EUA libera compradores do Nvidia H200 ligados a empresas chinesas na lista de restrições

12 min de leitura
US Clears Nvidia H200 Buyers With Links to Blacklisted Chinese Companies

Escritórios vazios colocam compradores aprovados de chips sob escrutínio

O Departamento de Comércio dos EUA aprovou cerca de 24 empresas chinesas para comprar ou manusear processadores de inteligência artificial Nvidia H200, incluindo empresas cujos vínculos societários ou comerciais levam a companhias sujeitas a restrições de segurança nacional dos Estados Unidos. Duas empresas aprovadas, New Matrix e Maginfra, aparentemente tinham escritórios registrados vazios, segundo uma investigação publicada em 7 de novembro de 2026.

Conteúdo
  1. Escritórios vazios colocam compradores aprovados de chips sob escrutínio
  2. O que as regras de licenciamento de Washington exigem
  3. Por que New Matrix e Maginfra chamam atenção
  4. Outros vínculos corporativos ampliam o escrutínio
  5. Como se desenvolveu a abertura das exportações
  6. A tarifa de 25% e a rota de testes nos EUA
  7. Aprovações resultaram em entregas limitadas
  8. Nvidia e Departamento de Comércio defendem seus controles
  9. Uma questão distinta de inteligência chega ao Congresso
  10. Principais pontos

A New Matrix, criada cerca de 17 meses antes, informava um endereço em um parque industrial nos arredores de Pequim. O escritório estava vazio, seu nome não constava no diretório do prédio, e um recepcionista e um gerente da empresa de administração imobiliária próxima disseram não ter registro dela. Documentos corporativos ligavam seus proprietários à Wise Road, uma empresa chinesa de private equity incluída na lista de restrições comerciais do Departamento de Comércio em 2024.

As descobertas chamam a atenção para as verificações por trás da decisão de Washington de reabrir uma via controlada para exportações de chips avançados à China. As regras do governo, de janeiro de 2026, exigem que compradores chineses verifiquem seus clientes e adotem procedimentos para cumprir as restrições à exportação. Essas salvaguardas dependem de saber quais empresas receberão o hardware e como ele será usado.

Os processadores H200 oferecem capacidade de computação para tarefas exigentes de IA, incluindo o treinamento dos modelos que alimentam chatbots. Essa mesma capacidade tornou os chips avançados uma preocupação de segurança nacional para Washington, que busca impedir que tecnologias restritas cheguem às Forças Armadas da China.

Liza Tobin, que foi diretora para a China no Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca durante os primeiros governos Trump e Biden, questionou as verificações feitas tanto pelo governo quanto pela Nvidia.

"Tenho muitas preocupações de que nem o Departamento de Comércio nem a Nvidia estejam fazendo a devida diligência necessária para garantir o cumprimento dos termos das licenças", disse ela.

Publicidade

O que as regras de licenciamento de Washington exigem

O Bureau of Industry and Security, conhecido como BIS, anunciou sua política revisada de licenciamento em 13 de janeiro de 2026. A regra permite que pedidos envolvendo o H200 da Nvidia, o MI325X da AMD e processadores similares sejam analisados caso a caso, desde que requisitos de segurança específicos sejam cumpridos.

O BIS afirmou que os solicitantes precisam demonstrar que as exportações para a China não reduzirão a capacidade global de produção de semicondutores atualmente disponível para clientes americanos. Os compradores chineses devem ter procedimentos de conformidade com as regras de exportação, incluindo a verificação de clientes. Os chips também precisam passar por testes independentes nos Estados Unidos para que seu desempenho e sua segurança sejam verificados.

A verificação de clientes significa checar quem está comprando um produto e se há restrições aplicáveis ao comprador ou ao uso pretendido. Para empresas que integram chips a sistemas maiores de IA, essas verificações podem ir além do primeiro comprador e alcançar clientes mais adiante na cadeia de fornecimento.

