Novovo financiamento aguarda aprovação do conselho do FMI
O Paquistão poderá receber cerca de US$ 1,21 bilhão após concluir as negociações com o Fundo Monetário Internacional, mas o dinheiro ainda precisa ser aprovado pelo Conselho Executivo do credor. O acordo combina aproximadamente US$ 1 bilhão para reformas econômicas com US$ 210 milhões para resiliência climática, enquanto o Paquistão enfrenta inflação de cerca de 10,3% e preços internacionais do petróleo acima de US$ 100 por barril.
Conteúdo
- Novovo financiamento aguarda aprovação do conselho do FMI
- O que o acordo prevê e quando os recursos podem chegar
- Crescimento se manteve, mas custos de energia frearam o ritmo
- Orçamento precisa gerar superávit primário de 2%
- Mais gastos sociais, menos subsídios amplos aos combustíveis
- Inflação mantém pressão sobre juros e rúpia
- Reformas no setor de energia tratam dos custos de importação e das contas não pagas
- Ações caíram apesar do acordo de financiamento
- Reformas climáticas e de governança vão além do desembolso
- Principais pontos
O comunicado de 7 de outubro do FMI registra um acordo sobre a quarta revisão do Extended Fund Facility (EFF) e a terceira revisão do Resilience and Sustainability Facility (RSF). Uma equipe do FMI liderada pela chefe da missão, Iva Petrova, manteve conversas em Karachi e Islamabad de 23 de setembro a 7 de outubro de 2026.
A aprovação elevaria os desembolsos acumulados no âmbito dos dois acordos para cerca de US$ 5,7 bilhões. Os valores explicam por que o acordo é descrito como de US$ 1,2 bilhão ou US$ 1,21 bilhão: este último é a soma das duas alocações aproximadas em dólares, e não um pacote de financiamento separado.
O acordo reconhece avanços na estabilização da economia, mas também estabelece escolhas difíceis de política econômica. Espera-se que o Paquistão mantenha uma política monetária restritiva, cumpra a meta de superávit orçamentário, ajuste as tarifas de energia e substitua o apoio amplo aos combustíveis por assistência direcionada às famílias vulneráveis.
Petrova, chefe da missão do FMI, deixou explícita a exigência de aprovação que ainda falta:
O acordo em nível técnico está sujeito à aprovação do Conselho Executivo do FMI.
Essa distinção é importante. Os negociadores chegaram a um acordo sobre as revisões, mas o anúncio não significa que os recursos já tenham sido liberados nem que o conselho tenha marcado uma decisão.
O que o acordo prevê e quando os recursos podem chegar
A alocação do EFF é de 760 milhões de DES, equivalente a aproximadamente US$ 1 bilhão, enquanto a alocação do RSF é de 154 milhões de DES, cerca de US$ 210 milhões. Os Direitos Especiais de Saque, ou DES, são a unidade contábil do FMI, cujo valor é calculado com base em uma cesta das principais moedas. Por isso, os valores equivalentes em dólares podem variar conforme as taxas de câmbio.
O comunicado atual do FMI descreve um acordo EFF de 37 meses e um acordo RSF de 28 meses. Reportagens identificam o pacote do EFF como sendo de US$ 7 bilhões. Um relato histórico afirma que o pacote acordado em julho de 2024 teria duração de 39 meses, e não os 37 meses mencionados no anúncio oficial mais recente; a revisão atual é descrita aqui conforme a formulação do FMI.
Segundo relatos, o Paquistão recebeu cerca de US$ 1,32 bilhão após a revisão anterior. O desembolso proposto de US$ 1,21 bilhão seria aproximadamente US$ 110 milhões menor, embora ambos os valores sejam aproximados. Ainda assim, representa um reforço significativo do financiamento externo.
A sequência dos acontecimentos e a próxima etapa prevista são:
- 23 de setembro de 2026: A missão do FMI iniciou conversas em Karachi e Islamabad.
- 7 de outubro de 2026: As conversas terminaram, e o FMI datou seu anúncio do acordo e da conclusão das discussões do Artigo IV.
- Ao fim da revisão: O ministro das Finanças, Muhammad Aurangzeb, participou de uma reunião de encerramento com Petrova no Secretariado do Paquistão, em Islamabad. Também estiveram presentes o secretário das Finanças, Imdad Ullah Bosal, e o representante residente do FMI, Mahir Binici.
- Próxima etapa: Análise pelo Conselho Executivo. Reportagens preveem acesso aos recursos em quatro a cinco semanas, mas o comunicado do FMI não confirma uma data para a reunião do conselho ou para o pagamento.
