Projeto de transporte pode avançar antes de um acordo formal de paz
A Armênia poderia começar a implementar a Rota Trump para a Paz e a Prosperidade Internacional, conhecida como TRIPP, antes de assinar um tratado de paz com o Azerbaijão, disse o ministro das Relações Exteriores, Ararat Mirzoyan, ao Parlamento. Suas declarações colocaram a reabertura das conexões de transporte regionais no centro de uma disputa política sobre se a cooperação prática ajudará a garantir um tratado ou dará benefícios ao Azerbaijão antes que a Armênia receba o suficiente em troca.
Conteúdo
- Projeto de transporte pode avançar antes de um acordo formal de paz
- Por que Mirzoyan diz que a paz já existe
- O que a Armênia espera ganhar com a rota
- O que poderia ser construído em Syunik
- Soberania é uma condição para a construção e a operação
- Karapetyan alerta para benefícios desiguais
- Como o projeto se encaixa no processo inacabado do tratado
- A cooperação prática pode aproximar a assinatura?
- Principais pontos
A Armênia anunciou o início da fase prática do projeto em 22 de outubro, enviando ao sul da região de Syunik um grupo de trabalho liderado pelo vice-primeiro-ministro Mher Grigoryan para preparar os trabalhos de projeto. O foco atual está na infraestrutura ferroviária, rodoviária e energética. Mirzoyan descreveu uma possível rede mais ampla, que também poderia transportar eletricidade, comunicações digitais e, potencialmente, petróleo e gás.
O ministro das Relações Exteriores disse que o texto do acordo de paz já havia sido rubricado e que os dois governos haviam declarado publicamente seu apoio ao conteúdo. A rubrica registra a concordância com a redação; a assinatura formal e a aprovação por meio de procedimentos internos são etapas posteriores.
Ao explicar por que os trabalhos do TRIPP poderiam avançar antes da conclusão dessas etapas, Mirzoyan disse aos parlamentares:
Posso responder tranquilamente a esta pergunta: sim, é possível. O tratado de paz já foi rubricado. Armênia e Azerbaijão assumiram compromissos públicos e declararam suas posições: esse tratado existe e, em linhas gerais, acreditamos em cada uma de suas palavras e não o questionamos.
Sua posição é que os países já alcançaram paz suficiente na prática para iniciar a cooperação. O político oposicionista Narek Karapetyan contestou essa abordagem, argumentando que o Azerbaijão poderia obter a rota desejada enquanto continuaria adiando o tratado e negando o acesso que a Armênia busca.
Por que Mirzoyan diz que a paz já existe
Mirzoyan apontou as condições entre os dois países, em vez da conclusão da documentação diplomática. Os soldados já não atiravam uns contra os outros, e cargas estavam sendo entregues, disse ele ao Parlamento. Para o ministro, esses avanços oferecem uma base para iniciar o projeto enquanto continuam as negociações sobre a assinatura formal.
O ministro das Relações Exteriores disse que o Azerbaijão não assinava porque queria remover um obstáculo, mas afirmava que assinaria depois disso. Ele apresentou as declarações reiteradas de Baku como prova de que o texto acordado continuava sendo aceito.
Mirzoyan resumiu sua posição desta forma:
Portanto, a paz é necessária para que o projeto TRIPP seja iniciado, e essa paz já foi estabelecida.
Esse argumento coloca a cooperação no transporte e a conclusão do tratado em vias paralelas. O governo quer desenvolver laços práticos enquanto a disputa política restante é resolvida. Karapetyan quer garantias mais sólidas de que a abertura da rota proporcionará acesso recíproco e ajudará a concluir o acordo.
O que a Armênia espera ganhar com a rota
Mirzoyan disse que o TRIPP permitiria à Armênia chegar a terceiros países por meio do território e da infraestrutura do Azerbaijão. Portanto, o objetivo declarado do governo armênio vai além de oferecer uma conexão ao Azerbaijão: o país também quer que empresas e operadores de transporte armênios tenham acesso a rotas fora da Armênia.
O desenvolvimento da rede ferroviária nacional é outro componente desse argumento. Mirzoyan disse que o projeto poderia ajudar a Armênia a desenvolver suas próprias conexões ferroviárias e a se tornar um centro de transporte e comunicações entre o Oriente e o Ocidente. Um centro é um local onde rotas se encontram, permitindo que mercadorias ou serviços sigam para vários destinos.
