Bangkok se prepara para um novo tipo de competição regional
Onze países disputarão o primeiro Eurovision Song Contest Ásia no One Bangkok Forum, em 14 de novembro de 2026, levando dance pop vietnamita, pop sul-coreano, beatbox de Bangladesh e rock nepalês a uma final transmitida pela televisão. A transmissão está prevista para começar às 19h30, no horário da Tailândia, com cobertura nas emissoras nacionais de todos os países participantes e transmissão pelo canal do Eurovision no YouTube.
Conteúdo
- Bangkok se prepara para um novo tipo de competição regional
- Quem vai se apresentar e em que ordem?
- Três minutos para causar impacto
- Como os espectadores ajudarão a escolher o vencedor
- Um troféu sem compromisso automático de sediar o evento
- Os apresentadores de Bangkok e os preparativos para o show
- Disputas regionais e regras sobre músicas e bandeiras
- A cultura queer do Eurovision também chegará à Ásia?
- Expansão ocorre enquanto a audiência europeia diminui
- Principais pontos
O vencedor será escolhido com pesos iguais para as notas dos júris nacionais e os votos do público. Os espectadores terão oito votos gratuitos para distribuir entre pelo menos três músicas, e o artista vencedor receberá um troféu, não um prêmio em dinheiro. Ao contrário do concurso europeu, a vitória não garantirá automaticamente que a próxima edição seja realizada no país vencedor.
O produtor executivo Assaf Blecher espera que Bangkok dê início a uma série de edições regionais, após três anos de preparação. O desafio imediato é conquistar público para um formato conhecido em toda a Europa, mas ainda novo para muitos espectadores asiáticos. A venda de ingressos está lenta, e o tamanho da audiência da estreia na televisão e na internet ainda é desconhecido.
China, Japão e Índia estão fora da formação de estreia. As negociações com emissoras chinesas e japonesas continuaram após o prazo final de produção, resultando em 11 países participantes, em vez dos possíveis 13. Blecher demonstrou otimismo quanto à participação da China e do Japão em 2027, embora a presença de nenhum dos dois países tenha sido confirmada.
O lançamento também acontece em um ano de aniversário difícil para o concurso europeu original. Sua audiência em 2026 caiu em 35 milhões, enquanto cinco países boicotaram o evento por causa da participação de Israel, colocando a expansão asiática em meio a um debate sobre os rumos do concurso já estabelecido.
Quem vai se apresentar e em que ordem?
Tóc Tiên, do Vietnã, já conhecida no país e considerada uma das favoritas no início da disputa, abrirá o show com EM TIÊN. A malaia Aina Abdul, outro nome consagrado, encerrará a apresentação com Bluest Sky. Entre as duas, o programa passa por diversos idiomas e estilos musicais.
A Coreia do Sul será representada por Park Junhee, que se apresenta como JUNHEE. O grupo Beatmosphere, de Bangladesh, é formado apenas por homens e usa a voz para criar sons musicais e percussão com beatbox. Pratik Himal Rai, do Nepal, apresentará uma música com influência do rock, enquanto Monetrey, do Camboja, cantará a balada I Let You Go.
A ordem de apresentação anunciada é:
- Vietnã: Tóc Tiên, EM TIÊN.
- Camboja: Monetrey, I Let You Go.
- Laos: Thinla, BAE.
- Mongólia: Beck, Chamguigeer (Without You).
- Butão: Nyendra, Lhayi Semo.
- Filipinas: CARMELLE, Sobra-Sobra.
- Bangladesh: Beatmosphere, Tumi Ele.
- Tailândia: MANG x DAOU, Aroma.
- Coreia do Sul: JUNHEE, DEEP DIVE.
- Nepal: Pratik Himal Rai, Ananta Maya.
- Malásia: Aina Abdul, Bluest Sky.
Todos os artistas foram escolhidos por meio de processos seletivos nacionais. Isso dá à primeira edição uma base que vai além da final em Bangkok: o público dos países participantes já teve a oportunidade de conhecer sua própria música antes de vê-la competir com outras dez.
Três minutos para causar impacto
Cada país pode levar até seis artistas ao palco, e cada apresentação pode durar no máximo três minutos. Os limites seguem o formato europeu e dão a cada delegação o mesmo tempo máximo para conquistar os jurados e o público.
A União Europeia de Radiodifusão (EBU), proprietária do Eurovision, aprova todas as músicas e suas letras, segundo Blecher. Canções políticas são proibidas. Assim, os artistas têm bastante espaço para expressar sua identidade musical e cultural, mas suas músicas precisam passar pela análise de conteúdo do concurso.
