Mais de 60 recursos suspendem processos sobre detenções
O Tribunal Constitucional Federal do Paquistão suspendeu os processos no Tribunal Superior de Peshawar relativos à detenção preventiva de integrantes do Pakistan Tehreek-e-Insaf em Khyber Pakhtunkhwa, invocando restrições constitucionais aplicáveis quando as Forças Armadas atuam em apoio às autoridades civis.
Conteúdo
- Mais de 60 recursos suspendem processos sobre detenções
- Por que o tribunal superior concedeu a medida
- O que decidiu o caso Aftab Alam
- O que o Artigo 245 significa para esses casos
- Juízes questionam o alcance da restrição
- Como o estado de emergência levou à disputa judicial
- Afridi e outras figuras políticas também estão envolvidas
- Advogados pedem audiência antes que as restrições continuem
- O que o próximo relatório pode mudar
- Principais pontos
Um colegiado formado pelo presidente do tribunal, Aminuddin Khan, e pelo ministro Aamer Farooq emitiu a decisão provisória na quinta-feira, ao analisar recursos contra decisões do tribunal superior que concederam liberdade temporária aos detidos mediante fiança de Rs100,000 para cada um. Mais de 60 recursos contra decisões provisórias do tribunal superior foram incluídos na pauta do tribunal constitucional.
A controvérsia teve início após a proclamação do estado de emergência e da imposição do governo do governador em Khyber Pakhtunkhwa, em 11 de outubro de 2026, que transferiu o controle executivo provincial ao governo federal por meio do governador. Em seguida, tropas receberam ordens para atuar em apoio ao poder civil em toda a província.
A consequência imediata é a suspensão dos processos no tribunal superior por meio dos quais ativistas detidos buscam reparação. A questão mais ampla é até que ponto o Artigo 245 da Constituição do Paquistão restringe o acesso a um tribunal superior quando o apoio militar às autoridades civis abrange uma província inteira.
O tribunal constitucional determinou que a procuradora-geral de KP, Sanaullah Khan, apresente em até sete dias um relatório que identifique as áreas onde o apoio militar já não é necessário. Esse relatório pode levar o tribunal a modificar sua decisão. O Tribunal Superior de Peshawar havia marcado a próxima audiência para 12 de novembro, mas a suspensão agora se aplica aos processos afetados.
Por que o tribunal superior concedeu a medida
As autoridades provinciais detiveram integrantes e ativistas do PTI com base na Seção 3 da Lei de Manutenção da Ordem Pública, de 1960, conhecida como MPO. A detenção preventiva permite que as autoridades mantenham alguém preso para evitar uma ameaça prevista à ordem pública, em vez de puni-lo após uma condenação criminal.
O Tribunal Superior de Peshawar concedeu a medida provisória depois que o governo provincial não apresentou um relatório explicando os motivos e as circunstâncias das detenções. Além de determinar a libertação mediante fiança, ordenou que os detidos não fossem presos enquanto seus recursos contra a detenção estivessem pendentes.
O tribunal superior se baseou na decisão de 31 de maio de 2023 no caso Aftab Alam e outro vs. secretário de Assuntos Internos e Tribais, governo de KP. O Departamento Provincial de Assuntos Internos e Tribais, por meio de seu secretário-chefe adjunto, contestou as decisões provisórias no tribunal constitucional.
O tribunal constitucional afirmou que a decisão anterior no caso Aftab Alam precisava ser examinada cuidadosamente para determinar se a interpretação do Artigo 245 pelo tribunal superior era constitucionalmente correta. A intervenção atual é uma medida provisória; uma decisão constitucional mais abrangente ainda será proferida.
O que decidiu o caso Aftab Alam
No caso Aftab Alam, o ministro Syed Arshad Ali registrou que os pedidos haviam sido decididos por meio de uma decisão sucinta em 31 de maio de 2023. O caso dizia respeito a detenções preventivas após protestos contra a prisão de Imran Khan em 9 de maio de 2023. A decisão descreveu ataques a bens públicos, veículos e instalações militares durante os distúrbios e afirmou que a situação voltou ao normal após a libertação de Khan, em 11 de maio.
