Multa paga, ordem judicial emitida, transferência suspensa
A Procuradoria-Geral da Malásia pediu a suspensão temporária da transferência de Najib Razak para prisão domiciliar em 6 de novembro de 2026, depois que seu partido pagou uma multa de RM 50 milhões e o Tribunal Superior de Kuala Lumpur emitiu uma ordem determinando sua transferência para prisão domiciliar até 23 de agosto de 2028.
Conteúdo
- Multa paga, ordem judicial emitida, transferência suspensa
- Por que a redação do perdão é importante
- Uma segunda pena torna a decisão decisiva
- Advogados contestam poder para adiar a transferência
- Residência foi declarada prisão
- UMNO pergunta por que as dúvidas surgiram após o pagamento
- Família de Najib se preparou para recebê-lo
- Loke vincula saída do Gabinete à prisão domiciliar
- Como Najib chegou a este ponto
- Principais pontos
A controvérsia gira em torno de saber se o pagamento da multa significa que a pena do ex-primeiro-ministro no caso de corrupção da SRC International continua sendo cumprida em casa ou se foi legalmente encerrada. A resposta também afeta quando deverá começar uma pena separada de 15 anos de prisão no caso da 1Malaysia Development Berhad.
Os advogados de Najib confirmaram mais tarde que ele continuava na Penitenciária de Kajang, embora uma descrição anterior de uma testemunha ocular o situasse em um carro prateado que deixava o complexo prisional acompanhado por uma comitiva. A Procuradoria-Geral afirmou que ele deveria permanecer no local de detenção atual enquanto as questões jurídicas fossem esclarecidas.
Vários preparativos para a transferência já haviam sido concluídos. A UMNO, Organização Nacional dos Malaios Unidos, informou que havia quitado a multa por meio de uma campanha de arrecadação pública. A residência de Najib em Kuala Lumpur também havia sido declarada prisão, abrangendo todas as construções de um terreno de 4.559 metros quadrados.
O adiamento provocou imediatamente objeções dos advogados de Najib e de líderes da UMNO, que afirmaram que as condições para a prisão domiciliar haviam sido cumpridas. A decisão também adiou o momento que, segundo o ministro dos Transportes, Anthony Loke, levará à sua renúncia ao Gabinete.
Najib, de 73 anos, governou a Malásia de 2009 a 2018 e sempre negou ter cometido irregularidades. Está preso desde 23 de agosto de 2022, após ser condenado por envolvimento em um caso relacionado a RM 42 milhões em recursos da SRC International.
Por que a redação do perdão é importante
A Procuradoria-Geral apontou duas possíveis interpretações da Ordem de Perdão Condicional concedida pelo rei Sultan Ibrahim em 18 de setembro de 2026. A ordem permite que Najib cumpra o restante da pena em prisão domiciliar até 23 de agosto de 2028, desde que pague a multa de RM 50 milhões e cumpra as condições estabelecidas.
Na primeira interpretação, o pagamento quita apenas a multa. A pena de prisão de Najib no caso da SRC International continua até 23 de agosto de 2028, e sua residência passa a ser o local de cumprimento da pena.
A Procuradoria-Geral explicou essa interpretação em comunicado:
Segundo essa interpretação, a prisão domiciliar é uma forma alternativa de cumprir o restante da pena de prisão, ou um local alternativo para cumpri-la, e não representa o encerramento da pena.
Na segunda interpretação, o pagamento da multa permite que o perdão entre plenamente em vigor e encerra toda a pena no caso da SRC International, inclusive a de prisão.
A ordem de liberação mediante pagamento da multa, emitida pelo Tribunal Superior em 6 de novembro, gera uma questão relacionada. Segundo a Procuradoria-Geral, ela determina a liberação imediata e também especifica que Najib deve cumprir o restante da pena em prisão domiciliar até 23 de agosto de 2028. As autoridades precisam determinar como essas instruções se aplicam em conjunto.