Para um exportador armênio, o valor prático dependeria da abertura de uma conexão utilizável pelo Azerbaijão até outro mercado. Para a rede ferroviária, o benefício dependeria de como as conexões novas ou restauradas se integrariam às rotas dentro da Armênia. Mirzoyan descreveu esses resultados como objetivos, e os preparativos para os trabalhos de projeto já fazem parte das iniciativas para alcançá-los.
O que poderia ser construído em Syunik
O anúncio de 22 de outubro voltou as atenções para Syunik, para onde foi enviado o grupo de trabalho de Grigoryan, encarregado de preparar o início dos trabalhos de projeto. O planejamento é a etapa em que os requisitos físicos de um projeto começam a tomar forma, antes da construção e da operação propriamente dita.
Ferrovias, rodovias e infraestrutura energética são as prioridades atuais. A descrição mais ampla de Mirzoyan incluiu linhas de transmissão de energia, cabos de fibra óptica e possíveis oleodutos e gasodutos. Os cabos de fibra óptica transportam informações na forma de pulsos de luz e fazem parte da infraestrutura usada para a internet e outras comunicações.
Esses elementos cumprem funções diferentes. Rodovias e ferrovias transportam pessoas e mercadorias, linhas elétricas transmitem energia, cabos de comunicação carregam dados e dutos transportam combustíveis. A inclusão de vários tipos de infraestrutura faria do TRIPP um projeto mais amplo de conexão regional, e não apenas uma rodovia.
Nas declarações ao Parlamento e no anúncio do projeto descritos aqui, não foram informados uma data de abertura, um orçamento de construção, um traçado detalhado, os termos de operação nem um nível garantido de acesso para a Armênia. A medida concreta anunciada até agora é a preparação dos trabalhos de projeto; os dutos seguem como possibilidades dentro da proposta mais ampla.
Soberania é uma condição para a construção e a operação
Mirzoyan disse que a infraestrutura deve ser construída e operada segundo os princípios da integridade territorial, da soberania e da jurisdição. Esses termos tratam de uma questão central em qualquer conexão de transporte que atravesse fronteiras nacionais: qual Estado tem autoridade sobre o território e as atividades realizadas nele.
Integridade territorial significa respeitar o território de um país. Soberania significa que um Estado exerce autoridade dentro de suas fronteiras. Jurisdição diz respeito ao poder legal de aplicar leis e tomar decisões. Mirzoyan aplicou esses princípios tanto à construção quanto à operação, tornando-os parte das condições declaradas pela Armênia para o projeto durante toda a sua vida útil.
O argumento econômico do governo e sua posição sobre soberania caminham juntos. A Armênia quer rotas pelo Azerbaijão até outros países, mantendo a autoridade sobre a infraestrutura em seu território. Transformar esses princípios em acordos operacionais exigirá decisões práticas sobre a gestão do transporte entre fronteiras.
Para as empresas, o valor de uma conexão depende, em última análise, da possibilidade de transportar mercadorias por ela de forma confiável. Para os governos, a mesma conexão precisa operar dentro de um marco acordado de autoridade estatal. As declarações de Mirzoyan identificam tanto o acesso quanto o controle como componentes da abordagem da Armênia.
Karapetyan alerta para benefícios desiguais
Narek Karapetyan, identificado como líder da bancada Armênia Forte na Assembleia Nacional, perguntou se as conexões de transporte e comunicação do TRIPP poderiam operar sem um tratado de paz assinado. Sua objeção se concentrou na ordem em que os dois países receberiam benefícios e assumiriam compromissos.
Karapetyan argumentou que o Azerbaijão poderia garantir a rota que deseja enquanto a Armênia não receberia sua parte dos ganhos com a reabertura das conexões regionais. Ele disse ao Parlamento:
Nosso país ficará em desvantagem, porque o Azerbaijão obterá uma rota, enquanto nós não receberemos nossa parte dos benefícios da liberação das comunicações regionais.
Ele também argumentou que o Azerbaijão apresentaria novas condições irrealistas e continuaria adiando o tratado enquanto acreditasse que concessões da Armênia poderiam permitir que alcançasse seus objetivos. Em sua avaliação, obter uma rota sem reabrir o acesso para a Armênia restringiria o desenvolvimento econômico armênio.
