Uma grande expansão da produção começa a tomar forma
A Boston Dynamics pediu a fornecedores sul-coreanos que preparem componentes para 10 mil robôs humanoides Atlas, colocando a rede de fornecimento automotivo do Hyundai Motor Group no centro de seus planos para levar robôs às fábricas. Hyundai Mobis, Samsung SDI, LG Energy Solution e várias fabricantes de câmeras e componentes veiculares estão entre as empresas citadas nos preparativos de compras noticiados.
Conteúdo
- Uma grande expansão da produção começa a tomar forma
- Quais empresas fabricariam o Atlas?
- Por que os mecanismos das articulações são tão importantes
- As fábricas automotivas oferecem um ponto de partida
- A Geórgia vai conectar o treinamento ao trabalho nas fábricas
- A capacidade de produção e o trabalho útil precisam crescer juntos
- A Hyundai mira os componentes mais caros
- Reduzir a dependência da China traz outro desafio
- Principais pontos
O pedido estabelece uma meta substancial de produção para os fornecedores enquanto o Atlas é treinado para trabalhar nas operações industriais da Hyundai na Geórgia. As tarefas iniciais devem incluir separar peças e organizá-las na sequência necessária para os operários da fábrica ou os sistemas de montagem.
Segundo relatos, a Boston Dynamics selecionou fornecedores e os notificou individualmente. As quantidades finais e os preços das compras, porém, ainda não foram definidos, e o cronograma permanece incerto: o relato inicial diz que os pedidos de compra serão feitos em breve, com os componentes prontos até o fim do ano seguinte, enquanto uma notícia de 27 de outubro prevê os primeiros pedidos já no fim de 2027 ou no início de 2028.
O roteiro mais amplo da Hyundai prevê capacidade anual de produção de 30 mil robôs a partir de 2028. Aplicações fabris, como a organização sequencial de peças, estão previstas para 2028, seguidas pela montagem de componentes em 2030. Esses marcos inserem os preparativos dos fornecedores em um esforço maior para transformar o Atlas em um equipamento capaz de realizar tarefas úteis de forma repetida.
Para as fabricantes sul-coreanas, a oportunidade vai além da venda de peças individuais. Motores, sensores, baterias e componentes estruturais desenvolvidos ao longo de anos de produção automotiva podem se tornar a base de um novo negócio industrial. Já a Boston Dynamics precisa tanto de hardware confiável quanto de software capaz de lidar com as condições variáveis do chão de fábrica.
Quais empresas fabricariam o Atlas?
Espera-se que a Hyundai Mobis tenha o maior papel na rede de componentes. A parceria da empresa com a Boston Dynamics para fabricar atuadores foi anunciada em janeiro, e os relatos mais recentes sobre as compras descrevem um pacote mais amplo, que inclui mãos robóticas e equipamentos de visão.
Os atuadores convertem energia elétrica em movimento nas articulações de um robô. As garras funcionam como mãos, permitindo que ele pegue, segure e solte objetos. As câmeras ajudam a máquina a identificar peças e determinar para onde se mover.
- A Hyundai Mobis é citada como fornecedora dos atuadores das articulações e deve fornecer garras para as mãos.
- Samsung SDI e LG Energy Solution são citadas como fornecedoras de baterias, descritas em um dos relatos como células cilíndricas com 21 milímetros de diâmetro.
- A BH EVS é citada como fornecedora de equipamentos de recarga, e a CTR, de braços de controle.
- Um consórcio da Hyundai Mobis que envolve a Namuga e uma parceira identificada como IL ou IEL é citado como fornecedor dos faróis e das câmeras principais.
- Segundo relatos, a MCNEX e a Cammsys estão produzindo as câmeras instaladas nas mãos do robô.
- A NVIDIA é apontada como fornecedora do processador.
A participação da NVIDIA faz desta uma rede de produção sul-coreana com uma fornecedora americana de processadores. A estratégia de compras concentra boa parte do trabalho de hardware em empresas familiarizadas com as exigências de produção da Hyundai.
Por que os mecanismos das articulações são tão importantes
Segundo relatos, a Hyundai Mobis forneceria os 31 atuadores previstos no plano de compras. Sua importância vai além do número de articulações: os mecanismos precisam movimentar o Atlas com precisão e suportar as forças envolvidas ao levantar objetos, estender os braços e manter o equilíbrio.
Uma estimativa atribui aos atuadores cerca de 70% do custo dos componentes do Atlas. Outra aponta que atuadores e garras das mãos, juntos, representam mais da metade do custo de um robô. Ambas colocam o hardware de movimento no centro do esforço para tornar o Atlas economicamente viável de fabricar.
A diretora financeira da Boston Dynamics, Amanda McMaster, afirmou que controlar os custos enquanto a produção se expande rapidamente faz parte da estratégia para o Atlas. Aprimorar o processo de fabricação de componentes caros pode reduzir o gasto por robô à medida que os volumes aumentam.
