Vítimas recebem um quarto do dinheiro congelado
A Autoridade de Serviços Financeiros da Indonésia, conhecida como OJK, afirma que seu centro de combate a golpes bloqueou 702.833 contas suspeitas de envolvimento em fraudes financeiras e devolveu Rp207,16 bilhões, cerca de US$ 11,4 milhões, às vítimas desde o início das operações, em 22 de novembro de 2024.
Conteúdo
- Vítimas recebem um quarto do dinheiro congelado
- Por que os primeiros 10 minutos são importantes
- Como os esforços de recuperação cresceram
- De contas bancárias bloqueadas ao dinheiro devolvido
- Compras, empregos e falsas identidades
- Empréstimos ilegais lideram os fechamentos
- Onde as vítimas podem buscar ajuda
- O que é necessário na próxima etapa
- Principais pontos
As autoridades congelaram Rp825,2 bilhões, cerca de US$ 45,4 milhões, relacionados a transações suspeitas de fraude. O valor devolvido representa cerca de 25,1% desse total. A cada Rp100 congelados, aproximadamente Rp25 chegaram às vítimas, enquanto cerca de Rp75 ainda não foram devolvidos.
O Centro Antigolpes da Indonésia, ou IASC, recebeu e verificou informações sobre 1.372.483 contas suspeitas. As 702.833 contas bloqueadas representam aproximadamente 51,2% desse número. Contas e vítimas são medidas diferentes: um golpe pode movimentar dinheiro por várias contas, enquanto uma pessoa pode fazer mais de uma denúncia.
A OJK coordena o tratamento das denúncias de fraude com instituições financeiras e órgãos governamentais. Sua principal mensagem às vítimas é urgente: denuncie rapidamente uma suspeita de golpe, antes que o dinheiro passe por mais contas e serviços.
Os dados acumulados mais recentes foram divulgados sem informar uma data de corte nem um cronograma para devolver o restante dos fundos congelados. Separadamente, a Força-Tarefa da OJK para a Erradicação de Atividades Financeiras Ilegais informou que identificou e fechou 1.489 entidades e atividades financeiras ilegais entre janeiro e setembro de 2026.
Esses números descrevem duas frentes interligadas da proteção ao consumidor: tentar recuperar o dinheiro depois de uma fraude e encerrar operações financeiras que expõem as pessoas a novos prejuízos. Para as vítimas que aguardam o ressarcimento, a diferença prática está em saber se o dinheiro apenas foi bloqueado ou se de fato chegou à sua conta.
Por que os primeiros 10 minutos são importantes
A OJK recomendou que as vítimas denunciem golpes em até 10 minutos. Friderica Widyasari Dewi, diretora-executiva da entidade responsável pela conduta das empresas de serviços financeiros, educação e proteção do consumidor, afirmou que o tempo médio para denunciar na Indonésia era de 12 horas.
Dewi comparou a rapidez das denúncias na Indonésia com a prática em outros países:
No exterior, as denúncias costumam ser feitas em até 10 minutos. Aqui, a média é de 12 horas.
Doze horas equivalem a 720 minutos, ou 72 vezes o prazo recomendado para denunciar. Nesse intervalo, os golpistas podem transferir dinheiro por contas bancárias, carteiras digitais, marketplaces e plataformas de criptomoedas, dificultando o rastreamento do percurso.
O bloqueio impede que o dinheiro saia de uma conta. A devolução é a etapa posterior, que coloca o dinheiro de volta nas mãos da vítima. A rapidez importa porque as autoridades e as instituições financeiras precisam chegar aos fundos enquanto ainda estão em algum lugar onde seja possível agir diante da denúncia.
A recomendação da OJK de denunciar em até 10 minutos estabelece uma meta para agir imediatamente. Quem descobrir a fraude mais tarde ainda deve denunciá-la sem demora. Esperar dá aos criminosos mais tempo para transferir o dinheiro novamente.
Como os esforços de recuperação cresceram
Os dados anteriores do IASC mostram o volume de denúncias e prejuízos acumulados durante seu primeiro ano. Entre 22 de novembro de 2024 e 16 de outubro de 2025, o centro recebeu 299.237 denúncias de golpes, com perdas informadas de Rp7 trilhões. Das 487.378 contas denunciadas, 94.344 foram bloqueadas, permitindo reter Rp376,8 bilhões.
