Samsung conecta fornecimento de chips a mudanças no trabalho
O presidente-executivo da OpenAI, Sam Altman, reuniu-se com cerca de 50 executivos da Samsung em Yongin, na Coreia do Sul, em 31 de outubro de 2026. O encontro reuniu discussões sobre chips de memória, centros de dados de IA e um programa de treinamento da empresa que deverá alcançar todos os funcionários da Samsung até fevereiro de 2027.
Conteúdo
- Samsung conecta fornecimento de chips a mudanças no trabalho
- Por que os chips de memória são centrais nas conversas
- Cooperação da Samsung vai além dos semicondutores
- SK traz um segundo conjunto de projetos de infraestrutura
- Samsung estabelece meta de treinamento para fevereiro de 2027
- Altman defende que a adoção, por si só, não basta
- Um teclado compacto ilustra a proposta para o ambiente de trabalho
- Financiamento aumenta a pressão sobre os planos de expansão
- Como as parcerias se desenvolveram
- Pontos principais
A Samsung informou que a sessão de sábado, realizada em seu Centro de Desenvolvimento de Recursos Humanos, contou com líderes das áreas de eletrônicos, finanças e biotecnologia. O vice-presidente da Samsung Electronics, Jun Young-hyun, e o presidente Roh Tae-moon participaram da conversa sobre como a inteligência artificial pode mudar as decisões corporativas, as operações e as oportunidades de negócios ao longo da próxima década.
Altman também almoçou com Chey Tae-won, presidente do SK Group, em Seul, durante uma visita de dois dias e uma noite. Executivos da fabricante de memórias SK hynix e da empresa de telecomunicações SK Telecom também teriam participado do encontro.
A visita aproximou a OpenAI de dois grupos já envolvidos nos planos de infraestrutura Stargate. Empresas da Samsung e da SK propuseram fornecer memória, desenvolver centros de dados e encontrar usos comerciais para a IA. Nenhum contrato ou plano de investimento adicional foi anunciado durante a visita, e os detalhes do almoço com a SK não foram divulgados.
A Samsung aproveitou o encontro para conectar essas ambições de infraestrutura a uma tarefa mais imediata: ensinar gestores a usar IA no trabalho diário. Antes da conversa, os executivos praticaram a organização de documentos de gestão dispersos em repositórios pessoais de conhecimento que poderiam apoiar a tomada de decisões.
Por que os chips de memória são centrais nas conversas
A escassez de memória em uma ampla variedade de produtos pressiona o setor de eletrônicos e eleva os preços dos chips. Operadores de centros de dados precisam de enormes quantidades de memória, aumentando a concorrência pelo fornecimento também utilizado em outras áreas da computação.
Os sistemas de IA precisam tanto de processadores, que realizam cálculos, quanto de memória, que mantém informações prontas para esses processadores. A memória de alta largura de banda, geralmente chamada de HBM, transfere grandes volumes de dados rapidamente e ajuda chips potentes de IA a trabalhar sem esperar tanto pelas informações.
Os cinco maiores participantes da corrida pela infraestrutura de IA planejam gastar mais de US$ 3 trilhões nos próximos anos. A memória representa cerca de um terço dos gastos com centros de dados, tornando o acesso a chips uma parte importante dos custos e dos desafios de construção.
A Coreia do Sul é uma das principais produtoras de memória avançada, o que confere à Samsung Electronics e à SK hynix um papel central nesses planos de expansão. O presidente-executivo da Nvidia, Jensen Huang, e a presidente-executiva da Advanced Micro Devices, Lisa Su, visitaram o país duas vezes cada um desde o ano passado para fortalecer as relações de fornecimento.
Executivos do setor de tecnologia alertaram que a produção de chips tem dificuldade para acompanhar a demanda. Para a OpenAI, acordos com fornecedores coreanos são uma forma de planejar a capacidade de computação futura. Para os fornecedores, esses planos criam oportunidades de vender memória para projetos com investimentos distribuídos ao longo de vários anos.
Cooperação da Samsung vai além dos semicondutores
A Samsung Electronics e a OpenAI assinaram uma carta de intenção em outubro de 2025, prevendo cooperação global em infraestrutura de IA. Desde então, a Samsung busca fornecer semicondutores de memória para o Stargate, o grande projeto de desenvolvimento de infraestrutura da OpenAI.
Uma carta de intenção registra a cooperação que as empresas desejam levar adiante. Transformar esses planos em instalações operacionais exige mais trabalho em termos comerciais, construção e equipamentos.
A Samsung SDS concordou em cooperar em centros de dados de IA e serviços para empresas. Seu papel conecta as instalações físicas de computação aos softwares e serviços que as empresas usariam para incorporar IA às operações.