A decisão registrou que o governo provincial solicitou apoio militar em 10 de maio de 2023 e que, naquele mesmo dia, o governo federal autorizou o envio de tropas com base no Artigo 245 e na Seção 4(3)(ii) da Lei Antiterrorismo, de 1997. As regras de engajamento foram emitidas em consulta com o Quartel-General do 11º Corpo, em Peshawar, especificando os limites do envio nas respectivas áreas de responsabilidade das formações.
O Tribunal Superior de Peshawar anulou as ordens de detenção contestadas com base na Seção 3 da MPO por considerá-las absurdas, vagas e desprovidas de justificativa ou material de apoio suficiente. Ordenou a libertação imediata dos requerentes, salvo se fossem necessários em outro caso, condicionada a fianças de Rs100,000 para cada um, com dois fiadores no mesmo valor, aceitos pelo vice-comissário, vice-comissário adjunto ou comissário assistente. Os requerentes também deveriam se comprometer a não se envolver em atividades contra o Estado nem agir de forma prejudicial à segurança pública. Aqueles que já haviam apresentado as fianças e o compromisso exigidos pela decisão do tribunal de 18 de maio não precisavam fazê-lo novamente.
A decisão sucinta confirmou as libertações já obtidas nessas condições, mas permitiu que a administração distrital e o governo provincial iniciassem novos processos com base na MPO quando houvesse material suficiente indicando que as atividades de um requerente ameaçavam a segurança pública ou a ordem pública e que a detenção era necessária. Os requerentes cujas ordens de detenção haviam sido suspensas, mas que não tinham sido presos nem eram necessários em outro caso, tinham cinco dias a partir da decisão para apresentar as fianças e o compromisso. As fianças eram válidas por seis meses a partir de sua formalização.
Quanto à competência, o Tribunal Superior de Peshawar interpretou o Artigo 245(3) como uma restrição condicional, que exige que seja especificada e identificada a área relevante onde as Forças Armadas atuam em apoio ao poder civil. Concluiu que os tribunais mantinham competência para revisar atos ilegais, praticados além dos limites da competência ou de má-fé. A decisão também citou o Artigo 245(4), segundo o qual os processos pertinentes iniciados no dia em que as Forças Armadas começaram a atuar em apoio ao poder civil ou depois disso permanecem suspensos durante o período em que essa atuação durar.
O que o Artigo 245 significa para esses casos
O Artigo 199 dá aos tribunais superiores autoridade para analisar petições que contestam o exercício ilegal do poder público e buscam proteção de direitos fundamentais. Em casos de detenção, isso permite pedir aos juízes que examinem se o Estado agiu dentro da lei.
O Artigo 245 impõe restrições a essa autoridade quando as Forças Armadas atuam em apoio ao poder civil. A cláusula 3 determina que um tribunal superior não exerça a competência prevista no Artigo 199 em relação a uma área onde esse apoio militar esteja ocorrendo. Também preserva a competência sobre processos já pendentes imediatamente antes de as Forças Armadas começarem a atuar nessa função.
A cláusula 4 trata dos processos iniciados no dia em que o apoio militar começa ou depois disso. Esses processos permanecem suspensos durante o período em que as Forças Armadas continuarem atuando nessa condição.
O colegiado, presidido pelo presidente do tribunal, Aminuddin Khan, aplicou essa disposição ao envio de tropas a Khyber Pakhtunkhwa. A decisão por escrito afirmou:
Como as Forças Armadas foram convocadas para atuar em apoio ao poder civil em toda a província de KP, em cumprimento à decisão de 11 de outubro … os processos no Tribunal Superior de Peshawar iniciados com base no Artigo 199 em 12 de outubro ou depois dessa data permanecerão suspensos, nos termos da cláusula 4 do Artigo 245,
Portanto, a data de protocolo e a área abrangida pelo envio de tropas são diretamente relevantes. Um processo que já estivesse pendente antes do início do apoio militar se enquadra na exceção constitucional, enquanto a decisão do tribunal constitucional suspende os processos afetados iniciados a partir de 12 de outubro.
Juízes questionam o alcance da restrição
A procuradora-geral Sanaullah Khan argumentou que o tribunal superior não poderia receber diretamente petições com base no Artigo 199 relativas a áreas onde as Forças Armadas estivessem atuando em apoio ao poder civil. Essa interpretação restringiria o caminho utilizado pelos detidos para contestar sua custódia.
