Hanwha vence contrato de US$ 269 milhões da Marinha dos EUA para construir navio de desembarque em estaleiro da Filadélfia

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Hanwha Wins $269 Million U.S. Navy Landing Ship Contract for Philadelphia Yard

Estaleiro da Filadélfia entra na construção naval da Marinha

A Hanwha Defense USA garantiu um contrato de US$ 269 milhões para construir um navio de desembarque médio da Marinha dos EUA na Filadélfia. Com isso, o grupo sul-coreano recebe seu primeiro pedido de construção naval da Marinha e leva de volta a construção de embarcações militares a uma cidade onde o antigo Estaleiro Naval da Filadélfia fechou em 1995.

Conteúdo
  1. Estaleiro da Filadélfia entra na construção naval da Marinha
  2. Um contrato firme, com três possíveis adicionais
  3. Como funciona o novo modelo de contratação
  4. Um navio menor para ilhas e praias de águas rasas
  5. As datas que definem as entregas
  6. Expansão vai além de um único navio de desembarque
  7. Trabalho anterior para o governo serve de ponto de partida
  8. Investimento coreano dentro das regras americanas de construção
  9. O que muda para os trabalhadores e a frota
  10. Principais pontos

O acordo, assinado com a TOTE Services em 29 de outubro de 2026 e anunciado em 30 de outubro, prevê um navio no estaleiro Hanwha Philly Shipyard, com opções para outros três. A construção deve começar no quarto trimestre de 2027. A TOTE prevê a entrega da primeira embarcação do programa em 2030, um ano depois da previsão de 2029 divulgada anteriormente pela Marinha.

O contrato reúne duas mudanças na construção naval americana: uma empresa coreana usa um estaleiro que comprou nos Estados Unidos para entrar na construção de embarcações militares, enquanto a Marinha coloca uma gestora privada de construção entre ela e os estaleiros para coordenar as entregas.

A Hanwha adquiriu o Philly Shipyard em dezembro de 2024 por cerca de US$ 100 milhões. Desde então, afirma ter investido aproximadamente US$ 350 milhões em equipamentos, tecnologia e preparação da força de trabalho. O número de funcionários subiu de cerca de 1.800 para 2.300, e a empresa pretende chegar a 4.000 ou mais.

O navio transportará fuzileiros navais, veículos militares, equipamentos e suprimentos entre pontos costeiros, inclusive ilhas do Indo-Pacífico. A capacidade de chegar a praias de águas rasas é central para uma estratégia militar que distribui grupos menores por diferentes locais, em vez de concentrá-los em algumas grandes bases.

Um contrato firme, com três possíveis adicionais

A TOTE Services escolheu a Hanwha após convidar estaleiros americanos qualificados a apresentar propostas em julho de 2026. A empresa destacou os preços competitivos e a aceitação, pela Hanwha, dos termos de subcontratação. O processo de seleção também levou em conta segurança, qualidade e desempenho nas entregas.

O contrato de US$ 269 milhões prevê a compra de uma embarcação. As opções permitem que a TOTE encomende outras três à unidade da Filadélfia, caso decida exercê-las. Jeff Dixon, presidente da TOTE, vinculou esses navios adicionais à execução bem-sucedida do trabalho inicial.

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O pedido da Hanwha faz parte do contrato de US$ 2,2 bilhões da TOTE para atuar como gestora da construção de embarcações, concedido pela Marinha em julho. O contrato-base prevê até oito navios, enquanto a Marinha e o Corpo de Fuzileiros Navais planejam uma frota de 35.

A Marinha direcionou o trabalho de um navio para a Bollinger Shipyards e de quatro para a Fincantieri Marinette Marine. O contrato da Fincantieri, firmado em abril de 2026, cobriu materiais que precisavam ser comprados antecipadamente e a preparação da produção de quatro embarcações. A TOTE afirma que as negociações contratuais com as duas empresas continuam. A Hanwha é o primeiro estaleiro selecionado pelo processo competitivo da TOTE.

