Japão exige reformas da Chubu Electric após escândalo com dados da usina nuclear de Hamaoka

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Japan Orders Chubu Electric Reforms After Hamaoka Nuclear Data Scandal

Ordem de novembro estabelece prazos para mudanças

O Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão ordenou em 6 de novembro que a Chubu Electric Power reformule suas operações após a manipulação de dados sísmicos na usina nuclear de Hamaoka e uma série de outros casos de irregularidades. A concessionária deve apresentar um plano de melhorias até o fim de novembro e informar sobre sua implementação até o fim de março de 2027.

Conteúdo
  1. Ordem de novembro estabelece prazos para mudanças
  2. Por que os dados sísmicos eram importantes
  3. Investigação identificou uma cultura de justificativas
  4. O que o governo quer mudar
  5. Irregularidades foram além dos pedidos de retomada
  6. Da investigação à aplicação de medidas: uma cronologia
  7. Os prejuízos financeiros já são substanciais
  8. O que os próximos relatórios precisam apresentar
  9. Principais pontos

A ordem administrativa de melhoria, emitida com base na Lei de Negócios de Eletricidade do Japão, vai além de corrigir registros técnicos. Ela exige mudanças na estrutura organizacional e nos sistemas de gestão de pessoal da empresa, maior uso de conhecimentos externos e cumprimento mais rigoroso da lei. O ministério concluiu que as irregularidades em uma atividade na qual a segurança deve vir em primeiro lugar prejudicaram a confiança pública.

Hamaoka, em Omaezaki, na província de Shizuoka, está no centro da crise crescente da empresa. A Chubu manipulou dados sísmicos usados nas análises para a retomada das operações dos reatores nº 3 e nº 4 e, depois, retirou os dois pedidos. Outras irregularidades envolveram documentos ligados ao descomissionamento dos reatores nº 1 e nº 2, enquanto a subsidiária de comercialização de energia do grupo cobrou valores excessivos dos clientes.

O presidente da Chubu, Minoru Yasui, recebeu a ordem de Yoshifumi Murase, diretor da Agência de Recursos Naturais e Energia. Yasui afirmou que a empresa levou a medida muito a sério e responderia com sinceridade para evitar que os casos se repetissem.

Por que os dados sísmicos eram importantes

As informações contestadas diziam respeito aos tremores sísmicos usados como base para o projeto de segurança de Hamaoka. Os engenheiros usam esse parâmetro, conhecido como movimento sísmico de referência de projeto, para avaliar se edifícios, máquinas e equipamentos de segurança podem resistir a um grande terremoto.

Para um reator que busca autorização para voltar a operar, esses cálculos fazem parte das evidências que sustentam sua avaliação de segurança. Manipular os dados subjacentes compromete a análise que os órgãos reguladores precisam examinar. Portanto, o problema vai além de documentos imprecisos e atinge a base técnica dos pedidos de retomada das operações.

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A Chubu retirou os pedidos dos reatores nº 3 e nº 4 em 25 de setembro de 2026, após um processo de análise que durou mais de 12 anos. Os investigadores concluíram que a manipulação ocorreu em meio à pressão para evitar atrasos na obtenção da autorização para a retomada das operações.

A retirada deixa a empresa diante de novas incertezas sobre o futuro desses reatores, além de custos previstos mais altos com obras de segurança. Não foi informada nenhuma data para a reapresentação dos pedidos ou para a retomada das operações.

Investigação identificou uma cultura de justificativas

Uma comissão de investigação formada por advogados externos analisou as irregularidades, e a Chubu publicou o relatório em setembro. A comissão concluiu que a empresa havia criado uma justificativa interna própria para legitimar condutas impróprias.

Essa conclusão ajuda a explicar por que o ministério exige uma reforma organizacional, além de correções técnicas. Quando os funcionários passam a considerar aceitável uma prática imprópria dentro do próprio departamento, substituir um documento ou corrigir um cálculo não resolve o processo decisório que permitiu o problema.