Portanto, a divergência diz respeito tanto à reciprocidade quanto ao momento. Mirzoyan apresenta o TRIPP como uma forma de a Armênia obter rotas, desenvolver suas ferrovias e fortalecer a paz. Karapetyan argumenta que os benefícios para os armênios precisam de garantias mais firmes antes que o Azerbaijão receba a conexão que busca.
Como o projeto se encaixa no processo inacabado do tratado
A discussão mais recente da Armênia sobre o TRIPP dá continuidade a um esforço mais longo para transformar um texto de paz acordado em um tratado concluído. O primeiro-ministro Nikol Pashinyan estabeleceu como meta assinar e ratificar o acordo antes de 2031, conforme detalhado no cronograma anterior do tratado. Esse é o objetivo declarado pela Armênia, não um prazo para assinatura anunciado conjuntamente.
Os principais acontecimentos ocorreram em várias datas:
- 8 de agosto de 2025: Armênia e Azerbaijão rubricaram o acordo de paz durante uma cúpula na Casa Branca, organizada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
- 15 de outubro de 2026: Pashinyan disse, em uma reunião televisionada do Conselho de Ministros, que pretendia concluir a assinatura e a ratificação antes de 2031.
- 22 de outubro: a Armênia anunciou a fase prática do TRIPP e o envio do grupo de trabalho de Grigoryan a Syunik para preparar os trabalhos de projeto.
O Azerbaijão exigiu mudanças na Constituição da Armênia antes de assinar. Baku argumenta que a referência à declaração de independência da Armênia, que defende a unificação com Karabakh, equivale a uma reivindicação territorial. A Armênia rejeita essa interpretação e aponta os compromissos do tratado de respeitar o território um do outro e renunciar a reivindicações territoriais.
As emendas constitucionais precisariam ser aprovadas em um referendo nacional. Portanto, o processo do tratado envolve os eleitores armênios, além das negociações entre os governos. Os preparativos do TRIPP criam um processo prático separado que, segundo a abordagem de Mirzoyan, poderia avançar enquanto a disputa política continua.
A cooperação prática pode aproximar a assinatura?
Mirzoyan disse que os laços econômicos entre Armênia, Azerbaijão e terceiros países poderiam ajudar a fortalecer a paz, a estabilidade e a segurança regionais. Seu argumento é que intercâmbios regulares dão aos países mais atividades compartilhadas a preservar e mais motivos para manter relações funcionais.
O ministro das Relações Exteriores também sugeriu que visitas entre representantes da sociedade civil poderiam contribuir junto com a infraestrutura. Sociedade civil inclui pessoas e organizações de fora do governo, como grupos comunitários e associações cívicas. Mirzoyan descreveu a execução do projeto e as visitas recíprocas como possíveis formas de reforçar a paz:
Acho que, se o projeto fosse implementado, por exemplo, se fossem realizadas visitas recíprocas entre representantes da sociedade civil dos dois países, elas poderiam talvez fortalecer a paz estabelecida e aproximar a assinatura de um tratado de paz.
A decisão política imediata é saber se a cooperação prática será usada para ajudar a concluir o acordo político, como propõe Mirzoyan, ou se serão garantidos compromissos mais sólidos primeiro, como defende Karapetyan. Os preparativos para os trabalhos de projeto anunciados pela Armênia dão contornos concretos a essa escolha: o trabalho na infraestrutura regional está avançando enquanto o tratado ainda aguarda assinatura.
Principais pontos
- O ministro das Relações Exteriores, Ararat Mirzoyan, afirma que o TRIPP poderia começar antes de Armênia e Azerbaijão assinarem o tratado de paz.
- A Armênia anunciou em 22 de outubro os preparativos para os trabalhos de projeto em Syunik, com infraestrutura ferroviária, rodoviária e energética entre as prioridades atuais.
- Mirzoyan diz que o projeto poderia dar à Armênia acesso a terceiros países pelo Azerbaijão e ajudar a desenvolver as ferrovias nacionais.
- A Armênia afirma que a construção e a operação devem respeitar a integridade territorial, a soberania e a jurisdição.
- Narek Karapetyan alerta que o Azerbaijão poderia obter uma rota enquanto adia o tratado e nega o acesso recíproco.
- A meta de Pashinyan é concluir a assinatura e a ratificação antes de 2031, enquanto a exigência constitucional do Azerbaijão continua sem solução.






