Vietnã estabelece prazos para levar pesquisas agrícolas às fazendas e aos mercados

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Vietnam Sets Deadlines to Bring Agricultural Research Into Farms and Markets

341 produtos de tecnologia agrícola ainda aguardam aplicação prática

O Vietnã estabeleceu prazos para novembro e dezembro de 2026 para enfrentar uma lacuna no centro de seus planos de desenvolvimento agrícola: entre 451 produtos de ciência e inovação agrícola informados por 34 localidades, 341, ou cerca de 76%, ainda estão na fase de pesquisa.

Conteúdo
  1. 341 produtos de tecnologia agrícola ainda aguardam aplicação prática
  2. O crescimento é forte, mas o modelo de produção precisa mudar
  3. Pesquisas já geraram ganhos mensuráveis
  4. Cinco gargalos dificultam a ligação entre laboratórios e renda no campo
  5. Empresas deverão assumir compromissos antes do início das pesquisas
  6. Florestas e criações de ostras mostram o que significam prioridades locais
  7. Exportações de café e segurança alimentar dependem de dados utilizáveis
  8. Conectar bancos de dados agora é uma tarefa de produção
  9. Regras de financiamento e instalações compartilhadas também estão em análise
  10. Os prazos que vão testar a execução
  11. Principais pontos

O vice-primeiro-ministro Ho Quoc Dung pediu mudanças no financiamento de pesquisas, nas parcerias com empresas e nos sistemas de dados agrícolas durante uma conferência realizada em Hanói em 27 de outubro. As localidades do norte devem identificar de três a cinco desafios prioritários até 15 de novembro, e o Ministério da Agricultura e Meio Ambiente deve concluir uma lista nacional dos principais desafios e tarefas prioritárias até 15 de dezembro. Os projetos que atenderem aos critérios devem começar a ser implementados no primeiro trimestre de 2027.

O vice-ministro da Segurança Pública Nguyen Van Long apresentou os números, compilados por seu ministério, que atua como órgão permanente do Comitê Diretor Central 57. As 34 localidades informaram 916 tarefas relacionadas a 908 produtos de ciência, tecnologia e inovação. A agricultura respondeu por quase metade desses produtos, mas apenas cerca de 24% dos resultados chegaram à aplicação ou à comercialização.

Organizada em conjunto pelos ministérios da Agricultura e da Segurança Pública, a conferência reuniu cerca de 450 representantes do governo, de instituições de pesquisa, universidades, empresas, cooperativas e outras organizações. A preocupação central era prática: como transformar pesquisas financiadas com recursos públicos em sementes melhores, custos de produção menores, alimentos mais seguros e produtos que os agricultores possam vender.

Dung incumbiu o Ministério da Agricultura de coordenar uma análise com os ministérios da Segurança Pública e da Ciência e Tecnologia. O trabalho identificará problemas adequados às vocações regionais e conectará as necessidades locais de produção a pesquisadores e empresas capazes de solucioná-los.

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O crescimento é forte, mas o modelo de produção precisa mudar

O vice-ministro da Agricultura e Meio Ambiente Dang Ngoc Diep afirmou que a agricultura cresceu 3,78% em 2025, quando as exportações agrícolas, florestais e pesqueiras chegaram a US$ 70,63 bilhões. Nos primeiros nove meses de 2026, o setor cresceu 4,02% e as exportações alcançaram US$ 56,3 bilhões, alta de 7,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A agricultura teve crescimento médio de cerca de 3,57% entre 2021 e 2025. Sua expansão continuou enquanto a economia nacional cresceu 9,01% nos primeiros nove meses de 2026. Como mais de 60% da população vive em áreas rurais, os avanços na produção agrícola afetam diretamente o sustento das famílias, além do abastecimento de alimentos e das receitas de exportação.

O ministro da Agricultura e Meio Ambiente Trinh Viet Hung afirmou que a próxima etapa deve depender menos da ampliação da escala e do volume de produção e mais da produtividade, qualidade, eficiência e agregação de valor. Em termos práticos, o objetivo é ganhar mais com os recursos já utilizados, em vez de simplesmente produzir mais toneladas.

Hung relacionou essa mudança à Resolução nº 57-NQ/TW do Politburo, sobre ciência, tecnologia, inovação e transformação digital nacional. Também apontou a intensificação da concorrência comercial, o endurecimento das normas ambientais e das exigências de rastreabilidade, além da crescente imprevisibilidade do clima e dos desastres naturais.