Crescimento se manteve, mas custos de energia frearam o ritmo
O FMI estima que a economia cresceu 3,6% no ano fiscal de 2026, após avançar 4% nos três primeiros trimestres. Atribui a perda de ritmo à alta dos preços da energia e a interrupções no abastecimento relacionadas ao conflito no Oriente Médio.
Esses números se referem a períodos diferentes. O dado de 4% abrange os três primeiros trimestres, enquanto 3,6% é a estimativa para o ano fiscal inteiro. Eles indicam que a economia perdeu parte do ritmo, não que tenha se contraído.
Petrova atribuiu às decisões de política econômica o fato de o Paquistão ter conseguido enfrentar o choque externo:
Com o apoio do EFF, as autoridades conseguiram lidar com os impactos do conflito no Oriente Médio, e políticas sólidas ajudaram a preservar a estabilidade macroeconômica.
A inflação cheia recuou para cerca de 10,3% em setembro, depois de atingir o pico em maio. O FMI também afirmou que a inflação subjacente permaneceu contida. Em geral, a inflação subjacente exclui os preços voláteis de alimentos e energia, ajudando os formuladores de políticas a avaliar se as pressões sobre os preços se espalham pela economia. O comunicado não informa o pico de maio nem o índice de inflação subjacente de setembro.
As contas externas apresentaram melhora. Remessas robustas ajudaram a manter o saldo em conta corrente praticamente equilibrado no ano fiscal de 2026, enquanto as reservas brutas chegaram a cerca de US$ 21,5 bilhões no fim de setembro. A conta corrente acompanha o comércio de bens e serviços, além de rendas e transferências, incluindo o dinheiro enviado por trabalhadores no exterior. Um saldo praticamente equilibrado significa que essas transações geraram pouco déficit ou superávit líquido ao longo do ano.
Uma atualização separada do mercado situou as reservas do Banco Estatal do Paquistão em US$ 21,5 bilhões em 2 de outubro, após um aumento de US$ 15 milhões. O valor coincide com o total arredondado do FMI, mas a data da observação é diferente. O FMI também mencionou elevações das classificações de crédito soberano e a retomada do acesso aos mercados internacionais, sem citar as agências de classificação ou operações específicas de captação.
Orçamento precisa gerar superávit primário de 2%
O orçamento do ano fiscal de 2027 tem como referência um superávit primário subjacente de 2% do produto interno bruto (PIB). Há superávit primário quando a receita do governo supera os gastos antes do pagamento de juros. A meta pretende limitar novos empréstimos, mas não significa que o governo tenha eliminado o déficit total ou o peso do serviço da dívida.
Segundo o FMI, é necessária uma implementação contínua para colocar a dívida pública em uma trajetória sustentável de queda. Entre as prioridades estão auditorias concentradas nos maiores riscos de descumprimento tributário, emissão de notas fiscais digitais e uso mais amplo de informações externas às declarações dos próprios contribuintes. Essas medidas pretendem melhorar a arrecadação e proteger as metas de receita.
O Fundo também defende uma estratégia de reforma tributária que torne o sistema mais simples e justo sem comprometer a arrecadação. Além das reformas de cobrança, quer mais transparência no orçamento, nas compras públicas, nos investimentos públicos e na gestão do caixa do governo.
Dados recentes sobre empréstimos mostram por que os custos de financiamento continuam preocupando. A dívida do governo central chegou a 82,95 trilhões de rúpias no fim de agosto, alta de 7,1% em relação ao ano anterior, mas queda de 0,5% ante o mês anterior. Assim, a redução mensal coexistiu com um aumento anual substancial.
No leilão mais recente de títulos de investimento do Paquistão, o governo captou 381 bilhões de rúpias, superando em 31 bilhões a meta de 350 bilhões. Os rendimentos subiram de 26 a 41 pontos-base nos títulos com vencimento em três, cinco e 10 anos. Um ponto-base equivale a um centésimo de ponto percentual. Rendimentos maiores geralmente significam custos mais altos para novos empréstimos. O rendimento dos títulos de dois anos caiu 19 pontos-base, e as propostas para títulos de 15 anos foram rejeitadas.
Mais gastos sociais, menos subsídios amplos aos combustíveis
Os gastos com saúde e educação aumentaram de 2,2% do PIB no ano fiscal de 2024 para 2,5% no ano fiscal de 2026. As autoridades se comprometeram a elevá-los a 2,8% no ano fiscal de 2027, com monitoramento e realocação de recursos quando necessário.
