Vantagem estreita, mas sem caminho claro para formar governo
O Partido Trabalhista da oposição da Nova Zelândia chega à eleição geral de 7 de novembro de 2026 à frente do Partido Nacional, que governa o país, em uma pesquisa divulgada no fim da campanha. Ainda assim, nenhum dos blocos políticos tem assentos projetados suficientes para governar sozinho. Com o custo de vida das famílias no centro das preocupações dos eleitores, os 5,1% de apoio ao Partido Opportunity podem dar a um estreante o voto decisivo para definir quem será o primeiro-ministro.
Conteúdo
- Vantagem estreita, mas sem caminho claro para formar governo
- O que mostram as pesquisas finais
- Por que o limite do Opportunity é tão importante
- Custo de vida lidera preocupações, enquanto temor com combustível dispara
- Trabalhistas ganham confiança nos temas mais importantes
- Dados de emprego acirram disputa econômica
- Dois votos e uma maioria que pode mudar
- Gerações diferentes, escolhas políticas diferentes
- Fim da votação e apuração definitiva
- Principais pontos
A pesquisa Freshwater Strategy, realizada com a Infrastructure New Zealand entre 29 de outubro e 3 de novembro e divulgada na sexta-feira, 6 de novembro, registrou 30,7% para os Trabalhistas e 26,4% para o Partido Nacional. A projeção para um Parlamento de 120 integrantes atribuiu 59 assentos ao Partido Nacional e seus aliados, ACT e New Zealand First, dois a menos que a maioria. Juntos, os Trabalhistas, os Verdes e o Te Pāti Māori ficariam com 55.
A pressão sobre o governo do primeiro-ministro Christopher Luxon vai além da matemática eleitoral. Uma pesquisa da Ipsos constatou que 64% dos entrevistados citaram a inflação e o custo de vida entre suas três maiores preocupações, seguidos pela saúde, com 45%, e pelos preços dos combustíveis, com 31%. O desemprego chegou a 5,7% no trimestre encerrado em setembro, o nível mais alto desde 2015.
Quase 1,67 milhão de pessoas já haviam votado até quinta-feira, segundo dados da Comissão Eleitoral. Para quem votará no sábado, as seções eleitorais devem funcionar das 9h às 19h. Os resultados preliminares começarão a ser divulgados naquela noite, enquanto os resultados oficiais, incluindo os votos especiais, estão previstos para 27 de novembro.
O que mostram as pesquisas finais
Os Trabalhistas avançaram dois pontos percentuais em relação à pesquisa Freshwater anterior, divulgada em 26 de outubro, enquanto o Partido Nacional recuou 1,2 ponto. Os Verdes registraram 13%, o New Zealand First, 12%, o ACT, 9,8%, e o Te Pāti Māori, 2%. O Opportunity caiu 0,3 ponto, para 5,1%, ficando pouco acima do limite normalmente necessário para conquistar assentos pelo voto partidário nacional.
Outras pesquisas de fim de campanha mostraram os dois maiores partidos mais próximos. A Curia registrou 28,9% para o Partido Nacional e 28,4% para os Trabalhistas, enquanto a Verian apontou 30% e 29%. Na Reid Research, os Trabalhistas tiveram 30,6% e o Partido Nacional, 24,8%. O Opportunity registrou 5,8% na pesquisa Curia e 6% na Verian.
Os resultados dos partidos menores também variaram entre as pesquisas. Os Verdes marcaram 14,4% na Curia, 16% na Verian e 14,5% na Reid Research. O ACT ficou em torno de 10% nas três pesquisas, enquanto o New Zealand First oscilou entre 8% e 9,9%. Essas diferenças importam porque o próximo governo precisará do apoio de vários partidos, e não apenas de uma primeira colocação dos Trabalhistas ou do Partido Nacional.
No último dia de campanha, Luxon pediu que seus apoiadores fossem votar. O primeiro-ministro resumiu a disputa aos votos que ainda seriam computados:
A única pesquisa que importa é a de amanhã à noite.
O líder trabalhista Chris Hipkins, que sucedeu Jacinda Ardern como primeiro-ministro em 2023 antes de perder a eleição daquele ano para Luxon, disse que seu objetivo imediato era liderar o maior partido. Ele deixou eventuais acordos de coalizão para depois:
Estamos apostando em ser o maior partido do Parlamento. Estou cada vez mais confiante de que isso vai acontecer.
