De um adesivo vacinal a uma nova honraria científica
Nguyen Duc Thanh, cientista vietnamita da Universidade de Connecticut, foi eleito para a Academia de Ciência e Engenharia de Connecticut em março de 2026, integrando uma turma de 36 novos membros. Sua pesquisa aborda três problemas médicos concretos: visitas repetidas para vacinação, lesões ósseas graves e a dificuldade de levar a quimioterapia até tumores cerebrais.
Conteúdo
- De um adesivo vacinal a uma nova honraria científica
- Um pequeno adesivo com sistema de liberação programada
- Por que reduzir as visitas para vacinação pode fazer diferença
- Ajudar ossos lesionados a se reparar
- Usar ultrassom para ajudar a quimioterapia a chegar ao cérebro
- O que os valores de financiamento abrangem
- De Da Nang à engenharia biomédica
- Criação de empresas e formação de pesquisadores
- Reconhecimento nas áreas de invenção e engenharia
- Principais pontos
O anúncio de 10 de março da academia confirma sua eleição entre os 36 novos membros e o identifica como Thanh Nguyen, professor associado de Engenharia Mecânica, Aeroespacial e de Manufatura da Universidade de Connecticut.
Nguyen, professor associado que atua nas áreas de engenharia mecânica e biomédica, atraiu US$ 25 milhões em financiamento para pesquisa para a universidade desde que ingressou nela, em 2016, segundo a UConn. Seus projetos incluem um adesivo biodegradável desenvolvido para liberar vacinas em intervalos programados e um dispositivo de ultrassom destinado a ajudar medicamentos contra o câncer a chegar ao alvo antes de se degradarem no organismo.
Os valores de financiamento abrangem várias frentes sobrepostas de seu programa de pesquisa. Até outubro de 2024, seu grupo havia obtido quatro bolsas R01 dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH) no valor de mais de US$ 9,5 milhões, além de duas bolsas que somavam US$ 6,6 milhões da Fundação Bill e Melinda Gates. Juntas, essas duas fontes correspondiam a aproximadamente US$ 16,1 milhões do total mais amplo de financiamento.
Para os pacientes, o objetivo é prático: menos deslocamentos para se vacinar, mais apoio para ossos lesionados e menos cirurgias para remover dispositivos médicos temporários. Essas tecnologias ainda estão em fase de pesquisa e desenvolvimento. Não foi informado um prazo para que estejam disponíveis rotineiramente aos pacientes ou recebam aprovação regulatória.
Um pequeno adesivo com sistema de liberação programada
O adesivo vacinal de Nguyen tem aproximadamente o tamanho da ponta de um polegar e contém centenas de microagulhas, cada uma tão fina quanto um fio de cabelo. As agulhas contêm um medicamento ou uma vacina e são feitas de material biodegradável semelhante ao usado em pontos cirúrgicos que se dissolvem após uma operação.
As microagulhas permitem administrar seu conteúdo através da pele. O projeto do grupo vai além e busca controlar quando esse conteúdo é liberado. Ajustar a estrutura e a espessura do material biodegradável altera o tempo de liberação, permitindo que o adesivo funcione como um sistema de administração com um cronograma integrado.
Um esquema convencional de vacinação pode exigir que a pessoa volte várias vezes à clínica. A abordagem de Nguyen busca administrar as doses no organismo por meio de um único adesivo, cujo material se degrada em momentos diferentes para liberá-las. A mesma plataforma também está sendo desenvolvida para transportar diferentes vacinas ou medicamentos.
Por isso, o principal desafio de engenharia é mais complexo do que fabricar uma agulha pequena. Um adesivo útil precisa administrar a substância desejada, na quantidade prevista e no momento certo. A pesquisa combina ciência dos materiais, que estuda o comportamento das substâncias, e engenharia biomédica, que aplica a engenharia a problemas da área da saúde.
Por que reduzir as visitas para vacinação pode fazer diferença
Quem mora longe de unidades de saúde pode enfrentar um grande ônus quando uma vacina exige consultas repetidas. Cada retorno pode significar outro deslocamento, gastos com transporte e tempo longe do trabalho ou das responsabilidades familiares. Um adesivo capaz de administrar um esquema programado após uma única aplicação poderia reduzir essas exigências.
As comunidades remotas são um foco particular dos benefícios previstos para a tecnologia. Um sistema de administração que reduza o número de visitas à clínica poderia facilitar a conclusão do esquema de vacinação para pessoas que têm dificuldade para chegar aos serviços de saúde ou se organizar para consultas posteriores.
A pesquisa de Nguyen também busca reduzir a dependência do armazenamento refrigerado. Muitas vacinas precisam ser mantidas em temperatura cuidadosamente controlada durante o transporte e o armazenamento, processo muitas vezes chamado de cadeia de frio. Manter essa cadeia em funcionamento exige equipamentos, eletricidade e coordenação, o que pode ser difícil em locais com infraestrutura de saúde limitada.
