Paquistão busca financiamento climático diante de necessidade de US$ 348 bilhões e plano de investimentos ampliado

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Pakistan Seeks Climate Finance as $348 Billion Need Meets an Expanded Investment Plan

Uma lista maior de projetos enfrenta um desafio de financiamento muito mais amplo

O Paquistão ampliou seu Plano de Prosperidade Climática para 100 projetos, avaliados em US$ 8,5 bilhões, enquanto autoridades buscam financiamento internacional mais barato, investimentos privados e acesso ao mercado de carbono para apoiar ações climáticas até 2030. Em discurso em Islamabad, durante a 29ª Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável, em 4 de novembro de 2026, Rana Ihsaan Afzal Khan, coordenador do primeiro-ministro para comércio e indústria, descreveu a lacuna de financiamento climático do país como sendo de US$ 348 bilhões.

Conteúdo
  1. Uma lista maior de projetos enfrenta um desafio de financiamento muito mais amplo
  2. O que inclui o plano ampliado de prosperidade
  3. Quem selecionaria os projetos e organizaria o financiamento?
  4. Por que a coordenação se tornou uma questão de financiamento
  5. Por que o Paquistão busca financiamento mais barato e projetos mais bem preparados
  6. Avanço da energia solar põe baterias e contratos de carvão em foco
  7. Transporte elétrico e mercados de carbono ampliam a agenda
  8. Investimento climático está ligado ao debate mais amplo sobre crescimento
  9. Marcos da estratégia à execução
  10. Principais pontos

A Estratégia Nacional de Financiamento Climático do Ministério das Mudanças Climáticas e da Coordenação Ambiental, publicada em 2024, estima em US$ 348 bilhões o investimento necessário para a resiliência climática até 2030, além de apresentar uma estimativa mais restrita, de US$ 200 bilhões, para cumprir os compromissos climáticos nacionais. Khan usou o valor mais alto para descrever o déficit de financiamento. A estratégia registra cerca de US$ 4 bilhões investidos em atividades climáticas em 2021, mostrando como os recursos destinados historicamente ao tema foram escassos diante das necessidades declaradas pelo país.

Hamza Ali Haroon, diretor regional para o Sul e o Oeste da Ásia do Fórum dos Países Vulneráveis às Mudanças Climáticas e do V20, disse que o plano de projetos revisado havia sido encaminhado ao Ministério das Finanças. As autoridades também estão desenvolvendo uma plataforma nacional, um mecanismo compartilhado para selecionar projetos, organizar o financiamento e coordenar instituições federais e provinciais.

Para famílias e empresas, a agenda vai muito além dos mecanismos de financiamento governamental. Ela abrange agricultura capaz de resistir a condições climáticas extremas, infraestrutura mais confiável, eletricidade e transporte mais limpos e apoio a exportadores que enfrentam exigências ambientais no exterior. As enchentes de 2022 mostram o que está em jogo: segundo a estratégia do ministério, os prejuízos foram estimados em US$ 30 bilhões e mais de 33 milhões de pessoas foram afetadas.

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O que inclui o plano ampliado de prosperidade

Haroon disse na conferência que o Plano de Prosperidade Climática passou de 69 projetos, avaliados em US$ 4,5 bilhões, para 100 projetos, com custo de US$ 8,5 bilhões. Uma declaração anterior de consulta do CVF-V20 avaliava em mais de US$ 4,85 bilhões os 69 projetos incluídos no Livro do Investidor. Com base nos números apresentados na conferência, a revisão acrescenta 31 projetos e US$ 4 bilhões em investimentos propostos.

O Livro do Investidor anterior abrangia oito áreas: agricultura resiliente às mudanças climáticas, eficiência energética e transição, veículos elétricos e transporte, economia circular, infraestrutura resiliente, soluções baseadas na natureza, zonas econômicas verdes e proteção financeira. Uma economia circular mantém os materiais em uso por meio de reparo, reutilização e reciclagem, reduzindo o desperdício e a demanda por novos recursos.

O plano mais amplo prevê necessidades de investimento de US$ 1,6 trilhão até 2050. Seu objetivo é transformar políticas existentes em projetos que investidores e instituições de desenvolvimento possam avaliar e financiar. Entre essas políticas estão a Contribuição Nacionalmente Determinada do Paquistão, ou NDC 3.0, seu compromisso climático no âmbito do Acordo de Paris, além do Plano Nacional de Adaptação de 2023, dos planos de biodiversidade, do URAAN Pakistan e da Taxonomia Verde.

