Exportações de tecnologia impulsionam trimestre recorde
A China exportou mais de 8 trilhões de yuans em mercadorias no terceiro trimestre de 2026, superando esse patamar pela primeira vez, à medida que máquinas, eletrônicos, equipamentos de energia limpa e produtos que ampliam a capacidade computacional impulsionaram as vendas ao exterior. As exportações cresceram 22% em relação ao mesmo período do ano anterior, prolongando uma expansão cada vez mais ligada à tecnologia, e não apenas à fabricação de baixo custo.
Conteúdo
- Exportações de tecnologia impulsionam trimestre recorde
- Como o comércio acelerou ao longo do ano
- Chips e equipamentos industriais lideram a mudança
- Veículos elétricos e baterias dão impulso adicional
- Robótica mostra o que os exportadores estão vendendo
- ASEAN cresce mais rápido que os mercados ocidentais
- Por que marcas e serviços importam tanto quanto a tecnologia
- Exportações robustas encontram uma economia doméstica desigual
- Preparação para mudanças na demanda em 2027
- Principais pontos
De janeiro a setembro, as exportações avançaram 16,4%, para 23,2 trilhões de yuans, segundo dados apresentados pela Administração Geral das Alfândegas em 14 de outubro. As importações cresceram mais, 22,3%, chegando a 16,74 trilhões de yuans. Somadas, as mercadorias que entraram e saíram da China movimentaram 39,94 trilhões de yuans, alta de 18,8%, o ritmo mais acelerado para esse período em cinco anos.
Os maiores avanços por produto foram expressivos: as exportações de circuitos integrados aumentaram 99,1%, quase dobrando, enquanto as de veículos elétricos subiram 72,3%. As exportações de máquinas e produtos elétricos cresceram 23,7%, superando em 7,3 pontos percentuais a taxa de crescimento das exportações totais.
As relações comerciais da China também se ampliaram. O comércio com a ASEAN cresceu muito mais rapidamente do que com a União Europeia ou os Estados Unidos. Isso deu aos exportadores uma base mais diversificada de clientes diante de disputas tarifárias, mudanças nas redes globais de produção e incertezas sobre a demanda externa.
O cenário doméstico foi menos uniforme. A economia cresceu 4,6% nos primeiros nove meses, enquanto economistas citados apontaram a queda do investimento privado como motivo de preocupação. As exportações robustas estão gerando pedidos para as fábricas, mas transformar esses pedidos em lucros sustentáveis, investimento empresarial e renda para as famílias continua sendo uma tarefa econômica central.
Como o comércio acelerou ao longo do ano
Os dados alfandegários mostram que o comércio ganhou ritmo por três trimestres consecutivos. Setembro trouxe outro marco: as importações e exportações mensais ultrapassaram 5 trilhões de yuans pela primeira vez.
- Primeiro trimestre de 2026: o comércio total de mercadorias cresceu 15,3% em relação ao ano anterior.
- Segundo trimestre: o crescimento do comércio acelerou para 18,3%.
- Terceiro trimestre: o comércio total cresceu 22,3%, enquanto as exportações subiram 22% e superaram 8 trilhões de yuans.
- Setembro: o comércio total chegou a 5,16 trilhões de yuans, alta de 27,5%, marcando o sexto mês consecutivo de crescimento de dois dígitos.
- 14 de outubro: autoridades alfandegárias apresentaram os dados dos primeiros nove meses.
As exportações de setembro somaram 3,03 trilhões de yuans, alta de 29,6%, enquanto as importações cresceram 24,6%, para 2,13 trilhões de yuans. A aceleração, portanto, ocorreu nos dois sentidos do comércio: a China comprou mais mercadorias no exterior e também vendeu mais para outros países.
Os dados são medidos em yuans e descrevem o valor das mercadorias negociadas. Os preços podem influenciar esses valores, além da quantidade de produtos embarcados, o que é particularmente relevante para os semicondutores, cujos preços em alta foram apontados como parte do crescimento das exportações.
Chips e equipamentos industriais lideram a mudança
Robôs industriais, componentes eletrônicos, peças de computador e equipamentos elétricos geraram, juntos, mais de 10 trilhões de yuans em importações e exportações nos primeiros nove meses. O comércio desse grupo cresceu 58,9% e contribuiu com 11,3 pontos percentuais para a alta de 18,8% no comércio total de mercadorias.
Isso significa que o grupo respondeu por cerca de três quintos do crescimento total do comércio. O cálculo mostra o quanto a expansão dependeu de equipamentos e componentes usados na produção moderna, nas comunicações e na computação.
Os circuitos integrados, dispositivos eletrônicos minúsculos conhecidos popularmente como chips, foram um dos principais motores das exportações. Eles processam informações e controlam funções em produtos que vão de computadores a veículos. O valor de suas exportações aumentou 99,1%.