Em 14 de janeiro de 2026, o número de reclamações havia subido para 432.637, com perdas informadas de Rp9,1 trilhões e Rp436,88 bilhões bloqueados. Em relação ao balanço de outubro, foram 133.400 reclamações a mais e um aumento de Rp2,1 trilhões nas perdas informadas.
Os principais marcos são:
- 22 de novembro de 2024: o IASC iniciou suas operações.
- 16 de outubro de 2025: o total acumulado de denúncias chegou a 299.237, com perdas de Rp7 trilhões.
- 12 de janeiro de 2026: o valor devolvido chegou a Rp161 bilhões para 1.070 vítimas.
- 14 de janeiro de 2026: as reclamações chegaram a 432.637 e os fundos congelados, a Rp436,88 bilhões.
- 21 de janeiro de 2026: a OJK realizou uma cerimônia em Jacarta para marcar a devolução do dinheiro recuperado.
- De janeiro a setembro de 2026: a força-tarefa de combate às finanças ilegais fechou 1.489 entidades e atividades.
De contas bancárias bloqueadas ao dinheiro devolvido
Os dados de recuperação de janeiro dão uma ideia mais concreta de quem recebeu o dinheiro. Até 12 de janeiro, o IASC havia devolvido Rp161 bilhões a 1.070 vítimas, com recursos bloqueados em 14 bancos.
A OJK marcou essas devoluções em uma cerimônia realizada em 21 de janeiro, em Jacarta, com a presença de seu presidente, Mahendra Siregar, de Dewi e de Mokhamad Misbakhun, presidente da Comissão XI da Câmara dos Representantes. Também participaram dirigentes de bancos, policiais, representantes do Ministério das Comunicações e vítimas de golpes.
Mahendra descreveu os esforços de devolução como um compromisso conjunto de órgãos públicos e do setor de serviços financeiros para proteger os consumidores e fortalecer a confiança. Dewi afirmou que a crescente complexidade das fraudes, inclusive de esquemas que operam além das fronteiras nacionais, exigia cooperação entre as instituições.
Os Rp207,16 bilhões devolvidos mais recentemente superam em Rp46,16 bilhões o valor de Rp161 bilhões registrado em 12 de janeiro, um aumento de cerca de 28,7%. O total mais recente de fundos congelados, Rp825,2 bilhões, é Rp388,32 bilhões superior aos Rp436,88 bilhões registrados em 14 de janeiro.
Os dados de janeiro também mostram a dimensão do desafio de recuperação. Os Rp436,88 bilhões bloqueados até 14 de janeiro correspondiam a cerca de 4,8% dos Rp9,1 trilhões em perdas informadas até aquela data. A taxa atual de devolução, de 25,1%, tem como base os fundos congelados; por isso, é importante manter os dois cálculos separados: um compara o dinheiro congelado com as perdas informadas, e o outro compara os valores devolvidos com os fundos congelados.
Compras, empregos e falsas identidades
Golpes em compras pela internet foram o tipo mais comum identificado no balanço da OJK de outubro de 2025, e as mulheres foram as vítimas mais frequentes. Entre outros métodos recorrentes estavam ligações falsas, ofertas fraudulentas de emprego, esquemas de investimento e golpes pelas redes sociais.
Na ocasião da devolução dos valores em janeiro, as autoridades também chamaram atenção para os golpes amorosos. Nesses esquemas, criminosos usam uma aparente relação pessoal para convencer alguém a enviar dinheiro. A abordagem é diferente da de uma oferta de compra ou investimento, mas o resultado financeiro pode ser o mesmo: uma transferência feita com base em uma história falsa.
Os fraudadores também copiaram nomes, logotipos e identidades corporativas de instituições financeiras legítimas. O nome de uma empresa conhecida em uma mensagem ou site pode dar credibilidade à abordagem, por isso é importante verificar quem está por trás de uma oferta.
A Satgas PASTI, força-tarefa que combate atividades financeiras ilegais, alertou sobre sites que se passam pelo IASC e pessoas que afirmam representar o centro. Assim, as vítimas que procuram ajuda também correm o risco de serem abordadas por criminosos que se apresentam como parte do processo de recuperação.
Empréstimos ilegais lideram os fechamentos
Empréstimos ilegais pela internet responderam por 1.199 das 1.489 entidades e atividades financeiras fechadas entre janeiro e setembro de 2026. Isso corresponde a aproximadamente 80,5% do total, tornando os empréstimos, de longe, a maior categoria.