A taxonomia oferece um método comum para classificar atividades consideradas ambientalmente sustentáveis. Associada a uma lista de projetos e a mecanismos de financiamento, ela pode ajudar órgãos públicos e investidores a adotar as mesmas definições ao decidir onde aplicar recursos.

Quem selecionaria os projetos e organizaria o financiamento?

Adnan Pasha, assessor do ministro das Finanças, disse que a Divisão de Finanças lideraria a estrutura institucional para mobilizar recursos climáticos e apoiaria projetos de ministérios federais e governos provinciais. As propostas provinciais passariam primeiro pelos respectivos Departamentos de Planejamento e Desenvolvimento e, em seguida, seriam priorizadas pelo Ministério das Mudanças Climáticas e da Coordenação Ambiental.

Depois, a Divisão de Finanças elaboraria a estrutura de financiamento. A Divisão de Assuntos Econômicos e o Departamento de Financiamento Externo ajudariam a negociar com parceiros de desenvolvimento e a organizar o financiamento externo. Pasha disse que a seleção de projetos deveria refletir as prioridades nacionais e as diferentes necessidades de adaptação de cada província. Adaptação significa preparar pessoas, infraestrutura e atividade econômica para efeitos climáticos como enchentes, calor e escassez de água.

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A declaração anterior do CVF-V20 descreveu a plataforma proposta como uma iniciativa liderada conjuntamente pelos ministérios das Finanças e do Clima, com a participação das províncias, de parceiros de desenvolvimento, bancos multilaterais de desenvolvimento e investidores privados. Haroon disse que as consultas resultaram em seis modelos operacionais, ressaltando a importância da apropriação nacional, da capacidade de implementação e da experiência em investimentos.

Na consulta do ministério, em 14 de maio, as províncias foram convidadas a indicar responsáveis pela coordenação, identificar projetos adicionais e apoiar a plataforma. A secretária do Ministério do Clima, Aisha Humera Chaudhry, também solicitou consultas provinciais e propôs a realização de eventos conjuntos para apresentar projetos a investidores, com o CVF-V20, levando propostas de investimento das províncias diretamente a potenciais financiadores.

Por que a coordenação se tornou uma questão de financiamento

Dr. Muhammad Rafiq, da Autoridade de Mudanças Climáticas do Paquistão, disse que as iniciativas climáticas estavam dispersas entre ministérios federais e instituições provinciais, deixando lacunas em dados, governança, planejamento e orçamentos. Nos termos da Lei de Mudanças Climáticas do Paquistão de 2017, a autoridade tem competência nacional. Rafiq disse que sua composição inclui seis representantes provinciais e cinco federais.

A autoridade coordenaria suas ações com os ministérios existentes e os governos provinciais. A plataforma proposta reuniria a Estrutura de Finanças Sustentáveis do Ministério das Finanças, a Estrutura de Financiamento Combinado do Ministério do Planejamento e a estratégia nacional de financiamento climático. O financiamento combinado reúne recursos públicos ou de desenvolvimento e investimentos privados, muitas vezes usando a contribuição pública para reduzir riscos que, de outra forma, afastariam investidores.

A estratégia de 2024 já propõe quatro órgãos de coordenação: um comitê diretor formado por secretários, um comitê técnico de financiamento climático, comitês técnicos provinciais e uma Unidade de Monitoramento e Avaliação do Financiamento Climático. Na prática, cabe à plataforma conectar esses mecanismos para integrar a preparação de projetos, as decisões de financiamento e o monitoramento.

Rafiq disse que uma proposta havia sido enviada ao Fundo Verde para o Clima e que a decisão era esperada para a semana seguinte à conferência de novembro. Não foi informada uma data exata para a decisão. A revisão inicial da estratégia nacional está prevista para o ano fiscal de 2027, criando mais um momento para avaliar o progresso e ajustar os planos de financiamento.

Por que o Paquistão busca financiamento mais barato e projetos mais bem preparados

Khan pediu que a comunidade internacional vá além dos empréstimos comerciais e ofereça recursos para perdas e danos e financiamento em condições concessionais por meio de instituições multilaterais. O financiamento concessional oferece condições mais favoráveis do que empréstimos convencionais de mercado, como juros menores ou prazos de pagamento mais longos. Os recursos para perdas e danos se destinam a enfrentar prejuízos associados aos impactos climáticos.