A Procuradoria-Geral afirmou que o adiamento temporário tinha o objetivo de garantir a execução correta do decreto real e das ordens judiciais. Acrescentou que tomaria outras providências após analisar e esclarecer a questão, mas não anunciou uma data para a conclusão do processo nem para uma audiência judicial.
Uma segunda pena torna a decisão decisiva
A pena separada de Najib no caso do 1MDB está prevista para começar depois que ele cumprir a pena no caso da SRC International. Por isso, o significado jurídico de concluir essa pena é fundamental para definir sua situação de custódia imediata.
Em dezembro de 2025, um tribunal o condenou a mais 15 anos de prisão em um caso separado de corrupção e lavagem de dinheiro. Ele está recorrendo da decisão. O caso também resultou em uma multa de RM 11,4 bilhões.
A Procuradoria-Geral citou uma ordem judicial que determina que a pena do 1MDB seja cumprida depois da pena da SRC International. Também mencionou que, em 14 de outubro de 2026, o Tribunal Superior rejeitou um pedido para suspender a execução da pena do 1MDB.
Se a pena da SRC continuar até agosto de 2028, a pena posterior seguirá esse cronograma. Se o pagamento da multa encerrar legalmente a pena da SRC agora, as autoridades terão de resolver o que isso significa para o início da pena do 1MDB. Por isso, a controvérsia vai além do endereço em que Najib ficaria detido.
A equipe jurídica de Najib defende outra posição. O escritório Shafee & Co afirmou que o processo separado do 1MDB não altera a obrigação de implementar o perdão real no caso da SRC International. Segundo o escritório, as dúvidas sobre os efeitos do perdão devem ser decididas pelo Tribunal Superior.
Advogados contestam poder para adiar a transferência
O escritório Shafee & Co pediu ao diretor do serviço penitenciário que conclua sem demora a transferência de Najib e solicitou à Procuradoria-Geral que retire seu comunicado. O escritório argumentou que a Procuradoria não tem autoridade para suspender o exercício, pelo rei, do poder de conceder perdão.
Os advogados de Najib apresentaram essa posição em seu comunicado:
O procurador-geral não tem poder para suspender a prerrogativa real de conceder perdão.
Os advogados afirmaram que os RM 50 milhões foram pagos integralmente ao Tribunal Superior de Kuala Lumpur, que então emitiu uma ordem com selo oficial aos funcionários responsáveis pela Penitenciária de Kajang. O advogado Farhan Shafee confirmou que o tribunal havia emitido a ordem após o pagamento da multa.
O escritório Shafee & Co também questionou o momento da decisão. Segundo o escritório, o anúncio de setembro apresentava o pagamento como condição para a prisão domiciliar e, mesmo assim, transcorreram sete semanas antes de a Procuradoria levantar dúvidas sobre sua interpretação.
Os advogados disseram que o procurador-geral participou da reunião do Conselho de Perdões que aconselhou o rei e deveria ter apresentado qualquer preocupação naquela ocasião. Argumentaram que qualquer controvérsia ainda pendente deveria ser levada a um juiz, em vez de ser usada para manter Najib na Penitenciária de Kajang.
Residência foi declarada prisão
O ministro do Interior, Saifuddin Nasution Ismail, declarou a propriedade de Najib na No. 11, Jalan Langgak Duta, Taman Duta, uma prisão com base na Seção 3 da Lei Penitenciária de 1995. A declaração foi publicada no Diário Oficial Federal em 6 de novembro.
A designação abrange todas as construções e 4.559 metros quadrados de terreno. Seu objetivo declarado é a prisão ou detenção de pessoas sob custódia legal.
Os advogados de Najib afirmaram que isso significa que a transferência proposta o levaria de uma prisão legalmente designada para outra. O escritório Shafee & Co descreveu o arranjo da seguinte forma:
"Levar nosso cliente para lá não o tira da custódia legal, mas o transfere de uma prisão publicada no Diário Oficial para outra".
A designação estabelece um local legal para a prisão domiciliar proposta. As regras práticas são outro ponto em debate. O plano foi descrito como uma exigência para que Najib cumpra a pena sozinho, sob supervisão do departamento penitenciário e com restrições às visitas da família.
