espera que todo o programa de construção esteja concluído.
De quanto dinheiro Rogun ainda precisa?
Em agosto de 2026, a S&P Global Ratings estimou que ainda eram necessários cerca de US$ 5,8 bilhões para concluir Rogun. O plano de financiamento do Banco Mundial no fim de 2024 calculava a necessidade restante em US$ 6,29 bilhões, incluindo US$ 2,97 bilhões previstos em doações e financiamentos concessionais de parceiros de desenvolvimento.
Os valores se referem aos gastos ainda necessários em diferentes etapas da construção. À medida que as obras são concluídas e pagas, a necessidade restante muda. A S&P havia estimado cerca de US$ 6,4 bilhões em agosto de 2025 e aproximadamente US$ 6 bilhões em fevereiro de 2026.
Qahhorzoda afirmou que o custo final da construção só poderá ser calculado depois da conclusão das obras. A inflação, os preços de equipamentos e materiais, as difíceis condições geológicas e os requisitos adicionais de segurança podem afetar os gastos.
Em relação à estimativa de US$ 5,8 bilhões da S&P, os US$ 500 milhões propostos pelo ADB cobririam cerca de 8,6% da necessidade restante. O pacote é expressivo, mas o Tajiquistão ainda dependeria de outros credores, recursos públicos e receitas geradas pela usina.
A S&P espera que o financiamento externo cubra cerca de metade do custo restante, aproximadamente US$ 2,9 bilhões. A outra metade viria do orçamento do Tajiquistão e da própria receita de Rogun. Essa estrutura se aproxima do plano anterior do Banco Mundial, que também destinava cerca de metade da necessidade de financiamento a parceiros internacionais.
Acordos assinados e recursos liberados em etapas
O Ministério das Finanças do Tajiquistão estima em cerca de US$ 1,5 bilhão os acordos assinados com parceiros internacionais, incluindo aproximadamente US$ 650 milhões em doações e US$ 867 milhões em empréstimos concessionais. A assinatura de um acordo é uma etapa do financiamento; depois, os recursos são liberados conforme o contrato e o andamento das obras.
Em uma apresentação em 22 de julho, Qahhorzoda disse que o Banco Mundial havia transferido US$ 30 milhões, enquanto outras duas transferências somaram € 136,4 milhões. Ele também mencionou US$ 120 milhões do Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura e US$ 25 milhões do Fundo do Catar para o Desenvolvimento.
O ministro disse que cerca de 70% do custo de fabricação dos principais equipamentos da usina, principalmente turbinas e máquinas geradoras, já havia sido pago. Os pagamentos seguintes ocorreriam conforme a produção dos equipamentos e o cumprimento das condições contratuais.
A doação adicional de US$ 300 milhões aprovada pelo Banco Mundial em 30 de junho elevou o apoio total da instituição a US$ 650 milhões. Os recursos se destinam à construção, aos equipamentos, à supervisão de qualidade e segurança e aos compromissos ambientais e sociais.
O Tajiquistão também negocia € 500 milhões com o Banco Europeu de Investimento para um pacote de obras conhecido como Lote 3A. A União Europeia pretende conceder uma doação de € 50 milhões, dos quais € 40 milhões seriam destinados a reduzir os custos de juros associados ao financiamento do Banco Europeu de Investimento e € 10 milhões a questões ligadas à realocação de moradores da área do reservatório.
A proposta da UE atende a duas necessidades concretas: tornar o empréstimo mais barato e ajudar a lidar com os efeitos do reservatório sobre as pessoas que precisam se mudar. O valor e o calendário de cada acordo de financiamento influenciarão a velocidade das obras.
Uma usina maior, com obras que vão além da instalação de novas turbinas
Rogun está sendo construída no rio Vakhsh. A descrição atual do projeto prevê seis unidades geradoras de 630 megawatts cada, com capacidade instalada total de 3.780 megawatts. Uma descrição anterior previa seis unidades de 600 megawatts, totalizando 3.600 megawatts.
Megawatts medem a quantidade de eletricidade que uma usina pode produzir em determinado momento. A geração anual, geralmente expressa em quilowatts-hora, mede a eletricidade produzida ao longo do tempo. A disponibilidade de água e as condições de operação afetam esse total anual.
As duas unidades inauguradas em 2018 e 2019 operam atualmente com capacidade reduzida. A próxima unidade deve entrar em operação no terceiro trimestre de 2027, com o Ministério da Energia do Tajiquistão indicando setembro. A entrada em funcionamento estava prevista anteriormente para setembro de 2025.
Planos anteriores previam que a sexta unidade entrasse em operação em 2029, enquanto a S&P espera que o projeto inteiro seja concluído em 2035. Colocar as turbinas em operação e concluir todo o complexo da barragem são marcos diferentes da construção. Obras de engenharia civil, infraestrutura hídrica e outros trabalhos podem continuar depois que os equipamentos de geração começarem a operar.
O reservatório deve armazenar 13,3 quilômetros cúbicos de água, incluindo 10,3 quilômetros cúbicos de volume útil, a parcela disponível para uso planejado na operação da usina. Um plano anterior previa enchê-lo ao longo de 15 a 17 anos.
Mais eletricidade no inverno e para os países vizinhos
O Banco Mundial estima que Rogun poderia melhorar o acesso à eletricidade para cerca de 10 milhões de pessoas no Tajiquistão e ajudar a reduzir os recorrentes cortes de energia no inverno. Quando concluída, a usina poderia gerar cerca de 14,4 bilhões de quilowatts-hora por ano, o equivalente a aproximadamente 60% da produção anual atual de eletricidade do país.
