Um total recorde, com as importações ainda à frente
O comércio de bens do Vietnã alcançou um valor estimado de US$ 1.010,6 bilhões nos primeiros 10 meses de 2026, ultrapassando US$ 1 trilhão pela primeira vez, enquanto as exportações cresceram acentuadamente e as importações avançaram ainda mais rápido. O Ministério da Indústria e do Comércio estimou as exportações em aproximadamente US$ 499 bilhões, alta de 27,4% em relação ao ano anterior, enquanto o país ainda registrou um déficit comercial acumulado de cerca de US$ 12,7 bilhões.
Conteúdo
- Um total recorde, com as importações ainda à frente
- O que o número de US$ 1 trilhão mede
- A rapidez com que o Vietnã chegou a esse patamar
- Manufatura impulsiona salto nas exportações
- Por que as empresas nacionais são fundamentais para a próxima etapa
- Uma estratégia para acelerar o crescimento e produzir bens mais avançados
- Mais mercados, menos dependência de um único comprador
- Mudanças aduaneiras buscam reduzir o custo de movimentar mercadorias
- O último trimestre põe à prova o cumprimento de padrões
- Principais pontos
Os números do ministério, divulgados na atualização oficial sobre o comércio do governo, mostram que o comércio total de mercadorias aumentou 32,3%. Outubro, sozinho, respondeu por um valor estimado de US$ 122,2 bilhões, alta de 47,6% em relação a outubro de 2025.
O Vietnã também registrou um superávit comercial estimado em US$ 6,8 bilhões em outubro, o segundo mês consecutivo no azul. Isso ajudou a reduzir o déficit acumulado, ou seja, diminuiu a diferença entre o que o país comprou do exterior e o que vendeu para outros mercados.
O marco é alcançado enquanto o ministério elabora uma estratégia para importações e exportações de bens até 2030, com visão que se estende até 2045. As ambições vão além de movimentar mais produtos através das fronteiras: o plano busca ampliar o papel das empresas vietnamitas, avançar na manufatura e reduzir a dependência de um pequeno número de parceiros comerciais.
O desafio imediato aparece nos números. Empresas com investimento estrangeiro responderam por cerca de 77,5% do comércio total, segundo uma atualização aduaneira, enquanto três grupos de produtos que abrangem eletrônicos, telefones e máquinas geraram mais da metade do comércio de mercadorias. A próxima tarefa do Vietnã é transformar essa escala em mais negócios para fornecedores nacionais.
O que o número de US$ 1 trilhão mede
O comércio de mercadorias soma o valor dos bens exportados e importados. Portanto, o total de US$ 1.010,6 bilhões do Vietnã mede o fluxo de bens nas duas direções. Exportações são vendas ao exterior; importações, compras de outros países.
Uma fábrica pode contribuir para os dois lados desse total. Ela pode importar componentes eletrônicos, montá-los em equipamentos e exportar os produtos acabados. Os números do comércio contabilizam os componentes importados e os equipamentos exportados quando cruzam a fronteira. O valor que permanece no Vietnã depende do trabalho, dos materiais e dos serviços fornecidos dentro do país.
A estimativa do ministério abrange o período de janeiro a outubro. Os dados aduaneiros disponíveis em 29 de outubro apontavam comércio de US$ 1.001,3 bilhões, composto por US$ 493,64 bilhões em exportações e US$ 507,66 bilhões em importações, com déficit de US$ 14,02 bilhões. A estimativa do ministério para os 10 meses completos indicava déficit de cerca de US$ 12,7 bilhões.
Nos dados aduaneiros de 29 de outubro, as importações haviam crescido 37,6%, ante alta de 27,2% das exportações. Assim, as importações avançavam 10,4 pontos percentuais mais rápido. Para fabricantes que usam componentes e máquinas estrangeiros, comprar mais do exterior pode sustentar uma produção maior, mas também aumenta a exposição a fornecedores internacionais.
