Tailândia revoga cidadania do rabino Yosef Chaim Kantor por uso de passaporte dos EUA

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Thailand Revokes Rabbi Yosef Chaim Kantor's Citizenship Over US Passport Use

Dezesseis viagens à Austrália citadas em decisão sobre cidadania

A Tailândia revogou a cidadania do rabino Yosef Chaim Kantor, rabino-chefe do país e líder de sua rede Chabad, depois que as autoridades disseram que ele usou sua nacionalidade americana para viajar de e para a Austrália em 16 ocasiões após se tornar cidadão tailandês, em 2013.

Conteúdo
  1. Dezesseis viagens à Austrália citadas em decisão sobre cidadania
  2. O que diz a ordem de revogação da cidadania
  3. Como o caso se desenvolveu
  4. Anutin defende a aplicação da lei
  5. O que os investigadores apuraram em Bangkok
  6. Trabalhadores e imóvel de cemitério são alvo de apurações distintas
  7. Líder religioso estabelecido na Tailândia desde 1993
  8. Chabad recorre aos meios legais e mantém os centros abertos
  9. Campanha mais ampla de fiscalização
  10. Principais pontos

O primeiro-ministro e ministro do Interior, Anutin Charnvirakul, assinou a ordem em 28 de outubro de 2026. O Ministério do Interior citou o artigo 19(2) da Lei de Nacionalidade B.E. 2508 (1965), que permite retirar a cidadania adquirida por naturalização quando a pessoa continua usando uma nacionalidade anterior.

O Departamento de Investigação Especial (DSI), vinculado ao Ministério da Justiça, forneceu as informações de viagem. A ocorrência mais recente identificada foi em 26 de janeiro de 2026. O ministério afirmou que Kantor reconheceu as condições da naturalização ao fazer o pedido e as violou ao continuar usando sua nacionalidade americana.

Kantor chegou a Bangkok em 1993 e passou mais de três décadas atendendo residentes e visitantes judeus. A Chabad afirma que está contestando a decisão pelos meios legais e que seus centros em toda a Tailândia continuam abertos.

O que diz a ordem de revogação da cidadania

Kantor adquiriu a cidadania tailandesa com base no artigo 10 da Lei de Nacionalidade. Sua naturalização foi publicada no Diário Oficial Real em 11 de abril de 2013, e seu primeiro documento de identidade nacional tailandês foi emitido em 2 de maio daquele ano.

A naturalização é o processo legal pelo qual alguém adquire a cidadania de um país do qual não era originalmente cidadão. No caso de Kantor, o ministério afirma que esse status estava sujeito a condições que regiam a continuidade do uso de sua nacionalidade americana.

A ordem invoca o artigo 19(2) para revogar esse status. Também menciona uma investigação do DSI sobre a conduta de cidadãos naturalizados que poderia afetar a segurança nacional, inclusive os interesses econômicos e sociais da Tailândia. O ministério afirmou que permitir a continuidade da violação poderia causar graves danos à população.

As conclusões e a base legal do anúncio dizem, em tradução:

Considerando que há indícios de que o sr. Yosef Chaim Kantor, cidadão tailandês (anteriormente cidadão americano), que adquiriu a nacionalidade tailandesa por naturalização nos termos do artigo 10 da Lei de Nacionalidade B.E. 2508, continuou usando sua nacionalidade anterior, os fatos mostram que ele adquiriu a nacionalidade tailandesa em plena conformidade com a lei, por meio de publicação no Diário Oficial Real em 11 de abril de 2013, e recebeu seu primeiro documento de identidade nacional em 2 de maio de 2013. No entanto, informações do Departamento de Investigação Especial do Ministério da Justiça mostram que o órgão investigou estrangeiros que haviam adquirido a nacionalidade tailandesa por naturalização e praticado outros atos que poderiam afetar a segurança nacional, tanto econômica quanto socialmente. Foi identificado que o sr. Yosef Chaim Kantor usou continuamente a nacionalidade americana para viajar de e para a Austrália em 16 ocasiões (a mais recente em 26 de janeiro de 2026), o que constitui uso de sua nacionalidade anterior (americana) em desacordo com as condições para solicitar a naturalização como cidadão tailandês.

"O sr. Yosef Chaim Kantor tinha conhecimento dessas condições na data em que apresentou seu pedido de naturalização como cidadão tailandês. Portanto, este caso se enquadra nas condições em que a nacionalidade tailandesa pode ser revogada nos termos do artigo 19(2) da Lei de Nacionalidade B.E. 2508, pois há provas de que ele continua usando sua nacionalidade anterior (americana). Se isso continuar, poderá causar graves danos à população e ao público.

"O ministro do Interior, no exercício da autoridade conferida pelo artigo 19, parágrafo primeiro, da Lei de Nacionalidade B.E. 2508, revoga por meio deste ato a nacionalidade tailandesa do sr. Yosef Chaim Kantor.

