Paquistão planeja acabar com penalidade de seis meses na conta de luz após 200 unidades e direcionar subsídios pela renda

12 min de leitura
Pakistan Plans to End Six-Month Electricity Penalty After 200 Units, Target Subsidies by Income

Uma unidade extra de eletricidade pode deixar de provocar meses de contas mais altas

O Paquistão está se preparando para eliminar uma regra que pode fazer com que famílias paguem tarifas de eletricidade mais altas por seis meses depois que o consumo mensal ultrapassa 200 unidades, mesmo que seja por apenas uma unidade. O ministro da Energia, Awais Leghari, disse ao Senado em 27 de outubro de 2026 que as autoridades estudavam elevar para 250 unidades o limite dos consumidores protegidos ou restabelecer o desconto sempre que uma família elegível reduzisse o consumo mensal para 200 unidades ou menos.

Conteúdo
  1. Uma unidade extra de eletricidade pode deixar de provocar meses de contas mais altas
  2. Por que passar de 200 para 201 unidades faz diferença
  3. Duas opções mudariam o funcionamento da proteção
  4. A energia solar está mudando quem se qualifica para receber subsídios
  5. O pagamento da dívida tem um cronograma separado de quatro anos
  6. A redução das perdas das distribuidoras ainda não chegou às contas das famílias
  7. As contas por irregularidades estão migrando para um sistema digital centralizado
  8. O mercado competitivo de eletricidade avança junto com a reforma dos subsídios
  9. As próximas etapas vão de dezembro a 2030
  10. Principais pontos

As mudanças propostas resolveriam um aumento acentuado de custos em um limite que afeta milhões de contas de eletricidade. Segundo o que foi exposto no Senado, os consumidores protegidos recebem eletricidade subsidiada, enquanto ultrapassar o limite pode significar perder essa proteção por seis meses.

Leghari também apresentou uma mudança mais ampla: definir quem recebe subsídios para eletricidade com base na pobreza e na renda familiar, em vez de considerar apenas o consumo de eletricidade. Ele disse que famílias mais ricas com painéis solares estavam reduzindo suas compras da rede o suficiente para se qualificar para uma assistência destinada às famílias mais pobres.

O governo se comprometeu a mudar o sistema, mas a política final, as regras de elegibilidade por renda e a data de implementação ainda não foram anunciadas. Leghari disse que as autoridades precisariam de cerca de um mês e meio para concluir o plano, o que situaria esse período de preparação em meados de dezembro, se contado a partir de sua declaração no Senado.

Para as famílias, duas decisões são importantes: com que rapidez poderiam recuperar a condição de consumidor protegido depois de ultrapassar o limite e se seriam elegíveis segundo as regras de renda propostas. Elevar o limite de consumo daria a algumas famílias mais margem antes de perder o benefício; mudar os critérios de elegibilidade também poderia retirar subsídios de famílias com renda mais alta.

Publicidade

Por que passar de 200 para 201 unidades faz diferença

O senador do PML-N Abid Sher Ali levantou a questão por meio de uma notificação para chamar a atenção do governo, um procedimento parlamentar usado para obter uma resposta de um ministro sobre uma questão urgente de interesse público. Ele disse que as contas de eletricidade estavam ficando inacessíveis até mesmo para consumidores que recebiam proteção.

Ali descreveu uma família que passa de 200 para 201 unidades como sujeita a um aumento da tarifa de cerca de Rs15 para Rs30 por unidade. Ele também disse que esses consumidores poderiam ser cobrados segundo a tarifa da faixa de 400 unidades.

Ali, que contestou o ônus financeiro criado pelo limite, disse ao Senado:

Se um consumidor usar apenas uma unidade a mais que 200, a conta de eletricidade dobra de repente.

Uma unidade de eletricidade corresponde a um quilowatt-hora, a energia consumida por um aparelho que utiliza um quilowatt durante uma hora. Uma faixa tarifária é um intervalo de consumo sujeito a uma determinada tarifa. A reclamação diz respeito à categoria de preço aplicada quando uma família ultrapassa um limite e à consequente perda da condição de consumidor subsidiado por vários meses.

O ministro disse que os consumidores protegidos recebem um subsídio de cerca de Rs13 por unidade, enquanto os consumidores fora dessa categoria pagam tarifas de até Rs33 por unidade. Esses valores descrevem o subsídio e a tarifa possível, enquanto o exemplo de Rs15 e Rs30 dado por Ali ilustra o aumento que ele contestou.

Duas opções mudariam o funcionamento da proteção

Leghari apresentou duas alternativas. A primeira elevaria o limite mensal de 200 para 250 unidades. Isso acrescentaria 50 unidades, aumentando em 25% a margem de consumo.

A segunda permitiria que o consumidor recebesse os benefícios da categoria protegida em qualquer mês em que o consumo voltasse a 200 unidades ou menos. Assim, uma família que ultrapassasse o limite em um mês poderia recuperar o desconto no mês seguinte ao reduzir o consumo, em vez de esperar o fim de um período de exclusão de seis meses.