O presidente do Bersatu, Muhyiddin Yassin, ex-primeiro-ministro e ex-ministro do Interior, pediu ao governo e ao Ministério do Interior que expliquem as normas e os procedimentos. Ele perguntou se as restrições seriam semelhantes às de uma prisão comum.
Muhyiddin afirmou que qualquer necessidade de legislação adicional deveria ser discutida no Parlamento:
"Se ainda não há uma lei que regulamente a prisão domiciliar, quais são as normas em vigor? Se for necessária uma lei específica, ela deve ser redigida e apresentada ao Parlamento".
UMNO pergunta por que as dúvidas surgiram após o pagamento
A UMNO afirmou que concluiu o processo de pagamento da multa no Tribunal Superior de Kuala Lumpur na manhã de 6 de novembro. O assessor especial de Najib, Ahmad Lutfi Azhar, compareceu ao tribunal às 11h30 para concluir os trâmites administrativos.
O partido arrecadou os RM 50 milhões, aproximadamente US$ 12,3 milhões, por meio de uma campanha pública. Em seguida, anunciou o encerramento da conta do Fundo de Solidariedade a Najib Razak, afirmando que não eram mais necessárias contribuições públicas para esse fim.
Azalina Othman Said, chefe de comunicação da UMNO e ministra da Lei e da Reforma Institucional da Malásia, perguntou quando a Procuradoria-Geral identificou suas preocupações e por que elas foram levantadas depois que o pagamento foi registrado e uma ordem judicial foi emitida.
Falando em nome do partido, Azalina pediu uma explicação sobre a base jurídica do adiamento:
"A UMNO respeita a posição do procurador-geral como principal consultor jurídico do governo. O partido pede que a Procuradoria-Geral explique imediatamente a base jurídica para adiar a implementação da prisão domiciliar".
O secretário-geral da UMNO, Asyraf Wajdi Dusuki, também protestou. Ele disse que o rei havia estabelecido condições por meio do Conselho de Perdões dos Territórios Federais e que elas haviam sido cumpridas. Na sua avaliação, adiar a implementação equivalia a desrespeitar a ordem real.
A Procuradoria-Geral manteve que seu objetivo era cumprir corretamente o decreto e as ordens judiciais relacionadas, e não contestar ou anular a decisão do rei.
Família de Najib se preparou para recebê-lo
A filha de Najib, Nooryana Najwa, disse que a família esperava que ele voltasse para casa em 6 de novembro e se preparava para recebê-lo. Segundo ela, a família recebeu uma ordem judicial de prisão domiciliar depois que a multa foi paga, por volta do meio-dia.
Nooryana afirmou que a ordem foi levada à Penitenciária de Kajang e que a família entendeu que os funcionários da prisão trariam Najib para casa. Segundo seu relato, o horário previsto para a chegada mudou das 17h para as 20h30.
Ela disse que, por volta das 14h, a família recebeu a informação de que o Ministério do Interior tentava adiar a transferência, mas continuou esperando porque acreditava que a ordem judicial era suficiente. Em seguida, a Procuradoria-Geral publicou seu comunicado pedindo a suspensão.
Nooryana agradeceu às pessoas que contribuíram para o fundo de solidariedade e questionou por que eventuais condições adicionais não haviam sido comunicadas antes de o dinheiro ser aceito. Ela afirmou que deixaria os argumentos jurídicos a cargo dos advogados de Najib.
Para a família, o resultado imediato foi que um dia que deveria terminar com Najib em casa acabou com a confirmação de sua equipe jurídica de que ele continuava na Penitenciária de Kajang.
Loke vincula saída do Gabinete à prisão domiciliar
O ministro dos Transportes, Anthony Loke, disse que renunciaria assim que Najib começasse a cumprir a pena em casa. Loke lidera o Partido de Ação Democrática, que faz parte da coalizão governista Pakatan Harapan, do primeiro-ministro Anwar Ibrahim.