O argumento foi que os países que pedem ao Paquistão que adote uma economia mais limpa também deveriam ajudar a financiar essa transição. O apelo leva a política climática diretamente ao debate econômico mais amplo do país: os custos dos empréstimos e os prazos de pagamento afetam a margem que o governo tem para investir em serviços públicos e infraestrutura.

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O relato da conferência do Instituto de Políticas de Desenvolvimento Sustentável também registra a preocupação de Khan de que fundos climáticos internacionais e investidores institucionais dispõem de capital, mas precisam de projetos viáveis do ponto de vista comercial e financeiro. Ele pediu mecanismos de preparação de projetos e assistência técnica para transformar prioridades nacionais em propostas prontas para receber investimentos.

Preparar um projeto significa definir seus custos, benefícios esperados, mecanismos de execução e riscos financeiros antes de buscar recursos. Para o Paquistão, é nessa etapa que a lista de projetos de US$ 8,5 bilhões precisa se transformar em propostas detalhadas de investimento. O financiamento público e o capital privado também precisam ser direcionados a finalidades diferentes, como a proteção pública contra enchentes e investimentos capazes de gerar receita.

Avanço da energia solar põe baterias e contratos de carvão em foco

Khan disse que, em 2024, o Paquistão importou mais capacidade de geração solar do que qualquer outro país e que a energia solar distribuída forneceu mais de um quarto da eletricidade nacional em 2025. Energia solar distribuída é gerada por sistemas instalados em residências, empresas e outros locais, em vez de concentrada em grandes usinas. Ele também mencionou a importação de cerca de 4,5 gigawatts de equipamentos de armazenamento em baterias nos seis meses anteriores.

O governo está preparando uma política para incentivar a fabricação local de baterias e transformar o Paquistão em um centro regional de produção. As baterias podem armazenar eletricidade solar para uso depois do pôr do sol ou quando a oferta diminui. O valor importado foi expresso em gigawatts, uma medida de potência; a duração do armazenamento também depende da quantidade de energia que as baterias podem reter.

Em outra sessão da conferência, o ex-ministro do Clima Malik Amin Aslam disse que famílias e empresas já buscavam eletricidade mais limpa, enquanto as políticas estavam atrasadas. Michael Williamson, da Comissão Econômica e Social das Nações Unidas para a Ásia e o Pacífico, disse que o Paquistão enfrenta uma transição difícil porque a maioria de suas usinas a carvão entrou em operação depois de 2015 e ainda tem obrigações financeiras substanciais.

Entre essas obrigações estão os pagamentos por capacidade, que remuneram geradores por manter disponível a capacidade contratada. O especialista em transição energética Dr. Christoph Nedopil Wang argumentou que o financiamento da aposentadoria de usinas a carvão deveria considerar valores realistas dos ativos, com base na demanda futura de eletricidade. Ali Nawaz Leghari, do Conselho de Energia Privada e Infraestrutura, defendeu a conversão de usinas que usam carvão importado para o carvão nacional de Thar, argumentando que a geração confiável continua necessária junto com a energia renovável e as baterias.

Transporte elétrico e mercados de carbono ampliam a agenda

Khan disse que a Política Automotiva 2026-31 e a Política de Veículos Elétricos buscam atingir 30% de participação dos veículos elétricos até 2030, com economia projetada superior a US$ 15 bilhões. O SDPI informou que a política automotiva havia sido aprovada recentemente. O programa Pakistan Accelerated Vehicle Electrification, conhecido como PAVE, oferece subsídios para motocicletas elétricas e veículos de três rodas.

O programa conecta a política climática às compras do dia a dia, especialmente de veículos usados no deslocamento e em pequenos negócios de transporte. Khan também citou a apresentação da NDC 3.0 pelo Paquistão e sua 15ª posição no Índice de Desempenho em Mudanças Climáticas de 2026 como parte do balanço de avanços feito pelo governo.

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Em Sindh, Khan disse que 13 projetos de mercado de carbono haviam sido finalizados, com potencial para reduzir as emissões em mais de 330 milhões de toneladas. Ele também mencionou uma lista de projetos climáticos avaliada em cerca de US$ 62 milhões. Os mercados de carbono podem gerar receita com a venda de créditos vinculados a reduções mensuradas de emissões ou à remoção de carbono, o que torna a medição e a verificação confiáveis fundamentais para o desenvolvimento dos projetos.

O Ministério do Comércio está trabalhando na criação de uma instituição nacional para ajudar exportadores a cumprir exigências ambientais internacionais, incluindo o Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira da União Europeia, ou CBAM. Esse mecanismo vincula os custos de carbono às emissões associadas a determinados bens importados. Para os exportadores afetados, o trabalho inclui medir as emissões da produção e cumprir os requisitos de declaração pertinentes.