O ministro Aamer Farooq questionou como esse argumento se aplicaria ao trabalho diário do tribunal superior, que inclui muitas petições com base no Artigo 199. Ele perguntou:
Isso significa que o tribunal superior não deve julgar esses casos?
Sanaullah respondeu que questões como disputas de locação ainda poderiam chegar ao tribunal superior após passarem pelas instâncias competentes. A resposta distinguiu petições constitucionais diretas de casos que chegam ao tribunal depois de analisados em outras instâncias.
O tribunal constitucional descreveu a situação abrangida pelo Artigo 245 como uma emergência temporária. Afirmou que a restrição à competência dura enquanto as Forças Armadas continuarem atuando em apoio ao poder civil.
O colegiado também mencionou o Artigo 236(2), relativo às disposições sobre estado de emergência, e observou que os tribunais já haviam examinado a constitucionalidade de proclamações de emergência apesar da existência de termos que limitavam a intervenção judicial. Afirmou que essas questões exigiam análise cuidadosa e uma decisão constitucional definitiva.
Como o estado de emergência levou à disputa judicial
As medidas de outubro combinaram uma mudança na administração provincial, apoio militar e detenções preventivas. Cada uma dessas medidas agora integra a disputa jurídica sobre a competência do tribunal superior.
- Em 31 de maio de 2023, o Tribunal Superior de Peshawar proferiu a decisão no caso Aftab Alam, invocada posteriormente ao conceder medidas aos detidos.
- Em 11 de outubro de 2026, o presidente emitiu uma proclamação com base nos Artigos 232 e 234, impondo o estado de emergência e o governo do governador em Khyber Pakhtunkhwa. O governo federal também autorizou o apoio militar com base no Artigo 245.
- Em 12 de outubro, o Ministério do Interior requisitou tropas, e o Ministério da Defesa determinou que as forças enviadas a KP atuassem em apoio ao poder civil em toda a província.
- Em 13 de outubro, o irmão de Sohail Afridi entrou com uma petição no tribunal superior sobre o suposto sequestro e a detenção contínua do ministro-chefe.
- Na quinta-feira, o tribunal constitucional suspendeu os processos afetados no tribunal superior e ordenou a apresentação, em até sete dias, de um relatório sobre as áreas onde o apoio militar ainda era necessário.
- O tribunal superior havia marcado para 12 de novembro a próxima audiência sobre os processos de detenção.
Entre os objetivos declarados pelo governo federal para o envio de tropas estavam proteger vidas, pessoas e propriedades, além de instalações governamentais. Posteriormente, as autoridades invocaram a MPO para deter pessoas com o objetivo de manter a paz e a ordem públicas.
Afridi e outras figuras políticas também estão envolvidas
Sohail Afridi, cujos poderes como ministro-chefe foram suspensos após a imposição do governo do governador, está entre as figuras políticas cujas detenções chegaram aos tribunais. A petição de seu irmão pedia sua libertação imediata e uma investigação judicial independente sobre seu desaparecimento, alegando violações de seus direitos fundamentais.
O tribunal superior também analisou petições sobre o paradeiro do presidente da Assembleia Provincial, Babar Saleem Swati, e do membro da Assembleia Nacional Junaid Akbar. Na terça-feira, os ministros Syed Arshad Ali e Muhammad Faheem Wali encaminharam esses casos ao presidente do tribunal superior para que fossem analisados por um colegiado ampliado. A procuradora-geral também apoiou a formação de um colegiado ampliado.
O advogado Bashir Khan Wazir, que representa os requerentes, informou ao tribunal superior que Afridi e Swati estavam desaparecidos havia vários dias. Ele afirmou que o governador e seus assessores haviam confirmado que Afridi, Swati e Akbar estavam sob custódia protetiva.
Wazir também invocou um projeto de lei aprovado pela assembleia provincial sobre imunidade para o presidente e os membros da assembleia, argumentando que essas proteções impediam a prisão deles. A aplicação dessa proteção alegada é outra questão jurídica levantada pelos requerentes.