As fábricas automotivas oferecem um ponto de partida
Cerca de 10 engenheiros da Boston Dynamics passaram quase um mês visitando mais de 10 fábricas sul-coreanas de componentes automotivos, segundo relatos. As avaliações abrangeram a capacidade de produção e as habilidades de engenharia e projeto, permitindo à empresa avaliar se os possíveis parceiros poderiam passar de pequenos lotes para uma produção contínua.
A Hyundai Mobis, a Hwashin Precision e a SOS Lab estavam entre as empresas avaliadas. A Hwashin Precision, sediada na província de Gyeongsang do Norte, foi considerada para produzir estruturas leves de alumínio para as pernas e o corpo do robô. Sua atividade no setor automotivo inclui braços de controle da suspensão, que conectam as rodas à estrutura de um veículo.
A SOS Lab, sediada em Gwangju, foi avaliada pela tecnologia lidar. O lidar usa luz laser para medir distâncias e criar um mapa tridimensional, ajudando o robô a localizar pessoas, objetos e obstáculos. Essas avaliações anteriores descrevem a busca por fornecedores; os relatos posteriores sobre as compras identificam uma lista de componentes mais específica.
Estimativas do setor situam entre 5 mil e 10 mil o número de peças de um robô humanoide. Estimativas também sugerem que de 60% a 70% desses componentes são semelhantes a peças automotivas, enquanto uma avaliação separada aponta uma proporção semelhante de processos de produção e tecnologias essenciais compartilhados.
Essas conexões explicam o interesse da Hyundai em parceiros já estabelecidos. Um fornecedor que já fabrica motores, sensores ou componentes metálicos de precisão conta com equipamentos e experiência de produção relevantes. Ainda assim, essas capacidades precisam ser adaptadas aos movimentos, às dimensões e às exigências operacionais do Atlas.
A Geórgia vai conectar o treinamento ao trabalho nas fábricas
O Atlas está sendo treinado no centro de treinamento de robôs do Hyundai Motor Group na Geórgia, perto dos locais onde o grupo planeja suas aplicações industriais. A Hyundai Motor Group Metaplant America deve ser um dos primeiros destinos dos robôs, para tarefas como separar peças.
Organizar peças em sequência significa dispor os componentes na ordem necessária para a produção. Para o Atlas, isso exige reconhecer um objeto, escolher a forma adequada de segurá-lo e colocá-lo no local correto. A montagem de componentes, prevista para 2030, acrescentaria tarefas que envolvem encaixar peças umas nas outras.
Os principais marcos descritos nos planos de produção e implementação são:
- Janeiro: a Boston Dynamics e a Hyundai Mobis anunciaram sua parceria para fabricar atuadores.
- 30 de junho de 2026: as avaliações de fornecedores foram descritas como abrangendo mais de 10 fabricantes sul-coreanas de componentes automotivos.
- 21 de outubro: o executivo da Hyundai Song Ho-deuk apresentou planos para desenvolver mais componentes robóticos de alto valor com empresas sul-coreanas.
- 27 de outubro: foram descritos os preparativos de compras de componentes para 10 mil robôs.
- 2028: a Hyundai prevê iniciar a organização sequencial de peças nas fábricas e alcançar capacidade anual de produção de 30 mil unidades.
- 2030: o roteiro da Hyundai prevê aplicações de montagem de componentes.
A capacidade de produção e o trabalho útil precisam crescer juntos
A meta de 30 mil unidades anuais seria três vezes maior que o volume de 10 mil robôs abrangido pelo pedido de preparação aos fornecedores. Os números representam medidas diferentes: um é uma meta de capacidade anual de produção; o outro, a quantidade de componentes que os fornecedores foram solicitados a preparar.
Os relatos também variam quanto ao alcance da meta maior. Alguns mencionam 30 mil robôs Atlas por ano, enquanto outro fala em 30 mil robôs, incluindo o Atlas. Os planos da Hyundai para implementar os robôs nas fábricas dão à expansão da produção um possível cliente dentro do próprio grupo, além do desafio de desenvolver um mercado mais amplo.
Lee Ho-geun, professor de engenharia automotiva da Universidade Daeduk, disse que a prioridade imediata era verificar se os humanoides podem se tornar equipamentos industriais práticos por meio de uma introdução gradual.
A China pode estar na liderança da comercialização e dos preços de robôs humanoides, mas o custo não é a principal questão neste momento. O desafio mais imediato é validar a escalabilidade e a viabilidade industrial por meio de uma implementação gradual, depois aprimorar as capacidades de IA física e ampliar a aplicação dos robôs em diferentes ambientes industriais.