Na prática, o programa inicial envolve três construtores nacionais, com diferentes etapas contratuais ainda em andamento. A previsão de entrega mais recente começa em 2030; a ambição mais ampla é formar uma frota de 35 navios.

Como funciona o novo modelo de contratação

A TOTE Services atua como contratada principal, ou seja, mantém o contrato central com a Marinha e tem responsabilidade contratual direta pela supervisão da construção e das entregas. Estaleiros como o da Hanwha executam a construção por meio de subcontratos.

O modelo de gestora da construção de embarcações é conhecido na construção naval comercial, mas é uma novidade nas aquisições de navios da Marinha. Em vez de deixar cada estaleiro administrar uma produção em grande parte independente, a TOTE deve conectar os requisitos do governo à construção nas unidades participantes.

A TOTE planeja padronizar a configuração dos navios e comprar materiais em grupos, em um modelo conhecido como compra em bloco. Encomendar os mesmos componentes para várias embarcações pode tornar a demanda mais previsível para os fornecedores e ajudar a obter preços melhores. Manter os projetos uniformes também reduz a quantidade de peças e configurações diferentes que os construtores precisam administrar.

Jeff Dixon, presidente da TOTE Services, descreveu o cronograma e o processo competitivo ao anunciar o contrato:

Por meio de um processo competitivo, garantimos condições favoráveis ao governo, além de posições de construção que permitem iniciar as obras no quarto trimestre de 2027.

O escritório de Aquisições de Portfólio para Assuntos Marítimos da Marinha aprovou o modelo. Um dos principais objetivos é limitar mudanças desnecessárias após o início da construção. Autoridades da Marinha apontaram alterações repetidas nos projetos dos navios como um dos fatores que contribuem para atrasos e aumento de custos.

Um navio menor para ilhas e praias de águas rasas

O navio de desembarque médio, cuja sigla em inglês é LSM, foi projetado para transportar até cerca de 100 fuzileiros navais e seus veículos até a costa, inclusive durante operações de combate. Com aproximadamente 100 metros de comprimento e 16 metros de largura, oferece uma opção menor para deslocar forças e suprimentos por arquipélagos.

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A Marinha e o Corpo de Fuzileiros Navais revelaram em dezembro de 2025 que o projeto se baseia em um modelo da construtora naval holandesa Damen. O projeto de referência deriva do LST 100 da Damen, um navio de desembarque concebido para águas rasas e acesso direto a praias por meio de portas de proa e uma rampa.

A embarcação tem deslocamento leve de aproximadamente 2.687 toneladas. Deslocamento leve é o peso do navio sem sua carga operacional de combustível, carga e tripulação. O projeto original da Damen é descrito com cerca de 4.000 toneladas em configuração carregada, o que explica por que descrições baseadas em diferentes condições de carregamento apresentam pesos distintos.

As especificações publicadas indicam um alcance de aproximadamente 7.400 quilômetros. Os requisitos do programa incluem alcance mínimo de 3.400 milhas náuticas, cerca de 6.300 quilômetros, velocidade sustentada de 15 nós e capacidade para transportar mais de 500 toneladas de fuzileiros navais e equipamentos. Uma plataforma de pouso na popa deve permitir operações com helicópteros e aeronaves capazes de decolar e pousar verticalmente.

Para os fuzileiros navais em operação no Indo-Pacífico, o acesso a praias permite levar suprimentos e veículos a locais sem grandes portos. O navio apoia as Operações de Base Avançada Expedicionária, uma estratégia do Corpo de Fuzileiros Navais na qual forças menores operam a partir de posições costeiras dispersas e se deslocam entre elas.

As datas que definem as entregas

O contrato da Hanwha vem após quase dois anos de investimentos e preparação na Filadélfia. Funcionários da Hanwha Defense USA começaram a trabalhar no estaleiro no início de 2026 para prepará-lo para a construção naval militar.

