Propostas ampliam a proteção a clientes do setor financeiro
O projeto revisado da Lei Financeira da China proibiria cláusulas contratuais padronizadas injustas, exigiria que os vendedores adequassem os produtos financeiros às circunstâncias dos clientes e restringiria a promoção on-line de produtos oferecidos por meio de colocações privadas. As propostas foram apresentadas em 2 de novembro de 2026 à 25ª sessão do Comitê Permanente da 14ª Assembleia Popular Nacional, para uma segunda leitura.
Conteúdo
- Propostas ampliam a proteção a clientes do setor financeiro
- O que mudaria nos contratos financeiros?
- Vendedores teriam de conhecer seus clientes
- Marketing na internet teria de cumprir dois conjuntos de regras
- Colocações privadas não poderiam buscar o público em geral
- Uma base comum para a legislação financeira
- Responsabilidades dos órgãos reguladores seriam mais claras
- Resposta a riscos começaria mais cedo
- Como o projeto chegou à segunda leitura
- Pontos principais
As mudanças colocam em foco várias decisões financeiras do dia a dia: as condições aceitas pelo cliente ao comprar um produto, os riscos explicados pelo vendedor e os anúncios de investimentos encontrados na internet. Os provedores teriam de estabelecer condições de transação justas e razoáveis, enquanto os responsáveis pela comercialização de produtos e serviços financeiros teriam o dever explícito de conhecer seus clientes.
O projeto também vai além das transações individuais. A proposta é submeter todas as atividades financeiras à supervisão regulatória, esclarecer as responsabilidades dos órgãos reguladores e fortalecer os mecanismos de identificação e gestão de riscos financeiros. O objetivo é oferecer uma base jurídica comum para os setores bancário, de seguros, de valores mobiliários e outras atividades financeiras.
A apresentação de novembro ocorreu após uma primeira análise em junho de 2026. As disposições seguem em discussão legislativa. Não foram informadas datas para a aprovação ou entrada em vigor, nem um cronograma para outra leitura. O relato das revisões também não especificou penalidades ou procedimentos pelos quais os clientes poderiam pedir indenização.
O que mudaria nos contratos financeiros?
Os provedores de serviços financeiros teriam de oferecer condições justas e razoáveis. O projeto revisado mira especificamente cláusulas contratuais padronizadas que excluam ou restrinjam os direitos dos clientes, reduzam ou eliminem as responsabilidades do próprio provedor ou imponham aos consumidores e investidores responsabilidades maiores de forma injusta ou desproporcional.
Condições padronizadas são preparadas com antecedência para uso repetido. Em geral, o cliente as encontra em um contrato pronto, em vez de negociar cada disposição individualmente. A regra proposta trata do equilíbrio entre as responsabilidades previstas nessas condições, incluindo o que uma empresa espera que o cliente aceite e quais responsabilidades ela própria mantém.
Uma cláusula que transfira responsabilidades para o cliente teria, portanto, de ser avaliada à luz da exigência proposta de justiça. Para o comprador comum, a questão prática é simples: o contrato deve explicar a transação sem usar sua redação padronizada para enfraquecer injustamente a posição do comprador.
As revisões abrangem tanto consumidores de serviços financeiros quanto investidores. A redação trata do fornecimento de produtos e serviços financeiros, prevendo a proteção proposta para o momento em que o provedor define as condições de sua relação com o cliente.
Vendedores teriam de conhecer seus clientes
Empresas que comercializam produtos e serviços financeiros teriam de reforçar a gestão de adequação dos produtos ao perfil dos clientes. Em termos simples, adequação significa verificar se um produto é compatível com o perfil da pessoa a quem é oferecido, em vez de tratar todo potencial comprador como um cliente apropriado.
O projeto revisado descreve vários deveres interligados. Os responsáveis pela comercialização teriam de conhecer as circunstâncias dos clientes conforme exigido pelas regras, explicar com veracidade o conteúdo dos produtos e serviços, alertar adequadamente sobre os riscos e oferecer produtos e serviços compatíveis com essas circunstâncias.