O subsecretário de Comércio para Indústria e Segurança, Jeffrey Kessler, apresentou a política como uma forma de apoiar a tecnologia americana mantendo os controles.

Os controles de exportação devem evoluir com as mudanças tecnológicas, protegendo a segurança nacional. Permitir a venda do H200 à China sob condições controladas fortalecerá o ecossistema tecnológico americano.

A política veio após o anúncio do presidente Donald Trump, em 8 de dezembro de 2025, de que as vendas a clientes chineses aprovados seriam permitidas. Ela entrou em vigor com sua publicação no Registro Federal. Os solicitantes também precisam confirmar que os processadores não serão usados para fins militares chineses nem acabarão nas mãos das Forças Armadas da China.

Por que New Matrix e Maginfra chamam atenção

Os vínculos societários da New Matrix levam à Wise Road, incluída pelos Estados Unidos em sua lista de restrições em 2024 por acusações de ajudar Pequim a adquirir empresas de semicondutores estrategicamente sensíveis. Sua presença pública limitada e o escritório registrado vazio tornam central a preocupação sobre a identidade da empresa que manuseará os chips.

A Maginfra, outra empresa relativamente nova entre as aprovadas, também tinha um escritório registrado aparentemente desocupado. Documentos corporativos apontaram funcionários e patentes em comum com a Inspur, fabricante chinesa de servidores incluída na Lista de Entidades dos EUA por seu envolvimento com as Forças Armadas da China. As duas empresas também tinham participação estatal.

Publicidade

A Lista de Entidades é um instrumento do Departamento de Comércio que impõe restrições de licenciamento a negócios envolvendo organizações listadas e tecnologias americanas controladas. Analisar proprietários, funcionários e relações comerciais ajuda os reguladores a avaliar para onde os produtos podem ir depois da venda inicial.

Nem o Departamento de Comércio nem a Nvidia explicaram publicamente como os vínculos específicos envolvendo a New Matrix e a Maginfra foram avaliados durante o processo de licenciamento. A questão prática é saber se as empresas aprovadas conseguem rastrear o hardware ao longo de todo o percurso, da compra à instalação e ao uso.

Outros vínculos corporativos ampliam o escrutínio

A Zhejiang Yindun Cloud Technology, outra empresa aprovada, tinha ligações com o Range Intelligent Computing Technology Group, grande provedor chinês de computação em nuvem que forneceu serviços a empresas contratadas pelas Forças Armadas.

A Range oferece serviços de computação em nuvem para um programa de satélites operado pelo órgão de defesa da província de Hebei. A empresa descreveu o programa como um apoio ao desenvolvimento da defesa nacional da China. Os serviços em nuvem permitem que clientes usem recursos computacionais operados por outra empresa, em vez de serem proprietários de todo o equipamento.

A Shanghai Jiatang, também identificada entre as empresas aprovadas, surgiu da estatal Datang Telecom, que fornece tecnologia às Forças Armadas chinesas. A Datang é controlada pela China Academy of Telecommunications Technology, uma organização envolvida no desenvolvimento de criptografia militar, tecnologia usada para proteger comunicações e informações.

O grupo de empresas aprovadas também inclui grandes companhias comerciais. Baidu, BYD e Tesla Shanghai foram identificadas entre as autorizadas, ao lado de Alibaba, Tencent, ByteDance e ZTE Kangxun Telecom. Algumas empresas receberam permissão para comprar dezenas de milhares de processadores H200 cada, embora as compras ainda não tenham atingido esses limites.

Grandes empresas de internet, companhias que montam sistemas e intermediários menores desempenham funções diferentes. Por isso, os reguladores precisam avaliar tanto o comprador imediato quanto as organizações que poderão operar ou acessar os sistemas de computação resultantes.

Como se desenvolveu a abertura das exportações

A política de Washington para o H200 surgiu após anos de restrições introduzidas durante o governo Biden. O CEO da Nvidia, Jensen Huang, fez campanha por maior acesso ao mercado chinês, enquanto o governo Trump buscou um modelo que combinasse vendas com condições de segurança e receitas para o governo.