Por que o limite do Opportunity é tão importante
Qiulae Wong, de 38 anos, líder do Opportunity, entrou na política há cerca de um ano, depois de responder a um anúncio para o cargo de liderança do partido. Ex-consultora de negócios sustentáveis, ela lidera uma legenda que propõe um imposto sobre a terra e uma renda básica universal, um pagamento regular que substituiria os benefícios sociais.
O Opportunity afirmou que está aberto a trabalhar com qualquer um dos lados e que conversaria primeiro com o partido que tiver mais assentos. Entre os possíveis arranjos estão integrar uma coalizão, apoiar um governo em votações de confiança e orçamento ou permanecer nos bancos da oposição. Apoiar um governo em votações de confiança e orçamento significa ajudá-lo a sobreviver a votações parlamentares essenciais e aprovar seu orçamento, sem necessariamente integrar o gabinete.
A projeção da Freshwater deixa seis assentos fora dos dois principais blocos. Se esses assentos forem para o Opportunity, qualquer um dos blocos poderá chegar a 61 com o apoio do partido. Um resultado abaixo de 5%, sem vitória em um distrito eleitoral, deixaria o Opportunity fora do Parlamento e mudaria a distribuição de assentos entre os partidos que atingirem os requisitos.
Luxon descartou um acordo com o Opportunity, criando uma restrição política além da numérica. Hipkins também precisaria negociar termos com possíveis aliados. Nenhum acordo de coalizão foi fechado, e as negociações podem durar semanas, enquanto os partidos aguardam a apuração final e negociam políticas e cargos ministeriais.
Lara Greaves, professora associada de política da Universidade Victoria de Wellington, descreveu a posição de negociação dos partidos menores como "um território sem precedentes". O apoio conjunto deles lhes dá margem para buscar compromissos importantes em políticas públicas do partido majoritário que precisar de seus votos.
Custo de vida lidera preocupações, enquanto temor com combustível dispara
A 35ª edição do Issues Monitor, da Ipsos, entrevistou 1.008 neozelandeses com 18 anos ou mais por meio de painéis on-line, entre 19 e 27 de outubro. Os entrevistados podiam escolher três preocupações principais; por isso, os percentuais medem o quanto cada tema preocupa as pessoas, em vez de dividir os eleitores em grupos separados. A pesquisa informou uma margem de credibilidade de mais ou menos 3,5 pontos percentuais.
A preocupação com os combustíveis subiu 14 pontos percentuais desde setembro, chegando a 31% e passando do sétimo para o terceiro lugar. Foi o nível mais alto desde o início do monitoramento, em 2018. Em setembro, o índice era de 17%, o que significa que a proporção de pessoas que citaram os combustíveis entre suas principais preocupações quase dobrou em um mês.
Amanda Dudding, diretora-executiva de relações públicas da Ipsos New Zealand, relacionou essa mudança à pressão das despesas do dia a dia:
Com os preços dos combustíveis chegando a níveis quase recordes em toda a Nova Zelândia, a preocupação com o custo dos combustíveis disparou e passou a figurar entre os três principais problemas do país. O resultado destaca o quanto os neozelandeses continuam sensíveis ao aumento das despesas cotidianas das famílias e reforça a importância do custo de vida na formação das intenções de voto às vésperas da eleição.
A preocupação com a saúde também atingiu o nível mais alto desde o início do monitoramento, com 45%. A economia ficou em quarto lugar, com 30%, seguida pelo desemprego, com 19%. Habitação marcou 18%; pobreza e desigualdade, 16%; criminalidade e segurança pública, 14%; mudança climática, 12%; e educação, 8%.
Carin Hercock, diretora da Ipsos New Zealand no país, disse que a pesquisa coincidiu com ampla cobertura da aproximação de políticos com gangues. Ainda assim, os entrevistados colocaram as finanças domésticas à frente da criminalidade, que ficou 13 pontos percentuais abaixo do resultado de outubro de 2024.
Trabalhistas ganham confiança nos temas mais importantes
Os Trabalhistas foram considerados o partido mais capaz de lidar com as cinco principais preocupações pela terceira pesquisa consecutiva da Ipsos. Em inflação e custo de vida, sua avaliação subiu sete pontos percentuais, para 38%, ante 24% do Partido Nacional. O Partido Nacional também melhorou nesse tema, com alta de três pontos, mas o avanço maior dos Trabalhistas ampliou a diferença.