A rapidez com que o Vietnã chegou a esse patamar
O comércio total de bens do Vietnã foi de US$ 351,38 bilhões em 2016 e de US$ 929,92 bilhões em 2025. Isso representa uma expansão para cerca de 2,65 vezes o tamanho anterior, com crescimento médio anual de aproximadamente 11% no período.
A nova estimativa significa que o comércio nos 10 primeiros meses de 2026 já superava em cerca de US$ 80,68 bilhões o total de todo o ano de 2025, ou aproximadamente 8,7%. Os marcos sucessivos mostram como os grandes saltos passaram a ocorrer mais rapidamente:
- 2007: O comércio anual de bens atingiu pela primeira vez US$ 100 bilhões.
- 2011: O comércio superou US$ 200 bilhões.
- 2015: O comércio chegou a US$ 300 bilhões.
- 2019: O comércio chegou a US$ 500 bilhões.
- 2022: O comércio chegou a US$ 700 bilhões.
- 2025: O comércio superou US$ 900 bilhões.
- Janeiro a outubro de 2026: O comércio estimado chegou a US$ 1.010,6 bilhões.
O Vietnã ocupava a 18ª posição mundial em exportações e a 20ª em importações nos dados comerciais divulgados. Na Associação das Nações do Sudeste Asiático, ou ASEAN, o comércio total de mercadorias do país ficou em segundo lugar, atrás de Singapura.
Manufatura impulsiona salto nas exportações
Produtos processados e manufaturados corresponderam a 87,4% das exportações do Vietnã nos primeiros 10 meses. As exportações cresceram tanto no setor empresarial nacional quanto no setor com investimento estrangeiro, com avanços nos principais destinos, entre eles China, Estados Unidos, União Europeia, Coreia do Sul e ASEAN.
Três grupos de produtos se destacaram pelo tamanho: computadores, produtos eletrônicos e componentes; telefones e componentes; e máquinas, equipamentos, ferramentas e peças de reposição. Juntas, suas exportações e importações chegaram a aproximadamente US$ 532 bilhões até 29 de outubro, alta de 49% em relação ao ano anterior.
Esse valor combinado equivalia a cerca de 53% do total de US$ 1.001,3 bilhões do comércio aduaneiro naquela data. Assim, uma grande parcela do comércio internacional do Vietnã está ligada aos equipamentos, componentes e produtos acabados usados na produção tecnológica e industrial.
O crescimento de 27,4% das exportações na estimativa do ministério ficou bem acima da meta do governo, de 15% a 16% para o ano inteiro. A alfândega projetou que o crescimento das exportações em todo o ano de 2026 poderia superar 25%. Isso ainda era uma previsão, com novembro e dezembro ainda por contribuir para o resultado anual.
Dinh Trong Thinh, especialista em economia e professor sênior da Academia de Finanças, atribuiu parte do marco às políticas de exportação adotadas pelo governo, pelo Ministério da Indústria e do Comércio e por outros ministérios. Ele também defendeu que ministérios, autoridades locais e produtores continuem fortalecendo o comércio após o primeiro ano acima de US$ 1 trilhão.
Por que as empresas nacionais são fundamentais para a próxima etapa
Empresas com investimento estrangeiro movimentaram aproximadamente US$ 778 bilhões em comércio, segundo os dados aduaneiros, alta de 37% em relação ao ano anterior. As empresas nacionais movimentaram cerca de US$ 223 bilhões, alta de 16%. Ambos os grupos cresceram, mas o setor com investimento estrangeiro avançou mais do que o dobro da velocidade.
O investimento estrangeiro direto, frequentemente abreviado como IED, envolve investidores de outros países que aplicam recursos em empresas que operam no Vietnã. Essas empresas podem trazer fábricas, tecnologia, clientes internacionais e redes de fornecimento já estabelecidas. Sua grande participação no comércio também torna as conexões com fornecedores vietnamitas uma parte importante das ambições industriais do país.