Pesquisas já geraram ganhos mensuráveis

Novas variedades de arroz e práticas avançadas de cultivo ajudaram a elevar a produtividade em cerca de 9,9%, acrescentando aproximadamente 2,4 milhões de toneladas à produção anual e cerca de 12 trilhões de dong em valor econômico, segundo os números apresentados na conferência. O ministério também informou avanços em vacinas veterinárias, variedades florestais, aquicultura e processamento.

Entre 2021 e 2025, o setor executou 1.373 projetos de ciência e tecnologia. Os resultados incluíram 225 novas variedades de culturas, animais, espécies aquícolas e florestais reconhecidas e introduzidas na produção, 150 avanços técnicos e 158 patentes e certificados de modelo de utilidade. Os modelos de utilidade protegem invenções técnicas úteis por meio de uma forma de proteção da propriedade intelectual.

Mais de 2 mil modelos agrícolas que usam tecnologia avançada, reutilização de recursos ou métodos de redução de emissões registraram ganhos econômicos de cerca de 10% a 30%. Entre os exemplos do norte estão variedades de arroz resistentes ao frio, milho cultivado para produzir material vegetal usado na alimentação animal e tecnologias para produzir vacinas contra a peste suína africana.

O setor também identificou inicialmente 19 possíveis produtos de tecnologia estratégica. O desafio agora é facilitar a adoção de pesquisas bem-sucedidas em diferentes áreas de produção, inclusive onde fazendas e empresas têm menos recursos financeiros, equipamentos ou apoio técnico.

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Cinco gargalos dificultam a ligação entre laboratórios e renda no campo

Diep apontou cinco obstáculos principais: produção pequena e fragmentada; pesquisa e transferência de tecnologia dispersas; limitações nas variedades e nos insumos de produção; tecnologias insuficientes de conservação e processamento; e dados desconectados, somados a habilidades digitais limitadas.

Um agricultor pode se beneficiar de uma semente melhor, mas ainda perder renda se a produção estragar antes de chegar a um comprador. Uma indústria de processamento pode ter máquinas modernas, mas enfrentar dificuldades para obter um fornecimento constante de matérias-primas adequadas. Por isso, a resposta proposta abrange toda a cadeia de valor, ou seja, as etapas interligadas desde os insumos e a produção até o armazenamento, o processamento e a venda.

A criação de animais ilustra a dependência de insumos. Cerca de 65% dos ingredientes para ração são importados, segundo Diep, enquanto as tecnologias modernas se concentram principalmente em grandes fazendas. Entre as prioridades estão variedades melhores de animais, tecnologia para rações, vacinas e produtos biológicos, além de métodos de produção que impeçam a entrada ou a propagação de doenças nas fazendas.

A aquicultura marinha enfrenta deficiências em matrizes, infraestrutura e conexões com o mercado. Na silvicultura, a produção de acácia, bambu e canela enfrenta problemas relacionados a variedades, pragas, processamento e padrões de exportação. São exemplos de problemas específicos de cada setor que os ministérios querem abordar em futuras encomendas de pesquisa.

Empresas deverão assumir compromissos antes do início das pesquisas

Apenas cerca de 12% dos projetos de pesquisa dos cinco anos anteriores mantiveram vínculos com empresas, segundo os números apresentados na conferência. Em todo o país, 242 institutos e universidades realizaram mais de 4.800 projetos de pesquisa, com apoio de dezenas de trilhões de dong em investimentos estatais, mas levar os resultados ao mercado continuou sendo difícil.

Dung pediu parcerias que envolvam governo, pesquisadores, empresas, cooperativas e famílias rurais durante todo o projeto. Empresas e cooperativas deverão registrar suas necessidades tecnológicas, capacidade de investir na adoção e possibilidade de comprar os produtos e, em seguida, trabalhar com os ministérios para encomendar pesquisas.

O setor agrícola planeja uma lista de 187 novas tarefas de ciência e tecnologia para 2027, com compromissos de empresas de aplicar os resultados. A abordagem define desde o início quem deverá usar a pesquisa e dá aos produtores um papel na definição do problema investigado.