Os principais marcos são:

  • Dezembro de 2024: a Hanwha adquiriu o Philly Shipyard por cerca de US$ 100 milhões.
  • Dezembro de 2025: a Marinha e o Corpo de Fuzileiros Navais revelaram que o projeto do navio de desembarque se baseia em um modelo da Damen.
  • Abril de 2026: a Fincantieri Marinette Marine recebeu um contrato inicial para materiais e preparação da produção.
  • Julho de 2026: a Marinha concedeu à TOTE seu contrato de gestão de US$ 2,2 bilhões, e a empresa convidou os estaleiros a apresentar propostas.
  • 29 de outubro de 2026: a Hanwha Defense USA assinou o acordo de US$ 269 milhões.
  • Quarto trimestre de 2027: a previsão é que a construção na Filadélfia comece.
  • 2030: a TOTE espera que a primeira embarcação do programa seja entregue.

A Marinha havia previsto anteriormente a primeira entrega para 2029, e uma reportagem sobre a unidade da Filadélfia também a situou no fim daquele ano. O anúncio de outubro da TOTE indica a data posterior, 2030. O comunicado não explicou a mudança.

O cronograma prevê cerca de um ano entre a assinatura do contrato e o início esperado da construção. Nesse período, o estaleiro precisará preparar as áreas de produção, os trabalhadores e os equipamentos, enquanto continua outros projetos governamentais e comerciais.

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Expansão vai além de um único navio de desembarque

A Hanwha opera em uma área de 110 acres no antigo estaleiro naval e concordou, em setembro, em alugar outros 47 acres. A área adicional ampliaria sua presença em cerca de 43%, abrindo espaço para instalações necessárias à construção simultânea de mais navios.

A empresa planeja investir mais US$ 400 milhões em um dique seco, um centro de treinamento maior e instalações de produção. Um dique seco é uma estrutura que pode ser esvaziada para que trabalhadores construam ou reparem a parte inferior de um navio.

A ambição mais ampla da Hanwha é investir até US$ 5 bilhões ao longo do tempo e elevar a capacidade anual de cerca de 1,5 navio para até 20. Esses números implicam um aumento de mais de treze vezes na produção. Atualmente, o estaleiro constrói aproximadamente uma embarcação a cada oito meses; chegar a 20 por ano significaria produzir, em média, uma a cada poucas semanas.

A empresa está instalando equipamentos atualizados de soldagem e pintura, sistemas de treinamento e robôs colaborativos, que trabalham ao lado das pessoas em tarefas de produção. Também pretende obter, até 2028, a certificação da instalação para a construção de navios de combate.

A força de trabalho já cresceu em cerca de 500 pessoas, ou aproximadamente 28%, em relação aos cerca de 1.800 funcionários antes da compra. Chegar a 4.000 empregados exigiria criar pelo menos outros 1.700 postos além dos aproximadamente 2.300 atuais.

Trabalho anterior para o governo serve de ponto de partida

A Hanwha Philly Shipyard e a TOTE já têm experiência de trabalho conjunto no programa de Navios Multimissão de Segurança Nacional da Administração Marítima dos EUA. Quatro das cinco embarcações foram entregues, e a quinta, Golden State, deve ser entregue em 2027.

O estaleiro da Filadélfia também está concluindo o primeiro de três navios cargueiros para a Matson. A Hanwha buscou outros trabalhos federais, incluindo o projeto conceitual do navio logístico de nova geração da Marinha e de uma embarcação de instrumentação de alcance de mísseis para a Administração Marítima e a Agência de Defesa contra Mísseis. Esse tipo de embarcação transporta equipamentos usados no monitoramento de testes de mísseis.

Michael Coulter, presidente e diretor-executivo da Hanwha Defense USA, descreveu os preparativos da empresa:

Desde que adquiriu o Philly Shipyard em 2024, a Hanwha fez investimentos significativos na força de trabalho e em tecnologia para preparar o estaleiro para construir navios para a Marinha dos EUA e outros clientes federais.