Os júris nacionais avaliarão um ensaio geral na noite anterior à final. A votação do público ocorrerá durante a própria final. Assim, os dois grupos avaliarão as apresentações em momentos diferentes, e cada um terá peso de 50% no resultado.
Como os espectadores ajudarão a escolher o vencedor
Os espectadores poderão votar por meio de um código QR ou pelo site do concurso. Quem votar nos países participantes não poderá apoiar a candidatura de seu próprio país. Os votos de fora desses 11 países serão agrupados em um 12º território de votação, permitindo que o público internacional contribua coletivamente.
Os oito votos gratuitos de cada espectador deverão ser distribuídos entre pelo menos três músicas. Assim, quem preferir muito uma candidatura também terá de apoiar outras apresentações para usar todos os votos. Será possível comprar mais dez votos, com preços que variam de país para país.
O peso igual dos votos dos júris e do público significa que nenhum dos grupos decidirá o resultado sozinho. Uma música com forte apoio popular ainda terá de competir com as notas dos jurados, enquanto a favorita do júri também terá de enfrentar o veredito do público.
Votos por proximidade entre países são comuns na Europa, onde idiomas, culturas e gostos musicais compartilhados podem influenciar o apoio. Nepal e Butão, ou Tailândia e Laos, podem encontrar públicos receptivos do outro lado das fronteiras. Blecher diz que ainda é cedo para saber se padrões de votação semelhantes surgirão na Ásia. Dave Goodman, responsável pela comunicação da EBU, afirma que os espectadores serão incentivados a distribuir seu apoio entre vários países.
Um troféu sem compromisso automático de sediar o evento
O país vencedor não sediará automaticamente o próximo concurso, pelo menos nas primeiras edições. Os organizadores citam a infraestrutura limitada de alguns dos países participantes menores como motivo para separar a vitória musical da responsabilidade de produzir o show.
Isso muda o significado prático da vitória. Um artista poderá levar o troféu para casa sem que a emissora de seu país tenha de preparar imediatamente um local, uma operação de produção e uma transmissão internacional para o ano seguinte. O concurso não oferece prêmio em dinheiro.
Goodman diz que a regra europeia que impede países vencedores envolvidos em conflitos de sediar o evento não se aplica à edição asiática, pois o direito de sediar não passa automaticamente ao vencedor. A escolha de futuras sedes será, portanto, uma decisão separada do resultado musical.
Os apresentadores de Bangkok e os preparativos para o show
A emissora tailandesa Channel 3 e a Voxovation anunciaram Woody Milintachinda e Cindy Bishop como apresentadores em 25 de setembro. Eles conduzirão o programa ao vivo no One Bangkok Forum, com as apresentações, a votação e o anúncio do vencedor.
Woody é conhecido pelo programa de entrevistas Woody Talk e por ser o fundador do S2O Songkran Music Festival. Bishop apresentou as temporadas quatro a seis de Asia's Next Top Model e é embaixadora da boa vontade da ONU Mulheres para a Ásia e o Pacífico. Ela trabalha em tailandês e inglês.
Artistas e delegações começaram a viajar para Bangkok para uma semana de ensaios antes da final. CARMELLE, das Filipinas, foi a primeira artista participante a chegar. Entre as outras viagens, Beatmosphere partiu de Dhaka, Beck saiu de Ulan Bator, Pratik Himal Rai deixou Catmandu e JUNHEE voou de Seul.
Os preparativos avançaram com uma série de anúncios e transmissões de seleções nacionais:
- 25 de setembro: Channel 3 e Voxovation anunciaram os dois apresentadores.
- 27 e 30 de setembro: seleções nacionais estavam previstas na Tailândia e em Bangladesh.
- 1º de outubro, às 14h, no horário da Tailândia: estava prevista a abertura da pré-venda de ingressos para Eurofãs.
- 2 de outubro, às 9h, no horário da Tailândia: estava previsto o início da venda geral de ingressos.
- 3, 7, 10 e 17 de outubro: estavam previstas seleções nacionais no Vietnã, Nepal, Mongólia e Camboja, respectivamente.
- 14 de novembro: Bangkok recebe a final inaugural.
Disputas regionais e regras sobre músicas e bandeiras
Tailândia e Camboja dividirão o palco após confrontos recentes ao longo de sua fronteira disputada. Outros países participantes também têm divergências, incluindo disputas por recursos hídricos do rio Mekong e reivindicações sobrepostas no Mar do Sul da China envolvendo Malásia, Vietnã e Filipinas.