Uma descrição verdadeira e uma recomendação adequada tratam de aspectos diferentes de uma venda. Explicar como um produto funciona ajuda o cliente a entender o que está comprando. Verificar a adequação significa avaliar se aquele produto deveria estar entre as opções oferecidas a esse cliente.
As exigências propostas relacionam o conhecimento que o vendedor tem do cliente às informações fornecidas durante a comercialização. Os alertas de risco viriam acompanhados do dever de fazer uma recomendação adequada, atribuindo ao processo de venda uma responsabilidade mais ampla do que simplesmente apresentar um produto e obter a concordância do cliente.
Marketing na internet teria de cumprir dois conjuntos de regras
Provedores e responsáveis pela comercialização na internet teriam de cumprir a Lei Financeira, outras leis pertinentes, regulamentos administrativos e regras emitidas pelas autoridades financeiras do Conselho de Estado para cada produto ou serviço. Também teriam de seguir as disposições específicas sobre o fornecimento ou a comercialização on-line.
A proposta reúne regras sobre o produto financeiro e sobre a forma como ele chega aos clientes. Um produto oferecido pela internet continuaria sujeito às exigências que o regem, enquanto sua apresentação e promoção on-line também estariam sujeitas às regras pertinentes para a internet.
Para os clientes, essa relação importa porque a tela pela qual um produto é vendido é apenas uma parte da transação. A nova redação vincularia as atividades on-line ao arcabouço regulatório financeiro mais amplo, abrangendo tanto a prestação de um serviço quanto as ações de marketing usadas para atrair compradores.
Colocações privadas não poderiam buscar o público em geral
O projeto revisado acrescenta uma restrição específica a produtos e serviços financeiros oferecidos por meio de emissões não públicas. A proposta proibiria anúncios, ofertas públicas ou formas disfarçadas de oferta pública pela internet e por outros canais.
Uma oferta não pública, muitas vezes chamada de colocação privada, destina-se a um grupo limitado de investidores elegíveis, e não ao público em geral. A restrição proposta trata da maneira como esses produtos são promovidos: um produto destinado a um público restrito não poderia ser anunciado nem promovido por meio de uma oferta aberta ao público.
A referência a formas disfarçadas de oferta pública amplia o alcance da redação para além de anúncios apresentados abertamente como ofertas ao público. O limite proposto diz respeito à essência da promoção, incluindo tentativas de atrair indiretamente um público amplo.
Essa disposição complementa as exigências de adequação. A adequação diz respeito à compatibilidade entre um produto e um cliente específico; a restrição a colocações privadas diz respeito a quem o vendedor pode abordar por meio de publicidade pública. Juntas às disposições contratuais, elas tratam de três etapas distintas: atrair compradores, recomendar produtos e definir as condições da transação.
Uma base comum para a legislação financeira
A Lei Financeira está sendo elaborada como uma lei básica e abrangente para orientar e coordenar o arcabouço jurídico financeiro da China. A posição proposta para a lei é a de elemento central de uma estrutura conhecida como 1+N+X.
Nessa estrutura, 1 representa a Lei Financeira. N corresponde às leis que regem setores específicos, incluindo os setores bancário, de seguros e de valores mobiliários. X abrange outras leis e regulamentos financeiros. As leis setoriais e as demais normas seriam alinhadas às disposições básicas estabelecidas pela lei central, por meio de novas leis e de revisões da legislação vigente.
A abordagem usa princípios jurídicos amplos para tratar de questões comuns às atividades financeiras, deixando regras mais detalhadas para as leis que regem cada área. Isso ajuda a explicar por que o mesmo projeto trata da proteção ao cliente, das responsabilidades dos órgãos reguladores, do desenvolvimento do mercado e dos riscos financeiros.
O projeto também prevê a liderança centralizada e unificada do Comitê Central do Partido Comunista sobre o trabalho financeiro e o foco no atendimento à população. A versão submetida à segunda leitura acrescenta disposições para apoiar uma abordagem orientada pelo mercado e fundamentada na lei, além de promover a construção de centros financeiros internacionais.