Loke anunciou pela primeira vez, em setembro, que pretendia deixar o Gabinete em protesto contra o perdão condicional. Mais tarde, disse que Anwar havia pedido que permanecesse temporariamente no cargo até o início da prisão domiciliar.
Em 6 de novembro, Loke declarou o que provocaria sua saída:
"No momento em que (Najib) pisar em casa, será quando vou renunciar".
Loke afirmou que sua posição refletia uma decisão do partido. Disse que o DAP respeita os poderes constitucionais do rei, mas discorda de permitir prisão domiciliar para alguém envolvido em um escândalo que prejudicou a economia e a reputação da Malásia.
Loke também disse que se reuniu com autoridades do Gabinete e do ministério para resolver questões administrativas e preparar a transição. Segundo ele, as operações da Ferrovia da Costa Leste e do Sistema de Trânsito Rápido Johor Bahru-Singapura começariam conforme previsto, e ele continuaria contribuindo como membro do Parlamento.
Como Najib chegou a este ponto
A situação atual de custódia de Najib começou com o caso da SRC International, envolvendo RM 42 milhões e condenações por abuso de poder, quebra de confiança e lavagem de dinheiro. A pena original era de 12 anos de prisão e uma multa de RM 210 milhões.
As principais datas mostram como essa pena deu origem à controvérsia atual:
- Julho de 2020: Najib recebeu a pena original de 12 anos no caso da SRC International.
- 23 de agosto de 2022: Começou a cumprir a pena depois que o Tribunal Federal confirmou sua condenação.
- Janeiro de 2024: Um perdão real reduziu a pena de prisão para seis anos e a multa para RM 50 milhões.
- Dezembro de 2025: Recebeu uma pena separada de 15 anos no caso do 1MDB, da qual está recorrendo.
- 18 de setembro de 2026: O rei Sultan Ibrahim concedeu o perdão condicional que permite a prisão domiciliar até 23 de agosto de 2028.
- 14 de outubro de 2026: O Tribunal Superior rejeitou um pedido para suspender a execução da pena do 1MDB.
- 6 de novembro de 2026: A UMNO pagou a multa, o Tribunal Superior emitiu a ordem de liberação e a Procuradoria-Geral pediu o adiamento da prisão domiciliar.
O perdão de janeiro de 2024 reduziu a pena de prisão pela metade. Também cortou a multa em RM 160 milhões, de RM 210 milhões para RM 50 milhões. A decisão de setembro de 2026, por sua vez, permitiu que o restante da pena da SRC fosse cumprido em casa, sujeito às condições estabelecidas.
O escândalo mais amplo do 1MDB envolvia um fundo de investimento criado em 2009, durante o governo de Najib, para apoiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento urbano. Investigadores dos Estados Unidos estimaram que até US$ 4,5 bilhões foram desviados, e mais de US$ 1 bilhão teria chegado a contas ligadas a Najib.
Os promotores descreveram a circulação de dinheiro por empresas de fachada e transações complexas, com recursos usados na compra de imóveis de luxo, um iate e obras de arte valiosas. O financista Jho Low, acusado de organizar o esquema, continua foragido. Najib afirma que foi transformado em bode expiatório pela operação mais ampla.
Principais pontos
- A Procuradoria-Geral pediu o adiamento da prisão domiciliar de Najib depois que a UMNO pagou sua multa de RM 50 milhões.
- A questão central é se o pagamento encerra a pena da SRC International ou permite que ela continue sendo cumprida em casa até 23 de agosto de 2028.
- A resposta afeta o início de uma pena separada de 15 anos de prisão no caso do 1MDB.
- Os advogados de Najib afirmam que a Procuradoria não pode adiar o perdão e deve levar suas dúvidas ao Tribunal Superior.
- A residência dele em Taman Duta foi declarada prisão com base na Lei Penitenciária de 1995.
- O ministro dos Transportes, Anthony Loke, afirma que renunciará quando Najib começar a cumprir prisão domiciliar.
- A equipe jurídica de Najib confirmou que ele continuava na Penitenciária de Kajang após o adiamento.