Para 2026–2030, o setor pretende que pelo menos 60% dos resultados de pesquisa sejam aplicados, transferidos, comercializados ou utilizados na gestão estatal. Também busca obter de fontes fora do orçamento do Estado entre 30% e 35% do financiamento para tarefas de ciência e inovação com potencial prático. A meta é que a produtividade total dos fatores, medida dos ganhos obtidos com o uso mais eficiente de mão de obra e capital, contribua com mais de 55% do crescimento econômico.

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Florestas e criações de ostras mostram o que significam prioridades locais

Tuyen Quang oferece um exemplo concreto na silvicultura. O vice-presidente provincial Hoang Gia Long afirmou que a localidade tem mais de 858 mil hectares de floresta, cobertura florestal de 62,2%, mais de 130 mil hectares certificados para manejo sustentável e 583 estabelecimentos de processamento de produtos florestais. A extração de madeira totaliza cerca de 1,4 milhão de metros cúbicos.

A província quer apoio para avaliar a viabilidade econômica do cultivo de árvores para madeira de maior porte e para testar áreas sustentáveis de matéria-prima conectadas à rastreabilidade e ao processamento de maior valor agregado. Entre as ferramentas propostas estão variedades melhores, sensoriamento remoto e dados digitais para selecionar áreas de plantio e ciclos de colheita adequados. O sensoriamento remoto usa observações de satélites ou outros instrumentos a distância para monitorar o território.

Long defendeu avaliar as tecnologias pelo valor agregado e pela renda efetiva dos produtores florestais, e não pela quantidade de sistemas de software ou modelos de demonstração. Assim, o resultado pretendido é medido no nível das famílias: se o produtor ganha mais ao manejar e vender madeira.

Quang Ninh enfrenta outro problema. A pesca e a aquicultura respondem por mais de 45% do valor do setor agrícola da província, mas as ostras jovens produzidas localmente atendem apenas cerca de 30% a 34% da demanda. O vice-presidente provincial Nguyen Van Cong também descreveu áreas de cultivo congestionadas, pesquisas limitadas sobre fontes naturais de alimento para ostras e deficiências em conservação, tratamento de resíduos e monitoramento digital.

Quang Ninh espera destinar cerca de 2 trilhões de dong em 2027 à ciência, tecnologia, inovação e transformação digital nessas áreas. A província propõe projetos-piloto integrados de criação de ostras que abranjam a qualidade das matrizes, os métodos de cultivo, o monitoramento ambiental e a rastreabilidade, com avaliação técnica e econômica independente antes da expansão.

Exportações de café e segurança alimentar dependem de dados utilizáveis

Son La está digitalizando suas áreas de cultivo de café arábica para identificar os limites dos terrenos, organizar a produção e cumprir as exigências da União Europeia sobre desmatamento previstas no EUDR. Saber onde uma cultura foi produzida é fundamental para demonstrar sua relação com o uso da terra.

O vice-presidente provincial Nguyen Thanh Cong afirmou que a cooperação entre empresas e governo acelerou o trabalho. Algumas empresas transferiram à província os dados das áreas de fornecimento de matéria-prima de suas fábricas para integração em um banco de dados compartilhado. Essas informações também podem ajudar a identificar áreas adequadas para o cultivo de café e apoiar o planejamento da produção.

Hanói está aplicando a rastreabilidade aos alimentos que abastecem cerca de 10 milhões de pessoas. A cidade tem mais de 1.700 estabelecimentos de processamento agrícola, florestal e pesqueiro, desenvolveu e monitora 1.388 cadeias de abastecimento de alimentos seguros e conta com mais de 3.400 produtos no programa Uma Comuna, Um Produto, que promove especialidades locais.

Hanói começou a operar um banco de dados de nutrição e segurança alimentar em 3 de agosto de 2026. O vice-presidente Bui Duy Cuong afirmou que as próximas etapas se concentrarão em infraestrutura, padronização de dados, integração com o Ministério da Agricultura e habilidades digitais para cooperativas, empresas e agricultores.

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Conectar bancos de dados agora é uma tarefa de produção

O setor de agricultura e meio ambiente desenvolveu 25 bancos de dados e sistemas de informação especializados, com conexões diretas a 12 bancos de dados nacionais. As autoridades ainda identificaram a desconexão das informações como um grande obstáculo, tornando a padronização e o compartilhamento partes centrais da próxima etapa.

Dung pediu atenção prioritária aos dados fundiários e de rastreabilidade dos produtos, além de informações diretamente úteis à produção e à gestão. Também foi solicitado ao Ministério da Agricultura que desenvolva bancos de dados sobre recursos hídricos, clima e alertas de desastres naturais e inundações repentinas.