As duas bolsas da Fundação Gates, que somam US$ 6,6 milhões, apoiam o desenvolvimento de adesivos capazes de administrar várias vacinas. Os benefícios pretendidos conectam dois aspectos da vacinação vivenciados em conjunto pelos pacientes: levar a vacina até uma comunidade e garantir que a pessoa receba as doses necessárias.
Ajudar ossos lesionados a se reparar
O grupo de Nguyen também está desenvolvendo um suporte biológico para lesões graves em ossos longos, como o fêmur, na coxa, e a tíbia, na parte inferior da perna. Quando o dano é extenso, o processo natural de reparação do corpo pode precisar de apoio adicional para reconstruir a área lesionada.
Um suporte é uma estrutura que oferece um lugar para o crescimento de novos tecidos. Neste projeto, a estrutura faz mais do que ocupar espaço: ela foi concebida para gerar sinais elétricos que estimulem a reparação óssea. O trabalho recebeu uma bolsa de US$ 2,1 milhões do NIH.
A abordagem utiliza materiais piezoelétricos, capazes de produzir uma carga elétrica quando são pressionados ou deformados. Relacionar o comportamento físico de um material a uma resposta biológica é um tema recorrente no trabalho de Nguyen. Neste caso, o objetivo é usar estímulos elétricos para favorecer a cicatrização e, ao mesmo tempo, fornecer uma estrutura para a regeneração.
O objetivo prático é ajudar a reparar lesões que o corpo tem dificuldade para curar sozinho. O sucesso dependerá de o suporte favorecer o crescimento dos tecidos e funcionar com segurança no organismo, o que torna fundamentais a escolha e o desenvolvimento do material.
Usar ultrassom para ajudar a quimioterapia a chegar ao cérebro
Um projeto separado, financiado por uma bolsa de US$ 2,16 milhões do NIH, concentra-se em um dispositivo biodegradável de ultrassom para o tratamento do câncer cerebral. O dispositivo foi concebido para ser implantado no cérebro e ajudar a quimioterapia a chegar às células cancerosas.
O cérebro tem um sistema de filtragem protetor, conhecido como barreira hematoencefálica, que controla rigorosamente quais substâncias podem passar do sangue para o tecido cerebral. Essa proteção é essencial para a saúde, mas também pode restringir a passagem de medicamentos destinados a tratar um tumor.
O ultrassom utiliza ondas sonoras em frequências acima da capacidade de audição humana. O projeto de Nguyen aplica essa tecnologia para auxiliar a administração de medicamentos, com o objetivo de facilitar a chegada da quimioterapia à área que precisa de tratamento.
A intenção é que o implante se degrade no organismo depois de cumprir sua função. Um dispositivo temporário que desaparece poderia reduzir a necessidade de uma cirurgia posterior para removê-lo. Assim, o projeto aborda tanto a administração do medicamento quanto o destino do equipamento depois disso.
O que os valores de financiamento abrangem
O programa R01 do NIH financia projetos definidos de pesquisa em saúde. Até outubro de 2024, a equipe de Nguyen havia recebido quatro dessas bolsas, no valor total de mais de US$ 9,5 milhões, para financiar diferentes frentes do programa de pesquisa biomédica, e não apenas uma invenção.
Três repasses específicos ilustram essa variedade: US$ 2,1 milhões para a reparação de ossos longos, US$ 1,5 milhão para a tecnologia de microagulhas e US$ 2,16 milhões para o uso de ultrassom biodegradável a fim de melhorar a administração de quimioterapia no câncer cerebral. Esses valores fazem parte do total do NIH, e não devem ser somados a ele como recursos adicionais.
Os US$ 6,6 milhões da Fundação Gates representam um investimento substancial na administração de vacinas. Somados às bolsas do NIH, elevam o total dessas duas fontes para aproximadamente US$ 16,1 milhões. O valor de US$ 25 milhões informado pela UConn abrange o montante mais amplo que Nguyen atraiu para a universidade desde que chegou, em 2016.
Com base nos valores divulgados, os recursos do NIH e da Fundação Gates representam cerca de 64% do total de US$ 25 milhões da universidade. A comparação mostra a dimensão da participação dessas duas fontes no programa, enquanto o valor mais amplo da universidade inclui outros apoios à pesquisa.
De Da Nang à engenharia biomédica
Nguyen nasceu em 1984, em Da Nang, no centro do Vietnã. Estudou na turma especializada em física A2 do Ensino Médio para Superdotados Le Quy Don antes de ingressar no programa de engenharia para alunos de alto desempenho em física da Universidade de Ciência e Tecnologia de Hanói.
Mais tarde, sua trajetória acadêmica passou da mecânica e da engenharia aeroespacial para a tecnologia biomédica. Essa transição levou sua experiência sobre o comportamento de materiais e sistemas físicos para pesquisas sobre a interação entre dispositivos e o corpo humano.
Os principais marcos de sua formação e carreira de pesquisa abrangem quase duas décadas:
- 2007: Graduou-se pela Universidade de Ciência e Tecnologia de Hanói.