A força-tarefa também fechou 250 entidades de investimento ilegais, 38 casas de penhor sem licença e outras duas atividades financeiras ilegais. Juntas, essas categorias representam os 290 fechamentos restantes.
Os credores ilegais divulgaram seus serviços por meio de sites e aplicativos sem autorização, redes sociais e aplicativos de mensagens instantâneas. Alguns ofereciam empréstimos rápidos, mas ocultavam as taxas de juros e cobranças adicionais, impedindo que os tomadores conhecessem o custo total antes de aceitar.
Entre as práticas denunciadas também estavam o uso indevido de dados pessoais e a cobrança abusiva de dívidas. Para quem toma empréstimos, o prejuízo pode ir além da dívida original: as informações fornecidas durante a solicitação podem ser usadas para pressionar a pessoa.
A OJK alertou que casas de penhor ilegais trazem outros tipos de risco. Elas podem cobrar juros excessivos, usar contratos pouco claros e deixar de proteger os bens dados pelos clientes como garantia. Um bem empenhado é um item deixado em uma casa de penhor como garantia de um empréstimo; portanto, proteções inadequadas podem colocar em risco tanto o dinheiro quanto o patrimônio do tomador.
Onde as vítimas podem buscar ajuda
A OJK orienta as vítimas a denunciar golpes financeiros pelo site do IASC, em iasc.ojk.go.id. Também oferece a linha gratuita 157, disponível 24 horas por dia, sete dias por semana, para verificar ofertas financeiras e buscar informações.
O órgão regulador recomenda a regra dos "2L": legal e lógico. Legal significa verificar se o prestador tem a autorização necessária para operar. Lógico significa avaliar se a oferta faz sentido do ponto de vista financeiro, considerando os retornos prometidos, os custos do empréstimo e as condições.
Uma promessa de dinheiro rápido deve ser analisada com cuidado quando os juros e as taxas estão ocultos. Uma proposta de investimento exige a mesma cautela quando seu atrativo está em um retorno alto, sem uma explicação clara de como ele seria gerado.
A OJK incluiu mulheres, crianças, estudantes e pessoas com deficiência entre as prioridades de inclusão financeira. Sua resposta às fraudes combina educação, denúncias e bloqueio de contas, pois ampliar o acesso aos serviços financeiros também exige que as pessoas reconheçam ofertas enganosas e encontrem ajuda quando algo dá errado.
O que é necessário na próxima etapa
A avaliação de janeiro do IASC apontou como desafios contínuos o aumento no volume de reclamações, a demora nas denúncias, a necessidade de bloqueios mais rápidos, a movimentação complexa de fundos roubados e a tarefa de devolver mais dinheiro. Cada um afeta uma etapa diferente entre a primeira transferência da vítima e um possível ressarcimento.
Para as instituições financeiras e os órgãos públicos, a tarefa prática é agir rapidamente em todos os serviços usados pelos criminosos. Para as vítimas, a medida imediata é denunciar sem demora e usar o canal correto. Para tomadores de empréstimos e investidores, verificar licenças e custos antes de enviar dinheiro pode evitar um prejuízo que depois seja difícil de recuperar.
Os números mais recentes mostram uma operação de recuperação que lida com mais de 1,37 milhão de contas suspeitas e já devolveu Rp207,16 bilhões. Também mostram que uma quantia considerável de dinheiro congelado ainda não foi efetivamente devolvida. O progresso será mais importante para as famílias quando mais recursos chegarem às pessoas que os perderam.
Principais pontos
- Desde que começou a operar, em 22 de novembro de 2024, o IASC bloqueou 702.833 contas suspeitas de golpe.
- As autoridades congelaram Rp825,2 bilhões e devolveram Rp207,16 bilhões, cerca de 25,1% do valor congelado.
- A OJK recomenda que as denúncias sejam feitas em até 10 minutos; anteriormente, informou que o atraso médio na Indonésia era de 12 horas.
- Até 12 de janeiro de 2026, Rp161 bilhões haviam sido devolvidos a 1.070 vítimas, com valores bloqueados em 14 bancos.
- Entre janeiro e setembro de 2026, a força-tarefa de combate às finanças ilegais fechou 1.489 entidades e atividades, incluindo 1.199 credores ilegais pela internet.
- As vítimas podem denunciar pelo site iasc.ojk.go.id e entrar em contato com a linha gratuita da OJK pelo número 157.