As regras do concurso determinam o que pode aparecer nas apresentações e na arena. Além da proibição de músicas políticas, as delegações só podem levar ao palco e ao desfile das bandeiras a bandeira de seu próprio país. Cada espectador poderá levar uma bandeira, sujeita à legislação tailandesa.
Essas restrições dão aos organizadores um conjunto definido de regras para aplicar caso os símbolos nacionais se tornem motivo de controvérsia. A votação criará outro espaço público de encontro entre os países, embora qualquer previsão sobre a influência de tensões diplomáticas nas notas continue sendo especulativa antes da primeira final.
A cultura queer do Eurovision também chegará à Ásia?
A identidade europeia do Eurovision inclui figurinos extravagantes, apresentações teatrais e um público LGBTQ+ numeroso. Blecher espera que a edição asiática talvez tenha menos exuberância no início, observando que o concurso europeu levou 70 anos para desenvolver seu estilo.
A especialista em relações públicas Bettina Miski, que apresenta uma série no YouTube aproximando artistas asiáticos do público internacional, diz que as diferenças entre os países participantes são importantes. A Tailândia reconhece a igualdade no casamento e tem entretenimento queer com visibilidade internacional, enquanto Malásia e Bangladesh criminalizam relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo.
Miski descreveu os diferentes contextos em que o mesmo programa será transmitido:
"Embora o país anfitrião, a Tailândia, reconheça a igualdade no casamento e tenha uma mídia queer visível internacionalmente, precisamos levar em conta todos os outros países, onde a mídia pode ser mais restritiva e o programa também será exibido", diz ela.
Para artistas e espectadores, portanto, Bangkok é apenas parte do contexto. O show também chegará às casas por meio de emissoras que operam sob diferentes leis e expectativas sociais. Seu formato musical pode cruzar fronteiras com mais facilidade do que todos os aspectos de sua identidade cultural europeia.
Expansão ocorre enquanto a audiência europeia diminui
O concurso europeu atraiu 131 milhões de espectadores em 2026, ano de seu 70º aniversário. Foram 35 milhões a menos do que no ano anterior, quando o público chegou a cerca de 166 milhões. Com base nesses números, a queda foi de aproximadamente 21%.
Cinco países boicotaram o evento de 2026 em protesto contra a participação de Israel. A estreia asiática acontece nesse contexto e leva um novo público regional a uma marca associada a estrelas como ABBA e Celine Dion, mas também a discussões recorrentes sobre política e participação.
Goodman afirma que levar o formato a outros territórios é, em parte, uma forma de ajudar a manter a sustentabilidade financeira do concurso europeu original. A edição de Bangkok é a primeira versão internacional a reunir vários países. Já o American Song Contest teve a participação de estados americanos e durou uma temporada, em 2022, sem ser renovado.
Agora, os organizadores em Bangkok precisam transformar os preparativos e os programas de seleção nacionais em um evento ao vivo que o público queira acompanhar novamente. A lentidão na venda de ingressos é uma preocupação imediata. Relatos de cortes no orçamento e mudanças na produção em outubro também levaram os organizadores a divulgar uma nota pública reafirmando que o concurso aconteceria conforme planejado.
Blecher descreve o evento como uma forma de o público conhecer outros países por meio de sua música, de seu povo e de suas roupas. O teste concreto da estreia é saber se esses encontros vão atrair interesse suficiente para garantir outra edição. A possível participação da China e do Japão em 2027 ampliaria a formação, mas o primeiro resultado a ser definido é o do concurso em Bangkok, em 14 de novembro.
Principais pontos
- O primeiro Eurovision Song Contest Ásia será realizado no One Bangkok Forum em 14 de novembro de 2026, com transmissão prevista para as 19h30, no horário da Tailândia.
- Onze países competirão; Tóc Tiên abrirá a apresentação pelo Vietnã e Aina Abdul encerrará pelo Malásia.
- Os júris nacionais e a votação do público terão, cada um, peso de 50% no resultado.
- Os espectadores receberão oito votos gratuitos para distribuir entre pelo menos três músicas e poderão comprar mais dez.
- O vencedor receberá um troféu, sem prêmio em dinheiro e sem direito automático de sediar a próxima edição.
- Woody Milintachinda e Cindy Bishop serão os apresentadores; a transmissão será feita pelas emissoras nacionais participantes e pelo canal do Eurovision no YouTube.
- China e Japão ficaram de fora do prazo final de produção após as negociações; a participação em 2027 não foi confirmada.






