Escolha de fornecedor de eletricidade chegaria às famílias em cinco anos
A Comissão Reguladora de Energia das Filipinas (ERC) está elaborando um roteiro para permitir que todos os consumidores de eletricidade escolham um fornecedor até 2031, com apoio de uma implantação nacional de medidores inteligentes estimada entre P70 bilhões e P140 bilhões. A transição ampliaria para pequenos comércios e residências individuais uma opção hoje disponível principalmente para empresas maiores.
Conteúdo
- Escolha de fornecedor de eletricidade chegaria às famílias em cinco anos
- O que a mudança para 100 kW permite
- Como funcionaria a escolha de um fornecedor
- O cronograma de 2027 a 2031
- Medidores inteligentes exigem um grande investimento
- Por que um centro de dados centralizado é importante
- Grupos residenciais testariam a troca coletiva de fornecedor
- Contratos de energia existentes criam um desafio para a transição
- Proteção ao consumidor moldará os resultados
- Principais pontos
O plano preliminar reduziria de 100 quilowatts (kW) para 50 kW, em 2027, a demanda mínima de eletricidade necessária para participar da concorrência no varejo. O limite permaneceria nesse patamar até 2029, cairia para 30 kW em 2030 e seria eliminado em 2031. A participação das residências também dependeria de um medidor inteligente compatível.
A ERC descreveu sua meta em termos tanto da elegibilidade quanto dos equipamentos e das garantias necessários para tornar possível a troca de fornecedor:
Até 2031, todos os consumidores finais de eletricidade filipinos, da maior fábrica à menor residência, terão o direito e os meios práticos para escolher um fornecedor, com o apoio de medidores inteligentes, dados de mercado confiáveis e fortes proteções ao consumidor.
O cronograma para as residências ainda é uma proposta de transição, enquanto a redução de 500 kW para 100 kW já foi aprovada, com entrada em vigor em 26 de junho de 2026. As etapas posteriores dependeriam dos preparativos de fornecedores de eletricidade, concessionárias de distribuição, fornecedores de medidores e sistemas de mercado.
O que a mudança para 100 kW permite
A redução aprovada abrange a Concorrência no Varejo e o Acesso Aberto (RCOA) e o Programa de Agregação no Varejo (RAP). A ERC estima que a passagem de 500 kW para 100 kW colocará outros 12 mil usuários comerciais e industriais de médio porte ao alcance da concorrência.
A elegibilidade é medida pela demanda de pico média mensal. Quilowatts medem a potência de que um consumidor precisa em determinado momento. Quilowatts-hora, as unidades normalmente indicadas nas contas de luz, medem a quantidade de eletricidade usada ao longo do tempo. Portanto, o limite de demanda diz respeito à dimensão da necessidade de energia do consumidor, e não simplesmente ao valor da conta mensal.
O presidente e diretor-executivo da ERC, Francis Saturnino C. Juan, afirmou que a ampliação busca oferecer mais opções aos consumidores e estimular a concorrência entre fornecedores:
Ao ampliar o acesso ao varejo para mais consumidores finais, promovemos uma escolha genuína para o consumidor e estimulamos uma concorrência capaz de levar a preços melhores, maior qualidade de serviço e inovação no setor elétrico.
As concessionárias de distribuição e os prestadores de serviços de medição no varejo receberam um período de transição de oito meses para adquirir e instalar equipamentos de medição em conformidade com as regras. Consultas públicas em Luzon, Visayas e Mindanao levantaram preocupações sobre a disponibilidade de equipamentos, os prazos de aquisição e a eletricidade já comprometida em contratos de fornecimento existentes.
Como funcionaria a escolha de um fornecedor
Em geral, as residências compram eletricidade da concessionária de distribuição que atende sua área de concessão. Os consumidores que continuam nesse modelo são chamados de consumidores cativos. Os consumidores elegíveis que podem escolher uma empresa varejista são chamados de consumidores livres.
O RCOA permite que um consumidor elegível compre eletricidade de um fornecedor escolhido, em vez de depender do modelo padrão de fornecimento. A rede local de distribuição ainda seria necessária para levar essa eletricidade até o imóvel. A mudança diz respeito a quem vende a energia, e não à instalação de uma rede separada de fios para cada residência.
O RAP oferece outra alternativa aos usuários menores: eles podem agrupar sua demanda para atingir o limite de participação e escolher um fornecedor coletivamente. O roteiro abrangente planejado pela ERC também inclui o Programa de Opção por Energia Verde, que permite aos consumidores participantes obter toda a eletricidade de fontes renováveis.
A Lei de Reforma do Setor de Energia Elétrica de 2001 atribui à ERC a tarefa de reduzir o limite de participação. A comissão afirma que as próximas etapas darão continuidade a um mercado varejista competitivo que começou a operar 13 anos antes da proposta de ampliação para as residências.