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O motivo jurídico apontado na ordem é a continuidade do uso, por Kantor, de sua nacionalidade anterior. As autoridades também estão investigando empresas, imóveis e transações financeiras ligados à Chabad, em apurações que seguem separadamente da decisão sobre a cidadania.

Como o caso se desenvolveu

O caso da cidadania de Kantor reúne uma decisão de naturalização tomada em 2013, registros de viagem que vão até janeiro de 2026 e buscas realizadas em Bangkok em outubro. As principais datas são:

  • 1993: Kantor chegou a Bangkok para atuar como rabino comunitário.
  • 11 de abril de 2013: A aquisição da cidadania tailandesa foi publicada no Diário Oficial Real.
  • 2 de maio de 2013: Ele recebeu seu primeiro documento de identidade nacional tailandês.
  • 26 de janeiro de 2026: O uso mais recente da nacionalidade americana citado na ordem ocorreu durante uma viagem envolvendo a Austrália.
  • 8 de outubro de 2026: As autoridades realizaram buscas conjuntas em três locais de Bangkok no âmbito de investigações sobre empresas, imóveis e finanças.
  • 28 de outubro de 2026: Anutin assinou a ordem de revogação da cidadania.
  • 29 de outubro de 2026: Anutin defendeu a decisão durante uma sessão no Parlamento.

A cronologia mostra que a revogação ocorreu mais de 13 anos depois de Kantor se tornar cidadão tailandês e mais de 30 anos após o início de seu trabalho na Tailândia. Sua posição como líder religioso de longa data tornou a decisão motivo de preocupação para a comunidade que atende.

Anutin defende a aplicação da lei

Anutin afirmou que a revogação está em conformidade com a legislação tailandesa. Ao falar no Parlamento, encaminhou perguntas sobre os detalhes ao diretor-geral do Departamento de Administração Provincial e descreveu seu próprio papel como responsável pela definição de políticas.

O primeiro-ministro e ministro do Interior afirmou que os órgãos responsáveis devem agir com firmeza quando a lei é violada:

"Qualquer ato ilegal, seja qual for, deve ser tratado com firmeza pelos órgãos e funcionários públicos responsáveis. Eles devem aplicar a lei em toda a sua extensão para manter a ordem na sociedade tailandesa", disse Anutin.

Questionado se haveria processos criminais, Anutin voltou a encaminhar as perguntas aos funcionários responsáveis pelo caso. Ele não anunciou acusações criminais nem uma decisão de processar Kantor. Para Kantor, a medida imediata do governo é a retirada da cidadania, enquanto os investigadores dão continuidade a seu trabalho separado.

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O que os investigadores apuraram em Bangkok

As buscas de 8 de outubro envolveram o DSI, o Escritório de Prevenção e Combate à Lavagem de Dinheiro, órgãos do Ministério do Interior e outros órgãos reguladores. Os investigadores examinaram o controle de empresas, propriedades rurais, doações e transações financeiras em três locais de Bangkok.

No escritório da Gan Chabad Co Ltd, no distrito de Bang Rak, o DSI informou ter encontrado registros de mais de 60 empresas registradas em um mesmo endereço. Algumas tinham diretores ou acionistas em comum. Os investigadores recolheram documentos relativos à compra de terrenos, doações, impostos e operações de hotéis e restaurantes.

As autoridades investigavam se acionistas tailandeses atuavam como representantes de fachada de investidores estrangeiros. Nesse contexto, um acordo desse tipo significa que uma pessoa tailandesa detém ações ou propriedades formalmente, enquanto uma pessoa estrangeira exerce o controle efetivo. As autoridades investigam esses arranjos porque a Tailândia restringe a propriedade estrangeira de determinados negócios e terrenos.

O Escritório de Prevenção e Combate à Lavagem de Dinheiro rastreava transferências dentro da Tailândia e para o exterior, enquanto o Departamento da Receita examinava obrigações tributárias. A fiscalização também se estendeu a imóveis ligados à Chabad em Patong, Phuket. As autoridades afirmaram que as investigações dizem respeito à conduta individual e ao cumprimento da lei, não à religião ou à nacionalidade.

Trabalhadores e imóvel de cemitério são alvo de apurações distintas

A polícia afirmou que a Chabad Foundation Bangkok empregava três trabalhadores de Mianmar sem autorização de trabalho. O rabino Nehemya Wilhelm, da Chabad House em Bangkok, disse que a organização empregava legalmente cerca de 40 trabalhadores e havia pago uma multa pelos três trabalhadores de Mianmar, cujos documentos estavam sendo processados.

A explicação de Wilhelm trata de uma questão trabalhista específica surgida durante as inspeções. As investigações empresariais mais amplas dizem respeito à propriedade de empresas, imóveis e transferências de dinheiro, que envolvem registros e exigências legais diferentes.

