Quarto suspeito é identificado enquanto Jacarta recebe reforços
A Indonésia está enviando 20.980 militares a Jacarta, com outros 13.140 de prontidão, enquanto a polícia investiga a suposta vigilância do presidente Prabowo Subianto e a exclusão de comunicações interceptadas. Em 5 de novembro de 2026, os investigadores identificaram o inspetor-geral Slamet Uliandi como o quarto suspeito, ampliando um caso que já custou ao ex-chefe da polícia nacional Listyo Sigit Prabowo o cargo de chefe de gabinete presidencial.
Conteúdo
- Quarto suspeito é identificado enquanto Jacarta recebe reforços
- Como será a mobilização
- Quem está sendo investigado?
- Como o sistema de vigilância teria sido usado indevidamente
- Por que os registros apagados são importantes
- De acusações de interceptação à possibilidade de acusações de traição
- Milhares de possíveis alvos colocam a privacidade em foco
- Widodo se manifesta enquanto aumenta a pressão política
- Chefes da polícia enfrentam cobranças por transparência
- As datas que marcaram o caso
- Principais pontos
Três oficiais de alta patente da polícia, entre eles Listyo, estão detidos na sede da Brigada Móvel em Depok, Java Ocidental. Slamet, que havia sido interrogado como testemunha, não foi detido porque está se recuperando de um AVC, segundo o brigadeiro-general Suhermanto, diretor de crimes cibernéticos da Agência de Investigação Criminal da Polícia Nacional, conhecida como Bareskrim.
A investigação apura o suposto uso indevido de um sistema policial de interceptação, o acesso não autorizado a informações eletrônicas e a destruição de registros. A polícia afirma que entre os alvos estavam o presidente, integrantes do governo, políticos, jornalistas, representantes da sociedade civil e empresários.
Autoridades militares descreveram o deslocamento de tropas como preparativos rotineiros de segurança. As autoridades não confirmaram uma relação entre a mobilização e a investigação sobre escutas telefônicas, embora os dois acontecimentos tenham se desenrolado na mesma semana.
O caso agora reúne três questões urgentes: quem autorizou a vigilância, o que aconteceu com as informações coletadas e como um sistema policial destinado a investigações legais teria sido usado contra pessoas que não eram alvo de apurações criminais legítimas. Ministros também levantaram a possibilidade de acusações de traição, enquanto os investigadores continuam apurando o objetivo da operação.
Como será a mobilização
O vice-almirante Yayan Sofiyan, assistente de operações da Marinha, informou que a mobilização total será de 20.980 militares. A primeira fase começou em 2 de novembro, com 2.100 militares de unidades já estacionadas em Jacarta. Os reforços de fora da capital começaram a chegar em 4 de novembro.
Unidades de fuzileiros navais e da Marinha, centros de treinamento e bases navais em Java e na província de Lampung estão contribuindo com efetivos. Sofiyan afirmou que outros 13.140 militares estavam prontos para ser mobilizados, se necessário. Somados, os grupos anunciados para mobilização e os que estão de prontidão totalizam 34.120 militares, embora estes últimos permaneçam disponíveis, sem compromisso de deslocamento.
O major-general Muhammad Nas, porta-voz militar, descreveu os deslocamentos como parte da manutenção da segurança nacional e da integridade territorial. Ele explicou a posição dos militares nestes termos:
O deslocamento de tropas é algo normal.
Segundo as autoridades, a maior parte dos militares estava alojada em quartéis e outras instalações. Apesar da grande mobilização anunciada, não havia presença militar visível nas ruas de Jacarta, segundo o relato das condições em 5 de novembro.
Uma missão de segurança mais específica envolveu 5.500 policiais e militares para proteger, naquele dia, uma audiência judicial da qual participou o ex-presidente Joko Widodo. Esse número se refere à operação de segurança do tribunal; as autoridades não explicaram como ela se relacionava com a mobilização militar mais ampla.
Quem está sendo investigado?
O chefe da Bareskrim, comissário-geral Asep Safrudin, anunciou os três primeiros suspeitos em 3 de novembro: Listyo Sigit Prabowo, Ahrie Sonta Nasution e Eko Hadi Santoso. A polícia afirmou que os três haviam sido detidos em 1º de novembro.