O cronograma de 2027 a 2031
Juan apontou 50 kW em 2027 como a próxima meta, com novas reduções apoiadas pela preparação do setor e por aprovações mais rápidas para investimentos em medição. O roteiro combina mudanças nos critérios de elegibilidade com metas específicas de infraestrutura:
- 2027: Meta de limite de 50 kW, reforço das proteções para consumidores menores e preparação das áreas de concessão de distribuição para a transição.
- 2028: Manutenção do limite em 50 kW, início dos serviços de um cadastro central e implantação da primeira leva de medidores inteligentes.
- 2029: Manutenção do limite de 50 kW, aceleração da instalação de medidores inteligentes e projetos-piloto de participação coletiva em comunidades residenciais.
- 2030: Redução do limite para 30 kW, se as etapas anteriores atingirem as metas de desempenho, ampliando o acesso para pequenas empresas e algumas residências maiores.
- 2031: Eliminação do limite de demanda restante, com a participação das residências apoiada por medidores inteligentes compatíveis e sistemas de mercado.
A pausa no limite de 50 kW daria tempo para as empresas se adaptarem enquanto os sistemas técnicos são ampliados. Um limite de elegibilidade menor cria um grupo maior de potenciais consumidores, mas os cadastros, as leituras dos medidores, as contas e os pagamentos também precisam funcionar de forma confiável para que eles possam trocar de fornecedor.
A ERC planeja preparar medidas de transição para áreas de concessão de distribuição selecionadas. A preparação local é importante porque as concessionárias diferem na composição de seus clientes, nos investimentos em medição e nos compromissos de compra de eletricidade assumidos em contratos existentes.
Medidores inteligentes exigem um grande investimento
A ERC estima que a implantação nacional de uma Infraestrutura Avançada de Medição (AMI) custaria de P70 bilhões a P140 bilhões. A AMI combina medidores inteligentes com sistemas de comunicação e dados, permitindo registrar e transmitir remotamente o consumo de eletricidade.
As regras aprovadas para a AMI abrangem padrões técnicos, cibersegurança e privacidade dos dados dos consumidores. Elas permitem que concessionárias de distribuição e outras entidades autorizadas pela ERC adotem sistemas capazes de fazer leituras remotas dos medidores, gerenciar a demanda de eletricidade e detectar interrupções no fornecimento.
Os consumidores poderiam acompanhar o uso de eletricidade pelo canal de dados do medidor do consumidor, ou CMDC. Informações mais atualizadas poderiam ajudar uma família a perceber quando o consumo aumenta e ajustar o uso de eletrodomésticos. As concessionárias também poderiam usar os dados dos medidores para identificar interrupções e investigar adulterações ou furtos de eletricidade.
O roteiro apresenta uma estimativa ampla de investimento, mas não especifica como os P70 bilhões a P140 bilhões seriam divididos entre concessionárias, fornecedores de medidores e consumidores, nem detalha as proteções finais para as residências e as metas de desempenho. Essas decisões ajudarão a determinar o custo e as condições de participação.
Por que um centro de dados centralizado é importante
O Operador Independente do Mercado de Eletricidade das Filipinas (IEMOP), responsável pelo Mercado Atacadista à Vista de Eletricidade, integraria um centro centralizado de dados de medição. Os serviços iniciais do cadastro estão previstos para 2028.
O centro reuniria um registro comum de consumidores, pontos de conexão, empresas varejistas, fornecedores de medidores e consumo de eletricidade. Essas informações são necessárias para atribuir o consumo ao fornecedor correto e calcular quanto cada participante deve pagar.
A ERC explicou por que a ampliação para milhões de usuários menores muda o desafio operacional:
Quando a escolha de fornecedor no varejo chegar a milhões de pequenos consumidores, o principal desafio operacional do mercado deixará de ser a geração ou a contratação e passará a ser os dados: saber qual consumidor está em cada ponto de conexão, quem é sua empresa varejista e seu fornecedor de medidor, e quanto ele consumiu em cada intervalo.
A comissão coordenará com o Departamento de Energia e o IEMOP os sistemas de faturamento, cadastro e liquidação financeira. A liquidação é o processo de calcular e pagar os valores devidos entre os participantes do mercado. Registros precisos são essenciais quando um consumidor troca de empresa varejista.
Grupos residenciais testariam a troca coletiva de fornecedor
Condomínios, loteamentos e cooperativas habitacionais foram selecionados para projetos-piloto em 2029. Os moradores reuniriam sua demanda de eletricidade e buscariam coletivamente um fornecedor, enquanto a instalação de medidores inteligentes seria acelerada nas áreas participantes.
