Bangladesh pede ajuda da China na crise rohingya; Liu promete informar Xi

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Bangladesh Seeks China's Help on Rohingya Crisis as Liu Pledges to Brief Xi

Daca pressiona Pequim por 1,3 milhão de pessoas deslocadas

O primeiro-ministro de Bangladesh, Tarique Rahman, pediu à China, em 4 de novembro de 2026, que ajude a resolver a crise rohingya, citando as pressões econômicas, sociais, demográficas e ambientais de acolher cerca de 1,3 milhão de pessoas deslocadas de Mianmar. Liu Haixing, dirigente do Partido Comunista Chinês em visita ao país, disse que levaria essas preocupações ao presidente Xi Jinping.

Conteúdo
  1. Daca pressiona Pequim por 1,3 milhão de pessoas deslocadas
  2. Por que Bangladesh voltou a recorrer à China
  3. Como os esforços diplomáticos evoluíram
  4. O que o acolhimento de refugiados representa para Bangladesh
  5. Comércio e cooperação regional também estão na pauta
  6. Canais, portos e rios ligam a diplomacia ao cotidiano
  7. Diálogo político vai além do governo
  8. Uma relação ampla, com a crise dos refugiados ainda urgente
  9. Principais pontos

O encontro, na sede do gabinete do primeiro-ministro, na Secretaria de Bangladesh, incluiu a crise dos refugiados em uma discussão mais ampla sobre comércio, infraestrutura, vias navegáveis agrícolas e relações políticas. Liu, ministro do Departamento Internacional do Comitê Central do Partido Comunista da China, também manifestou apoio à adesão de Bangladesh à Parceria Econômica Regional Abrangente, conhecida como RCEP.

O secretário de imprensa adjunto Shahadat Shadhin deu detalhes das conversas. O principal pedido de Rahman foi uma solução duradoura para uma crise que persiste apesar do envolvimento anterior da China em iniciativas para organizar o retorno dos refugiados rohingya a Mianmar.

A resposta imediata da China foi a promessa de levar as preocupações de Bangladesh ao presidente. Não foram anunciados prazos para o retorno dos refugiados, uma nova negociação ou uma reunião futura sobre a crise.

Por que Bangladesh voltou a recorrer à China

A China já usou sua influência em Mianmar para intermediar um acordo, em novembro de 2017, sobre o retorno de cerca de 700 mil rohingya que haviam fugido da perseguição em agosto daquele ano. As tentativas de repatriar os refugiados foram posteriormente interrompidas porque eles temiam correr perigo em Mianmar. A tomada do poder pelos militares, em 2021, aprofundou essas preocupações.

Bangladesh renovou o pedido de cooperação chinesa durante a visita do ministro das Relações Exteriores Wang Yi, em agosto de 2022. Shahriar Alam, então vice-ministro das Relações Exteriores de Bangladesh, disse que a China havia se comprometido a continuar trabalhando para resolver a crise.

O apelo mais recente de Rahman segue esse caminho diplomático já estabelecido: pedir a Pequim que ajude a transformar as conversas com Mianmar em uma solução prática. Para os refugiados, repatriação significa voltar ao país de origem. A recusa anterior em retornar por medo de não estarem seguros continua sendo um aspecto central para entender por que um acordo, por si só, não pôs fim à crise.

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Alam descreveu a posição de Bangladesh durante a visita de Wang, em 2022, nestes termos:

"Nosso ministro das Relações Exteriores reiterou com firmeza que é necessária a cooperação chinesa. A China avançou na busca de uma solução para a questão rohingya, e precisamos que a situação chegue ao fim",

O apelo de novembro de Rahman mostra que Bangladesh continua buscando a ajuda chinesa anos depois daqueles compromissos. A pressão que ele descreveu agora envolve cerca de 1,3 milhão de pessoas deslocadas, enquanto o acordo de 2017 dizia respeito às aproximadamente 700 mil que fugiram durante o êxodo daquele ano.

Como os esforços diplomáticos evoluíram

O diálogo de Bangladesh com a China sobre a crise rohingya prosseguiu paralelamente a esforços mais amplos para fortalecer a relação entre os dois países. As principais etapas ligam um processo de retorno de refugiados ainda inconcluso à retomada da cooperação política e econômica.

