Marco alcançado, com uma expansão ainda maior pela frente
A Índia superou, em 2025, a meta de obter metade de sua capacidade elétrica instalada de fontes não fósseis, cinco anos antes do prazo de 2030, afirmou o primeiro-ministro Narendra Modi na abertura da India Renewable Energy Summit and Expo 2026, em Nova Délhi. Rajastão aproveitou o encontro para buscar investidores para um plano de expansão da capacidade renovável para cerca de 125 gigawatts até 2030.
Conteúdo
- Marco alcançado, com uma expansão ainda maior pela frente
- O que significa o patamar de 50%
- Duas metas nacionais com prazos diferentes
- Rajastão busca mais que o dobro da capacidade atual
- Investimentos crescem, enquanto a demanda continua aumentando
- Residências, propriedades rurais e edifícios públicos participam da expansão
- Armazenamento e transmissão precisam crescer juntos
- Fábricas e hidrogênio verde ampliam a agenda
- Parcerias internacionais e prioridades estaduais
- Pontos principais
O marco nacional amplia a parcela da infraestrutura elétrica da Índia proveniente de energia solar, eólica, hidrelétrica, nuclear e outras fontes que não queimam combustíveis fósseis. Dados do Ministério de Energias Novas e Renováveis apontam capacidade instalada de fontes não fósseis de 308,03 GW em 30 de setembro de 2026, incluindo 299,25 GW de energia renovável e 8,78 GW de energia nuclear.
Modi abriu a cúpula, realizada de 2 a 5 de novembro no Bharat Mandapam, com uma ambição ainda maior: acrescentar 500 GW de nova capacidade não fóssil nos próximos 10 a 11 anos. Essa expansão ocorreria paralelamente à meta atual da Índia de alcançar 500 GW de capacidade total de fontes não fósseis até 2030.
Enquanto isso, o ministro-chefe de Rajastão, Bhajanlal Sharma, reuniu-se com mais de 50 investidores e com o ministro da União para Energias Novas e Renováveis, Pralhad Joshi. Representantes da Brookfield, ReNew, Aditya Birla Renewables, do Jindal Group e da Avaada participaram da discussão.
Os dois anúncios conectam uma conquista nacional ao trabalho que ainda precisa ser feito em cada estado. A expansão dos equipamentos de geração precisa vir acompanhada de terrenos, financiamento, linhas de transmissão e armazenamento, para que a eletricidade chegue a residências, propriedades rurais e empresas quando necessário.
O que significa o patamar de 50%
A capacidade instalada mede a produção máxima que os equipamentos de geração foram projetados para fornecer em condições especificadas. A geração efetiva de eletricidade depende da frequência e da intensidade de operação desses equipamentos. Painéis solares produzem eletricidade durante o dia, enquanto turbinas eólicas dependem das condições do vento.
O compromisso da Índia no Acordo de Paris diz respeito à parcela da capacidade instalada proveniente de fontes não fósseis. A quantidade de eletricidade fornecida por essas fontes ao longo do ano é uma medida diferente, influenciada pelo clima, pela operação das usinas e pela demanda.
Segundo os dados do ministério, a energia solar representava 171,05 GW da capacidade instalada em 30 de setembro, enquanto a eólica correspondia a 59,20 GW. Juntas, somavam 230,25 GW, ou cerca de 75% dos 308,03 GW de capacidade não fóssil do país. A energia solar, sozinha, representava aproximadamente 56%.
Joshi afirmou na cúpula que a capacidade não fóssil havia ultrapassado 310 GW, ante 200 GW em setembro de 2024. Os números indicam um aumento de mais de 110 GW, ou acima de 55%, em relação àquele nível.
A sequência de compromissos e marcos da Índia mostra como o foco está passando de atingir um percentual para construir muito mais capacidade:
- 2021: A Índia anunciou na COP26 a meta de alcançar 500 GW de capacidade elétrica não fóssil até 2030.
- Fevereiro de 2024: Começou o programa de energia solar em telhados PM Surya Ghar, com a meta de atender 10 milhões de residências.