Uma empresa nacional que forneça componentes, embalagens ou serviços técnicos a uma fábrica pode fazer parte da produção internacional mesmo sem exportar diretamente o produto acabado. Para assumir tarefas mais complexas, é preciso atender a especificações, fazer entregas confiáveis e manter a qualidade de forma consistente.
A minuta da estratégia do ministério busca elevar a participação das empresas nacionais nas exportações para aproximadamente 28% a 30% até 2030 e 38% a 40% até 2045. Essas metas dizem respeito especificamente às exportações; a participação atual de 77,5% atribuída às empresas com investimento estrangeiro abrange exportações e importações em conjunto.
Para as empresas vietnamitas, a questão prática é o acesso à tecnologia, ao financiamento, às competências de gestão e aos padrões de produção. Encomendas maiores serão mais valiosas para a economia nacional quando as empresas locais puderem fornecer mais dos materiais, componentes e serviços especializados necessários para atendê-las.
Uma estratégia para acelerar o crescimento e produzir bens mais avançados
A minuta da estratégia prevê crescimento médio anual das exportações de 15% a 16% entre 2026 e 2030, além de crescimento das importações de 12% a 13%. O ministério pretende que o comércio contribua para a ambição do Vietnã de alcançar crescimento econômico de pelo menos 10% ao ano nesse período.
O plano também busca um superávit sustentável no comércio de mercadorias, equivalente em média a 3% a 6% do valor das exportações entre 2026 e 2030, e de 7% a 10% até 2045. Em termos simples, a meta é que as vendas ao exterior superem as compras por uma margem estável, em vez de apenas aumentar o volume de exportações e importações.
A meta é que produtos processados e refinados representem de 89% a 90% das exportações até 2030 e mais de 92% até 2045. Produtos que utilizam tecnologia avançada corresponderiam a aproximadamente metade das exportações de bens processados e manufaturados até 2030, passando a mais de 55% até 2045.
A atualização do governo descreve a ambição de colocar o Vietnã entre as 10 maiores economias comerciais do mundo até 2045. A estratégia ainda é uma minuta e não foi informada uma data para sua adoção. As taxas de crescimento, participações de mercado e posições no ranking são metas propostas que empresas e órgãos públicos teriam de buscar.
Mais mercados, menos dependência de um único comprador
O Vietnã mantinha relações comerciais com 237 países e territórios, segundo os dados de 29 de outubro. Desses mercados, 36 compraram pelo menos US$ 1 bilhão em exportações vietnamitas, enquanto 31 forneceram pelo menos US$ 1 bilhão em importações.
A minuta da estratégia busca mais de 45 mercados de exportação com vendas anuais acima de US$ 1 bilhão até 2030 e 55 até 2045. Em comparação com os atuais 36, a meta para 2030 exigiria que pelo menos outros 10 mercados ultrapassassem esse patamar.
Até 2030, nenhum mercado individual de exportação deverá representar mais de 25% das exportações totais, e nenhum mercado individual de importação deverá fornecer mais de 35% das importações. A participação conjunta dos três maiores mercados ou regiões de exportação cairia para menos de 55% até 2030 e menos de 50% até 2045.
O ministério também quer que mercados emergentes do Sul da Ásia, Oriente Médio, África e América Latina representem aproximadamente 10% das exportações até 2030 e 15% até 2045. Ampliar as vendas para esses destinos distribuiria a demanda entre mais clientes e economias.
Isso é importante para um fabricante quando um grande comprador reduz os pedidos ou um destino altera suas tarifas. Uma base mais ampla de clientes oferece mais lugares para vender. Diversificar fornecedores tem função semelhante quando uma interrupção dificulta a obtenção de materiais em um determinado país.
Mudanças aduaneiras buscam reduzir o custo de movimentar mercadorias
A administração aduaneira do Vietnã está processando um volume crescente de operações empresariais, acompanhando o aumento do comércio. Nos resultados do terceiro trimestre de 2026, a alfândega listou 171 procedimentos administrativos: 96 disponíveis integralmente on-line, 49 parcialmente on-line e 26 com informações disponíveis on-line.
