Okinawa abandona exigência de retirada dos Ospreys
O governador de Okinawa, Genta Koja, aceitou a presença de aeronaves de transporte MV-22 Osprey das Forças Armadas dos Estados Unidos na base aérea de Futenma, revertendo uma posição da província que vigorava desde antes do início da operação dos aparelhos, em 2012. A mudança veio a público em 16 de outubro de 2026; 15 de outubro também foi apontado como a data de suas declarações.
Conteúdo
- Okinawa abandona exigência de retirada dos Ospreys
- Por que Koja associa as aeronaves a Henoko
- Qual era a dimensão da oposição inicial?
- O que estava em jogo na controvérsia sobre segurança de 2012
- Os acidentes por trás das preocupações persistentes
- Ospreys chegam a aeroportos civis
- Uma cronologia da mudança de política
- O que muda para as comunidades de Okinawa?
- Principais pontos
Koja, que tomou posse no fim de setembro após vencer uma eleição com o apoio do Partido Liberal Democrata, no poder, liderado pela primeira-ministra Sanae Takaichi, disse que já não era realista continuar se opondo à operação dos aparelhos. Ele mencionou mais de uma década de operações e o uso de Ospreys pelo próprio Japão, por meio das Forças de Autodefesa.
A decisão também alinha sua posição sobre as aeronaves ao apoio à transferência de Futenma, de Ginowan, densamente povoada, para a área costeira de Henoko, em Nago. As operações dos Ospreys seriam transferidas junto com a base, mantendo as aeronaves em Okinawa.
A aceitação de Koja vem acompanhada de preocupações persistentes com a segurança. Ao falar com jornalistas na sede do governo provincial, ele disse que essas preocupações não haviam sido dissipadas e pediu novas verificações.
Koja explicou o que espera das autoridades responsáveis pelas aeronaves:
"Quero que a segurança das aeronaves seja confirmada de forma rigorosa", disse.
A mudança de política ocorre enquanto Ospreys japoneses e americanos voam para aeroportos civis de Okinawa antes do exercício militar conjunto Keen Sword, previsto para começar em 19 de outubro. Assim, moradores de Ishigaki e Miyako acompanham movimentações de aeronaves relacionadas ao exercício ao mesmo tempo que a província muda sua posição sobre a operação dos aparelhos.
Por que Koja associa as aeronaves a Henoko
O raciocínio de Koja se baseia em dois acordos existentes: tanto as Forças Armadas dos EUA quanto as Forças de Autodefesa do Japão operam Ospreys, e a substituta planejada para Futenma permitiria operações dessas aeronaves em Henoko.
O governador disse que exigir o fim da operação dos aparelhos seria incompatível com sua aceitação da transferência. Na prática, sua posição é que apoiar a nova base também significa aceitar as aeronaves que operariam nela.
A localização de Futenma, em Ginowan, uma área densamente povoada, faz da transferência uma questão sobre onde ocorrem os voos militares e quais comunidades vivem perto deles. A mudança das operações para Henoko alteraria sua localização dentro de Okinawa, enquanto a nova política do governador abandona a exigência provincial de retirar os Ospreys de Okinawa por completo.
Os antecessores de Koja mantinham oposição à presença das aeronaves. A decisão dele muda a posição do governo provincial em relação à operação, juntamente com seu apoio à transferência da base.
Qual era a dimensão da oposição inicial?
A resolução de protesto de 2012 da Assembleia Provincial de Okinawa, aprovada por unanimidade em 1º de outubro daquele ano, registra uma oposição que se estendia a todos os municípios da província.
Segundo a resolução, as assembleias dos 41 municípios haviam aprovado resoluções contra a operação dos aparelhos. O documento também registrou a participação de mais de 103 mil pessoas em um ato de cidadãos da província em 9 de setembro de 2012, no qual os participantes pediram a retirada do plano de operação e o fechamento e a remoção de Futenma.