A Gan Chabad também adquiriu um terreno para um cemitério judaico no subdistrito de Samet Tai, distrito de Bang Khla, em Chachoengsao. Os três diretores autorizados da empresa eram cidadãos tailandeses, enquanto os investigadores apuravam possíveis acordos de representação de fachada envolvendo outras empresas e transações.

Separadamente, autoridades tailandesas exigiram a retirada de restos mortais judeus de um cemitério cuja licença de funcionamento havia expirado. Para a comunidade, a fiscalização de instalações religiosas, relações de trabalho e espaços funerários trouxe várias preocupações práticas ao mesmo tempo.

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Líder religioso estabelecido na Tailândia desde 1993

Kantor chegou a Bangkok com a esposa e a filha em 1993 para atuar como rabino comunitário. Tornou-se uma figura de destaque na Associação Judaica da Tailândia e o principal representante da Chabad-Lubavitch no país.

A Chabad é um movimento judaico ortodoxo com sede em Nova York. Sua rede na Tailândia oferece serviços religiosos, sociais e educacionais a residentes e visitantes judeus, incluindo serviços de alimentação kosher. Alimentos kosher seguem as regras alimentares religiosas judaicas.

Durante as inspeções de 8 de outubro, Kantor descreveu a finalidade da Chabad Foundation of Thailand como a realização de atividades religiosas e a assistência a turistas. A organização afirma que as doações financiam seus programas.

A resposta da Chabad à decisão sobre a cidadania destacou a longa relação de Kantor com a Tailândia. Em sua declaração, a organização descreveu o que o país representa para ele e sua família:

O rabino Kantor atende à comunidade judaica na Tailândia há mais de 30 anos, e a Tailândia é o lar dele e de sua família. Respeitamos o Reino da Tailândia, suas leis e suas instituições, e somos gratos pela hospitalidade que nos ofereceu ao longo dos anos.

Chabad recorre aos meios legais e mantém os centros abertos

A Chabad afirma que está contestando a decisão sobre a cidadania pelos meios legais. Em sua declaração, expressou pesar e reafirmou a confiança no sistema jurídico tailandês. Não foi anunciada uma data para audiência nem um prazo para a decisão, e ainda não está claro como a medida afetará a capacidade de Kantor de viver e trabalhar na Tailândia.

Wilhelm disse que Kantor estava visitando Nova York quando a decisão foi divulgada. Ao descrever o impacto pessoal para um rabino que viveu na Tailândia por décadas, Wilhelm afirmou:

A Tailândia é a casa dele.

Wilhelm também descreveu a tensão na comunidade, mas ressaltou que ela continua se sentindo bem-vinda. Ele disse:

A Tailândia acolhe os judeus" e "não nos sentimos ameaçados.

A Chabad afirma que seus centros religiosos e outras atividades em toda a Tailândia seguem funcionando normalmente. Para residentes e turistas que utilizam esses serviços, a posição declarada pela organização é que eles continuarão disponíveis enquanto a questão da cidadania tramita pelos meios legais.

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Campanha mais ampla de fiscalização

O governo de Anutin intensificou a fiscalização de estrangeiros acusados de violar regras migratórias ou usar representantes tailandeses para controlar empresas e terrenos. Também introduziu regras que permitem deportações mais rápidas de estrangeiros considerados prejudiciais à ordem pública.

Outro empresário perdeu recentemente a cidadania tailandesa após as autoridades alegarem que ele continuou usando um passaporte israelense e não informou ter nacionalidade uruguaia ao pedir a naturalização. Nesse caso, as acusações envolveram tanto o uso de passaporte quanto as informações fornecidas no pedido de cidadania.

O caso de Kantor se concentra na conclusão do ministério de que ele continuou usando a nacionalidade americana após a naturalização. A campanha mais ampla ajuda a explicar por que registros de passaporte, propriedade de empresas e transações de terrenos estão sendo analisados simultaneamente por vários órgãos.

Para Kantor e a comunidade judaica, o próximo passo concreto é o andamento da contestação legal. A Chabad prometeu manter seus serviços, enquanto autoridades do governo atribuíram aos órgãos responsáveis pelos casos a tarefa de prestar novos esclarecimentos e dar continuidade à fiscalização.

Principais pontos

  • Anutin Charnvirakul assinou a ordem de revogação da cidadania tailandesa do rabino Yosef Chaim Kantor em 28 de outubro de 2026.
  • O Ministério do Interior citou 16 usos da nacionalidade americana em viagens de ou para a Austrália após sua naturalização, em 2013.
  • A ordem cita o artigo 19(2) da Lei de Nacionalidade de 1965 e exerce a autoridade de revogação prevista no artigo 19, parágrafo primeiro.
  • Investigações distintas envolvem empresas, imóveis, doações, impostos e transferências financeiras ligados à Chabad.
  • A Chabad afirma que está recorrendo aos meios legais e que seus centros em toda a Tailândia continuam abertos.
  • Kantor atende à comunidade judaica da Tailândia desde que chegou a Bangkok, em 1993.
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