O aumento planejado elevaria os gastos a 0,6 ponto percentual do PIB acima do nível do ano fiscal de 2024. Em relação à parcela original de 2,2%, isso representa um aumento de cerca de 27% na proporção da produção nacional destinada a esses serviços. Não mede o aumento dos gastos em rúpias, pois o PIB também varia.
O FMI apoia o aumento de benefícios em dinheiro direcionados, a ampliação da cobertura de famílias elegíveis e melhorias nos sistemas de pagamento. Sua posição sobre a assistência aos combustíveis é diferente: quer que o programa atual, de alcance amplo, seja eliminado rapidamente, devido ao custo e à variedade de pessoas beneficiadas.
Em seu comunicado, Petrova apresentou a recomendação do Fundo:
No entanto, o programa de apoio aos combustíveis deve ser eliminado rapidamente, dado seu alto custo e seu público amplo.
Qualquer assistência futura em resposta a preços do petróleo inesperadamente altos deve, segundo o FMI, ter duração limitada, ser oferecida por meio de programas de assistência social já existentes e ser financiada dentro do orçamento do ano fiscal de 2027. O comunicado não especifica uma data para o encerramento nem regras de elegibilidade.
A recomendação surge em um momento difícil para os orçamentos das famílias. A atualização do mercado registrou alta de 2,1% no preço da gasolina, para 398,96 rúpias por litro, enquanto o diesel caiu 0,9%, para 395,72 rúpias. A escolha de política econômica, portanto, está entre um alívio amplo nos preços e uma assistência mais restrita, que proteja determinadas famílias sem ampliar o limite orçamentário.
Inflação mantém pressão sobre juros e rúpia
O FMI recomenda que o Banco Estatal do Paquistão mantenha uma política monetária suficientemente restritiva até que a inflação retorne de forma duradoura à faixa da meta. Na prática, uma política restritiva limita gastos e empréstimos para reduzir as pressões sobre os preços. O comunicado não prescreve uma taxa de juros específica nem anuncia um aumento.
Os rendimentos mais altos dos títulos, ainda assim, alimentaram expectativas de um possível aumento da taxa básica na próxima decisão de política monetária. Essas expectativas são uma interpretação do mercado, não uma decisão confirmada do banco central. Não foi informada a data do anúncio.
A rúpia encerrou a semana de negociação em questão cotada a 277 por dólar, com valorização de 0,03%. O FMI continua defendendo flexibilidade cambial, maior acúmulo de reservas e flexibilização gradual das restrições no sistema de câmbio. A abordagem considera o ajuste da moeda uma forma de absorver choques externos, em vez de prometer um valor fixo para a rúpia.
Reformas no setor de energia tratam dos custos de importação e das contas não pagas
A exposição do Paquistão ao Oriente Médio vai além da alta imediata dos preços do petróleo. Grande parte da energia importada pelo país passa pelo Estreito de Ormuz. Interrupções no transporte marítimo podem, portanto, afetar tanto o custo quanto a disponibilidade dos suprimentos.
Ahmad Mobeen, economista da S&P Global Market Intelligence, apontou a dependência do Paquistão de importações de energia do Golfo, remessas e financiamento como fontes de vulnerabilidade durante um conflito regional prolongado. Isso conecta dois aspectos da avaliação do FMI: as remessas ajudaram a equilibrar a conta corrente, enquanto uma crise regional pode ameaçar uma importante fonte de moeda estrangeira.
O Fundo defende ajustes tarifários em tempo hábil e medidas para reduzir custos nos setores de eletricidade e gás. Quer evitar o ressurgimento da dívida circular, a cadeia de contas não pagas que se forma quando empresas de serviços públicos e outros participantes não conseguem recuperar dinheiro suficiente para pagar uns aos outros.
Entre as prioridades estão mais eficiência, participação privada na distribuição de eletricidade, maior concorrência, preços de gás que cubram os custos e redução das perdas de gás por vazamentos, furtos ou falhas contábeis. A proteção aos consumidores vulneráveis continua entre as políticas declaradas.
Os dados de produção interna ressaltam o desafio do abastecimento. A produção de petróleo caiu 6,4% na semana reportada, para 63.700 barris por dia, enquanto a de gás recuou 1,4%, para 2.999 milhões de pés cúbicos por dia. Enquanto isso, a expansão da mina de carvão Thar Block II, da Sindh Engro Coal Mining Company, poderia permitir que a Lucky Electric Power Company passasse a usar integralmente carvão local. Trata-se de uma possível redução da dependência de importações, não de uma transição já concluída.