Listyo se tornou chefe da polícia nacional em 2021, após ser nomeado por Widodo. Foi nomeado chefe de gabinete presidencial de Prabowo em outubro de 2026, cerca de um mês antes de as acusações se tornarem públicas. O governo confirmou que Prabowo o demitiu em 4 de novembro.
Ahrie foi identificado como chefe da Divisão Jurídica da Polícia Nacional. Eko foi identificado como instrutor sênior do Instituto de Educação e Treinamento da Polícia Nacional. Os suspeitos não responderam publicamente às acusações.
Slamet, identificado nos comunicados da polícia pelas iniciais SU, foi incluído no caso em 5 de novembro, após uma revisão. Suhermanto afirmou que ele atuava como assessor de supervisão do Centro de Monitoramento da Bareskrim e chefiou a seção de monitoramento da agência de 2010 a 2019.
A polícia criou uma equipe especial de investigação chefiada por Asep. Até o comunicado de 5 de novembro, os investigadores haviam interrogado 13 testemunhas e cinco especialistas: três em informações e transações eletrônicas e dois em direito penal.
Como o sistema de vigilância teria sido usado indevidamente
Asep afirmou que números de telefone foram inseridos no Sistema de Gestão de Interceptações Legais, ou LIMS, sem a verificação exigida nem uma relação válida com uma investigação policial. O LIMS é um sistema usado para administrar a interceptação de comunicações. A autorização legal e os procedimentos de aprovação determinam quais números podem ser monitorados e para qual finalidade investigativa.
Os investigadores alegam que os suspeitos contornaram esses procedimentos. Segundo o relato deles, o acesso ao sistema de vigilância da Polícia Nacional foi usado para monitorar pessoas cujas comunicações não faziam parte de uma investigação legal.
Os comunicados da polícia situam a atividade investigada em 2025 e 2026, enquanto relatos sobre as acusações policiais também a descrevem como ocorrida em 2024 e 2025. Portanto, as datas exatas de início e término ainda precisam ser esclarecidas.
Os investigadores apreenderam 11 celulares, um iPad e quatro pen drives. Esses dispositivos fazem parte de uma apuração sobre o acesso ao sistema, o tratamento das informações interceptadas e a suposta remoção de registros eletrônicos.
A questão prática vai além de quem operou o equipamento. Os investigadores apuram quem escolheu os números de telefone, quem autorizou o acesso e quem recebeu as informações resultantes. Cada etapa envolve um tipo diferente de responsabilidade, desde inserir um número em um servidor até autorizar a operação.
Por que os registros apagados são importantes
Suhermanto afirmou que os suspeitos identificados como EH e AS precisavam da aprovação de Slamet antes de realizar a configuração ou a interceptação telefônica. Nesse contexto, a configuração consiste em preparar o sistema para começar a monitorar um número selecionado.
A polícia alega que AS pediu autorização no início de outubro de 2026 para apagar os resultados das interceptações e que Slamet aprovou a exclusão permanente. Os investigadores também mencionaram ordens para apagar arquivos no fim de outubro e a remoção de registros eletrônicos naquele mês.
Os arquivos de interceptação contêm as informações coletadas por meio da vigilância. Os registros eletrônicos documentam a atividade em um sistema, como acessos ou alterações. Os investigadores examinam ambos porque o conteúdo pode ajudar a esclarecer o que foi coletado, enquanto os registros podem ajudar a reconstruir como o sistema foi usado.
A suposta aprovação de Slamet dá à investigação uma dimensão de supervisão. A polícia apura decisões tomadas acima do nível dos funcionários que operavam o equipamento, incluindo a autorização para iniciar a vigilância e para remover seus resultados.
A acusação contra ele se concentra nesse papel de aprovação. Sua atuação anterior na seção de monitoramento e a posterior função de assessor fazem parte da cadeia de responsabilidades que os investigadores tentam reconstruir.
De acusações de interceptação à possibilidade de acusações de traição
Suhermanto identificou vários dispositivos legais aplicados a Slamet: o artigo 332, parágrafos 1 e/ou 2, da Lei nº 1 de 2023, relativo ao acesso ilegal; o artigo 258, parágrafo 1, da mesma lei, relativo à interceptação; e o artigo 32, parágrafo 1, da Lei de Informações e Transações Eletrônicas, relativo à interferência em informações eletrônicas, inclusive sua exclusão.