A Samsung C&T e a Samsung Heavy Industries concordaram em buscar o desenvolvimento conjunto de centros de dados offshore flutuantes. Essas instalações de computação ficariam em estruturas flutuantes, em vez de apenas em edifícios em terra, reunindo na parceria competências de construção e construção naval.
O presidente da Samsung Electronics, Lee Jae-yong, visitou a sede da OpenAI em São Francisco em julho de 2026. O encontro de outubro ampliou essa relação para incluir líderes de diferentes afiliadas da Samsung, inclusive empresas interessadas em usar IA, e não em fornecer hardware de computação.
SK traz um segundo conjunto de projetos de infraestrutura
Chey e Altman almoçaram no edifício SK Seorin, no distrito de Jongno, em Seul. Suas empresas já têm uma parceria estratégica para fornecimento de memória e desenvolvimento de centros de dados de IA, firmada em outubro de 2025.
Como parte dessa parceria, a SK hynix propôs estabelecer capacidade de produção para atender a pedidos de fornecimento de HBM equivalentes a até 900 mil inícios de produção de wafers de DRAM por mês. A DRAM é um tipo de memória de trabalho amplamente utilizado. Um wafer é o disco de semicondutor no qual os chips são fabricados; por isso, o número de wafers em início de produção indica a escala de produção que entra em uma fábrica.
A SK Telecom e a OpenAI também concordaram em buscar a criação de um centro de dados de IA no sudoeste da Coreia do Sul. A cooperação inclui o desenvolvimento de aplicativos de IA para empresas e consumidores, além de tecnologias para futuros centros de dados.
Chey e Altman também haviam se reunido em uma cúpula de IA em São Francisco, em julho, para discutir uma cooperação de longo prazo. O almoço de outubro deu continuidade ao contato entre líderes cujas empresas atuam em diferentes partes da mesma cadeia: produção de memória, instalações de computação e serviços de IA.
Samsung estabelece meta de treinamento para fevereiro de 2027
A Samsung iniciou seu programa corporativo de transformação com IA em junho de 2026, abrangendo pesquisa e desenvolvimento, produção, marketing e funções de suporte. O encontro de outubro fez parte de um treinamento de liderança destinado a levar essa mudança às afiliadas.
Cerca de 2.300 executivos foram incluídos na meta de treinamento em IA desde junho. A Samsung planeja estender o programa aos funcionários em geral e concluir o treinamento de todos até fevereiro de 2027.
O exercício prático realizado antes da participação de Altman abordou um problema comum de gestão: informações úteis espalhadas por diferentes documentos e locais. Os executivos usaram IA generativa para organizar esse material em repositórios de conhecimento. A IA generativa produz respostas ou outros conteúdos a partir de instruções, permitindo que usuários peçam resumos ou organizem informações usando linguagem comum.
Equipes dedicadas à IA nas afiliadas da Samsung estão desenvolvendo estratégias adequadas a seus negócios e apoiando o uso de dados e modelos de IA. A Samsung também planeja ampliar o uso de serviços externos de IA generativa pelos funcionários e avaliar o progresso das afiliadas.
Uma empresa financeira, uma fábrica de semicondutores e uma companhia de biotecnologia lidam com informações e decisões diferentes. A abordagem da Samsung atribui a cada afiliada a responsabilidade de escolher aplicações adequadas ao seu trabalho, ao mesmo tempo que promove treinamentos em todo o grupo.
Altman defende que a adoção, por si só, não basta
A mensagem de Altman aos executivos da Samsung se concentrou no que as empresas fazem com a IA depois de implementá-la. A conversa abordou as habilidades de que os líderes precisarão à medida que a IA transforma a tomada de decisões e a gestão organizacional.
Altman, cofundador e presidente-executivo da OpenAI, descreveu como espera que as empresas concorram:
A vantagem competitiva dependerá de como vocês usam a IA para agir mais rápido, criar produtos melhores e superar os concorrentes.
O programa de treinamento da Samsung dá um contexto prático a esse argumento. Os gestores foram convidados a usar IA com materiais de negócios, enquanto as equipes das afiliadas são responsáveis por identificar tarefas específicas e avaliar os resultados.
A OpenAI afirmou que o encontro ampliou a discussão para além da relação de infraestrutura existente, abrangendo a adoção de IA nas afiliadas da Samsung. A relação, portanto, funciona nos dois sentidos: as empresas da Samsung podem ajudar a fornecer a capacidade de computação de que a OpenAI precisa, enquanto as ferramentas da OpenAI podem passar a fazer parte do trabalho dos funcionários da Samsung.
Um teclado compacto ilustra a proposta para o ambiente de trabalho
Altman presenteou os executivos da Samsung com um Codex Micro, um dispositivo de controle compacto desenvolvido pela OpenAI em parceria com a fabricante de teclados Work Louder. Vendido por US$ 230, ele foi projetado para comandar o agente de programação Codex, da OpenAI, e acompanhar seu progresso, em vez de digitar texto comum.