Ações caíram apesar do acordo de financiamento
O acordo sustentou o ânimo na Bolsa de Valores do Paquistão, mas não foi suficiente para superar as preocupações com tensões geopolíticas, preços do petróleo, inflação e custos de empréstimos. O índice KSE 100 perdeu 1.066 pontos, ou os 0,6% informados, na semana, e fechou em 167.089 pontos.
Os bancos responderam por 566 pontos da queda, ligeiramente mais da metade da perda líquida. As empresas de fertilizantes subtraíram 234 pontos, seguidas por montadoras, cimenteiras e empresas têxteis. Habib Bank, MCB Bank e United Bank responderam juntos por 388 pontos da queda.
As distribuidoras de petróleo acrescentaram 110 pontos, enquanto as empresas de energia adicionaram 36. A Pakistan State Oil contribuiu com 113 pontos, indicando que as perdas em outras empresas do setor compensaram parcialmente seu ganho. As negociações também perderam força: o volume médio diário caiu 18,6%, para 427 milhões de ações, e o valor médio negociado recuou 2%, para US$ 67 milhões.
Os indicadores empresariais foram mistos, e não uniformemente fracos. Os embarques de cimento em setembro aumentaram 6% em relação ao ano anterior, para 4,62 milhões de toneladas; as vendas internas subiram 7% e as exportações ficaram estáveis. No primeiro trimestre do ano fiscal de 2027, as vendas internas de cimento aumentaram 8%, enquanto as exportações caíram 11%. Os depósitos bancários chegaram a 39,2 trilhões de rúpias no fim de agosto, alta anual de 14%, e as chegadas de algodão em setembro aumentaram 5%, para 3,2 milhões de fardos.
Reformas climáticas e de governança vão além do desembolso
As negociações também concluíram as discussões da consulta do Artigo IV de 2026, uma avaliação mais ampla que o FMI faz da economia e das políticas de um país-membro. As discussões abrangeram concorrência, barreiras comerciais e regulatórias, privatizações, governança de empresas estatais e instituições responsáveis pelo combate à corrupção.
O objetivo é direcionar a produção para atividades que gerem mais valor, aumentem a produtividade e apoiem investimentos, empregos e exportações. O anúncio identifica prioridades, mas não apresenta um cronograma para privatizações específicas nem nomeia empresas selecionadas para venda.
O componente RSF apoia uma agenda separada de reformas climáticas. O FMI relata avanços na inclusão de considerações climáticas no planejamento de investimentos públicos e na melhoria do financiamento e da coordenação em casos de desastre. O trabalho adicional abrange a tarifação e a cobrança pelo uso de água para irrigação, subsídios de eletricidade mais direcionados, padrões de eficiência energética e redução das emissões do transporte.
A próxima decisão imediata é a análise das revisões pelo Conselho Executivo. Além desse desembolso, os compromissos do Paquistão serão postos à prova no orçamento do ano fiscal de 2027, na meta de superávit primário de 2% e no aumento planejado dos gastos com saúde e educação. A avaliação positiva do FMI sobre a estabilidade vem acompanhada do alerta de que tensões geopolíticas, preços voláteis da energia, condições globais de financiamento mais restritivas e interrupções no comércio continuam sendo riscos importantes.
Principais pontos
- O Paquistão e a equipe do FMI chegaram a um acordo sobre revisões que podem liberar aproximadamente US$ 1,21 bilhão, sujeito à aprovação do Conselho Executivo.
- A alocação proposta é de cerca de US$ 1 bilhão pelo EFF e US$ 210 milhões pelo RSF, elevando os desembolsos acumulados para aproximadamente US$ 5,7 bilhões.
- O crescimento no ano fiscal de 2026 é estimado em 3,6%, e a inflação em setembro ficou em cerca de 10,3%.
- O orçamento do ano fiscal de 2027 prevê superávit primário de 2% do PIB e gastos com saúde e educação equivalentes a 2,8% do PIB.
- O FMI quer eliminar gradualmente o apoio amplo aos combustíveis, manter uma política monetária restritiva e reformar as finanças dos setores de eletricidade e gás.
- O índice KSE 100 caiu na semana em questão apesar do acordo, com os riscos energéticos e geopolíticos pesando sobre os investidores.
- O anúncio do FMI não informa uma data confirmada para a reunião do conselho ou para o desembolso.