Investimento climático está ligado ao debate mais amplo sobre crescimento

Khan associou a energia renovável e a agricultura verde à meta de crescimento sustentável de 6%, impulsionado pelas exportações, e à ambição de ampliar a economia do Paquistão para US$ 1 trilhão até 2035. Outros debates na conferência se concentraram nas reformas necessárias para converter investimentos em produção industrial, empregos e melhores condições de vida.

Mirza Ikhtiar Baig, integrante da Assembleia Nacional e de comitês ligados a finanças, comércio e assuntos econômicos, disse que a consolidação fiscal e a redução do risco imediato de calote não se traduziram em empregos suficientes, crescimento das exportações ou alívio para a população. O economista-chefe da Comissão de Planejamento, Dr. Muhammad Ali Talpur, destacou a estabilidade política, a consistência das políticas e a implementação, mencionando um plano econômico de cinco anos apoiado por planos anuais e por uma revisão durante sua execução.

O economista Khaqan Najeeb apontou uma crise de competência tanto nas instituições públicas quanto nas empresas privadas. Ele disse que estruturas de propriedade familiar podem limitar a gestão profissional e a expansão dos negócios e criticou a dependência recorrente de programas do Fundo Monetário Internacional sem resolver fragilidades estruturais. Segundo seu relato, o Paquistão participou de 25 programas ao longo de 79 anos.

O debate sobre tarifas trouxe um alerta prático para a agenda de investimentos climáticos. Dr. Anil Salman, do Instituto de Pesquisa Política de Islamabad, defendeu que as políticas comerciais, industriais e tributárias atuem de forma integrada, com resultados avaliados pela produtividade, pelo número de novos exportadores e pelo crescimento efetivo das exportações. O economista Dr. Kaiser Bengali argumentou que os incentivos que direcionam investimentos para imóveis e shopping centers deveriam ser redirecionados para a indústria, o processamento local e a geração de empregos.

Marcos da estratégia à execução

A próxima etapa do Paquistão reúne compromissos assumidos ao longo de vários anos. A sequência mostra como a estratégia nacional de financiamento, as consultas provinciais e a lista ampliada de projetos devem se conectar.

  • 2022: As enchentes causaram prejuízos estimados em US$ 30 bilhões e afetaram mais de 33 milhões de pessoas, segundo a estratégia do Ministério do Clima.
  • 2024: A Estratégia Nacional de Financiamento Climático definiu as necessidades de financiamento, propostas institucionais e um calendário de revisões a cada dois anos.
  • 14 de maio: O Ministério do Clima reuniu os governos federal e provinciais para alinhar o Plano de Prosperidade Climática aos compromissos nacionais e aos projetos provinciais.
  • 4 de novembro de 2026: Os debates da conferência apresentaram o plano ampliado, com 100 projetos avaliados em US$ 8,5 bilhões, e a plataforma de financiamento proposta.
  • Na semana seguinte: As autoridades esperavam uma decisão do Fundo Verde para o Clima sobre a proposta da plataforma.
  • Ano fiscal de 2027: Está prevista a revisão inicial da estratégia nacional de financiamento climático.

O trabalho imediato é concreto: preparar projetos, definir responsabilidades, estruturar o financiamento e conectar prioridades provinciais a investidores. O plano ampliado oferece ao Paquistão uma agenda de investimentos mais ampla. Para executá-la, é preciso que os mecanismos de financiamento e administrativos discutidos em Islamabad funcionem em conjunto.

Principais pontos

  • Khan descreveu uma lacuna de financiamento climático de US$ 348 bilhões até 2030; a estratégia nacional usa esse valor para estimar as necessidades de investimento em resiliência climática.
  • O Plano de Prosperidade Climática agora abrange 100 projetos propostos, avaliados em US$ 8,5 bilhões.
  • Uma plataforma nacional proposta coordenaria projetos federais e provinciais e o financiamento internacional.
  • O Paquistão busca financiamento concessional, capital privado e acesso ao mercado de carbono, além de melhorar a preparação de projetos.
  • A fabricação de baterias, o transporte elétrico e o cumprimento de exigências por exportadores integram a agenda econômica mais ampla.
  • Esperava-se uma decisão do Fundo Verde para o Clima após a conferência, enquanto a primeira revisão da estratégia está prevista para o ano fiscal de 2027.
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