Wang Qing, principal analista macroeconômico da Golden Credit Rating, associou o salto dos chips aos gastos internacionais com inteligência artificial e aos preços. Ele descreveu os fatores que sustentam a demanda:
O boom global de investimentos em IA manteve firme a demanda externa, e a alta dos preços continuará impulsionando o rápido crescimento das exportações de chips, que atualmente são o principal motor da expansão das exportações da China,
O setor de fabricação de equipamentos respondeu por quase 90% do aumento das exportações, segundo as autoridades alfandegárias. Os bens intermediários, ou seja, peças e materiais que as empresas usam para fabricar outros produtos, representaram mais da metade das exportações. Assim, as fábricas chinesas estão fornecendo um grande volume de insumos para a produção em outros países.
Veículos elétricos e baterias dão impulso adicional
Os veículos elétricos foram outra importante fonte de crescimento das exportações: a alta de 72,3% superou o avanço de 16,4% das exportações totais. As exportações de baterias de lítio cresceram 36,4%, enquanto as de conjuntos de geração eólica e suas peças aumentaram 22,4%.
Essas categorias conectam a indústria chinesa à demanda por equipamentos de transporte e eletricidade. As baterias armazenam energia, os veículos elétricos a utilizam para se deslocar e as turbinas eólicas transformam o vento em eletricidade. Cada categoria também depende de redes de fabricantes de componentes, fornecedores de máquinas e serviços técnicos.
Zhan Yubo, vice-diretor do Instituto de Economia da Academia de Ciências Sociais de Xangai, atribuiu a resiliência das exportações às mudanças na estrutura industrial da China. Segundo ele, os setores emergentes sustentaram o investimento em ativos fixos, a produção industrial e as exportações. Investimento em ativos fixos significa gastos com ativos empresariais duráveis, como fábricas e equipamentos.
Sua avaliação relaciona os dados de exportação às decisões tomadas dentro da China: investimentos em capacidade produtiva e tecnologia podem criar produtos desejados por clientes no exterior. A mudança para bens que exigem maior conhecimento técnico ajuda os fabricantes a competir tanto pela capacidade dos produtos quanto pelo preço.
Robótica mostra o que os exportadores estão vendendo
A EFORT Intelligent Robot Co., Ltd., sediada na província de Anhui, é um exemplo concreto dessa mudança. Sua receita no exterior aumentou mais de 50% no primeiro semestre de 2026. Um lote de robôs de pintura estava sendo preparado para exportação à Itália após testes simulados de pintura em carrocerias.
You Wei, presidente do conselho e diretor-executivo da EFORT, descreveu o trabalho da empresa para fabricantes de automóveis:
Oferecemos a montadoras conhecidas, como Maserati e Volkswagen, soluções integradas de robótica para produção inteligente, que abrangem pintura, soldagem, montagem de precisão e movimentação de materiais,
You afirmou que o negócio de robôs da EFORT no exterior havia crescido a uma taxa anual composta de quase 100% nos três anos anteriores. A taxa de crescimento anual composta descreve o ritmo anual constante que produziria a mesma variação ao longo de um período, com o crescimento de cada ano incidindo sobre os negócios do ano anterior.
O exemplo da EFORT também mostra por que a venda de equipamentos pode envolver muito mais do que enviar uma máquina. Os robôs precisam executar tarefas específicas dentro do processo produtivo do cliente. Fornecer um sistema integrado permite que o fabricante concorra pela eficácia com que seus equipamentos atendem às necessidades daquele cliente.
ASEAN cresce mais rápido que os mercados ocidentais
O comércio da China com a ASEAN chegou a 6,84 trilhões de yuans nos primeiros nove meses, alta de 22,7%. O comércio com a União Europeia cresceu 8,4%, para 4,78 trilhões de yuans, enquanto o comércio com os Estados Unidos avançou 4,1%, para 3,18 trilhões de yuans.
O comércio com a ASEAN, portanto, valeu mais que o dobro do comércio com os Estados Unidos. Sua taxa de crescimento também superou a alta de 18,8% no comércio total de mercadorias da China. Esses números abrangem importações e exportações e mostram as trocas comerciais nos dois sentidos.
O comércio se expandiu com mais de 180 países e regiões. As trocas com parceiros de acordos de livre-comércio chegaram a 19,55 trilhões de yuans, alta de 30%, e responderam por mais de 70% do aumento do comércio total. Esses parceiros representaram cerca de 49% dos 39,94 trilhões de yuans movimentados no comércio de mercadorias da China.
Os exportadores também vêm ampliando sua presença em países participantes da Iniciativa Cinturão e Rota, no Oriente Médio e na América Latina. Uma base de clientes mais ampla distribui a exposição às mudanças na demanda: pedidos mais fracos em um destino podem ser compensados por negócios em outros lugares.
Empresas com investimento estrangeiro continuaram sendo participantes importantes da rede comercial chinesa. Suas importações e exportações cresceram 19%, para 11,69 trilhões de yuans, cerca de 29% do comércio total. O comércio de bens intermediários dessas empresas avançou 27,4%, para 7,9 trilhões de yuans, enquanto suas exportações de produtos de alta tecnologia cresceram 42,1%.