Advogados pedem audiência antes que as restrições continuem
O ex-advogado-geral adjunto Shah Faisal Ilyas, que representou uma das partes perante o tribunal constitucional, contestou a emissão de uma liminar antes de ouvir os réus. Ele argumentou que as objeções do governo provincial às decisões do tribunal superior não poderiam ser mantidas.
O presidente do tribunal, Aminuddin Khan, orientou Ilyas a analisar a decisão do tribunal constitucional e apresentar objeções formais. O tribunal notificou os réus, dando-lhes a oportunidade de expor suas posições.
O colegiado também determinou que o procurador-geral do Paquistão fosse notificado nos termos da Ordem XXVIIA do Código de Processo Civil de 1908, pois o caso envolve importantes questões de interpretação constitucional. Esse procedimento inclui o principal representante jurídico do governo em processos que tratam dessas questões.
Sanaullah também se baseou no Artigo 10, que trata das garantias relativas à prisão e à detenção, incluindo disposições sobre custódia preventiva. Ele argumentou que a aplicação da MPO se baseava na avaliação de um funcionário do governo sobre a necessidade de evitar condutas prejudiciais à segurança pública e à lei e à ordem.
A controvérsia, portanto, reúne duas questões: a base jurídica para manter detidos cada um dos presos e a competência do tribunal superior para analisar suas petições durante o envio de tropas. O tribunal constitucional está atualmente examinando a questão da competência que determina se esses processos podem continuar.
O que o próximo relatório pode mudar
A exigência de apresentação de um relatório em até sete dias impõe uma tarefa concreta ao governo provincial: identificar as partes de Khyber Pakhtunkhwa onde as Forças Armadas já não são necessárias em apoio ao poder civil. O tribunal constitucional afirmou que poderia modificar sua decisão após analisar essas informações.
O alcance geográfico é importante porque o Artigo 245 vincula a restrição às áreas onde ocorre o apoio militar. Uma mudança no envio de tropas poderia, portanto, alterar as áreas às quais a suspensão se aplica. Nenhuma data foi anunciada para uma decisão constitucional definitiva, e as determinações anunciadas deixam para processos futuros a definição sobre cada ordem de libertação.
A batalha jurídica ocorre em meio a um confronto mais amplo entre o governo federal e o PTI. Antes do estado de emergência, o PTI havia anunciado uma marcha a Islamabad para exigir a libertação de seu líder preso, o ex-primeiro-ministro Imran Khan. As negociações entre os dois lados não chegaram a um acordo.
O governo federal citou o suposto afastamento deliberado da administração provincial do combate ao terrorismo ao impor o governo do governador. Figuras da oposição, entre elas Maulana Fazlur Rehman, o líder da oposição na Assembleia Nacional, Mehmood Khan Achakzai, e o líder da oposição no Senado, Raja Nasir Abbas, criticaram a medida.
Para os trabalhadores detidos e suas famílias, a questão prática é ter acesso a um juiz que possa examinar os motivos da custódia. As próximas decisões do tribunal constitucional determinarão quando e onde essas contestações poderão ser retomadas enquanto o apoio militar continuar.
Principais pontos
- O tribunal constitucional suspendeu os processos afetados no Tribunal Superior de Peshawar, iniciados com base no Artigo 199 em 12 de outubro ou depois dessa data, invocando o Artigo 245.
- Mais de 60 recursos contestam decisões provisórias que concederam a libertação de detidos mediante fiança de Rs100,000 para cada um.
- O Tribunal Superior de Peshawar havia concedido a medida sem receber um relatório provincial que explicasse as detenções.
- A decisão do Tribunal Superior de Peshawar de 31 de maio de 2023 no caso Aftab Alam anulou ordens de detenção com base na MPO que não tinham fundamentação suficiente, condicionou a libertação ao pagamento de fiança e tratou o Artigo 245(3) como uma restrição condicional à competência.
- A procuradora-geral de KP deve apresentar, em até sete dias, um relatório sobre as áreas onde o apoio militar já não é necessário.
- Sohail Afridi, Babar Saleem Swati e Junaid Akbar aparecem em processos relacionados a detenções e ao paradeiro deles.
- O tribunal constitucional solicitou respostas das partes e notificou o procurador-geral do Paquistão antes de prosseguir com a análise constitucional.