Na saúde, os Trabalhistas tiveram sua maior vantagem entre os cinco principais temas: 42% os consideraram mais capazes, contra 21% para o Partido Nacional. Nos combustíveis, os índices foram de 35% e 20%; na economia, 34% e 29%; e no desemprego, 38% e 21%. Os Trabalhistas também lideraram em habitação, com 35%, contra 22% do Partido Nacional.
O Partido Nacional manteve uma pequena vantagem em criminalidade e segurança pública, com 29%, contra 28% dos Trabalhistas. Assim, seu tema mais forte na pesquisa ficou fora das cinco preocupações mais citadas pelos eleitores.
A avaliação média do desempenho do governo permaneceu em 4,1 de 10. Cerca de 26% deram uma nota positiva, de sete a 10, enquanto 42% atribuíram uma nota negativa, de zero a três. A proporção de avaliações negativas superou a de positivas em 16 pontos percentuais.
As propostas de campanha refletem essas pressões. Os Trabalhistas propõem um imposto sobre ganhos de capital para ajudar a financiar medidas que incluem consultas médicas gratuitas e transporte público com tarifas limitadas. O imposto sobre ganhos de capital incide sobre determinados lucros obtidos com a venda de ativos. O Partido Nacional faz campanha contra novos impostos e afirma que o fortalecimento do comércio e a redução de gastos públicos desnecessários ajudarão a economia.
Dados de emprego acirram disputa econômica
Os dados divulgados pela Statistics New Zealand em 4 de novembro apontaram desemprego de 5,7% nos três meses até setembro, ante 5,5% no trimestre anterior. O emprego caiu 0,1%, enquanto a taxa de participação — a parcela da população em idade de trabalhar que está empregada ou procura trabalho ativamente — recuou para 70,4%.
O crescimento dos salários também desacelerou. O índice de custo da mão de obra do setor privado, sem horas extras, subiu 0,4% no trimestre, ante 0,7% nos três meses anteriores. O crescimento anual diminuiu de 2,1% para 2,0%. Para as famílias, os números mostram uma combinação difícil: menos oportunidades de emprego e salários crescendo mais lentamente, enquanto as contas continuam sendo uma preocupação.
Barbara Edmonds, porta-voz trabalhista para a área de finanças, classificou os dados como "um veredito contundente sobre a gestão econômica de Christopher Luxon". A ministra das Finanças, Nicola Willis, disse que a incerteza econômica explicava os dados e defendeu a continuidade do plano do governo para reconstruir a economia.
O Banco Central havia mantido a taxa oficial de juros em 2,75%, afirmando que precisava de tempo para avaliar dois aumentos anteriores. As taxas de juros afetam os custos dos empréstimos e os gastos; por isso, a piora do emprego acrescenta outro fator às decisões sobre inflação. Os Trabalhistas prometeram restabelecer um mandato duplo que exija que o banco considere tanto a estabilidade de preços quanto o emprego sustentável.
Dois votos e uma maioria que pode mudar
O sistema eleitoral proporcional de membros mistos da Nova Zelândia, conhecido como MMP, oferece duas escolhas a cada eleitor. O voto partidário determina, em grande medida, a parcela de assentos de cada partido que se qualifica. O voto distrital escolhe o representante da área local do eleitor, e vence o candidato que receber mais votos.
Em geral, um partido se qualifica para receber assentos se conquistar pelo menos 5% do voto partidário ou vencer em um distrito eleitoral. Essa segunda possibilidade é importante para o Te Pāti Māori, cuja força parlamentar pode depender mais das vitórias em distritos eleitorais Māori do que de seu percentual nacional. Estimativas de campanha indicam que o partido poderia eleger cerca de quatro parlamentares, dependendo dos resultados locais.
O Parlamento normalmente tem 120 assentos, mas uma representação excedente pode aumentar esse número. Se o voto nacional de um partido lhe der direito a 30 assentos e ele vencer em 32 distritos eleitorais, ficará com os 32, acrescentando dois assentos à Câmara. Nesse caso, o número necessário para uma maioria também aumenta conforme o tamanho do Parlamento.
O Te Pāti Māori incentivou seus apoiadores a dar o voto partidário aos Trabalhistas ou aos Verdes, enquanto apoiam os candidatos do partido nos distritos eleitorais. O Partido Nacional também poderia gerar uma representação excedente se mantiver mais distritos do que seu voto partidário normalmente lhe garantiria. O partido rejeitou recomendações para orientar seus eleitores a votar no ACT ou no New Zealand First no voto partidário.