  • Agosto de 2017: Cerca de 700 mil rohingya fugiram da perseguição em Mianmar.
  • Novembro de 2017: A China intermediou um acordo sobre o retorno deles a Mianmar.
  • Agosto de 2022: Bangladesh pediu mais ajuda chinesa durante a visita do ministro das Relações Exteriores Wang Yi.
  • Junho de 2026: Segundo Liu, Xi se reuniu com Rahman durante a visita do líder bengalês à China, e os dois anunciaram planos para uma comunidade China-Bangladesh com futuro compartilhado.
  • 4 de novembro de 2026: Rahman abordou a crise rohingya com Liu, em Daca, e Liu prometeu informar Xi.

A visita de junho também resultou em uma declaração conjunta sobre uma nova era nas relações bilaterais, lembrou Liu no encontro de novembro. Ele disse que a cooperação seria ampliada de acordo com a declaração e que o compromisso da China com o desenvolvimento de Bangladesh permanecia inalterado.

O que o acolhimento de refugiados representa para Bangladesh

Rahman apontou quatro áreas de pressão interligadas: economia, sociedade, dinâmica populacional e meio ambiente. A referência à pressão demográfica dizia respeito aos efeitos da presença prolongada de uma grande população deslocada sobre o número e a distribuição das pessoas que vivem em uma região.

As pressões econômicas e sociais envolvem os recursos e serviços necessários para apoiar as pessoas por muitos anos. A pressão ambiental diz respeito à terra, à água e aos ecossistemas do entorno dos quais dependem os refugiados e as comunidades próximas. Rahman apresentou esses desafios em conjunto, em vez de tratar a crise apenas como uma questão diplomática.

O pedido do primeiro-ministro atribuiu a responsabilidade por uma solução duradoura a outros países além de Bangladesh. As pessoas foram deslocadas de Mianmar, enquanto Bangladesh continua a acolhê-las. A China foi procurada por já ter desempenhado um papel de mediação com Mianmar.

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Comércio e cooperação regional também estão na pauta

Liu manifestou o apoio da China à inclusão de Bangladesh na RCEP, um acordo comercial regional que busca facilitar o comércio entre as economias participantes por meio de regras comuns e da redução de barreiras. Para Bangladesh, a adesão a esse tipo de acordo afetaria o acesso a mercados e as condições em que as empresas negociam além das fronteiras.

Os dois lados também discutiram o Corredor Econômico Bangladesh-China-Mianmar. Um corredor econômico conecta localidades por meio de transporte, comércio e investimentos relacionados. Sua inclusão nas conversas colocou Mianmar na pauta de duas formas distintas: como o país de onde os rohingya foram deslocados e como participante de uma conexão econômica proposta.

Em um seminário político realizado separadamente, em Daca, Liu apresentou um indicador do crescimento comercial da relação. Ele disse que o comércio bilateral havia passado de US$ 15 milhões para mais de US$ 23 bilhões em cinco décadas. Com base nesses números, o comércio cresceu mais de 1.500 vezes em relação ao valor inicial.

A dependência de Bangladesh de insumos industriais chineses também foi mencionada na descrição da relação durante a visita de Wang, em 2022. Na época, a indústria de vestuário, responsável por mais de 80% das divisas obtidas com exportações, dependia fortemente de matérias-primas chinesas. A China também concordou, então, em ampliar o acesso isento de tarifas de 97% para 98% dos produtos e serviços de Bangladesh.

Canais, portos e rios ligam a diplomacia ao cotidiano

Rahman disse a Liu que seu governo havia iniciado uma iniciativa para escavar 20 mil quilômetros de canais. Segundo ele, o programa beneficiaria agricultores e comunidades, preservaria a biodiversidade e ajudaria a manter o equilíbrio ambiental.

O primeiro-ministro relacionou a iniciativa a um programa anterior de escavação de canais, lançado após a visita à China do ex-presidente Ziaur Rahman. Segundo ele, o programa havia se tornado popular e contribuído para o desenvolvimento agrícola. Rahman também atribuiu ao governo de Ziaur Rahman o estabelecimento das bases da relação bilateral.