Rogun já produz eletricidade. A usina gerou mais de 1,6 bilhão de quilowatts-hora em 2025, cerca de 400 milhões a mais que em 2024. O Ministério da Energia informou que a produção acumulada das duas unidades em operação chegou a 9,9 bilhões de quilowatts-hora até 31 de dezembro de 2025.
A produção caiu no primeiro semestre de 2026 para 675 milhões de quilowatts-hora, 161 milhões abaixo do registrado no mesmo período de 2025. Isso significa que a produção no primeiro semestre de 2025 foi de cerca de 836 milhões de quilowatts-hora e que a queda posterior foi de aproximadamente 19%.
As projeções de exportação variam entre as avaliações de financiamento. A S&P espera que cerca de 60% da produção futura seja destinada a outros países da Ásia Central, enquanto uma descrição anterior do projeto previa aproximadamente 70%, principalmente para o Cazaquistão e o Uzbequistão. Uma descrição posterior do Banco Mundial destina cerca de metade ao crescimento da demanda interna e o restante às exportações.
Para as famílias tajiques, o principal benefício seria um fornecimento mais confiável no inverno. Para o projeto, as exportações gerariam receita para apoiar a operação e o financiamento. O Banco Mundial também espera que a construção e a operação criem mais de 30 mil empregos diretos e indiretos.
Orçamento e dívida também arcam com parte do custo
Desde 2008, o Tajiquistão destinou mais de 48,1 bilhões de somonis do orçamento e de outras fontes a Rogun, segundo as autoridades. O Ministério da Energia estimou que, no fim de 2025, a construção estava quase 60% concluída.
Na apresentação de julho, Qahhorzoda disse que a dotação orçamentária anual inicial era de 4,5 bilhões de somonis, dos quais cerca de 4 bilhões já haviam sido financiados no primeiro semestre. A arrecadação orçamentária acima do previsto permitiu ao governo considerar elevar a dotação para aproximadamente 7 bilhões de somonis.
A S&P espera que a dívida líquida do governo aumente de cerca de 13,4% do produto interno bruto em 2025 para 19% em 2029, em parte devido a novos empréstimos para Rogun. Produto interno bruto, ou PIB, é o valor dos bens e serviços produzidos pela economia em um ano.
As variações cambiais também são importantes. Cerca de 90% da dívida do governo central é denominada em moedas estrangeiras, segundo a S&P. Se o somoni se desvalorizar, será necessária uma quantidade maior da moeda local para pagar o mesmo valor em moeda estrangeira.
O Tajiquistão emitiu em 2017 um título internacional de US$ 500 milhões para financiar as duas primeiras unidades de Rogun. A S&P descreve pagamentos de principal de aproximadamente US$ 83 milhões a cada seis meses, de março de 2025 a setembro de 2027. Na apresentação de julho, Qahhorzoda indicou um calendário diferente: um pagamento de US$ 100 milhões em 20 de setembro de 2026 e outro de US$ 100 milhões em abril de 2027.
A S&P estima que os pagamentos totais da dívida externa serão de cerca de US$ 500 milhões em 2026 e US$ 470 milhões em 2027. Essas obrigações se somam aos gastos contínuos com a construção, o que torna as doações especialmente valiosas para o orçamento.
Segurança e uma parceria mais ampla orientam as próximas etapas
Especialistas internacionais avaliam uma estrutura adicional de proteção conhecida como barragem de sela, disse Qahhorzoda. A obra proposta está relacionada às cheias, às condições do rio e à movimentação da água perto das saídas dos túneis de construção.
As avaliações de segurança também abrangem a preparação para emergências em Rogun, nas usinas hidrelétricas a jusante e nas comunidades próximas. Qualquer obra adicional precisaria ser incorporada aos gastos e ao cronograma do projeto. A realocação de moradores da área do reservatório também faz parte dos compromissos sociais do programa.
A atuação do ADB vai além de Rogun. Até 2025, o banco havia fornecido aproximadamente US$ 2,7 bilhões para 198 projetos ao longo de 27 anos, incluindo US$ 2,2 bilhões em doações. Em 2024, destinou US$ 220 milhões a seis projetos e planejava aprovar quatro novos projetos em 2025, incluindo agricultura digital.
A estratégia de parceria discutida para 2026 a 2030 abrange energia, transporte, turismo, educação, saúde, agricultura e proteção ambiental, com desenvolvimento digital em todos esses setores. Em maio de 2025, o ADB apoiava 19 projetos no Tajiquistão, no valor de mais de US$ 1 bilhão.
O pacote de US$ 500 milhões proposto para Rogun é, portanto, expressivo até mesmo no contexto dessa relação mais ampla. A tarefa imediata é transformar a contribuição planejada e os procedimentos bancários comuns em acordos e pagamentos alinhados às etapas da construção. A próxima unidade geradora, prevista para 2027, é o principal marco mais próximo do cronograma, enquanto a conclusão do programa inteiro está prevista para 2035.
Principais pontos
- O ADB planeja destinar US$ 500 milhões a Rogun: uma doação de US$ 200 milhões e um empréstimo concessional de US$ 300 milhões.
- O ADB e o Banco Mundial discutem procedimentos comuns de avaliação, contratação e supervisão.
- Em agosto de 2026, a S&P estimou em US$ 5,8 bilhões o valor ainda necessário para concluir a construção.
- O projeto atual da usina prevê seis unidades, com capacidade combinada de 3.780 megawatts.
- A próxima unidade geradora deve entrar em operação no terceiro trimestre de 2027; a S&P espera que o projeto inteiro seja concluído em 2035.
- Rogun deve reduzir os cortes de eletricidade no inverno e gerar receita com exportações regionais.
- O financiamento do governo, a dívida externa, a segurança da barragem e os compromissos de realocação continuam sendo fatores centrais para a conclusão do projeto.