Ele mencionou penas possíveis de seis anos de prisão por acesso ilegal, 10 anos pelo dispositivo sobre interceptação e oito anos pelo dispositivo sobre informações eletrônicas. A polícia também citou o artigo 20 do Código Penal, relativo à participação em um delito. A pena em eventual processo dependerá das acusações apresentadas e das conclusões do tribunal.
O ministro coordenador de Direito, Direitos Humanos, Imigração e Correções, Yusril Ihza Mahendra, afirmou que os investigadores avaliavam se o artigo 191 do Código Penal poderia ser aplicado. Esse dispositivo prevê penas que podem chegar à morte. Ele descreveu a análise sobre traição como preliminar e disse que os investigadores ainda apuravam a motivação e o objetivo final da operação.
Yusril afirmou que as evidências iniciais sustentavam as acusações de interceptação, enquanto descobertas posteriores apontavam para uma possível tentativa de impedir o funcionamento do governo. Ele descreveu a avaliação em andamento em uma entrevista coletiva em 4 de novembro:
Com base no andamento da investigação até agora, há sinais e indícios que apontam para um ato de traição.
O ministro de Estado da Secretaria de Estado, Prasetyo Hadi, também descreveu a suposta vigilância como uma ameaça aos interesses nacionais e à segurança das autoridades. Comunicações envolvendo um presidente podem conter informações sensíveis sobre decisões governamentais e segurança, o que torna o uso pretendido do material uma questão central da investigação.
Milhares de possíveis alvos colocam a privacidade em foco
Uma lista divulgada teria mais de 6.000 números de telefone, segundo uma pessoa não identificada familiarizada com a investigação. Entre os nomes mencionados estão o jornalista e político Akbar Faizal e os acadêmicos de direito Feri Amsari e Zainal Mochtar. A polícia descreveu publicamente categorias amplas de alvos, mas não confirmou esse total nem divulgou uma lista completa.
Números de telefone e pessoas são medidas diferentes: uma pessoa pode usar vários números. Determinar quem foi efetivamente monitorado, por quanto tempo e quais informações foram coletadas definirá o alcance da suposta operação.
Usman Hamid, diretor-executivo da Anistia Internacional Indonésia, alertou que a vigilância poderia violar direitos humanos e ser usada para intimidar críticos. Ele pediu que os investigadores considerassem as pessoas afetadas além da Presidência:
O caso não se limita à suposta interceptação das comunicações do presidente. As autoridades precisam revelar quem mais pode ter sido alvo e investigar o impacto total da operação.
Para jornalistas, ativistas e empresários, comunicações privadas podem incluir a identidade de fontes confidenciais, planos de campanha ou decisões comerciais. A investigação envolve, portanto, tanto a segurança presidencial quanto o tratamento de informações pessoais em diversos setores da vida pública.
Widodo se manifesta enquanto aumenta a pressão política
Widodo compareceu ao Tribunal Distrital de Jacarta Oriental em 5 de novembro como testemunha em um julgamento por difamação decorrente de acusações de que teria usado um diploma universitário falso. Ele nega as acusações. O julgamento diz respeito a um caso diferente da investigação sobre escutas telefônicas.
Após a audiência, o ex-presidente se manifestou sobre a investigação de vigilância. Widodo, que não foi implicado pelos investigadores, pediu respeito ao processo:
Todos devemos respeitar o processo judicial em andamento. Vamos aguardar o resultado da investigação.
O general aposentado Nugroho, ex-vice-chefe da Polícia Nacional, pediu que os investigadores examinassem toda a cadeia de comando, inclusive se alguma ordem veio de Widodo. O ex-presidente da Assembleia Consultiva Popular Amien Rais também exigiu uma investigação aprofundada e levantou publicamente a possibilidade de envolvimento do ex-presidente.
Amien pediu desculpas a Prabowo por suas críticas anteriores à reforma policial. Ele afirmou que uma comissão presidida por Jimly Asshiddiqie e composta por 10 integrantes havia produzido um livro de 3.000 páginas após três meses de trabalho, mas questionou se a comissão havia definido um rumo claro para a reforma.