A assembleia aprovou a resolução no dia em que, segundo afirmou, as aeronaves foram levadas à base. O protesto foi dirigido ao secretário de Estado e ao secretário de Defesa dos EUA, além do embaixador americano no Japão.
Líderes municipais também defenderam a exigência por meio de uma petição assinada pelos chefes do Executivo e presidentes das assembleias dos 41 municípios de Okinawa. A oposição começou durante o governo de Hirokazu Nakaima, antes do início da operação, e continuou nos governos de Takeshi Onaga e Denny Tamaki.
Koja, portanto, está revertendo uma política mantida por sucessivos governos provinciais e apoiada por medidas formais em todos os governos municipais de Okinawa.
O que estava em jogo na controvérsia sobre segurança de 2012
A resolução de 2012 da assembleia mostra que a divergência envolvia tanto a segurança das aeronaves quanto as regras que regem os voos. Japão e Estados Unidos haviam anunciado confirmações de segurança por meio de seu Comitê Conjunto em 19 de setembro, pouco antes do início da operação.
A assembleia contestou ressalvas no acordo, incluindo as expressões "quando viável" e "na medida do possível". Argumentou que elas deixavam às Forças Armadas dos EUA margem de decisão sobre as operações militares e que o acordo não oferecia a garantia de segurança necessária aos moradores.
A resolução também alertou que treinamentos, exercícios e operações de prontidão planejados poderiam acrescentar 204 voos por ano durante a noite e o início da manhã na ilha principal de Okinawa e nas ilhas próximas. Essa era uma previsão registrada no protesto, não uma contagem posterior de voos.
Entre as preocupações dos moradores descritas no documento estavam o ruído, os efeitos ambientais e o risco de acidentes. Esses detalhes explicam por que a controvérsia ultrapassava os limites de Futenma: comunidades de outras partes de Okinawa esperavam ser afetadas pelas aeronaves em rotas de treinamento e operações.
Koja agora aceita a operação dos aparelhos, mas continua cobrando garantias de segurança. Sua posição muda a exigência da província em relação à presença das aeronaves, mas mantém a preocupação com a segurança das operações.
Os acidentes por trás das preocupações persistentes
Os Ospreys usam grandes conjuntos de rotores que permitem decolagens e pousos verticais, como os de helicópteros, e depois voos para a frente, como os de aeronaves convencionais. Esse projeto permite que operem em áreas de pouso sem uma pista convencional e transportem pessoas por distâncias maiores.
As aeronaves estiveram envolvidas em acidentes no Japão e no exterior. Em dezembro de 2016, um MV-22 de Futenma fez um pouso forçado na costa de Nago, a mesma cidade onde fica o local previsto para a transferência, em Henoko.
Em novembro de 2023, um CV-22 da Força Aérea dos EUA caiu no mar perto da ilha de Yakushima, na província de Kagoshima, matando os oito tripulantes. O CV-22 é uma versão do Osprey operada pela Força Aérea; o MV-22 baseado em Futenma é operado pelo Corpo de Fuzileiros Navais.
Koja reconheceu que os temores em relação às aeronaves não haviam sido totalmente dissipados e disse que queria uma explicação. Não foi anunciada uma data para uma nova avaliação de segurança nem para a resposta que ele está cobrando.
Ospreys chegam a aeroportos civis
Os preparativos para o Keen Sword levaram o debate sobre a operação dos aparelhos diretamente aos aeroportos civis das ilhas Sakishima, incluindo Ishigaki e Miyako.
Um Osprey do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA passou pelo aeroporto de Ishigaki em 15 de outubro. Ospreys das Forças de Autodefesa do Japão e do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA também passaram pelo aeroporto de Miyako naquele dia. O voo dos fuzileiros foi descrito como a primeira visita de um Osprey das Forças Armadas dos EUA à ilha de Miyako.
O exercício, que envolve forças japonesas e americanas, está previsto para começar em 19 de outubro, com voos de Ospreys planejados dentro de Okinawa. As visitas aos aeroportos mostram como aeronaves associadas a Futenma e ao debate mais amplo sobre sua operação também podem aparecer em comunidades distantes da própria base.