Um agente de programação é um software de IA capaz de realizar tarefas de programação a partir de instruções, como revisar código ou tentar corrigir um erro. Ainda assim, os usuários precisam de meios para acompanhar o trabalho, responder a solicitações e aprovar ou rejeitar ações propostas.
O Codex Micro tem 13 interruptores mecânicos, incluindo seis teclas de agente, além de um sensor de toque, um seletor giratório e um joystick. Ele oferece conexões Bluetooth e USB-C e funciona com computadores Mac e Windows.
Cada tecla de agente pode ser vinculada a uma conversa. Luzes azuis indicam que a IA está trabalhando, verdes mostram que um resultado foi concluído, mas ainda não foi lido, e amarelas sinalizam que é necessária uma resposta ou aprovação. Ao pressionar a tecla, a conversa correspondente é aberta.
Controles dedicados podem iniciar a entrada de voz, enviar mensagens e aprovar ou rejeitar solicitações. A entrada de voz usa o microfone do computador. O joystick pode acionar tarefas como revisão de código, enquanto o seletor ajusta o nível de raciocínio aplicado pela IA a um problema.
Altman explicou aos executivos a ideia por trás do dispositivo:
A ideia por trás dele é que, em um mundo no qual você dá instruções aos computadores falando e usa IA, talvez não precise de um teclado completo.
Financiamento aumenta a pressão sobre os planos de expansão
As ambições de infraestrutura da OpenAI exigem dinheiro, além de chips e parceiros de construção. O treinamento de modelos de IA e a operação de serviços envolvem custos contínuos com equipamentos de computação, instalações e energia.
Em 30 de outubro, foi noticiado que a OpenAI havia reduzido sua meta de captação externa de US$ 30 bilhões para US$ 20 bilhões. A redução é de US$ 10 bilhões, ou um terço da meta anterior.
A mudança noticiada acrescenta um contexto financeiro às reuniões de Altman com empresas que poderiam fornecer equipamentos essenciais e participar do desenvolvimento de infraestrutura. Tanto a Samsung quanto a SK reúnem negócios de manufatura e afiliadas envolvidas em serviços de tecnologia ou instalações, permitindo que as conversas abranjam várias necessidades ao mesmo tempo.
As atividades anunciadas durante a visita se concentraram em manter essas relações e explorar usos para a IA. O prazo de fevereiro de 2027 para o treinamento da Samsung é o próximo marco concreto informado para seu programa interno de adoção.
Como as parcerias se desenvolveram
As reuniões de outubro ocorreram após um ano de acordos e contatos entre lideranças. A cooperação em infraestrutura avançou paralelamente aos esforços da Samsung para incorporar a IA ao trabalho cotidiano.
- Outubro de 2025: Samsung Electronics e OpenAI assinaram uma carta de intenção sobre cooperação global em infraestrutura de IA. A SK e a OpenAI firmaram um acordo de fornecimento de memória e cooperação em centros de dados de IA.
- Junho de 2026: A Samsung iniciou seu programa corporativo de transformação com IA e o treinamento de executivos.
- Julho de 2026: Lee Jae-yong visitou a sede da OpenAI em São Francisco. Chey e Altman também se reuniram em uma cúpula de IA na cidade.
- 31 de outubro de 2026: Altman reuniu-se com cerca de 50 executivos da Samsung em Yongin e almoçou com Chey em Seul.
- Fevereiro de 2027: A Samsung pretende concluir o treinamento em IA de todos os funcionários.
O encontro da Samsung conectou dois horizontes de tempo: projetos de infraestrutura que exigem fornecimento contínuo e investimentos, e mudanças no ambiente de trabalho para as quais os gestores já estão sendo treinados. A relação paralela com a SK oferece à OpenAI outra via para obter capacidade de memória e instalações de computação na Coreia do Sul.
Pontos principais
- Altman reuniu-se com cerca de 50 executivos da Samsung em Yongin, em 31 de outubro de 2026, e almoçou com Chey Tae-won, presidente da SK, em Seul.
- A cooperação existente entre a Samsung e a OpenAI abrange memória, centros de dados de IA, serviços empresariais e instalações offshore flutuantes propostas.
- A parceria com a SK inclui capacidade de memória planejada e um centro de dados de IA proposto para o sudoeste da Coreia do Sul.
- Nenhum contrato ou plano de investimento adicional foi anunciado durante a visita.
- A Samsung pretende concluir o treinamento em IA de todos os funcionários até fevereiro de 2027.
- O Codex Micro presenteado por Altman ilustrou sua proposta de atribuir tarefas à IA e gerenciar os resultados.