IA física é o software que ajuda uma máquina a perceber o ambiente e agir no mundo real. Para o Atlas, o sucesso depende de conectar esse software a articulações, câmeras e mãos confiáveis e, então, repetir tarefas úteis nas condições de uma fábrica.
A Hyundai mira os componentes mais caros
O executivo da Hyundai Song Ho-deuk apresentou a estratégia de componentes do grupo em um fórum sobre o ecossistema dos setores de IA e robótica, realizado em 21 de outubro no prédio dos gabinetes dos deputados da Assembleia Nacional, em Seul. Ele apontou atuadores, placas de controle com unidades de processamento gráfico e sistemas de recarga como prioridades iniciais.
Song disse que a Hyundai pretende concentrar o desenvolvimento e a produção sul-coreanos em componentes que representam uma parcela significativa do custo dos robôs e têm alto valor tecnológico.
"No desenvolvimento de componentes robóticos, queremos priorizar a produção local de itens que representem uma parcela elevada dos custos dos robôs e tenham alto valor agregado", disse Song.
A Hyundai também planeja trabalhar com empresas nacionais em sensores de câmera, garras e equipamentos de coleta de dados. Uma placa de controle é a plataforma eletrônica que conecta o hardware de computação a outros sistemas. As unidades de processamento gráfico, ou GPUs, fornecem poder de processamento para tarefas exigentes de IA.
Estimativas de mercado apontam um preço indicativo de cerca de US$ 130 mil para o Atlas, ante valores citados de US$ 20 mil a US$ 30 mil para o Optimus, da Tesla, e US$ 29,9 mil para o H2, da Unitree. São valores indicativos, não preços contratuais finais do Atlas. Nesse patamar, a estimativa para o Atlas é mais de quatro vezes superior aos valores máximos citados para o Optimus e para o H2, aumentando a pressão sobre os custos de produção e sobre o valor do trabalho que o Atlas pode realizar.
Reduzir a dependência da China traz outro desafio
As escolhas de fornecedores da Boston Dynamics também são descritas como uma tentativa de reduzir a dependência de componentes chineses e proteger o conhecimento técnico. Segundo relatos, a Hyundai Mobis recebeu os projetos técnicos essenciais, mantendo o trabalho de engenharia sensível dentro do grupo Hyundai enquanto os fornecedores preparam a capacidade de produção.
A China continua profundamente integrada à rede mais ampla de fornecimento de robótica. Dados atribuídos à Associação de Comércio Internacional da Coreia indicam que as importações sul-coreanas de controladores chineses somaram US$ 316,965 milhões entre janeiro e julho, alta de 14% em relação ao ano anterior. As importações de sensores chineses de força e torque foram estimadas em US$ 2,571 milhões. Esses sensores medem forças de empurrão e torção, ajudando as máquinas a controlar a forma como manipulam objetos.
Estimativas do setor citadas junto dos planos de compra atribuem à China 90% do refino de terras raras e 94% da produção de ímãs permanentes. Os ímãs permanentes são materiais essenciais em muitos motores elétricos. Reduzir a dependência, portanto, envolve materiais e componentes menores, além da escolha das empresas que entregam conjuntos completos.
As restrições propostas nos Estados Unidos acrescentam um incentivo político. A Lei Americana de Segurança em Robótica restringiria o uso e a compra, pelo governo federal, de determinados robôs de países adversários. Outras propostas mencionadas nos relatos submeteriam robôs chineses a análises de segurança ou restringiriam sua importação. São propostas legislativas com escopos diferentes, não uma única regra abrangente para os componentes do Atlas.
A Boston Dynamics também planeja criar um centro de robótica e IA de US$ 100 milhões em Waltham, Massachusetts. A instalação reuniria operações hoje distribuídas por três locais próximos e ampliaria a fabricação avançada, o desenvolvimento de IA, a capacitação profissional e a pesquisa. Junto com a produção de componentes na Coreia do Sul e o treinamento em fábricas da Geórgia, o centro formaria uma rede de desenvolvimento e produção que abrange os dois países.
Principais pontos
- Segundo relatos, a Boston Dynamics pediu a fornecedores sul-coreanos que preparem componentes para 10 mil robôs Atlas; as quantidades, os preços e as datas finais das compras ainda não foram definidos.
- A Hyundai Mobis ocupa uma posição central no plano, com os atuadores e a produção prevista das garras, ao lado de fornecedores sul-coreanos de baterias, câmeras e sistemas de recarga.
- A NVIDIA é citada como fornecedora do processador.
- A Hyundai prevê iniciar a organização sequencial de peças nas fábricas em 2028 e a montagem de componentes em 2030.
- A meta mais ampla é alcançar capacidade anual de produção de 30 mil robôs a partir de 2028, embora os relatos variem quanto a essa meta abranger apenas o Atlas.
- Reduzir custos, garantir desempenho confiável nas fábricas e diminuir a dependência de componentes chineses são prioridades da implementação.