As propostas tratam de aspectos diferentes do problema. Um limite mais alto permite que as famílias usem mais eletricidade antes de atingir o teto. Eliminar o período de espera muda por quanto tempo o excesso de consumo em um único mês afeta as contas seguintes. Leghari apresentou as duas ideias como parte do trabalho em andamento.

Publicidade

A energia solar está mudando quem se qualifica para receber subsídios

Leghari disse que o número de consumidores protegidos aumentou de cerca de 10 milhões para entre 20 milhões e 25 milhões em dois anos. Ele relacionou esse crescimento à adoção de energia solar e afirmou que famílias com recursos para instalar painéis conseguiam manter o consumo da rede dentro da categoria subsidiada.

O aumento corresponde a entre duas e duas vezes e meia o número anterior. Isso cria um grupo maior de contas que recebem apoio em um sistema que usa o baixo consumo da rede como indicador de necessidade financeira.

Leghari, ministro responsável pela Divisão de Energia, descreveu como algumas famílias estavam se qualificando:

Muitas delas não são pobres; na verdade, até mesmo aquelas que consomem de 700 a 800 unidades por mês limitam o consumo da rede a 200 unidades mensais instalando painéis solares.

Os painéis solares permitem que uma casa produza parte da própria eletricidade. Assim, o medidor pode registrar compras muito menores da distribuidora, mesmo quando a família continua usando quantidades substanciais de eletricidade das duas fontes.

Leghari disse que os consumidores protegidos recebem um subsídio de 65% e argumentou que conceder o mesmo benefício a famílias ricas e pobres era injusto. A proposta de substituição concentraria a assistência em pessoas abaixo da linha da pobreza e famílias de renda média baixa.

A política, portanto, mudaria o critério usado para conceder o benefício. Em vez de considerar principalmente quanta eletricidade uma conta compra da rede, as autoridades precisariam avaliar a situação financeira da família. Essa avaliação seria fundamental para determinar quem manteria o desconto.

O pagamento da dívida tem um cronograma separado de quatro anos

Leghari estimou a dívida circular do setor elétrico em cerca de Rs1,67 trilhão e disse que ela não está mais crescendo anualmente. O governo pretende eliminar o saldo restante em quatro anos por meio de um plano de reestruturação do financiamento.

Dívida circular é uma cadeia de obrigações não pagas dentro do setor elétrico. Quando os valores arrecadados ou disponibilizados em uma etapa são insuficientes, uma distribuidora pode ter dificuldades para pagar os fornecedores, que, por sua vez, podem não conseguir quitar as próprias contas. Reestruturar o financiamento significa alterar as condições de pagamento para que as obrigações acumuladas possam ser administradas ao longo do tempo.

O ministro também estabeleceu a meta de eliminar em quatro anos a sobretaxa de Rs3,23 por unidade usada para pagar a dívida. Nesse valor, a parcela da sobretaxa referente a 200 unidades corresponde a Rs646, enquanto, para 250 unidades, chega a Rs807,50. A eventual retirada reduziria essa parcela da conta dos consumidores aos quais ela é cobrada.

Publicidade

O cronograma da dívida é muito mais longo que o período de preparação das propostas para os consumidores protegidos. As regras de elegibilidade para subsídios podem mudar para as famílias antes que o governo alcance sua meta de eliminar a sobretaxa.

A redução das perdas das distribuidoras ainda não chegou às contas das famílias

Leghari disse que as perdas anuais das distribuidoras de eletricidade, conhecidas como DISCOs, eram de Rs591 bilhões quando o primeiro-ministro Shehbaz Sharif assumiu o cargo em 2024. Ele afirmou que as perdas caíram de Rs360 bilhões no ano passado para Rs325 bilhões neste ano.

A redução anual mais recente é de Rs35 bilhões, ou cerca de 9,7%. Em comparação com o valor inicial de Rs591 bilhões, o patamar de Rs325 bilhões é Rs266 bilhões menor, uma redução de aproximadamente 45%.

As perdas descritas pelo ministro incluem furtos de eletricidade e contas que as empresas não conseguem cobrar. Em ambos os casos, falta às empresas o dinheiro necessário para cobrir a eletricidade fornecida e outras obrigações.

Leghari reconheceu que os consumidores ainda não receberam os benefícios da redução. Ele disse que a Divisão de Finanças arca com essas perdas das empresas e, por isso, a economia imediata reduz o ônus financeiro do governo, em vez de baixar automaticamente as tarifas residenciais.

O apoio orçamentário aponta na mesma direção. Leghari disse que a Divisão de Energia recebeu Rs1,18 trilhão em 2024 e esperava receber entre Rs700 bilhões e Rs750 bilhões neste ano. Esses valores representam uma redução de Rs430 bilhões a Rs480 bilhões. Ele também mencionou uma redução de Rs200 bilhões no ônus anual do orçamento, sem explicar como esse valor se relacionava com a mudança maior no apoio.

As contas por irregularidades estão migrando para um sistema digital centralizado

A Divisão de Energia também está mudando a forma como as distribuidoras emitem contas por irregularidades, que cobram valores por eletricidade que as empresas alegam ter sido consumida sem ser registrada ou cobrada corretamente. Reclamações sobre cobranças excessivas e injustificadas levaram Leghari a emitir determinações antes da discussão no Senado.