De 15 de junho a 14 de setembro, a alfândega recebeu mais de 29,27 milhões de documentos, quase todos enviados on-line. Seus sistemas também processaram 44 tipos de documentos eletrônicos e realizaram verificações automáticas com base nas informações das declarações aduaneiras.
A inteligência artificial era usada para extrair informações dos documentos, ajudando a reduzir a digitação manual, os erros e os custos de impressão. Para uma empresa que envia cargas com frequência, evitar o preenchimento repetido dos mesmos dados pode reduzir o trabalho administrativo a cada movimentação de mercadorias.
Um projeto-piloto de desembaraço centralizado começou em 1º de junho de 2026 na Subsecretaria Aduaneira da Região III, em Hai Phong. O projeto reuniu o recebimento e a conferência dos documentos em um único ponto de processamento, em vez de distribuir essas tarefas entre várias unidades aduaneiras.
O tempo médio de desembaraço no projeto-piloto caiu aproximadamente 12% em comparação com maio e 14% em relação ao primeiro trimestre. Um desembaraço mais rápido pode reduzir o tempo de espera das mercadorias antes de seguirem para fábricas, armazéns ou clientes, tornando a reforma administrativa parte prática da gestão de um volume comercial maior.
O último trimestre põe à prova o cumprimento de padrões
O Ministério da Indústria e do Comércio definiu a promoção das exportações, a diversificação de mercados e o reforço da capacidade de cumprir requisitos como prioridades para o quarto trimestre. O ministério pretende aproveitar melhor os acordos de livre comércio existentes e buscar acesso a novos mercados.
Os acordos comerciais podem reduzir tarifas, mas as empresas precisam cumprir suas condições. As regras de origem determinam se um produto se qualifica como proveniente de um país participante. Os requisitos de rastreabilidade exigem que as empresas comprovem a origem das mercadorias e de seus insumos, enquanto os padrões ambientais podem afetar a forma como os produtos são fabricados e documentados.
O ministério planeja reforçar os alertas antecipados sobre investigações de defesa comercial, barreiras tarifárias, padrões ambientais, rastreabilidade e requisitos de origem. Investigações de defesa comercial podem resultar em tarifas adicionais sobre determinadas importações, alterando potencialmente o preço pago por um cliente no exterior.
Os exportadores agrícolas enfrentam outras tarefas práticas. O ministério pretende ampliar os acordos e protocolos de quarentena, promover canais oficiais de exportação, melhorar o transporte e o armazenamento refrigerados e padronizar áreas de cultivo e instalações de embalagem para atender às exigências de cada parceiro comercial.
Para agricultores e empresas de alimentos, essas medidas vinculam o acesso aos mercados às condições do produto na chegada. Áreas de cultivo aprovadas, manuseio documentado e refrigeração confiável ajudam a garantir que os embarques sejam autorizados a entrar e que os produtos perecíveis permaneçam em condições de venda. A estratégia comercial do Vietnã depende, portanto, do trabalho em propriedades rurais, fábricas, unidades aduaneiras e portos, além da busca por mais clientes no exterior.
Principais pontos
- O comércio de bens do Vietnã alcançou um valor estimado de US$ 1.010,6 bilhões entre janeiro e outubro de 2026, alta de 32,3%.
- As exportações chegaram a aproximadamente US$ 499 bilhões, alta de 27,4%, enquanto o déficit comercial acumulado ficou em cerca de US$ 12,7 bilhões.
- Outubro registrou superávit estimado em US$ 6,8 bilhões, o segundo mês consecutivo no azul.
- Empresas com investimento estrangeiro responderam por cerca de 77,5% do comércio nos dados aduaneiros.
- A minuta da estratégia busca acelerar o crescimento das exportações, ampliar a contribuição das empresas nacionais e diversificar os mercados até 2030 e 2045.
- Reformas aduaneiras e maior atenção aos padrões dos produtos são fundamentais para administrar o crescimento futuro.