- 2025: A Índia alcançou, segundo Modi, 50% de participação de fontes não fósseis na capacidade elétrica instalada.
- 30 de setembro de 2026: Dados do ministério registraram 308,03 GW de capacidade não fóssil.
- 2 a 5 de novembro de 2026: A cúpula em Nova Délhi reuniu governos, investidores e fabricantes para discutir a próxima expansão.
Duas metas nacionais com prazos diferentes
A meta da Índia de 500 GW até 2030 diz respeito à capacidade total de fontes não fósseis instalada até essa data. Com base nos 308,03 GW registrados em setembro, faltavam 191,97 GW para atingir o objetivo.
A ambição de longo prazo de Modi prevê mais 500 GW de nova capacidade nos 10 a 11 anos seguintes. Essa expansão seria maior que toda a capacidade não fóssil registrada em setembro de 2026.
O primeiro-ministro Narendra Modi descreveu o desafio e expressou confiança na capacidade da Índia de superá-lo:
"Nos próximos 10 a 11 anos, nosso esforço será acrescentar 500 GW de nova capacidade não fóssil. A meta é um tanto difícil, mas confio nas capacidades do meu país. Por isso digo: vamos conseguir",
Modi relacionou a expansão à segurança energética e mencionou as interrupções causadas pela pandemia de COVID-19 e pelos conflitos na Ásia Ocidental. Segundo ele, ampliar o uso de energia limpa produzida no país poderia reduzir a exposição da Índia a interrupções no fornecimento de combustíveis e às oscilações dos preços internacionais.
Rajastão busca mais que o dobro da capacidade atual
Rajastão tem mais de 51.000 megawatts, o equivalente a 51 GW, de capacidade renovável instalada, incluindo mais de 45 GW de energia solar. Sharma afirmou que o estado ocupava o primeiro lugar na Índia em geração de eletricidade renovável e capacidade solar instalada.
A meta do estado, de cerca de 125 GW até 2030, equivale a aproximadamente 2,5 vezes o nível atual informado. Considerando 51 GW como referência, seriam necessários cerca de 74 GW adicionais. A energia solar já representa aproximadamente nove décimos da capacidade renovável citada pelo estado.
Sharma convidou investidores a participar de projetos solares, eólicos, híbridos e de armazenamento de energia. Projetos híbridos combinam mais de uma fonte de geração, como energia solar e eólica, que podem produzir eletricidade em horários diferentes e aproveitar melhor as conexões compartilhadas à rede.
A Política Integrada de Energia Limpa e a política Right to Use de Rajastão buscam facilitar o acesso a terrenos para grandes projetos. Investidores também podem solicitar incentivos pelo Rajasthan Investment Promotion Scheme 2024. O estado está ampliando parques solares, instalações em telhados e projetos eólicos e de biomassa, além de preparar um plano para armazenar o excedente de eletricidade solar.
O encontro com investidores reuniu grandes empresas de desenvolvimento e grupos financeiros, mas os anúncios apresentaram oportunidades de investimento, e não um valor total de novos projetos já assinados. Para Rajastão, o desafio prático é transformar o interesse em usinas, sistemas de armazenamento e conexões à rede antes de 2030.
Investimentos crescem, enquanto a demanda continua aumentando
Joshi afirmou que a energia renovável atraiu mais de ₹6 lakh crore nos dois anos anteriores, o equivalente a mais de ₹6 trilhões. Ele também citou US$ 67 bilhões em investimentos e US$ 6,2 bilhões em investimento estrangeiro direto no período.
Modi estimou em mais de ₹15 lakh crore, ou ₹15 trilhões, os investimentos realizados na última década. Segundo ele, as oportunidades de investimento em energia limpa podem superar ₹20 lakh crore, ou ₹20 trilhões, até o fim da década. Elas abrangem geração, fabricação, armazenamento e as redes necessárias para transportar eletricidade.