Três presidentes consecutivos, incluindo o então presidente Shingo Hayashi, renunciaram para assumir a responsabilidade. Yasui agora tem a tarefa de transformar essas mudanças na liderança em alterações concretas na forma como a empresa trabalha, como os funcionários comunicam preocupações e como os gestores respondem.

O ministro da Economia, Comércio e Indústria, Ryosei Akazawa, apontou outra falha: houve denúncias internas, mas as informações não foram aproveitadas. Em declaração após uma reunião do Gabinete em 6 de novembro, ele afirmou que a situação revelou problemas graves no cumprimento da lei e no tratamento dos alertas.

Akazawa prometeu uma resposta rigorosa e ressaltou que a segurança é condição essencial para a aceitação pública da política de energia nuclear. Seus comentários colocaram o tratamento das preocupações dos funcionários, ao lado da falsificação dos dados, no centro da resposta do governo.

O que o governo quer mudar

O ministério recebeu um relatório da Chubu em 29 de outubro e o examinou antes de decidir que era necessário emitir uma ordem de melhoria. As instruções se concentram em reconstruir os sistemas que orientam as decisões, a gestão de pessoal e a responsabilização.

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A Chubu deve considerar o uso de profissionais externos para reestruturar a organização com foco no cumprimento das leis e de outras exigências. Também deve revisar seus sistemas de gestão de pessoal e incluir perspectivas externas em departamentos que concentram atividades altamente especializadas, entre eles a divisão nuclear.

Essas exigências tratam do risco de um departamento especializado se tornar fechado a questionamentos. A engenharia nuclear exige profundo conhecimento técnico, mas o ministério quer que pessoas de fora da organização imediata participem da análise de como as decisões são tomadas e se as práticas estabelecidas são aceitáveis.

Murase, diretor da Agência de Recursos Naturais e Energia, que entregou a ordem, pediu uma reforma fundamental e a recuperação da confiança. O plano de melhorias deve especificar os métodos para executar cada medida e o prazo para isso.

Os dois prazos criam obrigações distintas. Até o fim de novembro, a Chubu deve explicar o que vai mudar e quando. Até o fim de março de 2027, deve informar o que efetivamente implementou. O segundo relatório dará ao ministério um registro das ações em comparação com os compromissos assumidos no primeiro.

Irregularidades foram além dos pedidos de retomada

Os reatores nº 1 e nº 2 de Hamaoka estiveram envolvidos em outro tipo de irregularidade: documentos falsificados relacionados a pedidos de reembolso de custos de descomissionamento. Descomissionamento é o processo de fechar permanentemente e desmontar uma instalação nuclear, incluindo a gestão de equipamentos e materiais que exigem tratamento especial.

Os casos, portanto, afetam duas áreas distintas das atividades da usina. Os reatores nº 3 e nº 4 buscavam aprovação para voltar a operar, enquanto os reatores nº 1 e nº 2 passavam pelo processo de fechamento permanente. Registros precisos são importantes nos dois casos, seja para embasar avaliações de segurança, seja para justificar pedidos de reembolso pelos trabalhos de desmonte.

A Chubu Electric Power Miraiz, subsidiária de comercialização de energia do grupo, também esteve envolvida em cobranças excessivas. Isso levou as irregularidades diretamente à relação entre o grupo e seus clientes, ampliando o problema para além da usina nuclear.

A resposta do ministério aborda essa sucessão de casos por meio de medidas de governança corporativa e de cumprimento da lei. Portanto, o plano da Chubu deve tratar da forma como a empresa opera, além das falhas específicas em Hamaoka.

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Da investigação à aplicação de medidas: uma cronologia

A ordem de novembro veio após vários acontecimentos importantes ao longo de poucas semanas. A investigação, a retirada dos pedidos e as divulgações financeiras mostram como um escândalo envolvendo dados técnicos se transformou em uma crise de liderança, contábil e regulatória.