Os principais acontecimentos abrangem várias datas:

  • 2024: O Departamento de Comércio incluiu a Wise Road na lista de restrições comerciais.
  • 8 de dezembro de 2025: Trump anunciou que clientes chineses aprovados poderiam comprar processadores H200 e produtos similares.
  • Dezembro de 2025: Um grupo bipartidário de senadores propôs impedir novas flexibilizações das restrições à exportação de chips avançados de IA por dois anos e meio.
  • 13 de janeiro de 2026: O BIS anunciou a política revisada de licenciamento e os requisitos de teste.
  • 14 de julho de 2026: Kessler disse em uma audiência na Câmara que quantidades muito pequenas de processadores aprovados haviam chegado à China.
  • 7 de novembro de 2026: Revelações sobre escritórios vazios e vínculos corporativos renovaram o escrutínio dos compradores aprovados.
  • 18 de novembro de 2026: Presidentes republicanos de três comissões da Câmara solicitaram uma reunião informativa com Huang sobre uma questão distinta de inteligência.
Publicidade

A tarifa de 25% e a rota de testes nos EUA

Segundo o acordo descrito para as vendas do H200, chips fabricados em Taiwan precisam passar pelos Estados Unidos antes de chegar à China. Esse trajeto permite testes independentes nos EUA e a aplicação de uma tarifa de 25% sobre o valor dos chips.

Um relato anterior informou que a Nvidia concordou em repassar ao governo dos EUA 15% das vendas relevantes à China como parte da flexibilização das restrições pelo governo. O acordo posterior para o H200 prevê uma tarifa de 25% vinculada à passagem dos chips pelos Estados Unidos.

A exigência de testes diz respeito aos próprios processadores. Na audiência de 14 de julho da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, Kessler afirmou que os solicitantes precisavam cumprir rigorosos requisitos de segurança nacional, incluindo verificar se o desempenho real dos chips correspondia ao nível esperado, sem ultrapassá-lo.

A verificação dos compradores trata de outra parte da transação: quem recebe o hardware testado e o que acontece com ele depois. Um processador pode atender às especificações técnicas exigidas e, ainda assim, ser necessário verificar cuidadosamente o cliente, seus parceiros comerciais e o uso pretendido.

Aprovações resultaram em entregas limitadas

Kessler disse a parlamentares em 14 de julho que apenas uma quantidade muito pequena de processadores Nvidia havia sido enviada à China sob as licenças. Ele não identificou os compradores nem informou o total enviado.

Posteriormente, a Nvidia afirmou que os envios de H200 a clientes sediados na China representaram menos de 1% de sua receita de data centers no trimestre encerrado em julho. Em agosto, a empresa disse que sua previsão de receita para o trimestre atual não incluía vendas de data centers à China.

Os próprios controles de importação de Pequim ajudam a explicar o fluxo limitado. Os reguladores chineses restringiram as aprovações, em parte para apoiar os produtores nacionais de semicondutores. A autorização americana para exportar e a autorização chinesa para importar são decisões distintas, o que deixa os compradores dependentes dos dois governos.

A dimensão do gargalo foi descrita no relato de 6 de novembro sobre um estoque de chips em Hong Kong: cerca de 600 mil processadores H200 aguardavam no local, enquanto algumas grandes empresas chinesas de internet teriam recebido aproximadamente 10 mil chips cada. O estoque à espera era cerca de 60 vezes maior do que uma alocação individual desse tamanho.

Para desenvolvedores chineses de IA, portanto, uma licença oferece uma possível via de acesso aos equipamentos, não um fornecimento imediato de capacidade computacional. Os chips ainda precisam ser liberados pelas autoridades de importação, chegar a uma instalação e ser montados antes que os clientes possam usá-los.