Responsabilidades dos órgãos reguladores seriam mais claras
O projeto mais amplo propõe submeter todas as atividades financeiras à supervisão, com a gestão organizada por categoria e nível. Essa abordagem permite distinguir diferentes atividades na fiscalização, mantendo-as dentro do arcabouço regulatório. Também prevê medidas contra atividades financeiras ilegais.
As responsabilidades regulatórias são outro foco. O projeto busca uma divisão mais clara de atribuições, maior apoio aos órgãos reguladores no cumprimento de seus deveres e mais responsabilização por sua atuação. Também promove a cooperação entre departamentos e entre autoridades centrais e locais.
Essas disposições tratam da organização da supervisão. As regras para empresas financeiras dependem de as autoridades saberem quais atividades fiscalizam, como suas atribuições se relacionam e quando precisam trabalhar em conjunto. O projeto inclui a proteção de consumidores e investidores nessa estrutura mais ampla de deveres regulatórios.
A versão submetida à segunda leitura também acrescenta disposições sobre empresas de gestão de ativos e a supervisão de atividades financeiras transfronteiriças. Em geral, a gestão de ativos envolve administrar dinheiro ou investimentos para clientes, enquanto as atividades transfronteiriças envolvem mais de uma jurisdição.
Resposta a riscos começaria mais cedo
O projeto propõe aprimorar os mecanismos de prevenção, redução e resolução de riscos financeiros, atribuindo responsabilidades às partes envolvidas em sua gestão. Prevê a identificação precoce, alertas antecipados, divulgação rápida de problemas e ação imediata.
A abordagem proposta busca lidar com a insuficiência de autoridade legal e de recursos para enfrentar dificuldades financeiras. A autoridade determina o que os responsáveis por uma situação problemática têm permissão legal para fazer; os recursos determinam os meios de que dispõem para agir.
A resolução de riscos seguiria princípios orientados pelo mercado e procedimentos legais. O projeto também busca fortalecer a articulação entre a gestão de riscos financeiros, os processos judiciais e a aplicação da lei penal, conectando a ação regulatória ao trabalho dos tribunais e das autoridades responsáveis pelo combate ao crime.
A proteção ao consumidor e a gestão de riscos, portanto, fazem parte do mesmo arcabouço proposto. As disposições sobre vendas tratam da maneira como cada cliente é atendido, enquanto as regras de supervisão e resolução tratam de como as autoridades monitoram as atividades financeiras e respondem quando surgem problemas.
Como o projeto chegou à segunda leitura
A tramitação legislativa descrita até agora tem duas etapas principais. As revisões de novembro se baseiam na primeira análise do arcabouço proposto, realizada no início de 2026.
- Junho de 2026: a 23ª sessão do Comitê Permanente da 14ª Assembleia Popular Nacional realizou a primeira leitura do projeto da Lei Financeira.
- 2 de novembro de 2026: o projeto foi apresentado à 25ª sessão do Comitê Permanente para uma segunda leitura, com proteções ampliadas aos clientes e disposições específicas sobre marketing na internet.
A principal novidade na segunda leitura é o maior detalhamento das transações financeiras e da promoção de produtos. Condições contratuais justas, explicações verdadeiras, alertas adequados sobre riscos e restrições à publicidade pública de ofertas privadas passariam a integrar explicitamente o arcabouço jurídico comum proposto.
Pontos principais
- O projeto da Lei Financeira da China chegou à segunda leitura em 2 de novembro de 2026, após uma análise inicial em junho.
- Os provedores teriam de estabelecer condições justas e evitar cláusulas padronizadas que restrinjam injustamente os direitos dos clientes ou transfiram responsabilidades para eles.
- Os responsáveis pela comercialização teriam de conhecer os clientes, explicar os produtos com veracidade, alertar sobre os riscos e oferecer produtos adequados.
- As atividades financeiras on-line teriam de cumprir tanto as regras dos produtos quanto as normas sobre prestação e comercialização pela internet.
- Ofertas não públicas não poderiam recorrer a anúncios na internet, ofertas públicas ou formas disfarçadas de oferta pública.
- O projeto mais amplo trata da abrangência da supervisão regulatória, da coordenação, da responsabilização e de medidas antecipadas diante de riscos financeiros.
- As propostas seguem em discussão legislativa.