O trabalho previsto para 2027–2030 inclui rastreabilidade digital para cadeias de produtos prioritários e centros de logística agrícola que utilizem tecnologia avançada. As prioridades do norte incluem madeira de plantação, chá, frutas especiais, arroz produzido com menos emissões e produtos pesqueiros. Uma logística melhor pode reduzir o tempo e as perdas entre a colheita e a entrega.

Diep afirmou que o desempenho deve ser medido pelo aumento da produtividade e do valor agregado, pela redução de custos e emissões, por menos perdas após a colheita e por uma comercialização mais ampla. Uma avaliação do projeto de transformação digital está prevista para 2028.

Regras de financiamento e instalações compartilhadas também estão em análise

Foi solicitado ao Ministério da Ciência e Tecnologia que examine pesquisas anteriores, selecione resultados viáveis para receber apoio à aplicação prática e desenvolva laboratórios e centros de pesquisa compartilhados. Dung também pediu centros nacionais de pesquisa agrícola e mecanismos mais claros para encomendar produtos tecnológicos específicos.

Os ministérios devem tratar das regras que regem testes, transferência de tecnologia, comercialização, avaliação da propriedade intelectual e padrões econômicos e técnicos. Avaliar a propriedade intelectual significa atribuir valor financeiro a ativos como um processo patenteado ou uma invenção protegida, etapa necessária quando empresas negociam como investir neles ou utilizá-los.

Também foi proposta uma bolsa nacional de produtos agrícolas, enquanto o Ministério da Ciência e Tecnologia recebeu a tarefa de desenvolver um modelo de bolsa de tecnologia. Essas bolsas organizariam conexões entre compradores e vendedores de produtos agrícolas ou tecnologia. As regras de funcionamento e os detalhes do financiamento ainda não foram definidos.

Essas reformas pretendem conectar financiamento de pesquisas, instalações e demanda comercial. Para uma cooperativa, o acesso prático a uma tecnologia testada, a um contrato utilizável e a apoio técnico pode ser tão importante quanto a própria invenção.

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Os prazos que vão testar a execução

O norte do Vietnã, que abrange mais de 168 mil quilômetros quadrados, concentra institutos, universidades e empresas de tecnologia. O governo pede às localidades que transformem essa capacidade em um conjunto limitado de prioridades, com parceiros, resultados e cronogramas definidos.

  • 15 de novembro de 2026: as localidades do norte devem selecionar de três a cinco desafios prioritários que conectem produção, processamento, mercados e marcas sustentáveis.
  • 15 de dezembro de 2026: o Ministério da Agricultura deve concluir a lista dos principais desafios e das tarefas prioritárias.
  • 31 de dezembro de 2026: o Ministério da Agricultura deve propor um modelo nacional de bolsa de produtos agrícolas.
  • Primeiro trimestre de 2027: os projetos que atenderem aos critérios exigidos devem começar a ser implementados.
  • A cada três meses: avaliações de progresso devem subsidiar relatórios ao governo e ao primeiro-ministro.
  • 2028: está prevista uma avaliação do projeto de transformação digital.

O teste imediato é verificar se as propostas locais identificam um problema concreto de produção, uma equipe de pesquisa capaz de solucioná-lo e uma empresa ou cooperativa disposta a usar o resultado. Inspeções e avaliações regulares devem ajudar a enfrentar atrasos e manter o trabalho concentrado em benefícios mensuráveis.

Principais pontos

  • Dos 451 produtos de inovação agrícola informados por 34 localidades, 341 ainda estavam na fase de pesquisa.
  • As exportações agrícolas, florestais e pesqueiras chegaram a US$ 56,3 bilhões nos primeiros nove meses de 2026, alta de 7,8% em relação ao ano anterior.
  • Apenas cerca de 12% dos projetos de pesquisa mantiveram vínculos com empresas nos cinco anos anteriores.
  • Entre as prioridades estão variedades melhores, prevenção de doenças, processamento, rastreabilidade e integração de dados agrícolas.
  • As prioridades locais devem ser definidas até 15 de novembro, e os projetos que atenderem aos critérios devem começar no início de 2027.
  • O setor pretende que pelo menos 60% dos resultados de pesquisa cheguem à aplicação prática, transferência, comercialização ou uso na gestão estatal durante 2026–2030.
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