Por que marcas e serviços importam tanto quanto a tecnologia
Ruan Qingsong, professor da Escola de Economia e Gestão da Universidade Tongji, identificou dois ajustes principais entre os exportadores: fabricar produtos com maior valor agregado e entrar em mais mercados. Valor agregado é o valor adicional criado por meio de design, tecnologia, conhecimento técnico de fabricação ou serviços.
Ruan defendeu que as empresas aumentem o conteúdo tecnológico de seus produtos e, ao mesmo tempo, vendam sistemas completos de equipamentos com serviços de suporte. Armazéns e operações locais podem facilitar a entrega de mercadorias e o atendimento a clientes no exterior.
O reconhecimento da marca é outro desafio comercial. Ruan afirmou que os produtos chineses podem igualar a capacidade tecnológica dos concorrentes europeus e americanos, mas são vendidos por menos porque os clientes internacionais conhecem menos as marcas premium chinesas. Sua recomendação foi construir marcas internacionais juntamente com a expertise técnica.
Para os fabricantes, isso significa que o sucesso depende de mais do que aumentar o volume de embarques. Uma empresa também precisa de clientes que confiem em sua marca, consigam obter suporte e estejam dispostos a pagar pelas capacidades do produto. O crescimento da receita e o lucro obtido em cada venda são importantes para determinar se uma empresa consegue continuar investindo.
Exportações robustas encontram uma economia doméstica desigual
O produto interno bruto da China chegou a 107,1 trilhões de yuans nos três primeiros trimestres, com crescimento de 4,6% em relação ao ano anterior, segundo o Departamento Nacional de Estatísticas. O PIB mede o valor dos bens e serviços produzidos em uma economia.
O crescimento econômico trimestral foi de 5,0% no primeiro trimestre, 4,3% no segundo e 4,5% no terceiro. O terceiro trimestre registrou uma melhora modesta de 0,2 ponto percentual, embora o crescimento do comércio tenha acelerado muito mais.
Os serviços responderam por uma parcela expressiva do crescimento interno. O setor cresceu 5,2%, representou 58,7% do PIB e contribuiu com 66,3% do crescimento econômico. Os serviços de locação e empresariais avançaram 12,3%, enquanto os serviços de transmissão de informações, software e tecnologia da informação cresceram 10,4%.
Os gastos dos consumidores também avançaram em ritmos diferentes. As vendas no varejo de serviços cresceram 5,0%, ante 1,0% nas vendas de bens no varejo. Os serviços de hospedagem e alimentação cresceram 5,5%. As famílias aumentaram seus gastos com serviços mais rapidamente do que com produtos físicos.
Ruan apontou a queda do investimento privado como motivo particular de preocupação. Segundo ele, uma retração menor, seguida de recuperação, indicaria melhora na confiança das empresas. Pedidos e lucros melhores seriam fundamentais nesse processo, pois as empresas precisam de clientes e ganhos para justificar a expansão.
Preparação para mudanças na demanda em 2027
Ruan alertou as empresas para não presumirem que o forte crescimento das exportações em 2026 continuará sem interrupções em 2027. Ele recomendou que se preparem para possíveis oscilações na demanda externa. A perspectiva apresentada não trouxe uma previsão numérica para as exportações no próximo ano.
A avaliação de Wang Qing aponta uma fonte imediata de sustentação: os investimentos no exterior em inteligência artificial e a demanda por chips. As recomendações de Ruan tratam de uma tarefa empresarial de longo prazo: desenvolver produtos, marcas e redes de serviços capazes de manter os clientes quando a demanda se tornar menos favorável.
Zhan defendeu avanços em tecnologias críticas cujo acesso é limitado, além de políticas que distribuam pela sociedade os benefícios do progresso tecnológico. Suas propostas incluíram um crescimento mais equilibrado da renda, melhor apoio à saúde e aos cuidados com idosos e investimentos no bem-estar público.
Essas prioridades conectam o boom das exportações à confiança interna. Pedidos mais fortes podem melhorar os ganhos das empresas; lucros mais saudáveis podem sustentar investimentos e empregos. A renda das famílias e a confiança em relação aos custos futuros com cuidados também influenciam a disposição para gastar. Manter o crescimento, portanto, exige tanto fábricas competitivas no exterior quanto uma demanda interna mais firme.
Principais pontos
- As exportações da China superaram 8 trilhões de yuans no terceiro trimestre de 2026, alta de 22% em relação ao ano anterior.
- As exportações chegaram a 23,2 trilhões de yuans de janeiro a setembro, alta de 16,4%; as importações cresceram 22,3%, para 16,74 trilhões de yuans.
- As exportações de circuitos integrados aumentaram 99,1%, as de veículos elétricos, 72,3%, e as de baterias de lítio, 36,4%.
- O setor de fabricação de equipamentos respondeu por quase 90% do aumento das exportações, segundo as autoridades alfandegárias.
- O comércio com a ASEAN cresceu 22,7%, mais rapidamente do que o comércio com a União Europeia ou os Estados Unidos.
- Economistas defenderam marcas e serviços mais fortes e mais investimento privado, além de alertarem os exportadores para se prepararem para oscilações na demanda em 2027.