O secretário de Gabinete, Teddy Indra Wijaya, também passou a ser tema de discussão pública por causa de uma alegação não confirmada de que a polícia militar o interrogou e depois o liberou. Não foram confirmados o momento, o local, o assunto, a situação jurídica nem a relação com a investigação de vigilância. Teddy foi visto acompanhando Prabowo em 27 de outubro e novamente no palácio em 5 de novembro.
Chefes da polícia enfrentam cobranças por transparência
O comissário-geral aposentado Mochamad Iriawan, conhecido como Iwan Bule, pediu uma investigação profissional e transparente, sem tratamento especial para ex-ocupantes de cargos de alta patente. Ele afirmou que a lealdade policial deve respeitar a lei e servir ao Estado e à população.
Em uma reunião em 5 de novembro com o chefe da Polícia Nacional, general Suyudi Ario Seto, a associação de policiais aposentados PP Polri manifestou apoio à investigação. Seu presidente, o ex-chefe da polícia Bambang Hendarso Danuri, afirmou que a cúpula havia descrito o caso como um processo criminal envolvendo policiais, e não como uma disputa entre o atual e o ex-chefe da polícia.
Bambang afirmou que a confiança da população na polícia havia chegado a 80%, mas não identificou a pesquisa que embasava esse número. A associação apresentou sete recomendações éticas e elogiou a coordenação entre a polícia, os militares, os ministérios e outros órgãos.
Líderes políticos também se manifestaram. O presidente do Partido do Despertar Nacional, Abdul Muhaimin Iskandar, elogiou Prabowo e Suyudi pela resposta da polícia. O presidente do Partido Democrata, Agus Harimurti Yudhoyono, descreveu a interceptação ilegal como uma ameaça à segurança nacional, à privacidade, à confiança pública e à democracia, e pediu uma investigação conduzida de acordo com a lei.
A cobrança comum nessas manifestações é concreta: os investigadores devem identificar todos os responsáveis, explicar o processo de autorização e prestar contas sobre as pessoas cujas comunicações teriam sido monitoradas.
As datas que marcaram o caso
Os acontecimentos públicos avançaram rapidamente: três oficiais de alta patente foram detidos, um assessor presidencial foi demitido e um quarto suspeito foi identificado.
- Outubro de 2026: Os investigadores alegam que houve ordem para apagar arquivos de interceptação e registros eletrônicos. Listyo foi nomeado chefe de gabinete presidencial no mesmo mês.
- 1º de novembro: Segundo a polícia, Listyo, Ahrie e Eko foram detidos.
- 2 de novembro: A primeira fase da mobilização começou com 2.100 militares já estacionados em Jacarta.
- 3 de novembro: Asep anunciou os três primeiros suspeitos.
- 4 de novembro: Os reforços começaram a chegar, Listyo foi demitido e ministros discutiram possíveis acusações de traição.
- 5 de novembro: Slamet se tornou o quarto suspeito, enquanto 5.500 policiais e militares fizeram a segurança durante a ida de Widodo ao tribunal.
Os investigadores ainda não divulgaram uma conclusão sobre a motivação, não identificaram todos os destinatários das informações interceptadas nem anunciaram uma data para o início do processo. As próximas decisões importantes dizem respeito às provas contra cada suspeito e à possibilidade de a investigação ir além das acusações de interceptação, acesso ilegal e exclusão de dados.
Principais pontos
- A Indonésia anunciou o envio de 20.980 militares a Jacarta, com outros 13.140 de prontidão.
- As autoridades não confirmaram relação entre o deslocamento de tropas e a investigação sobre escutas telefônicas.
- Quatro policiais são suspeitos. Três estão detidos; Slamet Uliandi está se recuperando de um AVC.
- Prabowo demitiu Listyo Sigit Prabowo do cargo de chefe de gabinete presidencial.
- A polícia alega que o sistema de vigilância LIMS foi usado indevidamente e que registros eletrônicos foram apagados.
- Possíveis acusações de traição continuam sob análise, enquanto a motivação e a lista completa de alvos seguem sem esclarecimento.