Publicidade

Nvidia e Departamento de Comércio defendem seus controles

O BIS afirmou analisar cuidadosamente os pedidos de licença em busca de riscos à segurança nacional. A agência citou US$ 324 milhões em multas por violações de regras de exportação em 2025 e a contratação de mais de 90 agentes de fiscalização em 2026 como evidências de suas atividades de fiscalização.

A Nvidia defendeu seus negócios na China e argumentou que as Forças Armadas chinesas têm poucos motivos para depender de processadores americanos. O porta-voz da empresa, John Rizzo, descreveu as prioridades da companhia e sua avaliação da demanda militar.

"Não faz sentido as Forças Armadas chinesas dependerem da tecnologia americana", disse Rizzo. A Nvidia vende "a primeira, a melhor e a maior parte da nossa tecnologia nos Estados Unidos".

A empresa também afirmou que as restrições de Pequim às importações do H200 tinham como objetivo promover os produtores chineses de chips, enquanto as exportações limitadas da Nvidia apoiavam empregos e a indústria nos Estados Unidos.

Parlamentares continuam pressionando por limites mais rígidos. Na audiência de julho, o presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, Brian Mast, pediu ao Departamento de Comércio que impedisse a China de obter os chips Blackwell, mais potentes, da Nvidia. Ele também perguntou se a ChangXin Memory Technologies, a Yangtze Memory Technologies, a Tencent e a Alibaba deveriam enfrentar novas restrições. Kessler afirmou que o Departamento de Comércio precisava agir com muita cautela ao permitir exportações para essas empresas.

Uma questão distinta de inteligência chega ao Congresso

Presidentes republicanos de três comissões da Câmara solicitaram uma reunião informativa em 18 de novembro com Huang sobre seus vínculos com uma mulher que, segundo relatos, agências de inteligência dos EUA avaliaram ser agente de inteligência chinesa.

A mulher trabalhava para a Megaspeed, que operava centros de dados no Sudeste Asiático para clientes chineses e era investigada por suspeita de contrabando de chips. A Nvidia afirmou que seus negócios com entidades chinesas eram rotineiros e não envolviam troca de informações confidenciais.

O acesso por meio de centros de dados no exterior tornou-se outra preocupação para autoridades americanas. Empresas chinesas de IA podem obter serviços de computação fora da China continental, o que faz da localização de um chip apenas um dos elementos para avaliar quem acaba usando sua capacidade.

A reunião informativa solicitada aumenta a pressão do Congresso enquanto o governo defende seu sistema de licenciamento. A proposta do Senado para impedir novas flexibilizações, o escrutínio da Câmara sobre processadores mais recentes e as dúvidas sobre compradores aprovados do H200 se concentram em quanto acesso Washington deve permitir e como esse acesso pode ser monitorado.

Principais pontos

  • Cerca de 24 empresas chinesas receberam autorização para comprar ou manusear processadores Nvidia H200, incluindo empresas ligadas a negócios sujeitos a restrições ou fornecedores das Forças Armadas.
  • New Matrix e Maginfra tinham escritórios registrados aparentemente vazios. Documentos corporativos ligavam seus proprietários ou operações à Wise Road e à Inspur.
  • As regras do BIS exigem a verificação de clientes, a proteção da capacidade de produção disponível para compradores dos EUA e testes independentes dos chips nos Estados Unidos.
  • O acordo para o H200 inclui uma tarifa de 25%, enquanto as restrições chinesas à importação continuam limitando as entregas.
  • Ao defender sua fiscalização, o BIS citou US$ 324 milhões em multas por violações de exportação em 2025 e mais de 90 contratações para a fiscalização em 2026.
  • Presidentes de comissões da Câmara solicitaram uma reunião informativa em 18 de novembro com Jensen Huang por causa de uma suposta ligação distinta com a inteligência chinesa. A Nvidia afirmou que nenhuma informação confidencial foi trocada.
Compartilhar esta matéria

Você também pode gostar