No seminário realizado separadamente, Liu citou os avanços no Parque Industrial do Porto de Mongla e no tratamento abrangente e na restauração do rio Teesta. Esses projetos deram exemplos concretos de locais e iniciativas ligados às garantias mais amplas de apoio chinês ao desenvolvimento.

Agricultores, empresas portuárias e comunidades que vivem perto de rios estão entre aqueles cujo sustento depende desse tipo de trabalho. Rahman descreveu os benefícios esperados da escavação de canais, enquanto Liu apresentou os projetos do porto e do rio como áreas de cooperação em andamento.

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Diálogo político vai além do governo

Liu convidou uma delegação do Partido Nacionalista de Bangladesh, liderada por seu secretário-geral, a visitar a China. Os dois lados defenderam o fortalecimento da comunicação e da cooperação entre o BNP e o Partido Comunista da China.

Participaram do encontro o membro do comitê permanente do BNP Nazrul Islam Khan, o secretário-geral interino Ruhul Kabir Rizvi, o vice-presidente e marechal do ar aposentado Altaf Hossain Chowdhury e a ministra de Estado das Relações Exteriores Shama Obaed Islam. A delegação chinesa incluiu Liu Yuyin, encarregada de negócios da embaixada, e Peng Xiubin, diretor-geral do Departamento de Assuntos do Sudeste e do Sul da Ásia do Departamento Internacional do PCCh.

O diálogo promovido pela China também alcançou outros grupos políticos. A Embaixada da China organizou um seminário no InterContinental Dhaka, com representantes do BNP, da Jamaat-e-Islami e do Partido Nacional dos Cidadãos, além de autoridades do governo e representantes dos setores empresarial e acadêmico.

Liu, ministro do Departamento Internacional do PCCh em visita ao país, aproveitou o discurso principal para pedir a continuidade da cooperação:

"Precisamos permanecer unidos nos bons e nos maus momentos e construir juntos um caminho de amizade",

O encontro também marcou a inauguração do Centro Bangladesh-China de Estudos sobre Governança Partidária e Estatal. Liu disse que o centro poderia apoiar intercâmbios entre partidos políticos, jovens, comunidades empresariais, organizações de mídia e grupos de pesquisa.

Uma relação ampla, com a crise dos refugiados ainda urgente

No seminário, Liu disse que pesquisas indicavam que 90% dos bengaleses tinham uma opinião favorável sobre a China. Ele também mencionou um vínculo pessoal: seu pai havia sido embaixador da China em Bangladesh 46 anos antes.

As declarações públicas de Liu e o encontro com Rahman apresentaram diferentes canais para manter a relação: líderes nacionais, partidos políticos, comércio, infraestrutura e intercâmbios entre cidadãos. Liu transmitiu a Rahman as saudações de Xi, e o primeiro-ministro retribuiu com saudações para Xi e para o premiê Li Qiang.

Para Bangladesh, esses canais oferecem oportunidades recorrentes para insistir em seu pedido sobre a crise rohingya. O encontro de novembro combinou esse pedido com discussões sobre acesso comercial, vias navegáveis e projetos de desenvolvimento. O resultado imediato sobre a questão dos refugiados foi o compromisso de Liu de levar as preocupações de Rahman a Xi.

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Principais pontos

  • Em 4 de novembro de 2026, Rahman pediu ajuda à China e citou a pressão de acolher cerca de 1,3 milhão de rohingya.
  • Liu Haixing disse que levaria as preocupações de Bangladesh ao presidente Xi Jinping.
  • A China já havia intermediado um acordo sobre o retorno dos refugiados em novembro de 2017, e Bangladesh pediu mais ajuda em agosto de 2022.
  • Liu apoiou a adesão de Bangladesh à RCEP e discutiu o Corredor Econômico Bangladesh-China-Mianmar.
  • Rahman apresentou uma iniciativa para escavar 20 mil quilômetros de canais.
  • Liu convidou uma delegação do BNP para visitar a China e participou de um encontro político mais amplo em Daca.
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