Grande estoque, mas acesso limitado para compradores chineses
Cerca de 600 mil chips de inteligência artificial H200 da Nvidia estão armazenados em Hong Kong, aguardando envio à China continental, enquanto Pequim ainda não aprovou importações em larga escala, segundo pessoas a par do assunto. O estoque vem acompanhado de preços em forte alta: no fim de outubro, um servidor com oito chips H200 era oferecido no mercado não oficial da China continental por mais de 6 milhões de yuans, cerca de três vezes o preço de um ano antes.
Conteúdo
- Grande estoque, mas acesso limitado para compradores chineses
- Quanto a China realmente autorizou?
- Washington abriu uma via estreita para licenças
- Autoridades dos EUA descrevem embarques limitados
- As decisões por trás do gargalo
- Escassez eleva os preços dos servidores
- Demanda elevada vem acompanhada de condições de pagamento difíceis
- Alternativas chinesas avançam, mas as tarefas fazem diferença
- Compradores também buscam outros produtos da Nvidia
- Principais pontos
Alibaba, Tencent, ByteDance e DeepSeek teriam recebido, cada uma, autorização para importar apenas cerca de 10 mil chips H200 nos últimos meses. Pequenas quantidades também entraram por meio de intermediários e rotas indiretas, embora o número movimentado dessa forma não tenha sido divulgado.
O gargalo coloca os desenvolvedores chineses de IA entre dois governos que tomam decisões diferentes. Washington controla a exportação de chips americanos avançados. Pequim controla a importação por empresas chinesas e, ao mesmo tempo, incentiva essas companhias a comprar processadores desenvolvidos no país.
O H200 pertence à geração Hopper, mais antiga da Nvidia, e não à família Blackwell, mais recente. Ainda assim, os desenvolvedores chineses querem o chip para tarefas exigentes, como o treinamento de modelos de IA, especialmente quando usado com o software da Nvidia. Treinar significa processar grandes quantidades de dados para ensinar um modelo a reconhecer padrões e produzir respostas úteis.
Para os compradores, o problema imediato é levar o hardware às instalações de computação. Centenas de milhares de processadores à espera em Hong Kong representam capacidade computacional potencial. As empresas na China continental só podem usar essa capacidade depois que as autorizações necessárias forem concedidas e as entregas, concluídas.
Quanto a China realmente autorizou?
As cotas informadas para Alibaba, Tencent, ByteDance e DeepSeek somam cerca de 40 mil chips. Os 600 mil chips à espera em Hong Kong correspondem a cerca de 15 vezes esse total, ilustrando a diferença entre o estoque e as autorizações limitadas descritas por pessoas a par das importações recentes.
Um relato anterior mencionou a aprovação chinesa para várias centenas de milhares de chips H200, com a alocação inicial concentrada em três grandes empresas de tecnologia durante uma visita à China do CEO da Nvidia, Jensen Huang. Esse número maior contrasta com o relato mais recente de cotas restritas e de um estoque ainda à espera de autorização. As autoridades chinesas não explicaram publicamente o alcance nem o cronograma dessas aprovações.
A autorização anterior foi descrita como uma aprovação direcionada a compradores selecionados. Assim, as empresas que buscam acesso adicional ainda dependem de decisões sobre suas próprias compras, em vez de uma reabertura irrestrita do mercado.
Washington abriu uma via estreita para licenças
Os Estados Unidos começaram a restringir o acesso da China a processadores avançados da Nvidia e a equipamentos para fabricação de semicondutores em 2022. O presidente Donald Trump anunciou em 8 de dezembro de 2025 que clientes chineses autorizados poderiam comprar chips H200 sob condições que incluíam um pagamento proposto de 25% ao governo dos EUA.
O Bureau of Industry and Security, do Departamento de Comércio, revisou posteriormente sua política de licenciamento para certos processadores, incluindo o H200 da Nvidia e o MI325X da AMD. A política descrita em janeiro de 2026 abrange chips com potência total de processamento inferior a 21.000, segundo a medida regulatória, e largura de banda de memória DRAM inferior a 6.500 gigabytes por segundo. A largura de banda da memória descreve a rapidez com que os dados podem trafegar entre um processador e sua memória.
Pedidos que atendem aos requisitos podem passar por análise individual, em vez de serem presumivelmente negados. As condições incluem disponibilidade garantida para compradores americanos e um limite para os embarques totais à China e a Macau equivalente a 50% do uso total por clientes dos EUA. A política revisada não mencionou o pagamento de 25% ao governo proposto por Trump.