- 2008: Recebeu uma bolsa da Fundação de Educação do Vietnã para fazer doutorado na Universidade de Princeton.
- 2013: Concluiu o doutorado e, posteriormente, realizou pesquisa de pós-doutorado no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).
- 2016: Ingressou na Universidade de Connecticut e criou seu programa de pesquisa.
- 2022: Tornou-se professor associado.
- 2024: Foi eleito membro sênior da Academia Nacional de Inventores dos Estados Unidos.
- Março de 2026: Foi eleito para a Academia de Ciência e Engenharia de Connecticut.
Na UConn, Nguyen montou um laboratório que combina pesquisa biomédica, biomateriais e tecnologias em micro e nanoescala. Essas áreas se encontram em dispositivos pequenos o bastante para administrar uma vacina através da pele ou funcionar temporariamente dentro do organismo.
Criação de empresas e formação de pesquisadores
Nguyen também é cofundador e diretor de tecnologia da PiezoBioMembrane, Inc. e da SingleTimeMicroneedles, Inc. As empresas se concentram em terapias piezoelétricas biodegradáveis e na tecnologia de microagulhas voltada a administrar esquemas de vacinação por meio de uma única aplicação.
As empresas oferecem um caminho para transformar sua pesquisa em produtos médicos práticos. Levar um projeto de laboratório até o uso clínico exige mais do que demonstrar uma ideia: inclui fabricar dispositivos de forma consistente e avaliar seu desempenho nas condições para as quais foram concebidos.
Nguyen tem mais de 20 patentes em engenharia biomédica. Seu trabalho, portanto, inclui tanto investigação científica quanto invenções desenvolvidas com possíveis aplicações em mente.
A formação de pesquisadores é outra parte do programa. Ele orientou mais de 30 doutorandos e pesquisadores de pós-doutorado, incluindo mais de 10 vietnamitas. O trabalho deles conecta os projetos do laboratório a um grupo crescente de cientistas que adquire experiência em materiais, dispositivos médicos e administração de medicamentos.
Reconhecimento nas áreas de invenção e engenharia
Nguyen recebeu o prêmio Trailblazer do NIH em 2017 e foi reconhecido pela SME em 2018 como um dos 18 jovens engenheiros de manufatura de destaque. No Vietnã, foi escolhido como um dos 10 jovens de destaque do país em 2019.
Em 2024, foi eleito membro sênior da Academia Nacional de Inventores. A organização reconhece inventores cujas patentes e pesquisas contribuem significativamente para a inovação.
A eleição para a Academia de Ciência e Engenharia de Connecticut, em março de 2026, acrescenta um reconhecimento no estado onde ele trabalha. Fundada em 1976, a academia assessora o governo e o setor industrial de Connecticut em questões de ciência e tecnologia. Podem ser eleitos cientistas e engenheiros que trabalhem ou morem em Connecticut, com base em distinção científica alcançada por contribuições originais significativas à teoria ou às aplicações, realizações incomuns na abertura de campos emergentes de ciência aplicada e tecnologia ou ambos.
A academia destacou a pesquisa pioneira de Nguyen em vacinas com microagulhas biodegradáveis e piezoelétricas capazes de estimular a própria resposta do organismo, bem como sua contribuição para o avanço da engenharia biomédica por meio de biomateriais inovadores e tecnologias translacionais com impacto na saúde global e que fortalecem a inovação científica em Connecticut. Os 36 novos membros serão apresentados no 51º Jantar Anual da academia, no Aqua Turf Club, em Plantsville, em 19 de maio de 2026.
Em todos os projetos de Nguyen, a ideia comum é usar um material que execute uma tarefa médica e depois se degrade, ou ajude o corpo a reconstruir tecidos. O adesivo vacinal, o suporte ósseo e o implante cerebral aplicam essa ideia a necessidades muito diferentes, relacionando diretamente o projeto de um material ao tratamento que ele deve apoiar.
Principais pontos
- Nguyen Duc Thanh ingressou na UConn em 2016 e atraiu US$ 25 milhões em financiamento para pesquisa para a universidade.
- Até outubro de 2024, sua equipe havia obtido mais de US$ 9,5 milhões por meio de quatro bolsas R01 do NIH e US$ 6,6 milhões por meio de duas bolsas da Fundação Gates.
- Seu adesivo biodegradável de microagulhas busca administrar medicamentos ou vacinas em intervalos programados após uma única aplicação.
- Outros projetos têm como alvo lesões ósseas graves e a administração de quimioterapia para tratar câncer cerebral.
- Ele cofundou duas empresas e orientou mais de 30 doutorandos e pesquisadores de pós-doutorado.
- Tornou-se membro sênior da Academia Nacional de Inventores em 2024 e foi eleito para a academia de ciência e engenharia de Connecticut em março de 2026.
- Não foi informado um prazo para que as tecnologias estejam disponíveis rotineiramente aos pacientes.