Representantes estaduais explicaram por que é necessário ampliar a oferta. Arvind Kumar Sharma, ministro de Energia de Uttar Pradesh, afirmou que o estado forneceu mais de 32.600 MW para atender à demanda máxima no verão e dobrou o número de consumidores de eletricidade em seis a sete anos. Ele convidou investidores a considerar a instalação de painéis solares em telhados de residências, lojas, fábricas, escolas e hospitais.
Ashish Sood, ministro do Gabinete de Déli, afirmou que o pico de demanda de eletricidade da capital superou 8.600 MW e deveria alcançar 9.000 MW no ano seguinte e 11.500 MW até 2034–35. A projeção de longo prazo é cerca de um terço superior ao nível atual.
Déli planeja instalar 220.000 sistemas solares em telhados sem custo para os usuários e pretende alcançar 750 MW de geração solar, afirmou Sood. Os grandes projetos de geração de Rajastão e os planos de sistemas em telhados de Déli enfrentam diferentes aspectos do mesmo problema: abastecer um número crescente de consumidores sem depender exclusivamente de novas usinas de combustíveis fósseis.
Residências, propriedades rurais e edifícios públicos participam da expansão
Modi afirmou que mais de 6,5 milhões de residências aderiram ao PM Surya Ghar, programa que pretende instalar sistemas solares em telhados de 10 milhões de casas até o fim do ano fiscal de 2027. Com base nesses números, a adesão já superou 65% da meta.
Modi citou um estudo segundo o qual as contas de eletricidade das residências participantes caíram cerca de 76%. Ele afirmou que algumas famílias zeraram as contas e outras passaram a ganhar dinheiro vendendo à rede o excedente de eletricidade. Em seu relato, não foram detalhados o escopo nem a metodologia do estudo.
Mais de 44.000 edifícios governamentais também haviam sido conectados à energia solar, afirmou Modi, gerando uma economia anual estimada em cerca de ₹700 crore, ou ₹7 bilhões. Ele pediu a ampliação das instalações em escolas, faculdades, hospitais e sistemas de iluminação pública.
Na agricultura, Modi afirmou que o PM-KUSUM levou irrigação movida a energia solar a mais de três milhões de agricultores. Ele estimou em cerca de ₹100.000 por ano a economia de um agricultor que usa uma bomba solar. Também incentivou a instalação de painéis em terrenos agrícolas sem uso e nas divisas das propriedades, para que os agricultores possam produzir eletricidade além de cultivar.
Modi pediu o desenvolvimento de equipamentos solares adequados à produção de laticínios, ao preparo de forragem, à colheita e ao processamento pós-colheita. Também apontou a eletricidade gerada em telhados como uma possível fonte de energia para cozinhar nas residências e carregar veículos elétricos. Esses usos ampliariam a aplicação da energia solar para além da iluminação e dos eletrodomésticos, chegando aos gastos cotidianos com transporte e combustíveis.
Armazenamento e transmissão precisam crescer juntos
O plano de Rajastão para armazenar o excedente de energia solar enfrenta um problema básico de horários. A geração solar aumenta durante o dia, enquanto residências e empresas podem precisar de mais eletricidade após o pôr do sol. O armazenamento permite guardar energia para uso posterior, e as linhas de transmissão podem levá-la a locais onde a demanda é maior.
Modi afirmou que a próxima fase dos Corredores de Energia Verde deverá mobilizar cerca de ₹2 lakh crore, ou ₹2 trilhões, em investimentos. Esses corredores usam linhas de transmissão e subestações para transportar eletricidade de áreas com grande potencial de geração renovável até locais que precisam de mais energia.
A Índia conectou suas cinco redes regionais em um sistema nacional que opera em frequência comum, afirmou Modi. Frequência é o ritmo da corrente elétrica alternada; mantê-la estável ajuda os equipamentos e o sistema elétrico mais amplo a funcionar com confiabilidade.
O armazenamento em baterias, os equipamentos produzidos no país e as novas tecnologias foram centrais no apelo de Modi a pesquisadores, startups e aos Institutos Indianos de Tecnologia. Ele pediu sistemas capazes de atender a mais necessidades energéticas das residências, em diferentes condições climáticas e ao longo do dia.