Autoridades dos EUA descrevem embarques limitados
Jeffery Kessler, subsecretário de Comércio dos EUA para Indústria e Segurança, disse em uma audiência no Congresso que os embarques sob o sistema de licenciamento haviam sido pequenos. Sua declaração abrangeu a China e Hong Kong.
"O ponto principal é que ocorreram pouquíssimos embarques de H200 e equivalentes sob licença. É uma quantidade muito pequena de chips", disse Kessler.
Kessler afirmou que os solicitantes precisam cumprir os requisitos de segurança nacional e aceitar inspeções para verificar a conformidade. Ele também disse aos parlamentares que alguns pedidos de licença são negados.
Antes, em 24 de fevereiro de 2026, David Peters, secretário-assistente de Comércio para Fiscalização de Exportações, havia dito em uma audiência do Comitê de Relações Exteriores da Câmara que, até onde sabia, as vendas de H200 a clientes chineses eram zero. A descrição posterior de Kessler indica que alguns embarques licenciados começaram, embora em escala limitada.
O processo de licenciamento envolve análises do Departamento de Estado, do Departamento de Defesa e do Departamento de Energia dos EUA. Divergências sobre as condições de segurança teriam atrasado pedidos no início do ano. Para os clientes chineses, uma licença americana de exportação é apenas uma etapa de um processo que também exige autorização de Pequim.
As decisões por trás do gargalo
A política mudou após vários anúncios e análises, enquanto clientes e fornecedores tentavam planejar suas atividades comerciais com as autorizações ainda em definição. Os principais acontecimentos, por data, foram:
- 8 de dezembro de 2025: Trump anunciou autorização condicional para a venda de H200 a compradores chineses autorizados, incluindo um pagamento proposto de 25% ao governo dos EUA.
- 6 de janeiro de 2026: Huang disse na feira de tecnologia CES, em Las Vegas, que a posição da China sobre as importações de H200 poderia ficar clara por meio dos pedidos de compra.
- 8 de janeiro de 2026: Foi noticiado que a Nvidia exigia pagamento integral antecipado de clientes chineses de H200.
- 13 de janeiro de 2026: Detalhes da política revisada de licenciamento dos EUA descreveram análises individuais e condições para proteger o abastecimento de clientes americanos.
- 24 de fevereiro de 2026: Peters disse a parlamentares que, até onde sabia, as vendas de H200 a clientes chineses continuavam em zero.
Relatos posteriores descrevem tanto embarques licenciados limitados quanto um estoque muito maior à espera de entrada na China continental. Nenhuma data foi anunciada para uma decisão que permita o envio em massa dos 600 mil chips.
Escassez eleva os preços dos servidores
Um servidor com oito chips H200 oferecido por mais de 6 milhões de yuans custa cerca de três vezes o preço anunciado um ano antes. Essa comparação sugere que o preço anterior era de aproximadamente 2 milhões de yuans. Os valores são preços pedidos no mercado não oficial, onde compradores procuram equipamentos fora dos canais regulares de fornecimento autorizado.
Servidores com os processadores Blackwell, mais recentes da Nvidia, eram oferecidos por mais de 20 milhões de yuans cada. Os chips Blackwell continuam sujeitos aos controles de exportação dos EUA e oferecem desempenho superior ao da geração Hopper, mais antiga.
Os preços do H200 e do Blackwell se referem a servidores completos, não a processadores individuais. Os sistemas Blackwell anunciados também não têm detalhes suficientes de configuração para permitir uma comparação entre máquinas equivalentes. Ao decidir quanta capacidade computacional útil estão comprando, os clientes precisam considerar os processadores, a memória, as conexões e os outros equipamentos incluídos no servidor.
Intermediários e rotas indiretas se tornaram mais atraentes à medida que o fornecimento autorizado se estreitou. Essas compras também envolvem riscos de fiscalização. Em fevereiro, Peters disse aos parlamentares que havia contrabando de semicondutores avançados e propôs ampliar para 10 anos o prazo para iniciar processos, com multas superiores a quatro vezes o valor das transações ilegais.
Demanda elevada vem acompanhada de condições de pagamento difíceis
Anteriormente, clientes chineses buscaram mais de 2 milhões de chips H200, o que representaria um canal de vendas potencial avaliado em cerca de US$ 54 bilhões. O estoque informado da Nvidia, de aproximadamente 700 mil processadores, era muito menor. A empresa buscou ampliar a produção de H200 quando a demanda dos clientes superou o estoque existente em mais de 1,3 milhão de unidades.