Assim, o total final de assentos depende tanto das vitórias nos distritos quanto dos percentuais nacionais. A meta de 61 assentos usada na projeção da Freshwater pressupõe um Parlamento de 120 integrantes; uma Câmara maior exigiria uma maioria diferente.
Gerações diferentes, escolhas políticas diferentes
Na pesquisa Freshwater, eleitores mais jovens e mais velhos demonstram preferências bastante diferentes. Entre os menores de 35 anos, os Trabalhistas registraram 40,7%, os Verdes, 22,8%, e o Partido Nacional, 17,9%. Juntos, Trabalhistas e Verdes alcançaram 63,5% nesse grupo.
Entre os eleitores com mais de 55 anos, o Partido Nacional marcou 32%, o New Zealand First, 15,5%, e o ACT, 14,3%. O apoio combinado chegou a 61,8%. A participação eleitoral desses grupos etários pode, portanto, influenciar tanto o partido mais votado quanto o equilíbrio entre possíveis aliados.
Os partidos que podem formar uma coalizão têm agendas distintas. Os Verdes propõem um imposto sobre a riqueza, impostos para grandes empresas de tecnologia e medidas contra a concentração do mercado de supermercados. O imposto sobre a terra do Opportunity cobraria pela propriedade de terrenos, enquanto a renda básica universal proposta pelo partido mudaria a forma como o apoio financeiro chega às famílias.
O ACT propõe acabar com programas de ação afirmativa nas faculdades de medicina. O New Zealand First quer mudanças profundas na imigração, a retirada do Acordo de Paris sobre o clima e uma revisão da proibição das terapias de conversão. ACT e New Zealand First também fizeram campanha para limitar os poderes do Tribunal de Waitangi, que investiga reivindicações relacionadas ao tratamento dispensado pela Coroa aos Māori.
Novos partidos também buscam atenção para além da política econômica doméstica. Paul Hopkinson, líder do Free Palestine, afirmou que seu partido pretende trazer a questão palestina para a campanha. A inclusão de quais propostas no programa do governo dependerá dos partidos que conquistarem assentos e dos acordos que fizerem.
Fim da votação e apuração definitiva
Cerca de 2.300 seções eleitorais devem abrir em todo o país em 7 de novembro, com 530 candidatos concorrendo em distritos eleitorais ou por listas partidárias. A propaganda eleitoral deve terminar e os cartazes precisam ser removidos antes da meia-noite de 6 de novembro; depois disso, haverá restrições à campanha até o encerramento da votação.
A participação no exterior também aumentou. Cerca de 126 mil eleitores inscritos informaram à Comissão Eleitoral que moravam fora do país, ante 92.600 em 2023, um aumento de aproximadamente 36%. Cerca de 64% dos eleitores inscritos no exterior vivem na Austrália.
As principais datas são:
- 26 de outubro: início da votação antecipada.
- 6 de novembro: último dia de campanha; a propaganda termina antes da meia-noite.
- 7 de novembro: votação no dia da eleição, das 9h às 19h, seguida pela divulgação dos resultados preliminares.
- 27 de novembro: divulgação prevista dos resultados oficiais, incluindo votos especiais e do exterior.
- 3 de dezembro: prazo para a Comissão Eleitoral devolver o mandado eleitoral com os resultados oficiais.
Os votos são contados manualmente. Os votos especiais incluem cédulas enviadas do exterior e algumas depositadas fora da área de residência do eleitor. Como o Opportunity está tão perto dos 5%, a apuração oficial pode ser decisiva para sua entrada no Parlamento e para as combinações de governo disponíveis.
Principais pontos
- Os Trabalhistas lideram o Partido Nacional por 30,7% a 26,4% na pesquisa final da Freshwater, embora outras pesquisas apontem uma disputa mais acirrada.
- A pesquisa projeta 59 assentos para o bloco governista e 55 para os Trabalhistas, os Verdes e o Te Pāti Māori em um Parlamento de 120 integrantes.
- O apoio de 5,1% ao Opportunity o coloca pouco acima do limite e pode deixá-lo em posição decisiva.
- O custo de vida preocupa 64% dos entrevistados pela Ipsos, a saúde, 45%, e os preços dos combustíveis, 31%.
- O desemprego subiu para 5,7% no trimestre encerrado em setembro, o nível mais alto desde 2015.
- A votação termina às 19h de 7 de novembro. Os resultados oficiais estão previstos para 27 de novembro, e as negociações de coalizão podem durar semanas.