A combinação proposta por Rajastão de energia solar, eólica, projetos híbridos e armazenamento reúne esses requisitos. Gerar mais eletricidade é uma tarefa; garantir que ela esteja disponível no local e no horário certos também exige investimentos na rede elétrica mais ampla.
Fábricas e hidrogênio verde ampliam a agenda
A capacidade de fabricação de módulos solares da Índia superou 200 GW, afirmou Modi, enquanto a capacidade de fabricação de células solares chegou a cerca de 40 GW. As células são os dispositivos individuais que convertem a luz do sol em eletricidade; os módulos são os painéis montados com essas células.
Os números mostram que a capacidade de fabricação de módulos é mais de cinco vezes superior à de células. Eles descrevem a capacidade produtiva das fábricas, enquanto a capacidade solar instalada no país mede os equipamentos de geração já em operação. Ampliar outras etapas da cadeia de suprimentos faz parte do esforço do governo para fortalecer a produção nacional.
Modi também destacou a Missão Nacional do Hidrogênio Verde, que tem como meta produzir cinco milhões de toneladas de hidrogênio verde até o fim da década. O hidrogênio verde é produzido com eletricidade renovável para separar a água em hidrogênio e oxigênio.
O hidrogênio permite usar a eletricidade limpa além do fornecimento direto de energia, inclusive em possíveis aplicações na indústria e no transporte. Modi afirmou que a Índia havia lançado seu primeiro trem movido a hidrogênio verde alguns meses antes e pediu mais iniciativas para conectar esse combustível ao transporte.
As discussões da cúpula sobre fabricação e hidrogênio ampliaram a agenda de investimentos para além da construção de novas usinas. Modi mencionou empregos na produção, instalação, manutenção e transporte de equipamentos, mas não apresentou uma previsão numérica de novas vagas.
Parcerias internacionais e prioridades estaduais
A cúpula teve como tema Invest, Innovate, Inspire e ocorreu junto à nona Assembleia da International Solar Alliance e à quarta Conferência Internacional sobre Hidrogênio Verde. Mais de 400 expositores apresentaram tecnologias de energia solar, eólica, hidrogênio, armazenamento e outros setores de energia limpa.
A programação do evento informou a participação de mais de 130 países e mais de 40 ministros; Joshi, ao falar à margem da cúpula, mencionou representantes de mais de 30 países. Rajastão e outros 12 estados e territórios da União apresentaram oportunidades de investimento e capacidades de fabricação.
Entre os parceiros estavam Austrália, Dinamarca, União Europeia, França, Alemanha, Países Baixos, Noruega, Suécia e Reino Unido. Modi também propôs um Fundo Solar para a África de US$ 200 milhões, levando a discussão ao financiamento do desenvolvimento da energia solar fora da Índia.
A próxima etapa da Índia reúne essas prioridades internacionais e locais. O financiamento e a tecnologia globais podem apoiar a expansão, enquanto os estados precisam viabilizar terrenos, conexões e fornecimento confiável. O marco de 50% representa progresso em relação a um compromisso nacional; as próximas metas exigem um volume muito maior de equipamentos e infraestrutura.
Pontos principais
- Modi afirmou que a Índia alcançou em 2025 uma participação de 50% de fontes não fósseis na capacidade elétrica instalada, cinco anos antes do prazo.
- Dados do ministério registraram 308,03 GW de capacidade não fóssil em 30 de setembro de 2026, incluindo 171,05 GW de energia solar.
- A Índia mantém a meta de capacidade total de 500 GW até 2030 e pretende acrescentar outros 500 GW nos próximos 10 a 11 anos.
- Rajastão busca investimentos para ampliar sua capacidade renovável de mais de 51 GW para cerca de 125 GW até 2030.
- Joshi afirmou que a energia renovável atraiu mais de ₹6 trilhões em investimentos nos dois anos anteriores.
- Armazenamento, transmissão, fabricação nacional e energia solar em telhados são fundamentais para a próxima expansão.