As discussões sobre produção incluíram a Alibaba e outros grandes compradores chineses. A Nvidia teria planejado expandir a produção de H200 depois que a demanda superou a capacidade, mesmo enquanto desenvolvia novas gerações de processadores.
As condições de pagamento transferiram parte do risco regulatório aos clientes. Em janeiro, a Nvidia teria exigido que compradores chineses de H200 pagassem o valor integral antecipadamente, sem direito a cancelar, receber reembolso ou alterar as configurações. Em casos excepcionais, seguro comercial ou ativos dados em garantia poderiam substituir o pagamento em dinheiro.
A Nvidia já havia solicitado pagamentos antecipados, mas a exigência de pagamento integral foi descrita como incomum. Um cliente que aceitasse essas condições comprometeria o dinheiro sem saber se a China autorizaria o recebimento do equipamento. Relatos posteriores disseram que Huang afirmou que a Nvidia não havia recebido novos pedidos de H200 enquanto as avaliações das importações continuavam, e que alguns fornecedores haviam suspendido a produção de componentes importantes.
Alternativas chinesas avançam, mas as tarefas fazem diferença
Pequim tem incentivado as empresas a reduzir a dependência de processadores importados, enquanto a Huawei e outros fornecedores nacionais expandem seus negócios de hardware para IA. Também foi noticiado que a China avaliava incentivos para a indústria de semicondutores de até US$ 70 bilhões. Esse valor se referia a uma proposta, não a uma verba aprovada.
Fornecedores chineses já avançaram em volume de entregas. Dados da IDC mencionados em uma análise das mudanças no mercado chinês de chips apontaram que a Nvidia entregou 678 mil aceleradores de IA no primeiro semestre de 2026, contra 572 mil da Huawei. As participações de mercado foram de 34% e 28%, respectivamente, uma diferença de seis pontos percentuais.
As comparações de desempenho dependem da tarefa. Segundo relatos, as alternativas chinesas ficam atrás do H200 em treinamento de modelos exigentes, sobretudo quando se considera o software da Nvidia. Enquanto isso, a Iluvatar CoreX afirmou ter uma vantagem de 5% sobre o H200 em um teste específico de inferência, o processo de executar um modelo treinado para gerar respostas.
Na demonstração realizada em Xangai em 28 de outubro, a empresa apresentou o resultado como parte de sua demonstração do Tiangai 300. A comparação alegada usou uma implementação que separava a etapa em que o modelo lê uma solicitação daquela em que produz uma resposta. Ao escolher o hardware, os compradores precisam considerar o desempenho e o software mais adequados às suas próprias tarefas de treinamento ou inferência.
Compradores também buscam outros produtos da Nvidia
ByteDance, Alibaba e Tencent teriam encomendado mais de 3 milhões de placas de vídeo Nvidia RTX Pro 5500, um produto menos potente descrito como compatível com as restrições de exportação. O valor de tabela combinado ultrapassava US$ 35 bilhões.
Essas compras mostram a escala da demanda por processadores que as empresas chinesas conseguem obter por canais autorizados. Uma placa de vídeo mais fácil de comprar pode oferecer outro caminho para ampliar a capacidade computacional, mesmo entregando menos desempenho do que o hardware originalmente desejado pelo desenvolvedor.
A Nvidia não incluiu em suas projeções a possível receita com chips de IA na China, pois o acesso ao mercado depende de decisões regulatórias. Em maio, Huang disse a investidores para "não esperar nada" das vendas na China.
A pressão imediata recai sobre as empresas que planejam treinamento de IA e serviços. Elas precisam decidir se esperam pelo acesso ao H200, compram outros produtos disponíveis da Nvidia ou transferem mais atividades para processadores nacionais. O estoque em Hong Kong torna o problema central concreto: o hardware está perto, mas as autorizações governamentais determinam quando os desenvolvedores da China continental poderão usá-lo.
Principais pontos
- Cerca de 600 mil chips Nvidia H200 estariam à espera em Hong Kong de autorização para entrar na China continental.
- Alibaba, Tencent, ByteDance e DeepSeek teriam recebido, cada uma, autorização para cerca de 10 mil chips nos últimos meses.
- As regras dos EUA permitem análises individuais para licenciamento sob determinadas condições, enquanto a China controla as importações separadamente.
- No fim de outubro, um servidor com oito chips H200 era oferecido por mais de 6 milhões de yuans, cerca de três vezes o preço de um ano antes.
- Desenvolvedores chineses também estão comprando produtos menos potentes da Nvidia e ampliando o uso de processadores nacionais.
- Nenhuma data foi anunciada para a aprovação de embarques em massa do estoque em Hong Kong.