O navio de desembarque acrescenta uma função de construção naval militar a um estaleiro que, nas últimas décadas, se manteve ativo com embarcações governamentais civis e navios cargueiros comerciais. A capacidade de administrar esses pedidos simultâneos será importante durante a expansão.

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Investimento coreano dentro das regras americanas de construção

A entrada da Hanwha depende da construção na Filadélfia. As restrições de Burns-Tollefson geralmente proíbem a construção de navios da Marinha e de grandes componentes de cascos em estaleiros estrangeiros. A aquisição de um estaleiro americano deu ao grupo coreano uma base de produção nacional para concorrer pelo trabalho.

O contrato é o primeiro pedido de navio de guerra da Hanwha no âmbito da iniciativa de cooperação naval entre os EUA e a Coreia do Sul conhecida como MASGA. Seu efeito imediato é gerar trabalho de construção nos Estados Unidos, apoiado pela propriedade, pelos investimentos e pela experiência produtiva coreanos.

A Hanwha Defense USA também anunciou planos para adquirir participação controladora no estaleiro da Filadélfia. Antes dessa reestruturação proposta, a Hanwha Systems detinha 60% e a Hanwha Ocean, 40%. O contra-almirante reformado da Marinha dos EUA Tom Anderson ficará à frente do estaleiro enquanto suas operações passam para a divisão de defesa.

Outra construtora naval coreana, a HD Hyundai, anunciou planos com a empresa americana de construção civil Kiewit para criar uma joint venture e um estaleiro nos EUA, com início de operação previsto para 2029. As duas iniciativas respondem à busca da Marinha por maior capacidade de construção em meio à concorrência com a China.

O que muda para os trabalhadores e a frota

A Filadélfia deve voltar a receber trabalhos de construção naval militar pela primeira vez desde o fechamento do antigo estaleiro da Marinha, em 1995. A unidade de operação privada continuou construindo navios depois que o local passou para a Philadelphia Industrial Development Corp. e seus locatários em 1996, mas os pedidos se concentravam em embarcações comerciais e governamentais civis.

A deputada Mary Gay Scanlon, cujo distrito inclui o estaleiro, destacou a força de trabalho sindicalizada e os investimentos como razões para a importância da escolha. Soldadores, operadores de máquinas e outros profissionais qualificados terão papel central na expansão.

A Marinha ganha outra possível linha de produção para um navio concebido para uma necessidade operacional específica: transportar unidades relativamente pequenas de fuzileiros navais e seus equipamentos entre trechos de costa. O uso de vários estaleiros oferece mais locais de construção ao programa, num momento em que a indústria naval americana enfrenta limites de capacidade e escassez de mão de obra.

Os próximos testes concretos são o início previsto da construção em 2027, a conclusão dos demais acordos contratuais e o começo das entregas em 2030. Para a Filadélfia, esses marcos determinarão a rapidez com que os planos de investimento se transformarão em produção contínua e novos empregos.

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Principais pontos

  • A Hanwha Defense USA venceu um contrato de US$ 269 milhões para construir um navio de desembarque médio da Marinha no Hanwha Philly Shipyard, com opções para outros três.
  • A construção deve começar no quarto trimestre de 2027; a TOTE prevê a primeira entrega do programa em 2030.
  • O contrato-base de US$ 2,2 bilhões da TOTE prevê até oito navios dentro de uma frota planejada de 35.
  • Os navios transportarão fuzileiros navais, veículos e suprimentos entre pontos costeiros, inclusive praias de águas rasas no Indo-Pacífico.
  • A Hanwha afirma ter investido cerca de US$ 350 milhões desde a aquisição do estaleiro e planeja ampliar as instalações e o quadro de funcionários.
  • O contrato combina investimento coreano em um estaleiro americano com uma nova abordagem da Marinha para gerir a construção naval.
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