As distribuidoras receberam a ordem de processar essas contas exclusivamente pelo portal central on-line desenvolvido pela Power Information Technology Company, ou PITC. A emissão manual e discricionária de contas por irregularidades por funcionários de campo e responsáveis por subdivisões foi proibida.

Funcionários que emitirem contas manualmente poderão enfrentar processos disciplinares e penalidades severas, e as infrações serão tratadas como falta grave. Alterações propostas ao Manual de Serviços ao Consumidor também estabeleceriam prazos definidos para os procedimentos pertinentes.

Publicidade

O portal central muda quem controla o processo de cobrança e cria um canal único para a emissão de encargos. Leghari disse que impedir o furto de eletricidade continuava sendo uma prioridade, mas também afirmou que os consumidores não seriam onerados arbitrariamente.

O mercado competitivo de eletricidade avança junto com a reforma dos subsídios

Na Cúpula Nacional de Energia de 2026, em Islamabad, Leghari apresentou outro aspecto do programa de eletricidade do governo: permitir compras diretas por meio de um mercado competitivo de energia. Ele disse que consumidores com capacidade de até um megawatt poderiam comprar eletricidade diretamente.

Megawatt é uma medida de potência, ou seja, da taxa em que a eletricidade pode ser fornecida ou usada. As unidades de cobrança residencial medem a energia consumida ao longo do tempo. O anúncio sobre o mercado trata das modalidades de compra, enquanto o debate sobre 200 unidades diz respeito ao consumo mensal das famílias e à elegibilidade para subsídios.

Leghari disse que o primeiro pedido de propostas já havia sido publicado e que cerca de 400 megawatts seriam transportados pela rede de transmissão por meio do mecanismo competitivo nos meses seguintes. Ele também disse que o governo não compraria eletricidade adicional.

Segundo o ministro, as tarifas de uso da rede caíram de Rs28 para cerca de Rs11 a Rs12 por unidade. O uso da rede é o serviço de transportar eletricidade pela rede entre um vendedor e um comprador. A redução anunciada é de Rs16 a Rs17 por unidade, ou cerca de 57% a 61%, diminuindo a cobrança pelo uso da rede associada a essas transações.

As próximas etapas vão de dezembro a 2030

A discussão no Senado reuniu mudanças com cronogramas diferentes. O plano para os consumidores protegidos tem um curto período de preparação, enquanto a eliminação da dívida circular e da sobretaxa correspondente é uma meta para os próximos quatro anos.

As principais etapas mencionadas pelo ministro e durante os trabalhos parlamentares foram:

  • 2024: A Divisão de Energia recebeu Rs1,18 trilhão em apoio orçamentário, e as perdas anuais das distribuidoras chegaram a Rs591 bilhões, segundo Leghari.
  • 27 de outubro de 2026: Leghari apresentou no Senado as propostas para os consumidores protegidos e discutiu reformas do mercado competitivo na Cúpula Nacional de Energia.
  • 29 de outubro de 2026, às 15h: A previsão era de que o Senado retomasse os trabalhos após a suspensão da sessão.
  • Por volta de meados de dezembro de 2026: A estimativa do ministro de um mês e meio aponta para esse período como prazo para concluir o plano de subsídios.
  • Ao longo dos quatro anos seguintes: O governo pretende eliminar a dívida circular e extinguir a sobretaxa de Rs3,23 por unidade para o pagamento da dívida.

A sessão do Senado foi interrompida por falta de quórum. Os trabalhos foram suspensos por meia hora depois que o senador Mohsin Aziz apontou a falta de quórum. Apenas oito membros estavam presentes quando a sessão foi retomada, e o número de presentes nas bancadas do governo chegou a cair para dois em determinado momento.

Para as famílias que controlam o consumo registrado por seus medidores em torno do limite de 200 unidades, a questão imediata é se as regras finais permitirão recuperar o benefício rapidamente após um mês de conta alta. A mudança mais ampla será a forma como o governo identificará as famílias que têm direito à assistência quando a renda substituir o consumo da rede como principal critério.

Publicidade

Principais pontos

  • O Paquistão está se preparando para acabar com a perda, por seis meses, da condição de consumidor protegido de eletricidade quando o consumo ultrapassa 200 unidades.
  • As opções incluem elevar o limite para 250 unidades e restabelecer a proteção sempre que o consumo mensal voltar a 200 unidades ou menos.
  • Leghari disse que a conclusão do plano levaria cerca de um mês e meio; a data de implementação ainda não foi anunciada.
  • O governo quer direcionar os subsídios com base na pobreza e na renda familiar, citando consumidores ricos com painéis solares que recebem eletricidade da rede com desconto.
  • A dívida circular está em cerca de Rs1,67 trilhão, e a meta para os próximos quatro anos é eliminá-la e retirar a sobretaxa de Rs3,23 por unidade.
  • As distribuidoras receberam a ordem de emitir contas por irregularidades pelo portal central da PITC, em vez de fazê-lo manualmente.
Compartilhar esta matéria

Você também pode gostar