  • Setembro de 2026: a Chubu publicou o relatório da investigação conduzida por advogados externos, que identificou uma justificativa interna para legitimar as irregularidades.
  • 25 de setembro: a Chubu retirou os pedidos de análise para a retomada das operações dos reatores nº 3 e nº 4 de Hamaoka.
  • 29 de outubro: a empresa apresentou um relatório ao ministério da Economia e anunciou perdas substanciais relacionadas a Hamaoka.
  • 6 de novembro: o ministério emitiu uma ordem administrativa de melhoria com base na Lei de Negócios de Eletricidade.
  • Fim de novembro: a Chubu deve apresentar um plano de melhorias com as medidas e o cronograma.
  • Fim de março de 2027: a Chubu deve informar sobre a implementação.

O governo tomou a decisão de aplicar medidas após analisar o relatório de outubro. Agora, a Chubu precisa deixar de apenas explicar o que aconteceu e apresentar mudanças que possam ser verificadas conforme um cronograma.

Os prejuízos financeiros já são substanciais

A previsão de prejuízo anual recorde da Chubu, anunciada em 29 de outubro, mostra a dimensão dos danos já associados a Hamaoka. A concessionária registrou uma perda extraordinária de 370,3 bilhões de ienes em suas contas referentes aos seis meses até setembro de 2026, após a retirada dos pedidos de retomada das operações.

A empresa informou prejuízo líquido consolidado de 280,4 bilhões de ienes no período, ante lucro líquido de 166,3 bilhões de ienes um ano antes. A receita subiu 11,3%, para 1,9452 trilhão de ienes, mas o aumento nas vendas foi superado pelas perdas.

Para o ano fiscal encerrado em março de 2027, a Chubu prevê prejuízo líquido de 215 bilhões de ienes, substituindo a expectativa anterior de lucro de 160 bilhões de ienes. A diferença entre as duas previsões é de 375 bilhões de ienes. Seria o maior déficit anual da história da empresa.

Grande parte dos danos veio da redução do valor contábil dos ativos relacionados a Hamaoka. Esse processo contábil, chamado de impairment, é exigido quando os ganhos futuros esperados já não justificam o valor de um ativo nos registros. A retirada dos pedidos tornou incertas essas perspectivas de negócios futuros.

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A Chubu prevê perdas extraordinárias relacionadas a Hamaoka de cerca de 380 bilhões de ienes no ano fiscal completo. O encargo de 370,3 bilhões de ienes registrado no semestre faz parte desse total anual. A empresa também espera gastar mais com obras de segurança, o que acrescentará custos futuros à redução já registrada no valor dos ativos.

O que os próximos relatórios precisam apresentar

A tarefa imediata da Chubu é transformar promessas amplas em um plano com medidas definidas e prazos claros. O ministério já apontou os temas que devem ser abordados: estrutura organizacional, sistemas de gestão de pessoal, fiscalização externa e prioridade ao cumprimento da lei.

A falha na resposta aos alertas internos torna especialmente importante o caminho entre a preocupação dos funcionários e a ação da administração. Um canal de denúncias pode levar um problema ao conhecimento da empresa, mas os gestores ainda precisam investigá-lo e agir. Os comentários de Akazawa incluem essa falha na agenda de reformas.

Para quem vive perto de Hamaoka, a questão central é saber se a empresa consegue fornecer informações de segurança confiáveis. Para os clientes, o caso das cobranças excessivas traz uma preocupação distinta com a precisão das contas. Para a Chubu, os dois temas agora estão ligados à exigência do governo por mudanças em toda a operação da empresa, com os primeiros compromissos por escrito previstos para o fim de novembro.

Principais pontos

  • O Japão emitiu uma ordem de melhoria à Chubu Electric em 6 de novembro com base na Lei de Negócios de Eletricidade.
  • As irregularidades incluem a manipulação de dados sísmicos dos reatores nº 3 e nº 4 de Hamaoka e a falsificação de documentos de descomissionamento dos reatores nº 1 e nº 2.
  • O ministério quer reformas organizacionais, mudanças nos sistemas de gestão de pessoal e maior fiscalização externa dos departamentos especializados.
  • A Chubu deve apresentar o plano até o fim de novembro e informar sobre sua implementação até o fim de março de 2027.
  • A empresa retirou os dois pedidos de retomada das operações e prevê prejuízo líquido recorde de 215 bilhões de ienes no ano fiscal encerrado em março de 2027.
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