A agregação pode incluir consumidores menores no mercado antes que todas as residências atendam individualmente aos critérios de elegibilidade. Um grupo pode alcançar um requisito de demanda que uma residência isolada não conseguiria, permitindo que os membros participem por meio de um acordo compartilhado.
A etapa proposta de 30 kW ampliaria a elegibilidade individual para usuários como padarias, estabelecimentos comerciais menores e algumas residências grandes. A eliminação completa do limite em 2031 permitiria então a participação de residências com necessidades de energia muito menores.
A participação já cresceu sob o modelo atual. Em agosto de 2026, 2.692 consumidores livres e 311 grupos de agregação no varejo haviam trocado de fornecedor. Os números anteriores de adesão eram de mais de 2.300 consumidores do RCOA e 37 grupos agregados, representando uma demanda de quase 31 megawatts.
Contratos de energia existentes criam um desafio para a transição
As concessionárias de distribuição têm acordos para comprar eletricidade destinada aos consumidores que atendem. Quando os consumidores migram para outros fornecedores, as concessionárias podem continuar vinculadas a compromissos previstos nesses acordos. Por isso, o roteiro da ERC acompanha o volume de fornecimento contratado que poderia ficar exposto à concorrência à medida que a elegibilidade se amplia.
A comissão estima a exposição anual dos contratos em cerca de P38,34 bilhões no limite de 100 kW, aproximadamente P56 bilhões em 50 kW e P77,06 bilhões com a livre escolha de fornecedor no varejo. O valor final é cerca do dobro do primeiro, mostrando quanto maior se torna a base de contratos afetada quando as residências entram no mercado.
A etapa de entrada em 50 kW coincide com o vencimento de cerca de 2.063 megawatts em contratos de energia, a maioria pertencente à Manila Electric Co. (Meralco). O vencimento dos acordos dá às concessionárias a oportunidade de ajustar as compras futuras à medida que os consumidores passam a ter a opção de escolher um fornecedor.
A ERC afirmou que, depois de 2027, a exposição restante passaria a se concentrar em outras áreas de concessão de distribuição:
Assim, depois de 2027, a maior parte da exposição estará nas outras áreas de concessão.
O efeito real dependeria, em parte, de quantos usuários elegíveis trocariam de fornecedor. A comissão descreveu um cenário em que apenas metade aderisse à opção:
Nem todo consumidor elegível vai trocar de fornecedor; com adesão de 50%, a exposição bruta em pesos cai pela metade e o impacto na tarifa dos consumidores cativos diminui mais da metade… Os consumidores cativos não são os garantidores dos contratos antigos.
Proteção ao consumidor moldará os resultados
A ERC planeja reforçar a proteção dos consumidores livres de menor porte durante os três primeiros anos. Entre as prioridades anunciadas estão empresas varejistas financeiramente sólidas, serviços de medição competitivos, dados de mercado confiáveis e garantias adequadas às famílias.
Para as famílias, o resultado prático dependerá tanto do contrato de fornecimento quanto do custo de participação no mercado. Uma oferta competitiva precisa ser avaliada junto com as condições de medição e as demais cobranças associadas ao fornecimento de eletricidade. A declaração de Juan apresenta preços melhores como um possível resultado da concorrência, e não como uma redução garantida para todos os consumidores.
A comissão afirma que o ritmo de redução dos limites precisa ser acompanhado por equipamentos e instituições em pleno funcionamento. Sua avaliação destaca se os consumidores conseguirão de fato exercer a nova opção:
O sucesso depende menos da velocidade com que os limites são reduzidos do que da solidez do que os sustenta: medidores inteligentes instalados, um centro centralizado de dados confiável, serviços de medição competitivos, empresas varejistas financeiramente sólidas e proteções ao consumidor adequadas às famílias.
A próxima meta é de 50 kW em 2027. As etapas seguintes, incluindo o cadastro e a implantação de medidores em 2028 e os projetos-piloto residenciais de 2029, mostrarão como o direito proposto de escolher um fornecedor se transforma em um serviço que as famílias possam usar.
Principais pontos
- A ERC está elaborando um roteiro para ampliar a escolha de fornecedor de eletricidade a todos os usuários até 2031.
- O limite aprovado de 100 kW entra em vigor em 26 de junho de 2026 e amplia o acesso potencial para cerca de 12 mil usuários.
- Os próximos limites propostos são de 50 kW em 2027 e 30 kW em 2030, seguidos da eliminação do requisito de demanda em 2031.
- A implantação nacional de medidores inteligentes está estimada entre P70 bilhões e P140 bilhões.
- Projetos-piloto de agregação residencial estão previstos para condomínios, loteamentos e cooperativas habitacionais em 2029.
- A preparação dos sistemas de medição, as garantias ao consumidor e os contratos existentes das concessionárias moldarão a transição.