Questionado em 16 de outubro sobre os voos para as ilhas Sakishima, o ministro da Defesa, Shinjiro Koizumi, disse que as autoridades dariam a máxima atenção à segurança e trabalhariam para minimizar os efeitos sobre as comunidades locais.
A posição de Koja reúne duas responsabilidades: aceitar a presença contínua das aeronaves e pedir ao governo central e às autoridades militares que atendam às preocupações das pessoas que vivem perto das áreas de operação.
Uma cronologia da mudança de política
A controvérsia vai dos preparativos para a operação dos aparelhos, em 2012, à reversão do governador, em outubro de 2026. Os principais acontecimentos mostram como a antiga exigência de retirada deu lugar à aceitação acompanhada de pedidos de garantias de segurança.
- 9 de setembro de 2012: Mais de 103 mil pessoas participaram de um ato contra a operação dos Ospreys, segundo a resolução da assembleia provincial.
- 19 de setembro de 2012: Japão e Estados Unidos anunciaram confirmações de segurança por meio de seu Comitê Conjunto.
- 1º de outubro de 2012: A Assembleia Provincial de Okinawa aprovou por unanimidade sua resolução de protesto, quando os Ospreys foram levados a Futenma.
- Dezembro de 2016: Um MV-22 baseado em Futenma fez um pouso forçado na costa de Nago.
- Novembro de 2023: Um CV-22 da Força Aérea dos EUA caiu perto de Yakushima, matando os oito tripulantes.
- Fim de setembro de 2026: Koja tomou posse como governador após uma eleição apoiada pelo Partido Liberal Democrata, no poder.
- 15 de outubro de 2026: Ospreys japoneses e americanos passaram por aeroportos civis antes do Keen Sword.
- 16 de outubro de 2026: A aceitação de Koja da operação dos aparelhos veio a público; 15 de outubro também foi citado como a data de suas declarações.
- 19 de outubro de 2026: O início do Keen Sword está previsto.
O próximo evento previsto é o exercício. O pedido de Koja por mais explicações sobre segurança acompanha a aproximação desse período de atividade militar.
O que muda para as comunidades de Okinawa?
Ginowan, Nago e as ilhas Sakishima enfrentam diferentes aspectos da mesma questão. Ginowan abriga Futenma em uma área densamente povoada. Nago inclui tanto o local proposto para a nova base, em Henoko, quanto as águas ao largo das quais um Osprey de Futenma fez um pouso forçado em 2016. Ishigaki e Miyako estão recebendo voos relacionados ao exercício conjunto.
Segundo a posição declarada por Koja, a província deixará de pedir a retirada dos Ospreys. O apoio dele a Henoko também significa aceitar a continuidade das operações dessas aeronaves em Okinawa após a transferência planejada.
Os moradores ainda têm preocupações concretas a acompanhar: segurança dos voos, ruído, uso de aeroportos civis e horário e local dos treinamentos. O governador aceitou a presença das aeronaves, mas pediu que essas questões de segurança sejam tratadas. Essa é a principal mudança em relação à política de retirada mantida pelos governos anteriores.
Principais pontos
- O governador Genta Koja aceita a operação de MV-22 Ospreys dos EUA em Futenma, revertendo a oposição de longa data de Okinawa.
- Ele associa essa aceitação às operações de Ospreys do próprio Japão e ao apoio à transferência de Futenma para Henoko.
- A oposição de 2012 incluiu uma resolução unânime da assembleia provincial e resoluções das assembleias dos 41 municípios.
- Koja afirma que as preocupações com segurança persistem e quer que a segurança das aeronaves seja confirmada de forma rigorosa.
- Ospreys japoneses e americanos passaram por aeroportos civis antes do Keen Sword, previsto para começar em 19 de outubro.
- Não foi anunciada uma data para a nova avaliação de segurança ou a explicação que Koja está cobrando.






